Mapeamento O Brasil que Lê indica que 79% dos projetos da sociedade brasileira para o incentivo à leitura no Brasil estão na rede

Segundo o levantamento em curso – uma realização do Itaú Cultural e a PUC-RJ, com consultoria da JC Castilho –, projetos elaborados pela rede social são ampla maioria entre os inscritos na plataforma, que aceita todos os formatos dessas inciativas no setor. O objetivo do estudo é mapear e refletir sobre como essas ações promovem suas sustentabilidades, o perfil do mediador de leitura e as tecnologias utilizadas (ou não), entre outros aspectos, de modo a incrementar o estímulo à leitura em todos os estados do país. O site criado por essas instituições para receber as inscrições permanece aberto para novas inscrições no questionário do mapeamento.
Entre as 240 inscrições de projetos recebidas de novembro passado até agora, a pesquisa O Brasil que Lê já apresenta um número que surpreende: 79% das iniciativas são desenvolvidas pelo Instagram. Ainda de acordo com os registros aplicados até este momento, 52% dos projetos são custeados com recursos próprios – do responsável pelo projeto ou da comunidade onde está inserido –, como muitas das bibliotecas comunitárias. O levantamento está sendo realizado em parceria do Itaú Cultural e a PUC-Rio, com consultoria da JC Castilho, para mapear projetos promotores da leitura no Brasil.
Disponível em http://obrasilquele.catedra.puc-rio.br//, a plataforma O Brasil que Lê está aberta para todos os brasileiros que inscreverem os seus projetos de leitura nos mais diversos formatos – virtuais ou não – de promoção e incentivo à leitura, estando eles em andamento ou já concluídos. O objetivo é mapear e refletir sobre aspectos sociais, educacionais, econômicos e tecnológicos dessas iniciativas da sociedade brasileira em favor da leitura e do conhecimento. 

Pelas redes

Só para mencionar alguns dos inscritos em formato digital, encontra-se Toda Hora Tem História, da escritora e narradora de história paulista Penélope Martins, iniciado há 10 anos em forma de blog e que atualmente chega ao público no formato podcast. Outro exemplo é Lendo Literatura Brasileira, do pedagogo mineiro Álvaro Domingues, o qual manifesta afeto à leitura por meio de postagens nas redes sociais e, desde 2018, realiza um grupo de literatura coletiva em videochamadas.
Penélope conta que a iniciativa de criar o blog @todahoratemhistoria partiu da ideia de comunicar suas experiências com a leitura, ampliando o debate para o desenvolvimento do leitor. “Durante sete anos, essas colunas escritas no blog foram compartilhadas por um jornal do ABC paulista, cujo público era predominantemente de metalúrgicos – o que enriqueceu o princípio condutor da iniciativa”, diz.
Como forma de atingir novos públicos interessados em leitura, o projeto ganhou, em 2021, a forma de podcast e conta com um novo episódio todas as terças-feiras. “Eu tento, como autora, mediadora e, principalmente, como leitora, mostrar que os livros estão aí para nós e existem a partir de nós – por isso, eles são nossos possíveis espelhos”, completa.
Em Minas Gerais, Domingues, criador de Lendo Literatura Brasileira (@alvarobooks), se decidiu por este caminho a partir da interação que fazia nas páginas do Instagram e Facebook sobre seu amor pela leitura. O retorno por parte dos seguidores foi positivo a ponto de ele criar um grupo de leitura coletiva, onde disponibiliza textos de apoio, cronograma, curadoria e mediação para os participantes.
“Em 2016, passei a compartilhar esse afeto pela leitura nas redes sociais. Com o passar dos anos, essa troca foi aumentando até que, em 2018, comecei o grupo de leitura coletiva. As reuniões acontecem com frequência, por meio de videochamadas, para humanizar ainda mais nossas interações”.
Apesar de ser uma iniciativa que acontece inteiramente em ambiente virtual, esse grupo de leitura coletiva tem o objetivo de se aproximar ainda mais do público. “Com o apoio efetivo do projeto no Catarse, além de parcerias com organizações públicas e privadas, o projeto pode passar para o presencial, quando for possível do estado de isolamento social”, completa.

Fora do digital

O Brasil que lê parte do princípio de que as ações de incentivo à leitura se multiplicam, em formatos diversos, de forma anônima, em escolas, bibliotecas, associações de moradores, praças, igrejas e espaços variados. Elas incentivam a formação e mediação da leitura, fomentando a sustentabilidade cultural e crítica dos cidadãos. Além da maioria dos projetos serem realizados via redes, o estudo também registra projetos desenvolvidos em meio físico. Entre eles, Biblioteca de Muro, idealizado pelo gestor cultural Jailson Cordeiro, de Santa Catarina.
O projeto de Cordeiro foi posto em prática em abril de 2018, surgido da inquietação de popularizar a literatura e tornar a leitura um hábito. “Lembrei das hortas comunitárias feitas em calçadas e disso veio a ideia”, conta ele. Assim, ele decidiu criar uma biblioteca na calçada – muro, no caso dele –, construída, em uma primeira versão, com materiais de que dispunha em sua casa. “O funcionamento é simples: os livros ficam à disposição, é só pegar, ler e devolver quando terminar”, explica.
Outro exemplo é a Casa de Leitura Soraya Pamplona, idealizado pela designer gráfica especializada em produção editorial que dá nome ao projeto em julho de 2017, no Rio de Janeiro. “Era um sonho antigo que se concretizou depois de eu ter tido contato com a iniciativa de um professor e perceber que era possível transformar a rua, o bairro, a cidade a partir da leitura, inserindo-a no dia a dia das pessoas”, lembra Soraya. “Quando jovem universitária, eu não podia comprar livros, já que só havia dinheiro para a comida. Ninguém merece ter de escolher entre livros e alimentos. Por saber que essa crueldade continua a ocorrer na periferia, decidi fazer do meu lar um espaço onde todos podem encontrar opções de leitura em um ambiente de acolhimento”, complementa ela. 

Cursos para mapeados

Quem participar do mapeamento vai ter acessos a três ações de O Brasil que Lê: dois cursos online sendo um de gestão de projetos de leitura e outro sobre mediação de leitura – e as possibilidades de diálogo com as diferentes de pesquisas sobre leitura no Brasil. Este mapeamento é proposto com a intenção de impactar positiva e efetivamente aqueles que estão na linha de frente dos projetos, como bibliotecas comunitárias, redes de leitores na internet ou presenciais, projetos desenvolvidos em presídios, hospitais, em meio rural, entre outros. Mesmo ainda parciais, os seus resultados já estão sendo utilizados como fonte para a realização dos dois cursos a serem oferecidos aos participantes.
Uma vez inscritos e analisados, os projetos receberão um certificado com o Selo de Participação no mapeamento. Pesquisadores visitarão projetos cujas ações evidenciam um diferencial em gestão, resultados, práticas, mediação e uso da tecnologia. Após a divulgação dos resultados, todos eles passarão a fazer parte da plataforma Cartografias da Leitura, possibilitando conexões e trocas de experiências.
A importância desta pesquisa está em dar visibilidade a todos os que promovem a leitura, ampliando o acesso à informação qualificada e, sobretudo, abrindo horizontes para a multiplicação e sustentabilidade de ações que estão contribuindo para a construção de um país leitor.

Índice de leitores no Brasil

O mapeamento do O Brasil que Lê se soma a iniciativas como a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, o maior e mais completo estudo sobre os hábitos de leitura no país, cuja quinta edição foi realizada em conjunto pelo Instituto Pró-Livro e o Itaú Cultural e os resultados foram lançados em setembro passado. 

O levantamento, que constatou uma diminuição de cerca de 4,6 milhões de leitores no Brasil, entre 2015 e 2019, aponta o Nordeste como a região onde mais se lê no país. Em João Pessoa, na Paraíba, 64% da população é leitora. Por outro lado, o número de adeptos à leitura em Maceió, Alagoas, cai para 37% da população. No Centro-Oeste, a capital do Mato Grosso, Cuiabá, o índice é de 26%. Na região Norte do país, Manaus, Amazônia, 62% dos habitantes são leitores e em Porto Velho, Rondônia, a leitura atrai 51% da população. 

A região Sul O Sul abocanha uma média de 56% de leitores nas capitais dos estados – 52% Em Porto Alegre, Rio Grande do Sul; 56% em Florianópolis, Santa Catarina e 63% em Curitiba, Paraná. No Sudeste, a mesma média é de 54% – 60% em São Paulo, 47% no Rio de Janeiro, 55% em Vitória, Espírito Santo, e 53% em Belo Horizonte, Minas Gerais. 

Para chegar a estes resultados, os pesquisadores de Retratos da Leitura no Brasil entrevistaram 8.075 pessoas em 208 municípios, entre outubro de 2019 e janeiro de 2020, sendo 5.874 deles nas capitais dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal. A pesquisa é realizada de quatro em quatro nos.  Foram considerados leitores aqueles que leram pelo menos um livro inteiro, ou em partes, nos três meses que antecederam a pesquisa. A nível nacional, os dados deste levantamento revelam a existência de 52% de leitores e 48% de não-leitores entre os entrevistados. O número de 2019 caiu em comparação com a pesquisa anterior, realizada em 2015. Na época, foram registrados 56% leitores e 44% não leitores.

SERVIÇO

O Brasil que Lê
http://obrasilquele.catedra.puc-rio.br/.
Retratos da Leitura – 5ª edição

https://www.prolivro.org.br/5a-edicao-de-retratos-da-leitura-no-brasil-2/a-pesquisa-5a-edicao/


Itaú Cultural
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Programa Rumos Itaú Cultural:   

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Ruth Rocha completa 90 anos

São Paulo, 2 de março de 2021 - O dia 2 de março de 2021 marca um importante momento para a história da literatura brasileira: neste dia a premiada escritora Ruth Rocha completa seus 90 anos. A autora, uma das responsáveis pela evolução da literatura infantil brasileira, e autora de sucessos como Marcelo, marmelo, martelo e O Reizinho Mandão, tem planos para continuar escrevendo e lançando obras que falam não só com as crianças, mas também com toda a família.
A vontade mostra a disposição e o bom humor que sempre foram características de Ruth ao longo de sua vida. Uma trajetória marcada por 213 livros lançados - 140 pela Editora Salamandra, onde hoje atua como autora exclusiva -com inúmeros contos, crônicas, traduções para o português de obras clássicas e ações das mais diversas, que visam garantir um dos direitos mais básicos da humanidade: o acesso à alfabetização e à educação.
Mesmo diante da pandemia da Covid-19, Ruth não para de criar e lançar novos títulos. Como um alento para as famílias neste momento, que procuram exatamente formas de estreitar os laços com os pequenos, a escritora presenteou a todos com o seu último lançamento, o Almanaque do Marcelo e da turma da nossa rua, publicado pela Editora Salamandra no fim de 2020. A obra, em coautoria com sua filha, Mariana Rocha, e com ilustrações de Mariana Massarani, traz atividades diárias divertidas e interativas para fazer com as crianças.
"Enquanto estiver lúcida, quero continuar escrevendo. O mundo é vasto e quero continuar falando sobre ele, lutando por aquilo que é certo, incentivando as crianças a serem cidadãos críticos", comenta a autora, ao falar sobre seu futuro. Para ela, os 90 anos são apenas um marco. Importante sim, mas não final. 

Amor pelos livros e pelas crianças 

Com mais de 50 anos de carreira e mais de 25 milhões de exemplares vendidos, Ruth sempre foi apaixonada pela literatura. Ouviu da mãe, dona Esther, as primeiras histórias, mas sua vida mudou mesmo quando conheceu Reinações de Narizinho e Memórias de Emília, de Monteiro Lobato. Foi ali, inspirada pelas estrepolias e pela personalidade irreverente da boneca de pano Emília, que Ruth descobriu que a literatura era seu amor de uma vida toda.
Formada em Ciências Políticas e Sociais pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo, foi aluna do autor de Raízes do Brasil, o historiador Sérgio Buarque de Holanda. Por 15 anos, Ruth foi orientadora educacional do Colégio Rio Branco. A partir de 1972, começou a escrever sobre educação para a revista Cláudia, e posteriormente para a revista Recreio. De lá para cá, a autora não parou e criou clássicos como Marcelo, marmelo, martelo - seu best-seller e um dos maiores sucessos editoriais do país, com mais de setenta edições e vinte milhões de exemplares vendidos -, O Reizinho Mandão - incluído na "Lista de Honra" do prêmio internacional Hans Christian Andersen -, e muitos outros. Sua versão da Declaração Universal dos Direitos Humanos, feita em parceria com Otávio Roth, teve lançamento na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York, em 1988.
Ruth recebeu prêmios de diversas associações pela sua contribuição à literatura e à educação brasileira: Academia Brasileira de Letras, Associação Paulista dos Críticos de Arte, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, o prêmio Santista, da Fundação Bunge, o prêmio de Cultura da Fundação Conrad Wessel; a Comenda da Ordem do Mérito Cultural e oito vezes o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira de Letras. Também foi homenageada pelas escolas e municípios, com seu nome batizando centenas de bibliotecas pelo país. 

Sobre a Salamandra 

Com um catálogo formado por obras de autores brasileiros e estrangeiros, o principal foco da Salamandra é a valorização do livro como veículo de expressão de ideias, sentimentos e emoções desde a primeira infância até o início da adolescência. O selo publica obras que dialogam com o leitor, divertindo e provocando a reflexão sobre questões pessoais e do mundo, por meio de uma linha editorial ampla e diversificada para atender todos os gostos: livros tipo álbum para leitores iniciantes; e, para leitores mais fluentes, aventuras, histórias com temas do cotidiano. Tudo para fazer da leitura uma atividade prazerosa e significativa. Desde 2009, a Salamandra detém exclusividade sobre a obra literária de Ruth Rocha, uma das escritoras mais talentosas e queridas do Brasil, em uma iniciativa inédita no mercado de livros para crianças e jovens. 

Assessoria de imprensa
Danthi Comunicações
Ana Paula Fonseca - anapaula@danthi.com.br - 11 98696-7212
Cristina Alves - cristina@danthi.com.br - 21- 98160-0311
Letícia Andrade - leticia@danthi.com.br - 11 3812-7393 

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Cavaleiros de Gutenberg – Associação Lusófona

Esta nova Associação advém dos contactos preliminares que desde 2013 a Confraria Polaca “The Polish Guild of Gutenberg Knights” desenvolveu em Portugal, contactando empresários e personalidades portuguesas, que comunguem os mesmos ideais e valores, com o objectivo de criar o ramo português dos Cavaleiros de Gutenberg.
A ideia desta confraria nasceu em França de onde foi transferida para a Alemanha, Itália, Bélgica, Suíça e Polónia. A corporação Polaca presidida pelo Chanceler Jacek Kuśmierczyk defende e promove os valores de uma Europa justa e fraterna, difundindo a língua e a cultura dos povos, contribuindo para a preservação da palavra impressa e para a sua melhoria e desenvolvimento. De igual modo, promove a alfabetização e a difusão da educação e cultura, especialmente entre crianças e adolescentes.
A Associação Portuguesa agora constituída, sem fins lucrativos, denominada Cavaleiros de Gutenberg – Associação Lusófona, tem por finalidade principal defender e promover a palavra impressa, contribuindo por todos os meios legais ao seu alcance para a sua preservação, difusão, melhoria e desenvolvimento da comunicação impressa dos países da cultura e de língua portuguesa. Para a prossecução dos seus fins, a Associação promoverá iniciativas de âmbito cultural, associativo e formativo, no espaço geográfico e cultural de língua portuguesa, relacionadas com o seu objecto.

Cavaleiros de Gutenberg – Associação Lusófona
Estrada Nacional 108, n.º 206
4300-316 Porto
geral@cavaleirosgutenberg.pt

Website

Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg

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UM OUTRO BREVIÁRIO: A propósito do "Breviário Amoroso de Sóror Beatriz" de Maria Mortatti / Por Antonio Manoel dos Santos Silva

Breviário Amoroso de Sóror Beatriz é o título do livro de Maria Mortatti, publicado em 2019 pela Editora Patuá. A primeira vez que li o título, me vieram à mente algumas referências: o Breviarium Monasticum dos monges beneditinos, o livro de Roland Barthes, Fragmentos do Discurso Amoroso, os ensaios de Ortega y Gasset presentes em Estudios sobre el Amor, os poemas místicos de Teresa de Ávila, os poemas de Soror Juana Inés de la Cruz, e, como era de se esperar, a figuração feminina mais relevante da literatura ocidental, a idealizada Beatriz de Dante Alighieri, presença obsessiva em La Vita Nuova, e guia beatífica e luminosa no caminho para a Rosa Mística , em La Divina Commedia. Fui ao lançamento do livro, não só para adquiri-lo, mas também para rever a autora, uma docente da UNESP, conhecida por seus estudos sobre educação. Para mim, que a conhecia por seus trabalhos de educadora, foi uma surpresa descobri-la como poeta.
Mais surpreso fiquei ao ler seu livro e não foi porque está bem escrito, mas porque, conforme diria Mário de Andrade, está milhor escrito; atinge, portanto, um patamar de expressão no qual a linguagem adquire a máxima eficácia possível. Tento mostrar a pertinência desta afirmação, começando por negar ter atingido o alvo com a procura motivada pelo título do livro, o que é próprio àquela pesquisa que busca a presença dos rastros das obras que, como referências imediatas, intuímos instaurarem diálogos possíveis com o texto que vamos ler. Não é qualquer livro de poemas que induz a essa busca. Assim tive oportunidade de visitar textos que há tempos não lia, como os de Barthes, de Ortega y Gasset, de Teresa de Ávila e de Juana Inés, e o Breviarium Monasticum  (Diurnal Monástico), ou mesmo textos que sempre leio, como os dois de Dante acima citados. Assim sendo, o livro de Maria Mortatti (cujo nome comporta um signo que aparece, conforme vou mostrar, como operador poético), começa por garantir sua eficácia quando compele o crítico a essa atividade prazerosa de abrir sua leitura para outros textos, mesmo que alguns desses outros textos neguem seus vestígios. De certo modo o crítico amplia seu universo imaginários que se deixa levar por essas intuições nascidas do livro. Tal amplitude se manifesta em outros aspectos.
Quem é a autora dos poemas contidos no livro? Na capa, está presente o nome poético, Maria Mortatti, que não é todo o nome da autora, Maria do Rosário Longo Mortatti. Mas os poemas são anunciados como sendo de Soror Beatriz, cuja vida monástica está narrada na orelha da primeira capa: são poemas escritos entre 1976 e 1993, poemas que alguém encontrou entre as anotações da rotina da vida religiosa registradas nas páginas de seus diários. O fingimento poético se introduz nessa síntese narrativa. Esse alguém, que teve acesso aos diários da freira, encontrou os poemas e os ordenou, esse alguém é a Maria Mortatti, de modo que Maria Mortatti edita textos alheios que extraiu de diários. Estamos, pois, diante de um fingimento (ficção) literário de longa tradição na literatura. O leitor do Breviário Amoroso fica se perguntando: que razões leva uma autora a se distanciar, fingidamente, de sua produção, graças ao uso dos velamentos (pesquisadora que mexe em diários, que descobre poemas, que os põe em ordem segundo uma unidade temática, que os edita)? Afinal, quem é a poeta: a editora, a pesquisadora, a monja? Suponho que seja a Maria Mortatti, que se multiplicou, dramaticamente, em personalidades distintas que ora se separam, ora se fundem. Em Seven Types of Ambiguity  (Sete tipos de ambiguidade), Wiliam Empson tratou com pertinência desses desdobramentos literários. Se ele não os elucidou totalmente, eu, que não sou teórico, muito menos. Por isso, aceito o fingimento criado por Maria Mortatti e passo a comentar o Breviário.
Sugeri mais acima que o livro de Maria Mortatti se vale do Diurnal Monástico (Breviarium Monasticum) como guia orientador da ordem dos poemas. O leitor que conhece breviários ou que já ouviu falar deles, fica movido pela expectativa categórica de encontrar no livro da poeta aqueles elementos próprios do culto religioso. Essa expectativa categórica se satisfaz quanto à ordem e a denominação das partes que compõem o conjunto. No livro inventado pela poeta, encontramos as “Horas maiores” (Matinas, Laudes e Vésperas) e as “Horas menores” (Prima, Tércia, Sexta, Noa e Completas), na seguinte ordem: I – Matinas; II -Laudes; III – Prima; IV - Terça; V - Sexta; VI – Noa; VII – Vésperas: VII - Completas. Mas, a Maria Mortatti oferece como bônus uma parte final que constitui uma intrusão de autora, a parte intitulada “Rosário” (p.67-75 ou 76), o que me pareceu uma imposição da vontade pessoal, que resolveu jogar um cisco no olho dos que, desde há algum tempo, querem afastar o autor de sua criação. Além dessa intromissão autoral, que cria uma tensão entre a estrutura do Breviário religioso e a composição do livro, já que o rosário não costuma constar em parte alguma do Diurnal Monástico, encontramos tensão poética mais relevante. É a que se estabelece com os conteúdos discursivos, que rompem com a expectativa categórica, pois esses conteúdos se voltam para o amor profano e não para o amor místico, para este amor que os hispânicos costumam qualificar de “amor a lo divino”.
Se eu interpreto corretamente, a poeta instaura duas instancias de significado, a que anuncia nos títulos e subtítulos e a que enuncia nas diferentes partes e nos poemas que as constituem. Este jogo de reverberações inversas começa com a repetição do título do livro no texto de abertura (páginas 13 a 15), que constitui uma antecipação resumida do que leremos a seguir. Mas é uma antecipação falsa, pois nenhum dos oito subtítulos repercute nas oito partes do Breviário, ainda que já contenham os sinais do caráter profano que animará o discurso amoroso, o que fica abertamente enunciado em todos os versos dos oito subtítulos e às vezes sem restrição nenhuma determinada pelo pudor, como acontece no quinto verso de “II-Laudes”; e o sabor de tua língua em meus grandes lábios (p. 13).
O que o leitor espera encontrar em orações das Matinas (as orações que se rezam durantes as horas da madrugada em vigília)? Esperam-se salmos, antífonas, cânticos, etc,, de elevação espiritual, com que se prepara o espírito para as vicissitudes ou os trabalhos do dia. Mas a Matinas de Maria Mortatti intitula-se Poética (p. 19), isto é um poema sobre sua concepção de poesia, uma poética tanto explicativa quanto, simultaneamente, programática, que sintetiza, por meio de metáforas e símbolos, os motivos dominantes que reaparecerão nas demais partes (Laudes, Prima, etc.). Tais motivos têm como eixo o amor, ou melhor a experiência amorosa. Não encontraremos, portanto, teorizações ou tentativas de teorizações sobre o Amor e sobre suas formas de manifestação, mas, sim, sobre a experiência vivida de amar, desde o enamoramento imprevisto até o sentimento da falta e da necessidade de satisfação sexual, passando pelos “domésticos venenos” (v. Prisão Domiciliar) e pela recusa das leis e dos estigmas impostos às mulheres ou a elas aplicados (v. Desabafo) e até afrontando, com a ambiguidade expressiva da metamorfose litúrgica, a sacralidade dos sacramentos (v. Antropofagia). A escolha poética de Maria Mortatti, é a do amor como experiência humana. Como essa experiência, que é a de uma relação finita entre seres finitos, se faz segundo uma variedade grande de modalidades, o livro contém o reflexo dessa diversidade na constituição formal dos poemas, o que torna coerente o uso de medidas velhas como a glosa e o canto coral, ao lado de construções modernas que se valem da imitação de formas forâneas e do uso do chamado verso livre em que o ritmo não se reduz às sequência dos acentos de intensidade. Deixo para um segundo artigo, minha análise sobre este aspecto essencial da poesia, ou seja, a forma como instância do conteúdo. 

Antonio Manoel dos Santos Silva

(Fonte: Vitrine Literária / São Paulo, 30/12/2019)


Maria Mortatti (Araraquara/SP), mestre e doutora em Educação, professora titular e pesquisadora na Unesp, campus de Marília. Além de "O breviário amoroso", tem publicado um outro livro de poesia, "Mulher umedecida", e vários outros na área acadêmica, tendo conquistado o primeiro lugar no Prêmio Jabuti de 2012 (Educação) e sido finalista no mesmo Prêmio em 2015.

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Shopping Center Norte recebe Feira do Livro Letrinha

Até 26 de março de 2021, os clientes e frequentadores do Shopping Center Norte poderão aproveitar a Feira do Livro Letrinha. Montada na praça de eventos, a Feira tem o objetivo de incentivar a leitura e apresenta mais de mil títulos, principalmente do universo infantil, com destaque para a coleção Sentimentos e Emoções, da editora Pé da Letra. Um dos principais diferenciais são os preços acessíveis, com livros a partir de R$ 5,00.
Com mais de 15 anos de atuação, a empresa Letrinha tem como propósito promover o mágico encontro entre as crianças e os livros. “Acreditamos que o livro é uma excepcional ferramenta de transformação da sociedade e buscamos proporcionar, por meio da Feira do Livro, uma experiência única e divertida para crianças, adolescentes e adultos”, diz Samuel Missé, diretor da Letrinha.
Com entrada gratuita, o evento segue o horário de funcionamento do Shopping, que, atualmente, opera de segunda-feira a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos e feriados, das 12h às 20h, sendo que a abertura das lojas e quiosques entre 12h e 14h nesses dias é opcional.

Protocolos de segurança 

Vale reforçar que entre as medidas preventivas que o Center Norte mantém estão: controle de fluxo, que está limitado a 40% da capacidade do empreendimento; aferição de temperatura na entrada; uso obrigatório de máscara de proteção em todas as dependências, inclusive no estacionamento; processos de limpeza redobrados em todas as áreas e superfícies; dispensers de álcool em gel em diversos locais para a higiene das mãos; e reforço de comunicação a respeito da importância da colaboração de todos com os cuidados necessários. 

Feira do Livro Letrinha

Onde: Praça de eventos do Shopping Center Norte

Quando: De 13 de fevereiro a 26 de março

Horário: De segunda-feira a sábado, das 10h às 22h. Aos domingos e feriados, das 12h às 20h.

Entrada: Gratuita

Endereço: Travessa Casalbuono, 120 - Vila Guilherme – São Paulo/SP


Sobre o Shopping Center Norte
 

Inaugurado em 1984, o Shopping Center Norte está entre os mais completos e diversificados centros de compras do País. Com um mix de 331 lojas, o empreendimento ocupa uma área de 142 mil m². Além da ampla variedade de lojas e serviços, o shopping conta com duas praças de alimentação, incluindo mais de 60 restaurantes, fast-foods, lanchonetes e quiosques. Cinemas e Playland completam a área de lazer do shopping, que investe constantemente em iniciativas inovadoras e ações diferenciadas. Nesses 36 anos de operação, o Shopping Center Norte segue acompanhando o crescimento e desenvolvimento do setor no Brasil. O negócio integra o complexo multiuso Cidade Center Norte, que conta também com o Shopping Lar Center, o Expo Center Norte e o Novotel Center Norte.

Saiba mais em: https://www.centernorte.com.br/.

 

 

 

Débora Camargo

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NA LINHA DO CEROL: REMINISCÊNCIAS POÉTICAS, DE JOÃO SCORTECCI / “UM LIVRO-ARRAIA”, POR MARIA MORTATTI

1.

Na linha do cerol [2], de João Scortecci, é um livro de “reminiscências”, mas “poéticas”; de “memórias autobiográficas”, mas também de “poesia brasileira”. Essas classificações no subtítulo e na ficha catalográfica sintetizam, em certa medida, o entrecruzamento das principais características desse livro-arraia[3], que se empina com o “vento de reminiscências” e convida o leitor a acompanhar o “sonho de ir além do destino” no “voo da alma” do menino-poeta. Mas sem temer a “linha do cerol”[4], metáfora central que sustenta a unidade temática do livro, como eixo em torno do qual se vão tecendo, no movimento em vórtice ascendente, as várias camadas de sentido da configuração textual. 

Habilmente manejada pelo poeta — à semelhança do menino que lanceia a arraia para uma disputa no céu —, essa figura de linguagem opera no nível do enunciado e da enunciação, com sentidos e funções complementares entre si e apenas aparentemente opostos. Em vez de lancear/cortar, enlaça/costura o leitor pelo “fio da memória” de vivências de infância elevadas à condição de experiência humana e transfiguradas em poesia. Ao mesmo tempo, enlaça/costura a singularidade do livro no conjunto da obra literária do autor e na tradição literária/memorialística brasileira — especialmente a partir do século XIX — sobre o tema da infância. 

2.

Os 62 poemas numerados que compõem o livro podem ser lidos isoladamente ou como unidades de um extenso poema lírico que contém uma narrativa memorialística-autobiográfica, cujo enredo está estruturado em ao menos três partes: nos poemas 1-7: apresentação de eu-poético/protagonista/narrador e outros personagens — amigos, meninas/mulheres, familiares —, tempo e espaço das reminiscências; nos poemas 8-59: sequência dos episódios rememorados; nos poemas 60-62: clímax, com o brusco rompimento da sequência narrativa, a explicitação do conflito da “hora de partir” (61) [5] e o desfecho, com a “anistia” do passado e o “resgate do poema” (62).

As reminiscências se iniciam com o protagonista aos oito anos de idade, em março do “ano verde oliva de 1964” (1), na cidade de Fortaleza/CE, até o “exílio voluntário”, após se despedir da infância, com um “cerol de março de mil novecentos e setenta e dois” (60). A sequência cronológica linear dos episódios rememorados e as referências diretas ao contexto histórico e geográfico propiciam apreender, no transcurso dos também oito anos do tempo da narração, o tempo psicológico/subjetivo do processo de iniciação/aprendizagem sexual e de formação de identidade.

A unidade temática sustentada pela metáfora da “linha do cerol” se desdobra em metáforas correlatas: rio Pajeú “canal polonês que corta a cidade/e o mundo em córregos”(4), “caminho de passagem e de chegada durante o ano inteiro” (36), em cujo vale se encontra a  “a toca do muçum preto[6]” (4,61,62...) e se deu a despedida da infância (60). No entrelaçamento com o conteúdo das reminiscências e com as escolhas formais e estilísticas, podem-se visualizar os engenhosos movimentos ondulatórios em vórtice, por meio dos quais se vão tecendo as várias camadas ascendentes — das mais aparentes às mais íntimas — de sentido da configuração textual. 

Aos que viveram a infância nos anos de 1960 no Brasil, a imagem da capa, o conteúdo das reminiscências e as belas gravuras que ilustram 17 poemas podem ter o efeito quase imediato —  como poderosas madeleines proustianas — de despertar lembranças factuais e afetivas, dialogando com as do autor ou complementando-as. Brinquedos, brincadeiras, jogos, costumes, alimentação, vestuário, escola, professores, modos de socialização, fatos políticos, referências culturais, literárias e religiosas se perfilam nos poemas, remetendo ao contexto histórico e social de formação de geração de brasileiros e brasileiras, despertando, ainda, interesse de novas gerações em conhecer aspectos do passado recente do país e a obra poética do autor. 

Há, também, passagens de mais intenso e lancinante lirismo, concentradamente nos poemas 60-62 e em tantos outros, como nestes: 3 - Papai Noel “Apagou-se no escuro do silêncio/e nunca mais foi achado”; 20 - a voz de Sara cantando “... o mar também tem amante/o mar também tem mulher./É casado com areia/Dá-lhe beijos quando quer...”; 30 - Vovó Chiquinha, que “... existia e não existia/no livro da vida. [...] Subiu aos céus em noite de lua cheia/ na primeira batida do mar/Deixou uma digital de polegar no coração”; 34 – Margarida, que “Um dia fugiu de casa/com mala e olho roxo./Voltou carioca no andar e falar/e logo foi embora novamente”; 55 – “O anjinho que professora Rosa me deu/foi devorado por cobras e lagartos/ainda no purgatório./Chorei no eucalipto/uma coqueluche de arquibancada.”; 60 – “No alfenim da memória/o gosto amargo da fervura em movimento/ebulição de inquietude e renitência”; 61 – “Antes de entrar no Túnel do Tempo/recolhi do cenário o par de sandálias havaianas./Dei a última espiada no vazio dos olhos/e não me vi na raiz do coqueiro”.

Talvez, porém, sejam as lembranças da iniciação/aprendizagem sexual do universo masculino que se destaquem, convidando leitores a se colocarem na posição de voyeurs – como os meninos que, a pretexto de resgatarem a arraia lanceada, espiam “Na brecha da telha sem forro/o corpo aveia da moça no banho das seis” (28) –, frente à explicitude poeticamente trabalhada, seja por meio das muitas palavras e expressões com a força imagética de sentidos sugestivamente ambíguos a pulular nas páginas do livro — como “muçum preto”, “gavião afoito”, “fios de ovos”, “vômito no prato”, “moita do pau-de-arara”, “goiaba bichada”, “reserva na palma da mão” —, seja nos poemas dedicados a personagens femininas, em que se descrevem desejos e rituais de sedução erótico-sexual, a despeito de possíveis ressalvas que leitores atuais possam apresentar a essa representação da mulher. 

O entrelaçamento é tecido também na relação do conteúdo das reminiscências com as opções formais e estilísticas: a disposição em versos breves, livres e soltos, cada um deles em apenas uma página, e o predomínio de substantivação e frases nominais, característicos da “concisão expressiva”, expressão utilizada por Fábio Lucas[7] para  se referir à marca do estilo do poeta. 

Essas características se encontram em todos os poemas, de modo menos ou mais visível. Em alguns estão de tal modo condensadas, que, ao lê-los, tem-se a impressão de ter encontrado o “cabograma secreto” que o menino “depositou no esconderijo da toca do muçum preto” (61). Um exemplo de “lancear arrepios” é o poema 7, onde se podem visualizar e sentir os movimentos ondulatórios que entrelaçam diferentes camadas de sentido entre a denotação e a conotação, entre o factual-empírico e o simbólico-onírico.  

- 7 –

Basta – quase nada – de simpatia e vento

para se fazer uma arraia-pipa

voar feito pássaro em liberdade

 

Receita do Nelsinho

 

linha 24 de carretel de madeira

três palitos compridos de palha de coqueiro

2 folhas de papel de seda

uma mão generosa de grude de maisena

pano velho de algodão para rabo-de-escama

poder-de-puxar-e-rasgar

uma gilete para a ponteira

cerol de néon de vidro bem picado

peneirado em meia de nylon

de mulher honesta e água 

 

Água espraiada do rio Pajeú.

 

No poema estão representadas duas faces de mesmo desejo, movido por “simpatia e vento”: o do menino, no símbolo fálico do voo da arraia-pipa; e o do poeta, na metáfora do livro-arraia. Nessa sofisticada representação, condensando camadas de sentido, ressalta-se o caráter substancialmente lírico das reminiscências, em um jogo incessante entre explicitação e despiste, semelhante às brincadeiras de esconde-esconde ou cabra-cega.  

3.

Como se penetrando na intimidade do poeta, arrisco formular uma hipótese interpretativa com base nas pistas e despistes sintetizados nos poemas do desfecho. A origem do livro é o poema-diário-cabograma secreto, depositado no “esconderijo da toca do muçum preto” (61) — com Encontro marcado, de Fernando Sabino, e Diário de Dany, de Michel Quoist (62) —  que, “no dia da hora certa” (61), “vinte e quatro anos depois” (62), o poeta resgata “na linha do cerol”(62). Anistia, então, o passado, para o qual “não há respostas”, “além de reminiscências.” (62)

Se assim for, é possível acrescentar: aquela “concisão expressiva” remete à característica de estilo esboçada desde as primeiras anotações — talvez como linguagem “criptografada” no código secreto do registro de confidências — no diário (real ou fictício?) daquele que via o mundo através de “óculos fundo de garrafa” (4) e vivia como poeta em construção “lá fora, no pátio de ser menino inocente/no golpe revolucionário dos fatos” (2). Com a despedida da infância e seu posterior resgate como poema, o cerol que corta laços com o passado – “impossível ficar” (60) —, também enlaça/costura com a linha da poesia — “Impossível morrer” (60) — as reminiscências do vivido “em ebulição”. 

Nesse livro, portanto, a concisão pode ser interpretada como resultado do esforço de preenchimento, por meio de reapresentação e transfiguração poética da travessia em busca do acesso ao que está ausente – o passado —, e não se podia mostrar, quando era presente. Porque a memória é lacunar e coordenativa – como o ambiente onírico; e o que passou não pode ser reconstituído como de fato foi, apenas pelo que a memória afetiva reteve dos fatos vividos: sensações tácteis, auditivas, visuais, olfativas, gustativas.

E, ainda que de modo não consciente, o menino-poeta tenha talvez ensaiado nos registros do diário o estilo que o homem-poeta resgatou, foi consolidando em seus livros de poemas e também está presente em sua prosa ficcional e memorialística [8]. Desse ponto de vista, ao mesmo tempo em que se destaca por suas características específicas — poema lírico com narrativa memorialística-autobiográfica em que se enfatiza a iniciação/aprendizagem sexual —, Na linha do cerol... representa uma espécie de marco de opção poética[9] e estilística do autor, que se firma nos livros posteriores e enlaça o conjunto de sua obra literária desde as primeiras publicações.  

É também pelo “fio da memória” que o livro se enlaça na tradição literária/memorialística brasileira — especialmente a partir do século XIX — sobre o tema da infância. Além da remissão indireta, no poema 1, a “Meus oito anos”, de Casimiro de Abreu (poema gestado no contexto de seu “exílio voluntário” temporário em Portugal), os episódios rememorados ao longo dos poemas de Na linha do cerol... evocam outros textos em verso ou prosa. Para citar os que de mais imediato me vêm à lembrança, apenas entre os de autoria masculina e brasileiros: na poesia - “Infância”, de Carlos Drummond de Andrade, e “Infância”, de Manuel Bandeira; na prosa - Infância, de Graciliano Ramos, Menino de engenho, de José Lins do Rego, A idade do serrote, de Murilo Mendes. 

Embora recorrente como matéria poética-ficcional-memorialística, são obviamente diversificados os tratamentos dados ao tema, conforme singularidades de vivências e experiências dos sujeitos que rememoram. No entrelaçamento do encontro marcado com o passado e o resgate do poema — no presente da narração — como memória do futuro, configura-se a singularidade de Na linha do cerol..., livro-arraia que eleva as reminiscências das vivências do menino-poeta à condição de experiência humana transfigurada em poesia, possibilitando identificação e provocando nos leitores o desejo ir além das margens do rio da infância.  

4.

Trata-se, portanto, de um livro-arraia-com-linha-de-cerol que convida os leitores a se deixarem enlaçar — pelo conteúdo das reminiscências e pela forma literária — para se lançarem no desafiante jogo memorialístico-poético de que não se pode sair ileso, mas em que todos vencem. Porque, em vez de disputas de interpretações e para além da visão do universo masculino, o convite é para rememorar, complementar, questionar, explorando pistas e despistes das inúmeras camadas de sentido apenas comentadas, mencionadas ou sugeridas neste texto. Porque esse é o desafio que nos propõe a leitura de um bom livro: lá onde buscamos respostas, encontramos perguntas que nos instigam a continuar em busca dos sonhos “de ir além do destino” e “voar feito pássaro em liberdade”.

21.02.2021

Maria Mortatti

[1] Escritora e Professora Titular na Universidade Estadual Paulista – campus de Marília.

[2] Analiso exemplar da 9ª. edição, de 2008, com capa de Heber F. Alvares, ilustrações com 17 gravuras por Luiz Carlos Checcia, nota introdutória, 62 poemas e nove comentários críticos anexados ao final do livro. A partir da edição de 2003, foi acrescentado o adjetivo “poéticas” ao subtítulo. 

[3] “Arraia”, “pipa” ou “papagaio” são algumas das variantes de denominação do brinquedo feito por uma armação com varetas de madeira ou outro material adequado, como palha de coqueiro, encapadas normalmente com papel de seda. Preso por uma linha, o brinquedo é manejado por uma pessoa e elevado e sustentado no ar pelo vento. A denominação “arraia”, que predomina em Na linha do cerol..., decorre da semelhança do brinquedo com o peixe de mesmo nome, que tem corpo achatado e cauda com agudo e ferino esporão na ponta.

[4] “Cerol” é a denominação da massa de cera e sebo com que os sapateiros enceram as linhas usadas para costurar. Em outra acepção, refere-se à mistura cortante de vidro moído e cola que se passa na linha com que se empina o brinquedo voador, com objetivo de cortar a linha de outro em “batalhas” no céu. 

[5] Entre parênteses estão indicados os números dos poemas de onde extraí os trechos citados.

[6] “Muçum”, conhecido popularmente como “enguia-do-pântano” ou “cobra-d´água”, é um peixe de água doce, carnívoro, com hábitos noturnos, que habita rios, lagos, córregos, brejos, pântanos, podendo sobreviver a longos períodos de seca, enterrado em tocas. É também utilizado como isca para pesca. Essa metáfora e a do rio Pajeú, recorrentes em Na linha do cerol..., merecem estudo detalhado, em outro momento.

[7] Encontra-se no comentário crítico “O passado que não passou”, de Fábio Lucas, anexado ao final do livro, a partir da edição de 2003. 

[8] Além de editor, gráfico e livreiro, o escritor publicou, pela Scortecci Editora: um livro técnico, em coautoria, Guia do Profissional do Livro; quatro livros de prosa de ficção para público infantil e juvenil: O touro de ouro e sua neta Mimosa (1994); A história do peixe voador (199-); As aventuras de Olga Wap: a pulga elétrica e a realidade virtual (2015); dois livros de poemas em coautoria e sete como autor: Plurais: a tentação do plural (1992); Luanda, a bailarina morta (1994); Poema do deus que cria versos (1994); Na linha do cerol (1997)/Na linha do cerol: reminiscências poéticas (2003); Quase tudo – antologia poética (2002); A maçã que guardo na boca (2014); Dos cheiros de tudo – memórias do olfato (2019). É também autor de crônicas memorialísticas publicadas em seu Blog Blitz Literária: https://www.blitzliteraria.com.br/. Em sua obra poética e memorialística, ao menos dois aspectos que destaco neste comentário também merecem posteriores estudos mais detalhados: o tratamento ao mesmo tempo lírico e realista dado às personagens femininas retratadas e a função do exímio e experiente narrador na transfiguração poética dos fatos rememorados.  

[9] Nessa afirmação ecoam — talvez como indicação de chave de sentido para o estudo de sua obra — as palavras do autor na apresentação de sua antologia Quase tudo (2002): “Preparo a minha alma em ser poeta até a morte.” 

 


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Mulher Umedecida / Maria Mortatti (Scortecci, 2021)

Livros em Revista - Ralph Peter | Maria Mortatti – Scortecci – Nesta segunda, revisada e ampliada edição, temos o prazer de reler, parte da obra dessa ilustre professora que tanto propala e cultua nosso sofrido idioma pátrio. Suas crônicas e poesias continuam datadas e contemplam todos perfis e paladares de leitores por mais exigentes que sejam. Há que ser rigoroso, o que ela não teme, e com “cabeça” aberta, pois, suas entrelinhas muitas vezes escondem, digamos, segredinhos. Desta feita escolhi “Monólogo da menina emudecida”, uma deliciosa reminiscência. Sua pena é profunda sem perder jovialidade. Merecedora de reverências!

MULHER UMEDECIDA 2ª EDIÇÃO REVISTA E AMPLIADA
Maria Mortatti
ISBN: 978-65-5529-293-0
Scortecci Editora
Poesia
Formato 14 x 21 cm - 2ª edição - 2021 - 136 páginas

Adquira seu exemplar: Livraria Asabeça
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Livre... Leve... Solta... (Mulher Umedecida - Maria Mortatti) - Por Zina Bellodi

Penso que, se quisesse, Maria teria escrito um livro com poemas de estrofes e versos regulares. Respeitadas as devidas proporções, mais um caso de poeta que revoluciona pelo modo como apresenta seus temas, usando versos de talhe clássico ou, pelo menos, tradicional; assim fez Mário de Sá-Carneiro que, junto com Fernando Pessoa, ambos se tornaram um marco do Modernismo na Literatura Portuguesa.
No caso específico de Mário de Sá-Carneiro, os versos e as estrofes são regulares, mas o que ele diz e a forma como ele diz sugerem alterações no tradicional. Mário e Pessoa participam da modificação que se operou na poesia do Modernismo português.
Tomando agora o conjunto de poemas que suscitou este comentário, diria que somente uma mulher livre poderia dar ao seu livro o título Mulher Umedecida, o qual remete o leitor, de imediato, ao grande tema de seus poemas, a partir do título e também da dedicatória – o leitor mergulha no clima que domina praticamente toda a sequência de 55 poemas. A sua ousadia é de tal forma impactante que o tema chega a se tornar leve e a autora, solta, sem amarras. Aparentemente, diria eu. Sua leveza e sua maneira livre de se posicionar diante dos fatos podem me sugerir (será que estou certa?) que esses versos escondem uma mulher (umedecida?)  que se encontra no aguardo de um grande amor distante, talvez impossível.
Os sonhos deste eu-poético que permeiam toda a sequência dos poemas referem-se à relação amorosa, embora eu não tenha feito levantamento algum que pudesse me permitir uma afirmação com o mínimo de segurança.
Diria, ainda, que esse eu-poético, travestido de mulher apaixonada, vê no amado a razão da sua própria existência.

Zina Bellodi

Professora Titular aposentada do Departamento de Literatura da Faculdade de Ciências e Letras - Universidade Estadual Paulista - campus de Araraquara. `

10.02.2021


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Fundação Dorina Nowill para Cegos se prepara para expandir seu acervo de livros em 2021

Ao longo do ano, a instituição lançará diversas obras, entre elas, romance, poesia, infantil, fantasia, espiritualidade, suspense e história. Referência na produção e distribuição de publicações acessíveis em Braille, a Fundação Dorina Nowill para Cegos possui a maior gráfica deste segmento em toda a América Latina. Para comemorar a chegada de 2021 e seu aniversário de 75 anos, lançará obras gratuitas para presentear todas as pessoas com deficiência visual.
Os próximos meses serão repletos de novidades em seu acervo editorial. Atualmente, a instituição conta com uma biblioteca com diversos títulos: são cerca de 508 livros em Braille, 3.675 audiolivros e 945 conteúdos digitais. Mas sabendo que em tempos de pandemia o comportamento dos leitores mudou e foi crescente a procura pelos materiais acessíveis, a Fundação Dorina Nowill ampliará ainda mais as opções de leitura para este ano. Entre as novidades que estão por vir, serão publicados gêneros como romance, poesia, infantil, fantasia, espiritualidade, suspense e história.
As crianças serão contempladas com a obra "Alice no Jardim de Infância". Já os amantes de espiritualidade poderão ler "Conserto para uma alma só". Uma opção para os interessados em fantasia será o livro "O Filho das Sombras". E as novidades continuam: os fãs de romance terão acesso aos títulos "A Trilogia de Nova York", "Mister", "O Falcão Maltês" e "A cabana do Pai Tomás". Outros temas também estarão presentes, como suspense "O homem de Giz" e a obra "Uma história do samba: volume I (As origens)".
Vale lembrar que, entre os projetos voltados à inclusão da pessoa com deficiência visual por meio do livro e da leitura, a instituição conta ainda com a Rede de Leitura Inclusiva, ação que beneficia pessoas com deficiência visual através da troca de experiência e boas práticas em leitura. São realizados encontros com a presença de leitores, bibliotecários, professores, mediadores de leitura e instituições de atendimento à pessoa cega ou com baixa visão. Ao todo são 3.123 organizações cadastradas que têm acesso aos títulos, sendo uma forma de fomentar debates em todos os estados do Brasil sobre os conteúdos inclusivos.
No último ano, foram cerca de 241 atividades promovidas, entre reuniões de planejamento, oficinas, lives e palestras. Devido a pandemia, a maior parte dessas ações foi virtual e contou com 1.800 participações em encontros on-line. Já as lives atingiram cerca de 8.000 visualizações. Todas esses conteúdos deixaram explícito o interesse e necessidade de diálogos sobre leitura inclusiva e acessível. Para acessar as lives, acesse o canal da Fundação Dorina Nowill para Cegos no YouTube.
"A Fundação se orgulha de ter nascido há 75 anos promovendo a leitura acessível no Brasil. Esse é um legado que permanece até hoje. Por isso, a produção gráfica é sempre priorizada em nossas ações, uma vez que os livros em Braille são essenciais para o processo de alfabetização e possibilitam maior aprendizado, entretenimento e cultura para pessoas cegas ou com baixa visão, fazendo com que também façam parte do universo da leitura, mergulhando numa literatura ampla e diversificada", declara Alexandre Munck superintendente da Fundação Dorina Nowill para Cegos.

Como dizia Dorina de Gouvêa Nowill, "na escada da vida, os degraus são feitos de livros".

Sobre a Fundação Dorina Nowill para Cegos

Celebrando 75 anos de existência, a Fundação Dorina Nowill para Cegos vem trabalhando para que crianças, jovens, adultos e idosos cegos e com baixa visão sejam incluídos em diferentes cenários sociais. A instituição oferece serviços gratuitos e especializados de habilitação e reabilitação, dentre eles orientação e mobilidade e clínica de visão subnormal, além de programas de inclusão educacional e profissional. Responsável por um dos maiores parques gráficos de braille no mundo com capacidade de impressão de até 450 mil páginas no sistema por dia, a Fundação Dorina Nowill para Cegos é referência na produção e distribuição de materiais nos formatos acessíveis braille, áudio, impressão em fonte ampliada e digital acessível, incluindo o envio gratuito de livros para milhares de escolas, bibliotecas e organizações de todo o Brasil. A instituição também oferece uma gama de serviços em acessibilidade, como cursos, capacitações customizadas, sites acessíveis, audiodescrição e consultorias especializadas. Contando com o apoio fundamental de colaboradores, conselheiros, parceiros, patrocinadores e voluntários, a Fundação Dorina Nowill para Cegos é reconhecida e respeitada pela seriedade de um trabalho que atravessa décadas e busca conferir independência, autonomia e dignidade às pessoas com deficiência visual.

Mais detalhes: https://www.fundacaodorina.org.br.

Mais informações sobre a Fundação Dorina Nowill para Cegos para a imprensa:
Advice Comunicação Corporativa
Alexandre Moreno (alexandre.moreno@advicecc.com) - Tel: (11) 5102 5251 | (11) 98374 4664
Claudiney Sales (claudiney.sales@advicecc.com) - Tel: (11) 5102 5257
Luana Rodriguez (luana.rodriguez@advicecc.com) - Tel: (11) 5102 5252
Fernanda Dabori (fernanda.dabori@advicecc.com)

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Hi-Merimã – A Floresta Sombria de Marcelo Pereira / Conduta Literária

Hoje venho falar dessa obra maravilhosa que recebi em parceria a Scortecci Editora e que foi gentilmente cedida pelo autor.

Nowa é um garoto indígena que nasceu no coração de Hi-Merimã, a maior floresta tropical do planeta. Devido a um acontecimento, o pequeno não chegou a conhecer seus  pais, ele foi encontrado dentro de uma vitória-régia e criado por uma onça pintada, Rajara.

Hi-Merimã era o lar de um décimo de todas as espécies de animais e vegetais da Terra. A mata era extensa e de uma beleza sem igual, mas também era sombria e com muitos perigos.

Nowa foi rejeitado por sua tribo, os Aruak. Estes o achavam um estranho por entender a linguagem dos animais e por ter sido criado por uma onça. E, ainda o culpavam pela eminente morte do rio Yanomami.

Só que a floresta corre ainda mais perigo com a chegada dos Lennos, os homens brancos, e todos estão preocupados. Nowa, é corajoso e quer ganhar o respeito de sua tribo, além de limpar a honra de seus pais e assim, ele aceita a missão de salvar o grande rio.

Juntamente com uma onça-negra, uma doninha, uma ararajuba e uma harpia, Nowa parte para uma grande e perigosa aventura pelas regiões mais extremas do continente, em busca de alguns elementos que trariam a salvação.

Nessa noite se cumpriu uma parte da profecia mostrada em figuras nas cavernas sagradas: onde uma doninha, uma harpia, um jaguar, uma ararajuba e uma criança nativa entregariam seus destinos a favor de nossa terra. 

O livro traz uma história emocionante de amor, respeito e preservação a natureza e a vida. O enredo é envolvente, com um cenário fascinante e traz várias referências à floresta Amazônica. Contando  ainda, com outros elementos intrigantes, como seres místicos, a cultura indígena, a vida selvagem e o folclore brasileiro.

Durante a leitura somos transportados pelas florestas de nosso país e fica impossível não imaginar a beleza e sentir todo mistério do ambiente. Além de todo diálogo, muito bem construído,  entre os personagens e que nos proporciona informações enriquecedoras da importância e necessidade de conservação da fauna e da flora.

O livro é curto e a leitura é rápida. Porém a mensagem é grandiosa e muito válida.

Fê Akemi
https://www.condutaliteraria.com

HI-MERIMÃ - A FLORESTA SOMBRIA / Marcelo Pereira
ISBN: 978-85-366-6152-0
Scortecci Editora - Ficção
Formato 14 x 21 cm - 1ª edição - 2020 - 148 páginas
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Manual Jurídico das Startups de Leonardo Maciel Marinho / Febre de Livro

''Manual Jurídico das Startups'' é um obra escrita pelo escritor Leonardo Maciel Marinho e publicada no ano de 2018 pela Editora Scotecci.

Sinopse: A obra Manual jurídico das startups: tudo o que você precisa saber para iniciar sua startup traz ao leitor uma exposição de conceitos, fundamentos e temas jurídicos recorrentes e aplicáveis ao cenário empreendedor das startups. O livro tem por objetivo expor as principais características de uma startup, quais dos tipos societários que figuram na legislação brasileira se enquadram melhor no tipo de startup a ser constituída, quais os tipos de investimentos mais favoráveis para cada sociedade, quais são as fases de investimento de uma startup. Do mesmo modo, enfrenta as principais questões do empreendedorismo no Brasil, como a recente crise, que fez crescer o quadro de pessoas que resolveram empreender e tornar-se seus próprios “chefes”. Assim, o autor aborda temas que ajudarão empreendedores, financiadores, profissionais do mundo jurídico ou qualquer pessoa disposta a empreender, entender como é o processo de criação, financiamento e expansão de uma startup. Explora, entre outros, a figura do investidor-anjo implementada pela Lei Complementar n. 155/16, os desafios legais que podem vir a ser enfrentados pelos empreendedores, a identificação de riscos dos investimentos e as medidas cabíveis para mitigá-los.

Opinião:
Na obra de maneira explicativa e dinâmica, o escritor Leonardo Maciel Marinho apresenta uma nova visão a respeito do mundo jurídico e principalmente acerca das startups, ensina o melhor modo de se construir uma empresa, os tipos de contratos a serem celebrados e os riscos que a empresa pode vim a sofrer.

Um livro rico de ensinamentos, eu como acadêmica de Direito aprendi muito sobre o meu curso e sobre as startups. Uma obra de leitura fluida, os capítulos são pequenos o que facilitou a leitura. Portanto, recomendo o livro a todos que estão em busca de uma manual de conhecimento acerca do enorme mundo do direito e das startups.


MANUAL JURÍDICO DAS STARTUPS / Leonardo Maciel Marinho
ISBN 978-85-366-5795-0
Scortecci Editora - Administração
Formato 14 x 21 cm - 1ª edição - 2019 - 160 páginas
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Homenagem aos 90 anos de Augusto de Campos

Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado apoia exposição em homenagem aos 90 anos de Augusto de Campos - Mostra ‘TRANSLETRAS - Augusto de Campos’, em cartaz na Biblioteca Mário de Andrade até 11 de junho de 2021, foi um dos contemplados pelo programa de fomento à cultura do Governo de São Paulo ProAC Editais. A mostra celebra os 90 anos do artista-poeta reunindo cartazes, estudos, manuscritos e obras inéditas produzidas entre 1974 e 1985 e expandidas a partir dos poemas em letraset.

90 anos de um artista 

Viabilizada pelo edital de exposições do ProAC 2019 a mostra TRANSLETRAS foi idealizada pela N+1 Arte Cultura sob curadoria de Daniel Rangel. O período revelado na exposição representa a fase de transição dos meios analógicos para os digitais na produção de Augusto.
Vídeos, esculturas e objetos poéticos são alguns dos suportes que o artista utilizou para expandir seus poemas para além do papel. "Foi como encontrar uma caixa de pandora, por isso escolhi o não recorte-curatorial como caminho" afirma Daniel Rangel. "O que vi era tão precioso que deu vontade de exibir para o público toda a produção em letraset desse período."
Com uma trajetória caracterizada pela interdisciplinaridade, Augusto de Campos, que completou 90 anos no dia 14 de fevereiro, é um dos maiores poetas e tradutores do país. Nos últimos anos, foi agraciado com dois importantes prêmios internacionais, o Pablo Neruda, no Chile, e o Jannis Pannonnis, na Hungria, mesmo escrevendo em português. 

Sobre Augusto de Campos 

Nascido em São Paulo, em 1931, é poeta, tradutor, ensaísta, artista visual e crítico de literatura e música. Sua bagagem literária registra numerosas publicações, de 1951 a 2020. Com Haroldo de Campos e Décio Pignatari, lançou em 1952 o livro-revista Noigandres, origem do grupo literário que iniciou o movimento internacional da Poesia Concreta no Brasil. Em 1953, produziu a série de poemas em cores, "Poetamenos", primeira manifestação da poesia concreta brasileira. Em 1956 participou da organização da 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta, no Museu de Arte Moderna, em São Paulo. A partir de então seus trabalhos foram incluídos em diversas exposições nacionais e internacionais de poesia concreta e visual e em antologias editadas no exterior.
Como as publicações: "Concrete Poetry: an International Anthology", organizada por Stephen Bann (London, 1967), "Concrete Poetry: a World View", por Mary Ellen Solt (University of Bloomington, Indiana, 1968), "Anthology of Concrete Poetry, por Emmet Williams" (NY, 1968) entre outras. Sua produção poética, iniciada em 1951, com o livro "O Rei Menos O Reino", está reunida principalmente em "Viva Vaia" (1979), "Despoesia" (1994) e "Não" (2003), além de "Poemóbiles" e "Caixa Preta", coleções de poemas-objetos em colaboração com Julio Plaza publicados em 1974 e 1975, respectivamente. Em 2017, também com curadoria de Daniel Rangel, o artista-poeta realizou REVER, a maior exposição organizada sobre sua produção, no SESC Pompéia. Em 2018 recebeu os prêmios internacionais de poesia Pablo Neruda, do Chile, e Jannis Pannonius, da Hungria. 

SERVIÇO 

Exposição TRANSLETRAS - Augusto de Campos
Curadoria: Daniel Rangel
Idealização: N+1 Arte Cultura
Local: Sala Tula Pilar Ferreira - Biblioteca Mário de Andrade
Período: 12 de fevereiro a 11 de junho de 2021
Horários: Segunda a sexta (13h às 16h) - horários podem alterar conforme decretos relacionados à Covid-19.
Classificação indicativa: livre 

Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo
Assessoria de Imprensa
(11) 3339-8116 / (11) 3339-8162
(11) 98849-5303 (plantão)
imprensaculturasp@sp.gov.br

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MUDE SUA VIDA! COM PNL DE DEBORAH EPELMAN / FEBRE DE LIVRO

Você já ouviu fala sobre a Programação Neurolinguística? E quais benefícios ela pode trazer para a sua vida? O livro “Mude sua vida com PNL (Programação Neurolinguística) ” escrito pela autora e psicóloga Deborah Epelman aborda e responde todas essas perguntas. Livro publicado pela Editora Scortecci em sua 9ª edição.

“A Programação Neurolinguistica é mais que uma ciência, uma metodologia – é um estilo de vida”

A PNL segundo a autora “é uma ciência que estuda o funcionamento do cérebro humano desde o momento que ele capta as informações do meio ambiente, a forma como ele registra estas informações e, finalmente, a maneira como estas informações interferem nos comportamentos, nas capacidades, nas crenças, valores, na identidade; e nos relacionamentos com outras pessoas, como o meio ambiente, e com o que está acima de nós e que cada um chama de um jeito: Deus, Cosmo, Universo, Unidade, Eu Superior, etc.”

A autora evidência a importância da PNL e de como uma pessoa poderia utilizar para mudar sua vida em qualquer área. Aborda também os principais fundamentos para a criação de uma vida feliz, saudável e satisfatória. Expõe de forma prática o passo a passo dos métodos com os quais você poderá melhorar sua vida de forma significativa e se desenvolver como pessoa.

Através da leitura deste livro você poderá se praticar de maneira correta, aderir a algumas qualidades como a de desenvolver melhor a sua comunicação e facilidade de solucionar problemas. Através das técnicas propostas ajudará você a identificar comportamentos e mudar hábitos, a partir de seu inconsciente.

A autora consegue de forma admirável descrever sobre um tema complexo de maneira simples se tornando de fácil entendimento para qualquer pessoa. O livro possui uma linguagem simples com diversas instruções a serem colocadas em práticas, para quem quer se desenvolver e se tornar uma pessoa melhor em todas as áreas da vida.

Crisberg Luan
https://febredelivro.blogspot.com/

MUDE SUA VIDA! COM PNL / Deborah Epelman
ISBN: 978-85-366-1451-9
Scortecci Editora - PNL
Formato 11 x 18 cm - 9ª edição - 2019 - 80 páginas
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Você é o que você come de Carlos Machado / Leitura Enigmática

Você é o que você come é uma obra de não ficção que relata sobre a alimentação das pessoas na contemporaneidade e os malefícios que a mesma nos trará caso permanecemos com esses hábitos nada saudáveis.

O autor é um renomado médico nutrólogo com formação no Brasil e Estados Unidos, onde possui uma vasta experiência em alimentação, obesidade e doenças causadas pela mesma. Sua obra pode ser considerada um manual de instruções de como se alimentar corretamente e envelhecer com saúde e disposição.

A obra é dividida em etapas, onde há uma breve apresentação do sistema digestório e suas funções no processo de digestão, as classes dos alimentos e seus respectivos nutrientes, alimentos x calorias e como ter uma boa alimentação. Tudo muito bem explicado e com um linguajar simples, esqueçam os termos médicos difíceis de se entender, pois aqui o Dr. Carlos explana de uma forma bem didática.

“Perceba que cada vez é mais difícil encontrar pessoa idosa saudável. Ficam velhos, parecem velhos, e muitas vezes os remédios, mal utilizados ou de má qualidade, ajudam a piorar a saúde e envelhecem mais ainda”.

O médico também dedica um capítulo sobre os suplementos alimentares, suas verdades e mitos, o que me esclareceu muito minhas dúvidas do que utilizar, já que sou praticante de atividades físicas em academia e vi que em algumas circunstâncias a alimentação é o melhor suplemento que existe.

Esse livro me enriqueceu demais meus conhecimentos, pois algumas coisas eu já seguia no meu dia a dia e outras irei inserir no meu cotidiano. A partir de agora essa obra será meu guia de consulta diária, pois irei utilizá-la diariamente, irei reler, fazer anotações, ou seja, irei estudar esse livro rico em informações.

Portanto, se deseja ter uma vida saudável, sem doenças causadas pela má alimentação e envelhecer com sucesso e com muita saúde, deixe seus vícios ruins, seus maus hábitos alimentares e seu sedentarismo de lado, adquira esse livro e tenha uma vida plena e de sucesso, repleta de saúde e bem-estar. Eu recomendo essa leitura para quem deseja mudar seu estilo de vida para melhor.

Sobre o autor
Prof. Dr. Carlos Machado, MD, PhD., médico formado pela conceituada Escola Paulista de Medicina - UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), com vários títulos de especialização, Mestrado e Doutorado.

Professor de Medicina, Titular e Assistente em três Universidades importantes em São Paulo, grande empreendedor para a Qualidade na área Médica, pioneiro em conquistar Certificação de Qualidade Internacional ISO - 9002 em suas Clínicas, auditadas pela BSI-British Standards Institution.

Palestrante requisitado para treinamento em empresas, escolas, associações, com Dicas de Saúde (Hipertensão Arterial, Diabetes, Infecções de Urina, Cólicas Renais, Osteoporose) e de Alimentação: o que fazer para alcançar um corpo perfeito, como emagrecer, aumentar os músculos e melhorar o desempenho físico? O êxito de suas conferências está em seu profundo conhecimento da Verdadeira Medicina Preventiva, levada por uma linguagem muito direta, coloquial, simples e até divertida.

Gustavo Barberá
https://www.leituraenigmatica.com/

VOCÊ É O QUE VOCÊ COME / Carlos Machado
ISBN: 978-85-366-3764-8
Scortecci Editora - Nutrição
Formato 14 x 21 cm - 3ª edição - 2020 - 128 páginas
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RECITAIS POÉTICOS E LEITURA DE TEXTOS SCORTECCI

A Scortecci que edita, imprime e comercializa livros desde 1982 promoverá durante o primeiro semestre de 2021, 4 (quatro) recitais literários com declamação de poesias e leitura de textos. Datas: 11 de março, 08 de abril, 06 de maio e 10 de junho, quintas-feiras, das 19h30 às 21h00, com acesso através da plataforma ZOOM – ID 725 467 53 53, com participação de 30 escritores, por evento. Coordenação dos eventos: Cristiane Rezende e Eliaquim Batista, escritores e profissionais da editora. A Scortecci é uma editora laureada. Já recebeu os prêmios: Jabuti, APCA, FBN, ABL e PEN Clube. Já publicou mais de 10 mil títulos em primeira edição. Possui gráfica própria com tecnologia Digital, acabamento de qualidade, sofisticado controle de vendas, central de logística e duas lojas na internet, modernas e responsivas, conectadas com os principais canais do varejo. Em sua história conserva os mesmos objetivos e propósitos desde a sua fundação: publicar livros, organizar e apoiar concursos e prêmios literários, realizar recitais e eventos culturais, editar e coordenar antologias de novos talentos, desenvolver o mercado literário através de cursos, palestras e oficinas, trabalhar pela formação de bibliotecas e fomentar o hábito da leitura.

SERVIÇO
Recitas Poéticos e Leitura de Textos Scortecci
Datas: 11 de março, 08 de abril, 06 de maio e 10 de junho de 2021 - Quintas-feiras.
Local: Plataforma ZOOM – ID 725 467 53 53 – das 19h30 às 21h00.
Acesso livre - evento grátis.
Inscrições no endereço: scortecci.com.br
Mais informações: Whatsapp: (11) 97548-1515.

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BOA CAÇADA DE SILVIO OLIVEIRA / LEITURA ENIGMÁTICA

Sempre li biografias, romances policiais e outras histórias de ficção. Ao conhecer o livro “Boa caçada”, me interessei pela obra e lendo sua sinopse, pensei que fosse uma mescla de realidade x ficção. Me enganei. Essa obra vai além das histórias policiais contadas por autores do gênero. O que temos aqui é a mais pura e crua realidade de um policial militar que está há mais de vinte anos na corporação.

A obra é uma autobiografia do Segundo Sargento Silvio Oliveira, membro da Rota da polícia militar de São Paulo, desde da sua decisão de entrar para essa profissão, até o momento atual. É uma história que todos deveriam ler, pois após a conclusão da mesma, se terá uma visão completamente diferente desses homens que saem de suas casas todos os dias, sem a certeza de que voltarão vivos para suas famílias, em prol da nossa segurança e mesmo assim são hostilizados e rotulados por muitos na sociedade.

Realmente é uma profissão para quem tem amor, dedicação, garra, disciplina e determinação, pois a forma rígida que são submetidos com treinamentos, horários e outras funções, chega a ser cruel, mas necessária para modular um profissional eficiente para combater a criminalidade nas ruas. Um soldado da Rota precisa ser aceito pela equipe e isso quem tem que demonstrar é o próprio candidato, caso contrário ficará de lado para sempre. E o que mais me surpreendeu é a quantidade de desistências que ocorrem toda vez que chega um grupo para serem treinados.

“O processo seletivo é tão rigoroso que possui um índice de até 75% de desistência”.

Uma parte que sensibiliza é quando o autor relata das perdas de seus colegas de trabalho em acidentes durante o trabalho, deixando noivas, famílias e entes queridos inconsoláveis, interrompendo seus sonhos, planos e todo o esforço que teve para chegar onde chegaram. É realmente triste esse capítulo.

As cenas que me deixaram mais agoniados foram as que o autor relatava as chamadas para combater a criminalidade, os momentos em que ele ficou cara a cara com a morte, são muito perturbadoras, não temos noção do que a corporação passa quando está em uma operação, é como se todos estivessem dançando em campo minado.

“Veio o segundo disparo. O tiro passou por cima da minha cabeça e atingiu o muro, jogando pedaços de reboco na minha nuca e ombros”.

Portanto, se deseja saber como é a vida de um policial militar, desde o momento da inscrição até sua atuação nas ruas, não deixe de ler “Boa caçada”, pois é uma história de tirar o chapéu e de ter nossos amigos de farda como heróis e com tratamento de respeito, pois não são todos que agem de má fé, temos muitos que dão sua vida pela nossa e esses profissionais precisam ser reconhecidos por todos.

Sobre o autor
Nascido São Paulo, Silvo Oliveira cresceu com o pai, Sargento José Rodrigues, e o irmão Subtenente Sérgio Rodrigues, sendo membros patrulheiros das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA). Cursou Relações Internacionais na Universidade Anhembi Morumbi e também se formou Sargento na Escola Superior da PM de SP.


Gustavo Barberá
https://www.leituraenigmatica.com/

BOA CAÇADA / Silvio Oliveira
ISBN: 978-85-366-5835-3
Scortecci Editora - Autobiografia
Formato 14 x 21 cm - 6ª edição - 2020 - 112 páginas
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Grupo Scortecci faz doação de 400 títulos para Boraceia / SP

Grupo Editorial Scortecci faz doação de 400 títulos para a Biblioteca Municipal de Boraceia, interior de São Paulo, através do Projeto Amigos do Livro. Boraceia está localizada na zona fisiográfica de São Carlos e Jaú e limita-se com os municípios de Pederneiras, Itapuí, Bariri e Arealva. João Scortecci e Ricardo Carrijo (Diretores da Abigraf, regional São Paulo) são apoiadores do projeto.

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Editor dos 3 mil livros - Plinio Martins Filho / por Marcello Rollemberg

Em 50 anos de trabalho no mercado editorial, Plinio Martins Filho editou muito e fez do livro tanto um trabalho quanto um prazer. Você sabe onde fica Pium? Muito provavelmente, não. Mas se você gosta de livros, talvez devesse saber. Afinal, esta minúscula cidade no interior do Tocantins, habitada por não mais do que 7 mil almas, é o local de nascimento de um dos mais prestigiados editores brasileiros: Plinio Martins Filho, que em fevereiro completa 50 anos de trabalho no mercado editorial. Sexto filho de uma família simples e quase nada afeita às letras – o pai era vaqueiro e a mãe, costureira -, Plinio nasceu naquela cidadezinha quando ela ainda pertencia ao Estado de Goiás (antes da criação de Tocantins), foi educado em escolas pequenas no interior do cerrado e só aportou em São Paulo e no mundo editorial, com 20 anos, meio que por acaso: um irmão trabalhava na Editora Perspectiva, do professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e crítico de teatro Jacó Guinsburg (1921-2018), e conseguiu uma vaga para ele, no depósito da editora. Mas ficou lá pouco tempo. “Na hora do almoço, preferia subir ao segundo andar e ver o pessoal da revisão trabalhando. Aquilo era fascinante para mim”, relembra ele, que também é professor da ECA, desde 1987.
A fascinação era tão grande que chamou a atenção de Guinsburg, que o levou para a revisão. De lá, acabou indo trabalhar diretamente com o mítico editor – e ficou com ele por 18 anos, só saindo em 1989 para a empreitada de sua vida: trabalhar na Editora da Universidade de São Paulo, a Edusp, ao lado de outro nome que marcou sua trajetória, o professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP João Alexandre Barbosa (1937-2006), que acabara de receber a missão de reestruturar a editora universitária, tornando-a uma editora de fato.
Foi diretor editorial da Edusp e depois, seu presidente, até sair de uma forma um tanto torta e lacônica em 2016 – um telefonema de um assessor da Reitoria e um despacho no Diário Oficial selaram a trajetória de Plinio Martins Filho à frente daquela editora que ele tornou a principal editora universitária do País. Hoje, ele está à frente das publicações da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP e continua com suas aulas no curso de Editoração da ECA. E no currículo, mais de 3 mil livros editados nesse meio século de carreira editorial (entre Perspectiva, Edusp, Com-Arte – a editora laboratório da ECA – e a Ateliê Editorial, que ele criou em 1996 – “um grande prazer”). Oitenta desses livros ganharam o Prêmio Jabuti, o principal do mundo livresco. O editor ainda tem seu próprio Jabuti como autor, ganho em 2017 graças ao livro Manual de editoração e estilo (EdUnicamp). Idealizado como um manual para a Edusp, o livro é originalmente a tese de doutoramento apresentada por Martins Filho na ECA em 2006.

Marcello Rollemberg
05.02.2021


ENTREVISTA

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Museu da Língua Portuguesa tem data para reabertura após cinco anos fechado

FOLHA - 05.02.2021 - ISABELLA MENON

Antes previsto para ser reaberto no primeiro trimestre de 2021, o Museu da Língua Portuguesa tem uma nova data oficial de reinauguração. De acordo com Sérgio Sá Leitão, secretário de Cultura e Economia Criativa do governo de São Paulo, o prédio histórico voltará a receber o público no dia 17 de julho. Até lá, a previsão é que a instituição passe por um espécie de esquenta —ou de "soft opening"—, com programação online e visitas para alunos de escolas públicas. O museu está fechado desde 2015, quando pegou fogo durante duas horas, o que causou a morte de um bombeiro civil. As chamas destruíram o segundo e terceiro andares, e a reforma custou R$ 84 milhões, divididos entre a iniciativa privada, o governo do estado de São Paulo e a seguradora.
O local está praticamente pronto, com a restauração e a ampliação concluídas. As exposições também já estão montadas, e a conexão direta com a estação da Luz foi finalizada - agora falta apenas a iluminação externa do prédio. Sá Leitão diz que a decisão de atrasar a reinauguração para o segundo semestre está relacionada à pandemia. “A expectativa é que, com a evolução da vacinação e a contenção da pandemia, a gente esteja em julho na fase verde ou amarela [do plano estadual de quarentena], quando já conseguiremos ter 60% de capacidade, o que é mais adequado para receber a nossa demanda”, afirma o secretário.
Conhecido por abrigar exposições imersivas, que propõem interação dos visitantes com as obras, o museu precisou repensar algumas partes das mostras para evitar o toque nelas em meio à pandemia. Esta adaptação foi mais simples, relata Sá Leitão, pois a tecnologia ativada por comandos de voz já vinha sendo desenvolvida antes do surto de Covid-19, na busca por ampliar a acessibilidade aos visitantes.
O novo valor do ingresso do museu ainda não foi definido, mas a expectativa é que tenha, ao menos, um dia da semana gratuito.
O prédio da Estação da Luz, onde está o museu, existe desde 1902 e foi construído para ser a grande porta de entrada da cidade, por onde passariam o café do interior e os imigrantes vindos de Santos. Uma outra estação, mais modesta, funcionava ali desde 1867.
A partir dos anos 1950, com o incentivo ao transporte por automóvel, porém, as ferrovias caíram quase no ostracismo. Foi no centenário do prédio, em 2002, que começaram as obras de restauração do edifício. Parte do local, que estava em estado de abandono, recebeu o Museu da Língua Portuguesa, que abriu oficialmente as portas em 2006.
Mas o incêndio de 2015 não foi o primeiro no local. Em 1946, o fogo engoliu parte da estação. As chamas, segundo noticiou a Folha da Manhã na época, destruíram o famoso relógio da estação, que fica no alto de uma torre.
Para evitar novos desastres, o museu reabre, pela primeira vez, com o alvará do corpo de bombeiros, o AVCB (Auto de Vistoria do Corpos de Bombeiros). “Foi um processo bastante exigente, é um edifício histórico e tombado”, relata Sá Leitão.
Entre as novidades do museu, está a abertura do mirante, na parte superior, onde fica o relógio com vista para o Parque da Luz —ali será instalado um café, e o local será utilizado para diferentes atividades. Antes, a área não era acessível ao público, pois a estrutura não aguentava o peso de pessoas circulando por ali. Com a reforma, o espaço foi reestruturado.
A exposição permanente do local também foi repensada. De acordo com Sá Leitão, cerca de 80% do conteúdo foi reformulado. O museu também vai abrigar mostras temporárias, sendo que a primeira é “Língua Solta”, que faz uma relação entre obras de arte e a língua portuguesa. Nela, estarão objetos que ancoram seus significados no uso das palavras e que foram produzidos por artistas como Leonilson, Rosângela Rennó, Jac Leirner, Emmanuel Nassar e Jonathas de Andrade.
Sá Leitão avalia que debates em relação à língua também poderão estar presente na instituição, como a linguagem neutra, sem flexão de gênero, adotada por quem não quer enquadrar alguém como puramente masculino ou feminino.
É importante a gente entender que a língua é um patrimônio cultural vivo. Este é um assunto que vem ganhando espaço. Podemos despertar uma discussão saudável sobre esse assunto que vá além da lacração contra ou a favor", diz.

FOLHA

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A MENINA BAILARINA / ANE BRAGA (SCORTECCI, 2020)

Livros em Revista - Ralph Peter | Ane Braga – Mauro Freitas(Ilustr) – Scortecci – Especialista em administração pública e de pessoas e demais tarefas, demonstra nessa obra, dedicada à sua filha, em versos bem rimados, uma sensibilidade impar, típica de pessoa voltada às outras. Num perfil bem feminino, garotinha declara seu amor à dança clássica, a nobre arte de “voar” com sapatilhas. Lindo é o mínimo a comentar-se. As ilustrações, muito boas, ajudam a penetrar no contexto narrativo. Válido para crianças alfabetizadas e pais desejosos de incutir em seus filhos o valor de um espírito leve.

A MENINA BAILARINA / ANE BRAGA
ISBN: 978-65-5529-116-2
Scortecci Editora
Literatura Infantojuvenil
Formato 15 x 22 cm - 1ª edição - 2020 - 24 páginas

Adquira seu exemplar: Livraria Asabeça

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