Carlos Coutinho lança sua segunda obra: Resiliência Ágil

Com lançamento marcado para o dia 18/01/2022 na Livraria da Vila, no Shopping Pátio Batel, na cidade de Curitiba, Carlos Coutinho aborda em sua segunda obra como alcançar a resiliência no  ambiente corporativo.

O livro Resiliência Ágil: Aprenda As Práticas Ágeis (SCRUM) para transformar seus projetos pessoais e profissionais”  é um guia que demonstra os benefícios das práticas ágeis e oferece um passo a passo de como fazer, trazendo exemplos reais de aplicação em uma grande organização ou em um projeto de empreendedorismo pessoal.

"Resiliência Ágil foca no que é essencial no mundo ágil, esclarecendo a maneira como as pessoas gerenciam, organizam e interagem, desde a estruturação até a importância dos feedbacks ao longo do processo para entregar um apresentar um produto  fiel ao que foi solicitado”, explica o autor, Carlos Coutinho.

A obra apresenta a transformação ágil de uma forma objetiva e aplicável dentro das organizações. “A potência de reação para a correção de rota será um processo diferencial de competitividade para qualquer empresa. Tanto funcionários quanto líderes devem estar atentos às mudanças, sempre observando maneiras rápidas de fazer alterações no projeto quando necessário”, destaca Coutinho.

O autor enfatiza que é necessário ter atitudes ágeis em um mundo em que o ciclo de tempo é mais curto e dinâmico. “É preciso não ter medo de testar, correr o risco de experimentar e não ter medo de errar, pois errar faz parte do risco natural de todo projeto. No entanto, é imprescindível executar ajustes de maneira rápida”, pontua.

O livro também argumenta sobre a liderança ágil, e como desenvolver um mindset voltado para criação de equipes multifuncionais e emocionalmente preparadas  para resolver problemas em momentos desafiadores e instáveis.

Serviço:

Resiliência Ágil: Aprenda  as práticas ágeis  (SCRUM)  para transformar seus projetos pessoais e pessoais, por Carlos Coutinho

Data: Terça-feira, 18 de janeiro de 2022.

Horário:  das 18h00 às 21h00.

Local: Livraria da Vila,  Shopping Pátio Batel, Curitiba, Paraná.

Entrada gratuita

Venda online: Amazon 

Carlos Coutinho, Doutor em Engenharia Química, Professor no curso de Pós-graduação em Engenharia  na PUCPR, Consultor de melhoria contínua e Coach para desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais. Autor do livro “A Tríade da Competência” e da  obra “Resiliência Ágil”, possui mais de 25 anos de atuação na área fabril com experiência comprovada em setores como alimentício, agronegócio, petroquímico e serviços. O profissional possui o título de “Master Black Belt” orientador de mais de 200 projetos Lean six sigma, desde 2004. Experiência internacional em melhoria de processo e avaliações técnicas na Argentina, Oriente Médio, Turquia, África do Sul e China. 

Alta Books

Alta Books é uma editora com mais de 20 anos no mercado. Nesse período foram publicados mais de 2 mil títulos de diferentes áreas e mais de 100 best sellers. A empresa é a número um no segmento de informática, e possui um foco cada vez maior em livros de negócios, gestão e desenvolvimento.

Informações à imprensa:

Temma Agência
Stefani Pereira - stefani@agenciatemma.com  - 011 9 8077 0105
Daniella Pimenta -  dani@agenciatemma.com  - 011 9 7037 1591
Cris Lins - cris@agenciatemma.com  011 9 7494 6198

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PINGO DE LETRA - LIVRARIA INFANTIL E NOVIDADES PARA 2022



No dia 24 de janeiro de 2022, o selo infantil PINGO DE LETRA, do Grupo Editorial Scortecci, completa 11 anos de existência.
Para comemorar a importante data e a marca de mil títulos publicados em primeira edição, o selo PINGO DE LETRA ganha loja virtual exclusiva, moderna e responsiva, para comercialização de seus títulos.
“2022 é o ano do livro infantil na Scortecci”, afirma João Scortecci, Diretor-Presidente do Grupo Editorial.
O novo canal exclusivo de vendas (pingodeletra.com.br), a ser inaugurado no dia 24 de janeiro, é uma das realizações deste ano do selo Pingo de Letra do Grupo Editorial Scortecci, que, no dia 13 de agosto de 2022, comemora seus 40 anos de fundação. Estão programadas também: a realização do 4º Prêmio Literário Afeigraf 2022, que contemplará livros infantis sobre três eixos-temáticos: Diversidade, Meio Ambiente e Cidadania; e a realização de mesas de debates, contação de histórias e eventos literários voltados para os pequenos, durante a 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo de 2022, que acontecerá de 02 a 10 de julho, no Expo Center Norte São Paulo/SP-capital.

“Estou no projeto Pingo de Letra, da Scortecci, desde o início dos trabalhos e me sinto feliz em ver o quanto caminhamos e o quanto, ainda, podemos caminhar juntos, editando, imprimindo e comercializando livros infantis”, afirma Maria Esther Perfetti, editora-chefe do selo Pingo de Letra.

PROGRAMAÇÃO PINGO DE LETRA 2022

- Loja Virtual Pingo de Letra - (pingodeletra.com.br) – Inauguração no dia 24 de janeiro de 2022.

- Prêmio Literário Afeigraf (Associação dos Agentes de Fornecedores de Equipamentos e Insumos para a Indústria Gráfica) 2022 - Categoria Livro Infantil – Eixos-temáticos: Diversidade, Meio Ambiente e Cidadania.

- 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2022 – Lançamento de livros infantis, contação de histórias e mesas de debates.

SOBRE A SCORTECCI

A Scortecci é uma editora laureada, completando 40 anos no mercado editorial brasileiro. Edita, imprime e comercializa livros em pequenas tiragens desde 1982. Possui gráfica própria com tecnologia digital, acabamento de qualidade, sofisticado controle de vendas e central de logística. São mais de 10 mil títulos publicados em primeira edição. Já recebeu os prêmios: Jabuti, APCA, FBN, ABL e PEN Clube.

Em sua história conserva os mesmos objetivos e propósitos desde a sua fundação: editar, imprimir e comercializar livros; promover e apoiar concursos e prêmios literários; realizar recitais e leitura de textos; participar de feiras e bienais do livro; organizar antologias literárias; realizar cursos, palestras e oficinas sobre o livro e a arte de escrever; trabalhar pela formação e ampliação de bibliotecas públicas e comunitárias; e fomentar o hábito da leitura.

Mais informações:

João Scortecci
gruposcortecci@scortecci.com.br
Celular/ WhatsApp: (11) 9 99515163
Telefones: (11) 3032-1179 ou (11) 3032-8848

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Paulo Addair, do canal PAPONET no Youtube, prepara seu terceiro livro

São Paulo 02-01-2022 - Paulo Addair, apresentador do canal PAPONET no Youtube, com mais de 450 vídeos publicados nos últimos dois anos, lançou em dezembro uma campanha de crowdfunding para arrecadar colaborações para finalizar seu livro, em comemoração aos 40 anos de atividade profissional no setor gráfico/editorial, que ele completa agora em fevereiro de 2022.

Esse será seu terceiro livro.

Paulo Addair
começou no final dos anos 70 trabalhando na Engenharia de Produto da WALITA desenvolvendo eletrodomésticos e depois na Engenharia Avançada da SHARP no desenvolvimento de eletroeletrônicos antes de, em 1982, ser convidado para fazer a tradução, edição e publicação de livros e manuais técnicos na EDITELE, Editora Técnica Eletrônica, do Grupo PROLÓGICA.

A partir daí, foi o responsável pela publicação de mais de uma centena de livros e manuais técnicos, acompanhando e supervisionando todo o processo de publicação e impressão. Foi colaborador da revista Nova Eletrônica, e consultor das Revista BITS e Revista Geração Prológica. A partir de 1991, foi consultor e colaborador da edição nacional da Revista PUBLISH, acabando por adquirir os direitos de representação da revista no pais, em 2016.

Publicou dois livros:  INDO ALÉM COM O CP-200, em 1984, pela própria EDITELE, e SEGURANÇA NA IMPRESSÃO DIGITAL, pela SCORTECCI, em 2014, livro lançado na EXPOPRINT e na Bienal Internacional do Livro de São Paulo naquele ano.

Nas décadas de 80 e 90, realizou vários treinamentos para implantação de equipes de editoração eletrônica e publicação digital, à medida que essa tecnologia ia sendo adotada pelas empresas. Entre os clientes cujas equipes ajudou a implantar, estão a SABESP, Banco do Brasil (DESEDE em Brasília), Odebrecht (Bahia), Arthur Andersen e Gráfica BRADESCO e Relevo Araújo.

Além disso, em 1990, idealizou e realizou por quatro edições o INFOGRAF, Encontro Internacional de Informática nas Artes Gráficas, que nas suas duas últimas edições teve o privilégio de ter Fernando Pini como mestre de cerimônias. Nomes importantes marcaram presença no evento.

Nos últimos anos tem se concentrado em projetos de Impressão de Segurança e Dados Variáveis, na publicação de conteúdo e participa na criação e implementação de startups de tecnologia. Nos últimos dois anos tem se dedicado também às entrevistas e lives do canal PAPONET no Youtube, já tendo mais de 450 vídeos publicados.

O livro ARTES GRÁFICAS: do analógico ao 5G fala sobre a transformação digital do mercado de Editoração Eletrônica e Artes Gráficas, desde os primeiros recursos digitais adotados nas editoras e gráficas no início da década de 80 até os dias atuais, passando pelos scanners eletrônicos, fotocompositoras, sistemas de editoração, ilustração, retoque fotográfico etc. até os recursos mais atuais básicos da Gráfica 4.0, além da expectativa de mudanças que a tecnologia 5G pode trazer ao setor.

A obra será dividida em três volumes: HARDWARE, SOFTWARE e PROCESSOS.

Neste momento, PAULO está trabalhando no VOLUME 1: HARDWARE.

Mais informações sobre o projeto e como colaborar podem ser obtidas no link:

https://paponet.tech/livro/.

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20ª Bienal do Livro Rio impacta 1 milhão de pessoas e editoras batem recordes de vendas

Informativo SNEL - Nº 91 | 13/12/2021 - Mais de 2 milhões de livros são vendidos ao longo dos 10 dias do festival, que marcou a retomada do mercado de eventos na capital carioca. A leitura e a educação transformam vidas e a XX Bienal do Livro Rio pode provar. O maior festival cultural do país chega ao fim neste domingo (12/12) com a sensação de dever cumprido: a venda de livros superou as expectativas ao longo dos 10 dias de evento, a curadoria coletiva reuniu debates repletos de aprendizados plurais e os conteúdos abraçaram mais de 1 milhão de pessoas de todas as idades - dos leitores pequenos aos mais experientes. E o melhor: tudo com muita segurança, conforto e diversão, marcando o sucesso da retomada de eventos culturais na capital carioca.

As vendas da Bienal 2021 foram muito surpreendentes! Nos impressionou o apetite dos visitantes. A sensação geral foi de muita segurança e conforto, com as ruas mais largas, filas bem organizadas, e a limitação de público. A programação cultural foi outro sucesso, com as sessões cheias presencialmente e com boa audiência online”, destacou Marcos da Veiga Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), sócio na realização do evento.

Híbrida, a Bienal teve, pela primeira vez, as mesas de debates da Estação Plural também transmitidas em tempo real pela sua plataforma digital, contabilizando 750 mil acessos. Do público presente no Riocentro, 34,5% estiveram no evento pela primeira vez e 50,8% tinham entre 18 e 25 anos. Das 250 mil pessoas que passaram pelos três pavilhões, na Barra da Tijuca, 99% compraram pelo menos um livro. A média foi de 8 livros por visitante. A variedade de títulos e os bons preços encontrados foram alguns dos destaques eleitos pelo público, em pesquisa realizada pela organização da Bienal do Livro.
Para Tatiana Zaccaro, diretora da GL events, responsável pela realização do evento, a aposta de fazer o festival foi acertada. “Ser o primeiro evento de grande porte era uma responsabilidade enorme e estamos muito felizes com o resultado. Conseguimos comprovar que é possível fazer um grande evento com segurança e qualidade. Víamos a felicidade em cada olhar e no contato carinhoso com os livros e com os autores. A Bienal é um momento de experi-ência leitora sem igual e o público estava ávido por isso”, celebrou Tatiana.

Entre as mesas mais badaladas da edição, que trouxe a provocação sobre que histórias queremos contar a partir de agora, estão: “Lulu Traço & Verso: 40 anos de carreira”, em que o cantor lançou o songbook com suas músicas ilus-tradas por Daniel Kondo, para comemorar as quatro décadas de carreira, e criou um karaokê que animou a noite do sábado (04/12); “Os Novos Rumos da Literatura LGBTQIAP+, com autores da cena jovem debatendo a literatura queer, esgotando todas as pulseiras de autógrafos; e “Ficção e Realidade no crime’, com debate super atual em torno das narrativas de true crime com Raphael Montes, Ivan Mizanzuki, com a mediação de Mabê Bonafé e Carol Moreira, as apresentadoras do podcast “Modus Operandi”.

Esta edição recebeu mais de 180 convidados. Nomes nacionais e internacionais prestigiados, como Lázaro Ramos, Conceição Evaristo, Fabio Porchat, Thalita Rebouças, Ailton Krenak, Julia Quinn, Matt Ruff, Casey McQuinston, Míriam Leitão, Itamar Vieira Junior, Junji Ito, Mariana Enriquez, Gabriela Prioli, Muniz Sodré, Priscilla Alcantara, Bráulio Bessa e muitos outros estiveram presentes nas mesas de debate da Estação Plural. O Espaço Metamorfoses, patrocinado pela Petrobras Cultural, atraiu milhares de crianças, adolescentes e adultos que se encantaram pelo ambiente imersivo, interativo, lúdico e hi-tech, em uma reflexão sobre as mudanças do mundo.

Vacinação na Bienal

A Bienal contou com um posto de vacinação em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e vacinou mais de 300 pessoas que ainda não tinham tomado a segunda dose, para que pudessem visitar o festival. Por dia, uma média de 50 pessoas voltaram para casa por não terem apresentado o comprovante de vacinação – exigência do evento.

Expositores: aumento nas vendas varia entre 20% e 120% em relação a 2019

Mais de 85 editoras participaram do evento em 2021 e se surpreenderam com o resultado. A Editora Vozes teve aumento de 30% de vendas em relação à 2019. Já o estande do Grupo Editorial Record, chegou ao último fim de semana com um aumento de 90% nas vendas registradas. É a melhor bienal da história do grupo em termos de faturamento, superando a edição de 2015, que contou com a presença de autoras de best-sellers internacionais.
Os três mais vendidos no estande comprovam o caráter jovem do evento: É assim que acaba (ed. Galera Record), de Colleen Hoover; kit Um de nós, (ed. Galera Record), de Karen M, McManus; e o box com 3 livros de Colleen Hoover: Novembro, 9; É assim que acaba; e Tarde demais (ed. Galera Record). O mais vendido de ficção adulta é A biblioteca da meia-noite (ed. Bertrand Brasil), de Matt Haig. O mais vendido de não-ficção é Will (ed. Best-Seller), de Will Smith e Mark Manson, e o mais vendido de autor nacional é O amor não é óbvio (ed. Galera Record), de Elayne Baeta. O infantil mais vendido é Amor de cabelo (ed. Galerinha Record), de Matthew A. Cherry. Na Globo Livros houve um crescimento de 20% no primeiro fim de semana do evento comparado a Bienal anterior. Na Sextante até esta sexta-feira, dia 10, o aumento tinha sido de 30% em relação ao evento de 2019; e na Intrínseca, de 15%.

Visitação escolar forma novos leitores

Para estimular o hábito da leitura, a 20ª Edição da Bienal recebeu quase 70 mil estudantes das redes pública municipal e estadual. Todos os alunos da Rede Municipal que visitaram a Bienal receberam um cartão de R$ 20 para compra de livros. Os 47.591 servidores da Rede também foram presenteados com um cartão para compras de livros no valor de R$ 200, adquiridos no evento ou na loja online. Também foram disponibilizados, às 1.561 unidades administrativas (escolas, creches e núcleos de extensão), cartões para compra de livros para seus respectivos acervos, com valores que variam de R$ 1.000 a R$ 1.600.
Ao todo, são mais de R$ 12 milhões destinados nessa ação da Secretaria Municipal de Educação. Já a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc-RJ) levou cerca de 20 mil estudantes da rede estadual e 5 mil docentes de 631 unidades escolares para participar do festival. A parceria tem o objetivo de ampliar as iniciativas de apoio e estímulo à leitura. As escolas receberam um kit com o Cartão Bienal, usado para a aquisição de livros. Os docentes foram contemplados com R$ 160,00, e os estudantes ganharam um voucher no valor de R$ 80,00 à disposição para adquirir livros, revistas e quadrinhos (HQs). “A conexão com os educadores foi maravilhosa, de muita troca e aprendizado. Os ajudamos com a curadoria de quais títulos poderiam levar de acordo com o perfil de cada unidade”, contou, emocionada, Martha Ribas, membro da Comissão Bienal do Livro Rio do SNEL e curadora do espaço infantil.

Lis Castelliano
Gerente Executiva do SNEL
https://www.snel.org.br


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Tratado de Marraqueche para Facilitar o Acesso a Obras Publicadas às Pessoas Cegas, com Deficiência Visual ou com Outras Dificuldades para Ter Acesso ao Texto Impresso

DECRETO Nº 10.882, DE 3 DE DEZEMBRO DE 2021 - Regulamenta o Tratado de Marraqueche para Facilitar o Acesso a Obras Publicadas às Pessoas Cegas, com Deficiência Visual ou com Outras Dificuldades para Ter Acesso ao Texto Impresso - O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84,caput, incisos IV e VI, alínea "a", da Constituição, D E C R E T A -

Art. 1º Este Decreto regulamenta o Tratado de Marraqueche para Facilitar o Acesso a Obras Publicadas às Pessoas Cegas, com Deficiência Visual ou com Outras Dificuldades para Ter Acesso ao Texto Impresso, promulgado pelo Decreto nº 9.522, de 8 de outubro de 2018, para dispor sobre o processo administrativo de reconhecimento e de fiscalização de entidades autorizadas a realizarem o intercâmbio transfronteiriço e a importação de exemplares em formatos acessíveis, e as obrigações relativas a medidas tecnológicas de proteção, ao respeito à privacidade e à cooperação.

CAPÍTULO I

DAS DEFINIÇÕES

Art. 2º Para fins deste Decreto, considera-se:

I - beneficiário - independentemente de qualquer outra deficiência ou dificuldade, a pessoa:

a) cega;

b) com deficiência visual que não possa ser corrigida ou para quem é impossível realizar a leitura de material impresso de forma substancialmente equivalente à de uma pessoa sem essa deficiência;

c) com dificuldade de percepção ou de leitura considerada incorrigível, ou para quem é impossível realizar a leitura de material impresso de forma substancialmente equivalente à de uma pessoa sem essa dificuldade; ou

d) com deficiência física que torne impossível sustentar ou manipular um livro, focar ou mover os olhos de forma apropriada à leitura.

II - obra - a obra literária ou artística em forma de texto, de notação ou de ilustrações conexas, que tenha sido publicada, distribuída, comunicada ou colocada à disposição do público por qualquer meio, inclusive a fixada em fonogramas, como os audiolivros;

III - exemplar em formato acessível - a reprodução de uma obra em meio ou em formato alternativo que dê aos beneficiários acesso à obra, inclusive para permitir que a pessoa tenha acesso de maneira semelhante a uma pessoa sem deficiência visual ou outras dificuldades para ter acesso ao texto impresso; e

IV - entidade autorizada - organização pública ou privada sem fins lucrativos, reconhecida pela administração pública federal para, de acordo com as limitações previstas no Tratado de Marraqueche:

a) produzir e disponibilizar aos beneficiários exemplares de obras em formatos acessíveis; e

b) obter ou ter acesso a obras em formatos acessíveis, por meio de outras entidades autorizadas, sem a necessidade de autorização ou de remuneração ao autor ou ao titular da obra.

§ 1º Até a implementação da avaliação biopsicossocial de que trata o § 1º do art. 2º da Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015, a comprovação das deficiências ou dificuldades previstas no inciso I do caput poderá ser realizada por meio de:

a) laudo assinado por profissional habilitado em área de conhecimento relevante para a caracterização da deficiência; ou

b) avaliação psicopedagógica realizada por profissionais ou equipes da escola ou do sistema de ensino, quando aplicável.

§ 2º O exemplar em formato acessível de que trata o inciso III do caput será utilizado exclusivamente por beneficiários e observará a integridade da obra original, consideradas as alterações necessárias para tornar a obra acessível no formato alternativo e as necessidades de acessibilidade dos beneficiários.

§ 3º As entidades autorizadas de que trata o inciso IV do caput, como bibliotecas, arquivos, museus, estabelecimentos de ensino, instituições de assistência social, instituições representativas das pessoas com deficiência, e outras organizações, atuam em benefício da sociedade e desempenham, dentre suas obrigações institucionais ou atividades, serviços nas áreas de

I - educação;

II - formação pedagógica;

III - leitura adaptada; ou

IV - acesso à informação.

CAPÍTULO II

DO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE DE INTERCÂMBIO TRANSFRONTEIRIÇO E DA IMPORTAÇÃO DE EXEMPLARES EM FORMATOS ACESSÍVEIS

Art. 3º Os exemplares em formatos acessíveis, produzidos nos termos do disposto no Capítulo IV do Título III da Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, poderão ser distribuídos, comunicados ou colocados à disposição dos beneficiários ou das entidades autorizadas situadas em outra Parte Contratante do Tratado de Marraqueche.

Art. 4º As entidades autorizadas ou os beneficiários poderão importar exemplares em formatos acessíveis sem a necessidade de autorização do titular do direito autoral sobre a obra, desde que para proveito exclusivo dos referidos beneficiários.

CAPÍTULO III

DO PROCESSO ADMINISTRATIVO DE RECONHECIMENTO DE ENTIDADES AUTORIZADAS

Art. 5º O intercâmbio transfronteiriço e a importação de exemplares em formato acessível nos termos do disposto no Capítulo II deste Decreto, e no § 1º do art. 5º e art. 6º do Tratado de Marraqueche, dependem da edição de ato administrativo de reconhecimento ou de renovação de reconhecimento de entidades autorizadas, pelo Ministro de Estado da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Art. 6º No processo administrativo de reconhecimento, as entidades demonstrarão:

I - a prestação de serviços em favor dos beneficiários, sem fins lucrativos, nas áreas de que tratam os incisos de I a IV do § 3º do art. 2º; e

II - a capacidade técnica para estabelecer e aplicar medidas para:

a) verificar se as pessoas atendidas são beneficiárias;

b) limitar aos beneficiários ou a outras entidades autorizadas a distribuição e a disponibilização de exemplares em formatos acessíveis;

c) desencorajar a reprodução, a distribuição e a disponibilização de exemplares não autorizados; e

d) zelar pelo uso dos exemplares das obras e manter os registros deste uso, observada a privacidade dos beneficiários, nos termos do disposto na Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018; e

III - que estão legalmente constituídas e em funcionamento regular por, no mínimo, doze meses, imediatamente anteriores à data de apresentação do requerimento.

§ 1º Os atos administrativos de reconhecimento e as suas renovações terão o prazo de cinco anos, contado da data de publicação da decisão de deferimento, no Diário Oficial da União.

§ 2º O período de que trata o inciso III docaputpoderá ser reduzido na hipótese de necessidade atestada pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

§ 3º A entidade protocolará pedido de renovação com antecedência mínima de seis meses do prazo de validade do ato administrativo de reconhecimento e deverá demonstrar a manutenção dos requisitos previstos nocaput.

§ 4º A não renovação do ato administrativo de reconhecimento impossibilitará o exercício das atividades previstas no Capítulo II deste Decreto.

§ 5º Na hipótese de não apreciação do pedido de reconhecimento ou de renovação pela administração pública federal, o reconhecimento será prorrogado automaticamente até a publicação da decisão.

Art. 7º Ao protocolar o pedido de reconhecimento, a entidade requerente assinará Termo de Conduta em que se comprometerá a cumprir o disposto no inciso II do art. 6º e a:

I - manter registro de exemplares em formatos acessíveis constantes em seu catálogo, incluída a descrição das principais características dos formatos disponíveis; e

II - fornecer ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e, mediante solicitação, a outras entidades autorizadas, beneficiários ou titulares de direitos autorais, a relação de exemplares disponíveis em formatos acessíveis e os dados das entidades autorizadas com as quais tenham realizado o intercâmbio desses exemplares.

Parágrafo único. A entidade autorizada atenderá às exigências previstas neste Capítulo durante todo o período de validade da autorização, sob pena de cancelamento do reconhecimento.

Art. 8º Os pedidos de reconhecimento e de sua renovação serão protocolados no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, acompanhados dos documentos obrigatórios de que tratam os art. 6º e art. 7º.

Parágrafo único. O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos disporá sobre a forma e o prazo de apresentação dos pedidos a que se refere ocaput, e os demais procedimentos relativos aos processos administrativos.

Art. 9º Recebido o pedido de reconhecimento, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos publicará extrato do requerimento no Diário Oficial da União, para vista e manifestação da sociedade no prazo de quinze dias.

Parágrafo único. A decisão sobre o pedido de reconhecimento ou de sua renovação será publicada no Diário Oficial da União e no sítio eletrônico do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, sem prejuízo de comunicação às entidades, por escrito ou em meio eletrônico.

Art. 10. Caberá recurso da decisão que indeferir o pedido de reconhecimento ou de renovação, no prazo de trinta dias, contado da data de sua publicação.

§ 1º O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, que poderá:

I - reconsiderar a decisão no prazo de dez dias; ou

II - encaminhar ao Ministro de Estado da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos para julgamento.

§ 2º Não será conhecido o recurso protocolado fora do prazo previsto nocaput.

CAPÍTULO IV

DA SUPERVISÃO DE ENTIDADES AUTORIZADAS E DO CANCELAMENTO

DO RECONHECIMENTO

Art. 11. O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos fiscalizará as atividades das entidades autorizadas, de acordo com o disposto no inciso IV docaputdo art. 2º, e poderá atuar, a qualquer tempo, de ofício ou a partir do recebimento de representação.

§ 1º É dever das entidades autorizadas atenderem, no prazo estabelecido, as comunicações do órgão competente, em especial quando motivadas por apurações sobre o cumprimento de suas obrigações legais, sob pena de revogação do reconhecimento como entidade autorizada.

§ 2º A representação de que trata ocaputconterá:

I - a qualificação do representante;

II - a descrição clara e precisa dos fatos a serem apurados;

III - a documentação probatória; e

IV - os demais elementos relevantes para o esclarecimento do seu objeto.

§ 3º Não será admitida a representação anônima, exceto por decisão do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, que poderá atribuir tratamento sigiloso à representação cujo autor apresente fatos e fundamentos que o exponham à situação de vulnerabilidade em face de terceiros.

§ 4º Ato do Ministro de Estado da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos disporá sobre os procedimentos de fiscalização previstos nocaput.

Art. 12. Serão consideradas irregularidades administrativas, passíveis de aplicação de penalidade, nos termos do disposto neste Decreto, as seguintes condutas:

I - descumprir o disposto nos art. 6º e art. 7º;

II - exercer a atividade de intercâmbio transfronteiriço ou de importação de exemplares em formato acessível em desacordo com o disposto no Capítulo II;

III - tratar beneficiários de forma desigual ou discriminatória;

IV - impedir, obstruir ou dificultar, de qualquer forma ou a qualquer pretexto, o acesso a exemplares em formatos acessíveis às pessoas que tenham comprovado sua qualidade de beneficiárias;

V - cobrar valores abusivos ou desproporcionais ao custo efetivo das atividades relacionadas à produção, ao intercâmbio transfronteiriço e à importação de exemplares em formato acessível; e

VI - negar o acesso ou não garantir a publicidade e a transparência das informações previstas nos art. 17 e art. 18.

Art. 13. A prática de infração administrativa sujeitará as entidades à sanção de cancelamento do reconhecimento.

Parágrafo único. A apuração da infração e a imposição da sanção se dará por meio de instauração de processo administrativo em que sejam assegurados o contraditório e a ampla defesa, nos termos do ato a ser editado pelo Ministro de Estado da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Art. 14. O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos dará ciência da abertura do procedimento à entidade, que poderá se manifestar, no prazo de quinze dias, por meio da apresentação de documentação comprobatória, pela insubsistência da irregularidade ou requerer a concessão de prazo para saneamento.

Art. 15. Após análise, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos poderá:

I - determinar as medidas corretivas e os prazos de atendimento, na hipótese de identificação de irregularidades ou vícios sanáveis;

II - cancelar o reconhecimento da entidade na hipótese de identificação de irregularidades ou vícios insanáveis ou de não atendimento dos prazos a que se refere o inciso I docaput; ou

III - arquivar o procedimento, na hipótese de não serem confirmadas as irregularidades apontadas no ato de instauração do processo administrativo ou na representação, ou, ainda, nas hipóteses previstas no art. 52 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999.

§ 1º A não apresentação de defesa ou o abandono do processo administrativo não suspende o seu curso e não impede a aplicação da sanção prevista no inciso II docaput.

§ 2º Aplica-se o disposto no art. 10 ao recurso contra a decisão prevista neste artigo.

CAPÍTULO V

DOS GRUPOS DE TRABALHO

Art. 16. O Ministério do Turismo ou o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos poderão criar Grupos de Trabalho para esclarecimento de temas ou formulação de proposição relacionados ao aperfeiçoamento das atividades regulamentadas neste Decreto, observado o disposto no Decreto nº 9.759, de 11 de abril de 2019.

CAPÍTULO VI

DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 17. Caberá às entidades autorizadas manter e atualizar os registros:

I - dos exemplares disponíveis em formatos acessíveis;

II - dos beneficiários; e

III - das atividades relacionadas ao cumprimento do Tratado de Marraqueche.

§ 1º As entidades autorizadas deverão se prevenir contra o falseamento de dados e as fraudes, e assumir, para todos os efeitos, a responsabilidade pelos dados cadastrados.

§ 2º O Ministério do Turismo ou o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos poderão solicitar acesso às informações previstas nocaput.

Art. 18. Cabe às entidades autorizadas adotar medidas de publicidade e de transparência às suas atividades, incluída a divulgação, em seus sítios eletrônicos, das informações consolidadas sobre os exemplares disponíveis em formatos acessíveis, com a indicação, no mínimo:

I - da quantidade de exemplares;

II - dos formatos acessíveis disponíveis;

III - da autoria e da titularidade das obras;

IV - do ano de publicação; e

V - da especificação do suporte.

§ 1º Para o cumprimento da obrigação prevista nocaput, as entidades observarão o disposto no art. 63 da Lei nº 13.146, de 2015.

§ 2º O Ministério do Turismo ou o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos poderão disponibilizar, em seus sítios eletrônicos, com o objetivo de centralizar as informações existentes no País, as relações:

I - de exemplares em formatos acessíveis; e

II - de entidades autorizadas.

Art. 19. A utilização dos dispositivos técnicos e dos sinais codificados de que tratam os incisos I e II docaputdo art. 107 da Lei nº 9.610, de 1998, não poderá constituir obstáculo à fruição e ao exercício das limitações dispostas no Capítulo IV do Título III da referida Lei ou no Tratado de Marraqueche.

Art. 20. O disposto neste Decreto será interpretado com o objetivo de garantir a completa e a efetiva participação e inclusão das pessoas com deficiência na sociedade, em conformidade com as diretrizes constantes na Lei nº 13.146, de 2015.

Art. 21. Os direitos e as obrigações previstos neste Decreto não excluem os estabelecidos em outros atos normativos, inclusive em pactos, tratados, convenções e declarações internacionais aprovados e promulgados pelo Congresso Nacional, e serão aplicados da forma mais favorável aos beneficiários de que tratam as alíneas de "a" a "d" do inciso I do caput do art. 2º.

Art. 22. As informações pessoais disponibilizadas ao Ministério do Turismo ou ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos terão seu acesso restrito, de acordo com o disposto no art. 31 da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011.

Art. 23. O processo administrativo previsto neste Decreto observará o disposto na Lei nº 9.784, de 1999.

Art. 24. Este Decreto entra em vigor em 3 de janeiro de 2022.

Brasília, 3 de dezembro de 2021; 200º da Independência e 133º da República.

JAIR MESSIAS BOLSONARO

Marcos José Pereira
Damares Regina Alves

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2021 e a indústria da impressão / Ondas Impressas

São Paulo, 8 de dezembro de 2021 – Abrindo a temporada de retrospectivas, o 44º episódio do Ondas Impressas resgata os assuntos mais importantes discutidos ao longo deste ano e olha para o que está por vir.
Marcado pela continuidade na escassez de insumos básicos, pela instabilidade na demanda e pela alta das commodities, este foi mais um ano complicado para o setor, a despeito das oportunidades abertas pela mudança nas demandas do consumidor final. Várias empresas, que já haviam enxergado essas novas necessidades, conseguiram bons resultados, sobretudo se aproximando ainda mais do cliente e investindo na especialização de seus funcionários.
Desta vez sem convidados, a jornalista Tânia Galluzzi e o consultor Hamilton Costa destacam alguns pontos relevantes de 2021 e olham para o próximo ano, cheio de desafios. O episódio traz ainda um pouco dos bastidores, com os erros de gravação. 

O T2 #EP21 – Acabou 21 + erros de gravação já está disponível nas principais plataformas de podcast: Spotify, Amazon Music, Apple Podcasts, Google Podcasts, Deezer, Overcast, Castbox e Stitcher. E também no YouTube!

Ou então no site: https://ondasimpressas.buzzsprout.com/

Sobre o Ondas Impressas - O universo da impressão é o tema central do Ondas Impressas, primeiro podcast independente do setor. No canal, cujo primeiro episódio foi ao ar no dia 19 de fevereiro de 2020, a jornalista Tânia Galluzzi, que escreve sobre o setor há 30 anos na Revista Abigraf e na revista Tecnologia Gráfica, e o consultor Hamilton Costa, discutem, com a ajuda de convidados, as tendências e os desafios da indústria da impressão. Do livro à embalagem, do banner ao display de ponto de venda, do têxtil à impressão 3D, o objetivo é colaborar com o debate sobre os temas mais relevantes para o setor. 

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Bienal do Livro Rio: a maior festa literária do país movimenta a capital carioca a partir desta sexta-feira, dia 03

Premiados autores internacionais e nacionais, além de influenciadores digitais, jornalistas, educadores e celebridades, participam do evento, que acontece até 12 de dezembro, no Riocentro. Em sua 20ª edição, a Bienal do Livro Rio vai festejar o reencontro e promete ser inesquecível. A partir desta sexta-feira, dia 3 de dezembro, o Riocentro, na Barra da Tijuca, receberá o público saudoso e apaixonado por livros com uma programação especialmente elaborada por um coletivo curador para atender aos mais diferentes gostos e estilos. O objetivo é proporcionar trocas e reflexões sobre as principais questões contemporâneas em um debate plural e democrático, inspirado pelo questionamento "que histórias queremos contar a partir de agora?". 

O maior festival de cultura do país terá atrações para todas as idades, seguindo os protocolos sanitários para preservar o bem-estar dos visitantes. Diariamente, o evento ocorrerá entre 9h e 22h, conforme detalhamento abaixo por dia da semana. Também haverá limite de capacidade de público por turno e necessidade da apresentação de comprovante de vacinação, além de uso obrigatório de máscara. 

A cerimônia de abertura, nesta sexta-feira (03), está marcada para às 10h, com a presença do prefeito Eduardo Paes e dos secretários municipais e estaduais de Educação e de Cultura. Grandes personalidades da literatura também estarão presentes, como o escritor Zuenir Ventura, que será homenageado pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e pela GL events, realizadores do evento, representando todos os autores parceiros da Bienal. Além da riqueza de sua obra, Zuenir foi escolhido para essa homenagem por ter marcado presença em toda a história do festival. 

Nesta cerimônia, o SNEL também homenageará a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia com a entrega do Prêmio José Olympio, que desde 1983 reconhece personalidades e instituições com notáveis contribuições em prol do mercado editorial brasileiro. "Com seu histórico voto ‘cala boca já morreu’, ela garantiu aos autores do país a plena liberdade de publicar biografias não autorizadas, permitindo que os leitores conheçam melhor a nossa história", explica Marcos da Veiga Pereira, presidente do SNEL. 

Programação 

Para discutir o que as pessoas têm vivido e participar da construção dessas novas narrativas, a Bienal lança a Estação Plural, espaço patrocinado pela Colgate-Palmolive, que reúne autores, artistas e formadores de opinião que transitam no ecossistema literário - literatura, poesia, narrativa, atualidades, cultura pop, diversidade, ficção e não-ficção. 

Este ano, 85 editoras e 140 selos estão confirmados, além de livrarias, distribuidores e loja de e-commerce, como Submarino. A programação conta com debates sobre juventude e fé, poesia, desenvolvimento sustentável, política e democracia, feminismo, jornalismo investigativo, adaptações audiovisuais, cultura geek e pop, LGBTQIAP+, saúde mental, ancestralidade e tendências do mercado literário, além da conexão de música e streaming. 

Entre os autores internacionais estão os norte-americanos Matt Ruff, Julia Quinn, Beverly Jenkins, Jenna Evans, Casey McQuiston, Tracy Deonn, Lyssa Kay Adams, V. E. Schwab, Scarlett Peckham e Josh Malerman, a argentina Mariana Enriquez, a australiana Monica Gagliano e o japonês Junji Ito, um dos mais conceituados no universo dos mangás. A Bienal receberá ainda nomes como Conceição Evaristo, Itamar Vieira, Aílton Krenak, Caco Barcellos, Lázaro Ramos, Antônio Fagundes, Whindersson Nunes, Nei Lopes, Otávio Júnior, Raphael Montes, Tati Bernardi, Gabriela Prioli, Pastor Henrique Vieira, Teresa Cristina, Lua de Oliveira, Luiz Antonio Simas, Lulu Santos, Fábio Porchat, Aza Njeri, Eliane Brum, entre muitos outros. 

Para os pequenos leitores, o Espaço Metamorfoses, patrocinado pela Petrobras Cultural, é inspirado nas mudanças do mundo e da leitura, trazendo uma exposição imersiva com cenários interativos, hi-tech e lúdicos, que proporcionarão a cada visitante a possibilidade de viver uma viagem literária em diversas linguagens. 

Para todos os públicos 

Crianças com deficiência visual poderão fazer uma visita guiada neste espaço e todas as sessões da programação oficial terão tradução simultânea em libras. Em formato híbrido, com o conteúdo transmitido em tempo real pelo site . 

Os ingressos podem ser adquiridos pelo site do evento e também estarão disponíveis em bilheteria física, com número limitado, durante o festival. 

"Estamos entregando uma edição muito especial nesta edição, tirada do papel com toda a responsabilidade que o momento impõe, mas trazendo toda a energia do reencontro e a potência das conexões entre com o universo literário e as diferentes linguagens e temas. Nosso propósito de estimular a leitura para transformar o país está ainda mais presente, com uma programação plural e de bastante qualidade", afirma Tatiana Zaccaro, diretora da GL events, responsável pela Bienal. 

Marcos da Veiga Pereira, presidente do SNEL, ressalta a importância social e cultural da Bienal, no contexto da retomada de eventos presenciais no país. "Nos últimos meses, as pesquisas de mercado têm confirmado a reconexão das pessoas com os livros, o que só reforça a missão e a razão de ser do evento: o incentivo à leitura no Brasil. A Bienal é a grande festa do livro e é muito marcante que esse seja um dos primeiros eventos culturais de grande porte neste momento de transição para dias melhores", afirma. "Estamos muito felizes em poder continuar ampliando a representatividade do evento junto ao público, à comunidade e à indústria editorial, levando adiante a leitura como instrumento fundamental para o fomento da educação, da cidadania e da pluralidade de vozes no país", pontua. 

Serviço 

Riocentro - Avenida Salvador Allende, 6555, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ; 

Data: 03 de dezembro a 12 de dezembro de 2021; 

Horários: 

sextas: 9h às 22h; 

sábados e domingos: 10 às 22h; 

segunda a quinta: 09h às 21h; 

Ingresso: R$ 40 (inteira)/ R$ 20 (meia-entrada); 

Compra online pelo site: 

Compra no local: bilheterias estarão disponíveis com ingressos limitados à venda; 

Protocolo: uso de máscara será obrigatório, assim como apresentação do comprovante de vacinação. 

MAIS INFORMAÇÕES


Relacionamento com a imprensa | Danthi comunicações 

Paula Sarapu: paula@danthi.com.br (21) 97510-6379 

Julia Casotti: bienal@danthi.com.br (27) 99316-6423 

https://www.bienaldolivro.com.br


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O Cangaceiro – Ignorante? Tarado? ou Injustiçado? / POR ONÉLIO JOSÉ PORTO

 - I -

Todo serviço, tem a sua formação inteiramente ligada ao meio ambiente; o cangaço, foi o mais acentuado produto do ambiente social do interior nordestino. Um verdadeiro brado de vingança contra a injustiça social e contra o esquecimento a que estavam relegados os sertões nordestinos. “Epopéia de bravos na luta contra a tirania dos Coronéis desalmados”.

- II - 

Para melhor compreensão dos leitores transcrevemos alguns dados fornecidos por um ex-cabra de Lampião.

O Rei do Cangaço

Virgulino Ferreira da Silva, o “Lampião”, nasceu em Vila Bela ou Mantinha de água Branca, no estado de Pernambuco. Desde pouca idade era Comboeiro, e carregava mercadorias de sua terra para Delmiro Gouveia, em Alagoas. Quando ele tinha dezesseis anos de idade, seu pai foi morto, por grupo de soldados comandados pelo Sargento Lucena. Ao saber da morte do pai, Virgulino enfureceu-se e quis vingar-se. Os seus parentes, porém aconselharam-no a dar parte as autoridades, e ele achando ser a medida mais certa, assim, fez. Mas a policia, retornou a fazendo e tal qual da primeira vez que Virgulino lá não estava, destruiu tudo e matou-lhe a mãe. Os soldados, ainda dessa vez foram comandados pelo sargento Lucena. Virgulino de uma coisa ficou certo: não era possível ficar naquelas terras,pois se ficasse os soldados voltariam e era sua vez de morrer. Esses pensamentos, juntamente com o ódio que passou a ter do mundo, foram os incentivos por que ingressasse no Cangaço.

- III -

O rio São Francisco, estava barreira, á barreira, as suas águas temperadas pela erosão pluvial era de um marron sanguíneo. Quatro homens utilizando uma rústica balsa atravessaram o grande rio rumo á Bahia. Um deles cego de um olho era o mais pensativo. Forçados abandonaram o torrão natal. Entraram nessa aventura levando grande saudade de Serra Talhada...

- IV - 

Quando Virgulino entrou no cangaço, achou quem o quisesse seguir; Ezequiel, Antônio e Virginio “Esperança”. Ezequiel era o seu irmão mais novo, Antônio o mais velho e Virginio seu cunhado. Os dois irmãos morreram antes do “Rei do Cangaço”, em combate, e Virginio foi dos últimos a ser trucidado pela polícia. Quando Ezequiel foi morto, Lampião teve um choque fortíssimo pois amava muito seu irmão mais novo. Desse dia em diante, Lampião ordenou que não se poupasse mais vida de “Macacos”, se fosse soldado tinha que morrer.

- V -

Além de muito religioso, Lampião dizia-se um grande justiceiro...Vejamos como aplicava sua justiça, segundo a narrativa de um participante da tragédia. Estávamos acampados em Lagoa do Rancho, no interior da Bahia. Depois de alguns dias, estourou um escândalo: O dono da fazenda onde estávamos queixou-se a Lampião de que um dos seus “cabras” havia estuprado sua filha. Lampião seguido pelo bando, foi ver a filha do fazendeiro, e o quadro a que assistimos era triste: a mocinha estava num estado lastimável. O autor do ato bárbaro fora Sabiá, um rapaz com 18 anos mais ou menos, e novo Bando. Praticado o atentado, Sabiá fugiu para o mato. Lampião, depois de ver o estado em que ficou a filha do fazendeiro, falou secamente: “Volta Seca e Gavião, vão buscar o Sabiá”. Eu e Gavião saímos a procura de Sabiá, quando nos aproximamos do local ele estava entrincheirado, e gritou: Não avancem, eu abro a cabeça dos dois com uma bala: - Sabiá, o capitão quer falar com você! – Se ele quer falar comigo, venha ele mesmo me buscar! Achei muita ousadia, mas não tentei capturá-lo...Olhei para o meu camarada e retornamos á fazenda. Lampião quando nos viu sozinhos, perguntou indignado: “Cadê ele?” – Sabiá está entrincheirado, ali, embaixo atrás de uma pedra; - “Porque não trouxeram ele?” – Porque ele nos matará; nós dissemos que o Capitão queria falar com ele. Mas ele respondeu: Pois venha ele mesmo se quiser. Foi a conta! A testa de Lampião franziu-se, os lábios se comprimiram e, serrilhando os dentes disse. Eu vou buscar esse cão.

- Não avance nem mais um passo, capitão, que eu atiro! Ninguém vai me pegar, dizia Sabiá.

Lampião olhou-o por um momento e, de repente, falou:

- Você não atira em ninguém, menino. E avançou. Avançou resoluto, com Sabiá fazendo pontaria para ele. A todo instante eu esperava o estampido assassino do fuzil de Sabiá. Mas o tiro não saiu. Frente a frente com Sabiá, Lampião gritou: “Atira cachorro! Atira”” E Sabiá não atirou...Pelo contrário, arriou o fuzil. Foi seu fim pois Lampião, rápido, deu com a coronha de seu fuzil na cara do rapaz, que rolou pelo chão, ensangüentado. Eu e Gavião aproximamo-nos depressa do local e Lampião mandou que o levássemos á fazenda. Desarmei Sabiá, eu de um lado e, Gavião do outro. Levamo-lo de volta, enquanto Lampião ia á frente, a passos rápidos. Sabiá estava tonto, com a boca arrebentada e todos os dentes da frente quebrados. Sangrava muito e vinha amparado por mim e Gavião.

Na fazenda, todos se acercaram de nós. Eu sabia que a coisa ia ter um fim trágico, pois Lampião estava furioso. Foi feito um círculo de gente e, no meio dele, Sabiá, ladeado por mim e Gavião com Lampião na frente, que olhava sem afastar por um segundo sequer os olhos de Sabiá. Olhava-o com ódio, sem dizer nada, e o silêncio era completo, pois ninguém ousava falar Sabiá mal se agüentava em pé. Estava vencido. Vencido e convencido. Lampião, então, pôs-se a falar: - Vais morrer porque não presta, cão. É por causa dessas coisas que falam mal da gente, por ali. Mas eu te dou um exemplo, pra todos saberem que o bando de Lampião tem vergonha.

E apontando para dois empregados da fazenda, ordenou: “Vocês dois ali, cavem um buraco pra enterrar esse cabra! ” Os homens obedeceram e, de enxada em punho, puseram se a abrir a cova. Sabiá não falava e tenho até impressão de que não compreendia o que se passava. Depois de alguns minutos, a cova pronta, isto é dada como pronta por Lampião, apesar de não ter mais de dois palmos de profundidade, mandou ele que os dois homens parassem e, apanhando uma “Berbere”, apontou para a cara de Sabiá, que nem moveu a cabeça. Quem estava atrás de Sabiá correu pra se abrigar. Lampião fez a pontaria e gritou: “Vai-te pros infernos, cão”. E deu no gatilho!

Sabiá caiu morto, mas Lampião continuou a atirar. Houve quem contasse quinze tiros...Aquela expressão: “Vai-te pros infernos, cão” era muito comum a Lampião, quando matava alguém naquelas condições. Saciada sua fúria assassinada, Lampião ordenou aos dois empregados que abriram a cova: “Joga este peste aí! Cachorro se enterra de qualquer jeito!” 



O Cangaceiro – Ignorante? Tarado? ou Injustiçado?
PORTO, Onélio José. Pingos e respingos. Gráfica Mauro Morais Ltda, 1976.
Pag. 44, 45, 46 e 47 .

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“IN MEMORIAM” DE NELLY NOVAES COELHO / POR MARIA MORTATTI

A ensaísta, crítica literária e professora, Nelly Novaes Coelho (São Paulo/SP, 17.5.1922 – 29.11.2017), foi professora, entre 1961 e 1976, da cadeira de Teoria da Literatura na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Marília (incorporada à Universidade Estadual Paulista, em 1976, e onde trabalho desde 1991).

Em 1965, ingressou como professora assistente de Espanhol e de Língua Portuguesa, na Faculdade de Filosofia Letras Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, tendo-se tornado professora titular em 1985. A partir de 1971, atuou como professora convidada em curso de Literatura Portuguesa em universidades portuguesa e estadunidense, além de ministrar cursos em universidades em outros estados brasileiros. Em 1980, criou a cadeira sobre literatura infantil no curso de Letras da USP, uma das metas do CELIJU (Centro de Literatura Infantil e Juvenil), de cuja fundação fez parte, com as escritoras Camila Cerqueira César e Lúcia Pimentel Goes.

Aposentou-se – compulsoriamente - em 1992 e continuou atuando como professora e orientadora convidada. Atuou também pelo incentivo à criação de bibliotecas públicas na cidade de São Paulo e presidiu a Associação Paulista de Críticos de Arte.  

É autora de obra com mais de 200 títulos, entre livros, capítulos de livros, artigos em periódicos e artigos, resenhas e ensaios em jornais. Entre eles, destaco os livros A literatura infantil: história, teoria, análise (1981), Dicionário Crítico da Literatura Infantil e Juvenil Brasileira (1983, com sucessivas atualizações), Dicionário Crítico de Escritoras Brasileiras (2002), Escritores Brasileiros do Século XX – Um testamento crítico (2013) e Tecendo literatura entre versos e olhares (2015). Recebeu prêmios e homenagens no Brasil e em Portugal, como: Prêmio Bocage (1966), Prêmio Jabuti/ Ensaio (1974), Prêmio Clara Ramos (1997), pela União Brasileira de Escritores; Sala Nelly Novaes Coelho (2007), homenagem da Diretoria das Bibliotecas Públicas do Estado de São Paulo/Secretaria de Cultura de São Paulo.

Seu falecimento, aos 95 anos de idade, foi noticiado pela família somente um mês depois, quando também se soube da situação a que fora submetida: isolada em uma clínica, com visitas proibidas, interditada judicialmente. E o compromisso dos netos - anunciado em 2004 - de criarem uma fundação para abrigar sua biblioteca particular de 10 mil livros, nas áreas de literatura brasileira, portuguesa e infanto-juvenil, não se concretizou. Vários livros dela foram vendidos a sebos paulistanos.  

Essas notícias causaram-me perplexidade, como a todos que sabem do valor de seu trabalho e seu legado para a história, teoria e crítica da literatura, em especial de seu pioneirismo nos estudos sobre literatura infantil brasileira, referências obrigatórias a todos os estudiosos do assunto. Justamente por esses motivos, seu livro A literatura infantil: história, teoria, análise é um dos clássicos analisados, por Fernando R. Oliveira, no livro que organizamos: Clássicos sobre literatura infantil brasileira (1843-1986) (2020)*.  

Certa vez, entrei em contato por telefone para convidá-la para compor a banca de tese de doutorado de uma orientanda. Com inigualáveis simpatia e delicadeza, agradeceu pelo convite. Ficou feliz com a possibilidade de retornar à faculdade em Marília, onde iniciou sua carreira acadêmica. Recusou, porém, justificando: “É uma viagem arriscada para minha idade”.  

Não a conheci pessoalmente, mas continuo admirando e difundindo seu legado. Esta nota, no quarto ano de seu falecimento, é minha modesta homenagem a sua memória. Nelly Novaes Coelho, presente. Sempre!  

Maria Mortatti – 29.11.2021 

* E-book gratuito: https://ebooks.marilia.unesp.br/index.php/lab_editorial/catalog/book/213


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Conceição Evaristo comemora aniversário com Paulina Chiziane em encontro on-line organizado pelo Itaú Cultural

As duas escritoras – a primeira, brasileira; moçambicana, a segunda – têm produção literária convergente sobre a negritude em geral e a mulher negra, em especial, dentro de seus países. No dia em que Conceição cumpre 75 anos, elas se reúnem para falar e trocar impressões sobre a sua obra, vida, ativismo e “escrevivências”, termo usado pela aniversariante para definir sua escrita que nasce das vivências, vivendo para narrar, narrando o que vive.
Às 15h do dia 29 de novembro de 2021, segunda-feira, quando a brasileira Conceição Evaristo completa 75 anos, ela se encontra virtualmente com a moçambicana Paulina Chiziane para trocar suas “escrevivências” e experiências, em conversa organizada pelo Itaú Cultural e transmitida em seu canal de YouTube www.youtube.com/itaucultural e site www.itaucultural.org.br. Com lirismo e contundência, a obra de ambas trata das vivências das mulheres negras em seus países. Tamanha convergência levou a aniversariante a ler um trecho do livro O Alegre Canto da Perdiz, de Paulina, no podcast do IC Escritores-leitores, em 2019.
Conceição já foi homenageada em mostra da série Ocupação, realizada pelo Itaú Cultural, em 2017, acompanhada de publicação organizada especialmente para esta mostra e na Olimpíada de Língua Portuguesa do Itaú Social, realizada em parceria com o Ministério da Educação (MEC) desde os anos 2000. Em 2019, ainda, ela foi eleita personalidade literária do Prêmio Jabuti, do qual recebeu premiação em 2015 pelo livro Olhos D’água.
Por sua vez, Paulina conquistou o Prêmio José Craveirinha, em 2003, com o livro Niketche: uma história de poligamia. Acaba de ser agraciada com o Prêmio Camões de Literatura, atribuído desde 1988 a autores que contribuíram para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa. É a primeira mulher africana a receber esta premiação. "Não contava com isso. Recebi a notícia e disse: 'meu Deus! Eu já não contava com essas coisas bonitas!' É muito bom. Esse prêmio é resultado de muita luta. Não foi fácil começar a publicar sendo mulher e negra. Depois de tantas lutas, quando achei que já estava tudo acabado, vem esse prêmio. O que eu posso dizer? É uma grande alegria”, declarou ela na ocasião. 

Mais sobre Paulina

A escritora cresceu nos subúrbios da capital de Moçambique, Maputo, anteriormente chamada Lourenço Marques. Nasceu em uma família protestante onde se falavam as línguas Chope e Ronga. Aprendeu o português na escola de uma missão católica. Atualmente, vive e trabalha na Zambézia, província situada na região central de Moçambique, a 1,6 mil quilômetros da capital do país.
Na juventude, participou ativamente na cena política de Moçambique como membro da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), onde, segundo declarou, em entrevista, aprendeu a arte da militância. Deixou de se envolver na política para se dedicar à escrita e publicar suas obras. Entre as razões da sua escolha estava a desilusão com a política do partido Frelimo pós-independência, com suas ambivalências ideológicas internas e diretrizes sobre a mono e a poligamia e pelo que via como hipocrisia em relação à liberdade econômica da mulher.
Primeira mulher a publicar um romance   em Moçambique, iniciou a atividade literária em 1984, com contos publicados na imprensa de seu país. A sua trajetória literária é polêmica sobre assuntos sociais, como a prática de poligamia por lá. Com o seu primeiro livro, Balada de Amor ao Vento (1990), ela discute essa prática no sul de Moçambique durante o período colonial. Devido à sua participação ativa nas políticas da Frelimo, a sua narrativa reflete o mal-estar social de um país devastado pela guerra de libertação e os conflitos civis que aconteceram após a independência.

Em 2016, anunciou o abandono da escrita, cansada das lutas travadas ao longo da sua carreira.  

Mais sobre Conceição

Ficcionista e ensaísta. Mestre em Literatura Brasileira pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/Rio), doutora em literatura comparada pela Universidade Federal Fluminense (UFF. Sua primeira publicação (1990) foi na série Cadernos Negros do grupo Quilombhoje. Tem sete livros publicados, entre eles o vencedor do Jabuti, Olhos D’água (2015), cinco deles traduzidos para o inglês, francês, espanhol e árabe. Prêmio do Governo de Minas Gerais pelo conjunto de sua obra. Outros prêmios: Nicolás Guillén de Literatura pela Caribbean Philosophical Association e de Mestra das Periferias pelo Instituto Maria e João Aleixo (2018).  Em 2019, teve três de seus livros aprovados no PNLD Nacional. Ainda no mesmo ano lançou Poemas da Recordação e Outros Movimentos, em edição bilíngue (português/francês) no Salão do Livro de Paris. 

Veja onde encontrar todas as referências a Conceição no Itaú Cultural:

Ocupação Conceição Evaristo: 

https://www.itaucultural.org.br/ocupacao/conceicao-evaristo/

Publicação: https://issuu.com/itaucultural/docs/final_conceicao_issuu_e426e10af8e432

Podcast Escritores e Leitores:

(com a leitura de trecho de O alegre canto da perdiz, de Paulina Chiziane)

https://www.itaucultural.org.br/conceicao-evaristo-escritores-leitores

Outras participações dela em atividades do IC:

https://www.itaucultural.org.br/busca?tags=concei%C3%A7%C3%A3o%20evaristo

Enciclopédia Itaú Cultural:

https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa6851/conceicao-evaristo

Olimpíada de Língua Portuguesa:

https://www.escrevendoofuturo.org.br/concurso

Entrevista realizada na ocasião da homenagem na Olimpíada:

https://www.itausocial.org.br/noticias/conceicao-evaristo-a-escrevivencia-serve-tambem-para-as-pessoas-pensarem/

SERVIÇO:

Encontro com Conceição Evaristo e Paulina Chiziane 

29 de novembro de 2021, às 15h (segunda-feira). Livre.

Em www.youtube.com/itaucultural e www.itaucultural.org.br

Itaú Cultural

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Delegação brasileira marca presença na Feira do Livro de Guadalajara com editoras e autores

A edição deste ano da Feira Internacional do Livro de Guadalajara (FIL) acontece entre os dias 27 de novembro a 5 de dezembro de 2021, na cidade mexicana. Neste ano, o Brazilian Publishers, projeto de internacionalização de conteúdo editorial brasileiro realizado por meio de uma parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), retorna presencialmente ao evento em parceria com a Embaixada do Brasil no México.
"A Feira do Livro de Guadalajara é considerada um ponto-de-encontro importante das nações hispano-americanas, reunindo representantes de mais de 40 países. O Brasil sempre tem uma presença expressiva e, neste ano, não será diferente", garante o presidente da CBL, Victor Tavares. Além das editoras Girassol Brasil, Callis, Global e Bibliex, também haverá a presença dos autores Claudia Lage, Itamar Vieira Junior, Marcelo Labes, Oscar Nakasato e Tiago Ferro e da professora Tania Rösing, considerada "amiga do livro" pelo Prêmio Jabuti de 2014.
Eles foram convidados pelo projeto Destinação Brasil, que procura apresentar a diversidade do país durante os debates na programação da feira. O programa é realizado desde 2012 por meio de uma parceria entre os organizadores, o Brazilian Publishers, o Prêmio São Paulo de Literatura e a Embaixada do Brasil no México, com apoio de Textofilia Ediciones e da Secretaria de Cultura e Economía Creativa do Estado de São Paulo.
"Aos poucos e com toda a segurança, vamos retomando a nossa presença física nos principais eventos internacionais, mostrando todo o potencial da nossa produção. A FIL é um ponto-de-encontro essencial para os países que falam português e espanhol, por isso, é tão importante esse movimento", explica Fernanda Dantas, Gerente de Relações Internacionais da CBL e Gerente do Brazilian Publishers. 
O estande brasileiro é realizado em parceria com a Embaixada do Brasil no México e receberá a visita do embaixador Fernando Coimbra. Também haverá a venda de livros brasileiros, tanto em português como em espanhol, em colaboração com a Librería Carlos Fuentes e a distribuidora 2Books. 

Confira abaixo os principais momentos a participação do Brasil no evento:

 27 de novembro

14h - Inauguração da FIL e abertura do estande do Brasil

 28 de novembro

10h55 às 11h45 - Congresso de Traducción e Interpretación San Jerónimo - "Traducción y ortotipografía: un estudio comparado de normas editoriales entre Brasil y México"

Participação: Sandra Erika Carmona Esquivel

Local: Bloque E 

29 de novembro

10h30 às 11h20 - "Literatura infantil y juvenil. Sólo para chicos"

Conferencia Magistral: "Lectores creativos para siempre: del libro al juego electrónico"

Participação: Tania Rösing

Local: Salón Enrique González Martínez, Área Internacional,

18h às 18h50 - "Clarice Lispector. Rostros, voces y gestos literários. Archivos de la Fundación Casa de Rui Barbosa"

Participação: Emiliano Mastache, Martha Patricia Reveles, Diogo Almeida

Local: Salón C, Área Internacional, Expo Guadalajara

1 de dezembro

18h às 18h50 -  "Destinação Brasil"

Participação: Tiago Ferro, Claudia Lage, Itamar Vieira Junior

Local: Salón F, Área Internacional

2 de dezembro

18h às 18h50 - "Destinação Brasil"

Participação: Marcelo Labes e Oscar Nakasato

Local: Salón F, Área Internacional, Expo Guadalajara

20h às 20h50 - Prêmios em colaboração |  Prêmio São Paulo de Literatura 2021

Participação: Tiago Ferro, Claudia Lage e Marcelo Labes

Local: Salón F, Área Internacional, Expo Guadalajara

3 de dezembro

11h - Coletiva de imprensa - Assinatura do segundo convênio de apoio da Embaixada do Brasil à publicação de autores brasileiros no Fondo de Cultura Econômica

Local: estande da FCE

18h às 18h50 - "Torcido arado / Nihonjin"

Autores: Itamar Vieira Junior e Oscar Nakasato

Mediação: Ricardo Sánchez e Diogo Mendes de Almeida

Local: Salón F, Área Internacional, Expo Guadalajara

Sobre o Brazilian Publishers - Criado em 2008, o Brazilian Publishers é um projeto setorial de fomento às exportações de conteúdo editorial brasileiro, resultado da parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). A iniciativa tem como propósito promover o setor editorial brasileiro no mercado global de maneira orientada e articulada, contribuindo para a profissionalização das editoras.

https://www.cbl.org.br


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Sindicato Nacional dos Editores de Livros completa 80 anos mirando no futuro da leitura no Brasil e no mundo

Fundada em 1941, entidade se destacou na luta contra a censura e a pirataria e esteve à frente de conquistas históricas, como a isenção tributária do livro; agora, SNEL pretende avançar na internacionalização do setor editorial. Em 22 de novembro de 1941, em um prédio da Avenida Rio Branco, no Centro do Rio de Janeiro, nascia o Sindicato Nacional dos Editores de Livros, como entidade patronal reconhecida pelo Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. Engendrada por 23 editoras, a fundação do SNEL à época girou em torno de um objetivo principal: estudar e coordenar as atividades editoriais no Brasil. Ao longo dos anos, no entanto, essa missão se ampliou para uma aguerrida luta em prol do livro e da leitura em uma nação que, oito décadas depois, ainda enfrenta grandes desafios nessa seara.
O SNEL é uma entidade de classe – a única com abrangência em todo o território nacional – que atua na representação legal da categoria de editores de livros e publicações culturais, bem como na proteção dos interesses do setor em seus mais diversos pleitos.
Desde 1983, o SNEL é responsável pela realização da Bienal Internacional do Livro Rio, em parceria com a GL Events. O evento, que começou como uma feira de livros no Copacabana Palace, sob a batuta da então presidente do Sindicato, Regina Bilac Pinto, hoje se expandiu para um megafestival multicultural, capaz de reunir mais de 600 mil visitantes em menos de duas semanas de duração. A 20ª Bienal do Livro Rio acontece entre os dias 3 e 12 de dezembro de 2021, no Riocentro, em formato híbrido e com programação focada na diversidade de temas e nas novas narrativas de um mundo em pleno estado de transformação.
As pesquisas de mercado também são assunto de máxima importância para a entidade e sua consolidação foi um dos pontos altos da gestão de Marcos da Veiga Pereira, atual presidente que se despede em dezembro do mandato de 7 anos à frente do Sindicato. O SNEL coordena e divulga mês a mês o Painel do Varejo de Livros no Brasil, principal levantamento sobre o mercado livreiro no país, realizado pela Nielsen BookScan. "Na área de pesquisa, fizemos uma grande revolução. Desde 2015, divulgamos mensalmente os números do varejo de livros, que são muito aguardados pelo setor como o termômetro mais recente do mercado”, salienta o presidente.
Em parceria com a Câmara Brasileira do Livro e a Nielsen Book, o SNEL também apresenta anualmente a Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, mais completo retrato da indústria editorial nacional, e a Pesquisa Conteúdo Digital do Setor Editorial Brasileiro, que mapeia o mercado de e-books, audiolivros e outras plataformas digitais de distribuição. “No caso da Produção e Vendas, que é o maior e mais completo retrato da nossa indústria no Brasil, conseguimos antecipar a divulgação para no máximo o mês de abril de cada ano. Assim, os empresários do segmento podem pautar suas decisões com base nos dados mais atuais e fidedignos possíveis", comenta Marcos da Veiga Pereira. "Criamos ainda uma série histórica, atualizada anualmente pelos índices de inflação. Devo dizer que as informações do mercado de livros brasileiro hoje são uma das mais consistentes do mundo”, pontua.
O Sindicato mantém articulações permanentes com diversas instituições, tanto governamentais quanto privadas, com o objetivo de fomentar a política do livro e da leitura no país e no mundo. Em âmbito internacional, o SNEL é afiliado à International Publishers Association (IPA) e ao Centro Regional para el Fomento del Libro em America Latina y e Caribe (Cerlalc). Para Dante Cid, recém-eleito presidente da entidade, a tomar posse em janeiro de 2022, “é fundamental estreitar o relacionamento com as demais entidades do ecossistema do livro, no Brasil e no exterior, para que, assim, possamos defender e promover a leitura, proporcionando uma sociedade mais justa e próspera através do conhecimento”. Em 2019, a entidade tornou-se membro do Accessible Books Consortium, grupo composto pela World Intellectual Property Organization e demais instituições internacionais que promovem a leitura acessível ao redor do mundo.
O combate à pirataria do livro e a proteção da propriedade intelectual são algumas das bandeiras fundamentais para o SNEL, que mantém uma atuação longeva em conjunto com a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR) na criação de um Departamento de Combate à Pirataria Digital, que, só em 2021 já retirou do ar 165.148 links irregulares.
O Sindicato também lidera campanhas institucionais em prol das causas do segmento editorial, como a campanha de incentivo à leitura Leia.Seja, realizada em 2017, e a ação Em Defesa do Livro, criada em 2020 contra a proposta de taxação do livro, junto de entidades parceiras. Em 2021, o SNEL segue apoiando o abaixo-assinado #defendaolivro, ao lado da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e da Associação Brasileira de Editores e Produtores de Conteúdo e Tecnologia Educacional (Abrelivros), que já conta com mais de 1,4 milhões de assinaturas. “A tributação do livro vai na contramão do que está garantido pela Constituição desde 1946: a imunidade fiscal do papel destinado à impressão de livros, jornais e revistas. A lógica desta determinação, mantida na Carta de 1988, era de que a imunidade tributária ajudaria a baratear o produto livro, possibilitando seu acesso às camadas mais amplas da população, e esta continua sendo uma bandeira fundamental para o setor editorial”, afirma Marcos da Veiga Pereira.
Além de sua atuação institucional, o Sindicato oferece uma série de serviços exclusivos a seus associados (como produção de Fichas Catalográficas, emissão de Atestado de Exclusividade e Consultoria Jurídica especializada), e ainda promove eventos e encontros periódicos voltados para a profissionalização e a integração dos editores. A pesquisa Cargos e Salários também é um benefício ao qual o associado tem direto gratuitamente. Demais vantagens da associação ao SNEL podem ser conferidas em: https://snel.org.br/associados/servicos.

Oito décadas de história

Passaram pela presidência do SNEL personalidades como o editor José Olympio, líder pioneiro que dá nome a uma das premiações entregues pela entidade; o aristocrata carioca Cândido Guinle de Paula Machado; Ferdinando de Bastos Souza, célebre editor que revelou Ziraldo para o país; e Mario Fittipaldi, responsável por batizar o dia 29 de outubro como Dia Nacional do Livro.
Nos tempos da Segunda Guerra Mundial, frente à alta do preço do papel no país, o SNEL obteve sua primeira grande vitória para o setor editorial junto ao governo: a Constituição de 1946 passou a conceder isenção tributária ao papel utilizado para a impressão de livros e a permitir que a importação de equipamentos gráficos fosse livre de impostos. A articulação foi liderada pelo primeiro presidente da agremiação, Themistocles Marcondes Ferreira, contribuindo para que o SNEL se firmasse como órgão de sobrevivência da classe.
Já na década de 1950, em sua maior parte sob o comando de Ênio Silveira, o SNEL conquista a criação de tarifa especial para remessa postal de livros e a fiscalização das importações de livros, vista como necessária face às várias tarifas cambiais praticadas no país.

COMBATE À CENSURA E APRIMORAMENTO DA INDÚSTRIA NACIONAL

Nos anos 1960, em plena ditadura militar, a situação política do país faz com que o SNEL se tornasse o representante da relação entre empregados e empregadores do setor. O sindicato passou a ser também o porta-voz da classe junto ao governo na área fiscal. Foi também nesse período, em 1966, que o SNEL adquiriu sua sede própria, na Avenida Rio Branco, no Centro do Rio, graças aos esforços do presidente Décio Guimarães de Abreu e ao apoio financeiro de seus associados.
Em 1970, a questão que ocupava o então presidente do SNEL, Edgard Blücher, era o grande afluxo de editoras estrangeiras – cerca de 30 desembarcaram no país. Tal movimentação serviu de combustível para o aprimoramento do setor editorial nacional, que entendeu ser urgente investir em uma maior profissionalização. Assim, em 1976, o SNEL, sob o comando de Ferdinando Bastos de Souza, cria uma seção de pesquisa e análise e os dados estatísticos se tornariam os novos aliados para o desenvolvimento da indústria editorial.
No final da década de 1970, a repressão política amordaçou grande parte do universo editorial brasileiro. Coincidência ou não, o que aflorou nessa época foi a arte gráfica: as capas dos livros saem do segundo plano. São também desse período os primeiros esforços para a criação da Lei do Livro, que o SNEL batalhou para obter junto ao Ministério da Educação – a Lei viria a ser sancionada em 2003, durante a gestão do presidente Paulo Rocco.
A luta contra a censura, a apreensão de livros e prisão de editores marcaram a gestão de Mário Fittipaldi. O presidente do SNEL foi um dos grandes incentivadores da criação da Feira Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que viria a ser realizada pela próxima por sua sucessora, Regina Bilac Pinto, primeira presidente mulher da história da entidade. Em uma área de 1.400 metros quadrados, no Copacabana Palace, a Feira contou com a presença do governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, na cerimônia de abertura, em 1983.

FORTALECIMENTO DA REPRESENTAÇÃO DO SETOR EDITORIAL JUNTO AO GOVERNO

Já em 1984, o presidente do SNEL Sergio Lacerda dedicou especial empenho à Lei de Direitos Autorais. Lacerda também batalharia em prol da isenção de tarifas postais para o livro e acompanhou de perto as ações do governo para a desestatização do setor.
Quando assumiu a entidade em 1987, Alfredo Machado encontrou um mercado editorial desaquecido, ainda combalido pela alta do preço do papel. Sua principal luta à frente do SNEL foi para impedir que caísse a isenção fiscal de impostos para livro, jornal e revista, uma ameaça que se esboçava na Constituinte de então. Foi na sua gestão que, pela primeira vez, a Feira Internacional do Livro do Rio de Janeiro passou a se chamar Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Hoje, um dos prêmios entregues pelo SNEL – concedido ao mais belo estande do evento – leva o nome do editor.
Filho de Alfredo, Sérgio Machado seria o novo presidente do SNEL a partir de 1993, um momento de grave inflação no país. Em 1998, ele chefiou uma delegação brasileira ao Salão do Livro de Paris, que naquela edição teve o Brasil como tema. “O salão abriu nossos olhos de como deve ser organizado um evento da área editorial voltado também para o público e não somente para o setor. Era preciso ter atividades culturais, ter foco nos autores, fazer com que a programação cultural tivesse força suficiente para fazer parte do calendário turístico da cidade. Não foi por acaso que, a partir de 1999, a Bienal passou a ter uma curadoria. A primeira pessoa a desempenhar a função foi a Rosa Maria Araújo”, contou Sérgio ao SNEL, em entrevista na época.

LUTA PELO DIREITO DO AUTOR E PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Em 1999, o SNEL passou a ser presidido por Paulo Rocco. Único editor a exercer três mandatos seguidos à frente da entidade (de 1999-2008), Rocco avalia que a principal conquista do Sindicato durante a sua gestão foi a suspensão da cobrança do PIS-Cofins para o setor: em 2004, foi sancionada a Lei Federal que estabeleceu a desoneração fiscal do livro, no Brasil. No mesmo ano, o SNEL passou a ocupar uma nova sede, na Rua da Ajuda, no Centro do Rio – onde permanece até hoje.
Eleita em 2008 e reconduzida ao cargo em 2011, Sônia Machado Jardim representou a segunda gestão feminina do SNEL. Filha e irmã de dois ex-presidentes da entidade nesse período, Sônia manteve acompanhamento constante dos trabalhos realizados no Congresso Nacional. A presidente marcou destacada presença em reuniões, audiências públicas e seminários para defender os interesses do setor, principalmente a Lei do Direito Autoral e a isenção tributária para o livro digital. Além disso, atuou em favor da publicação de biografias não-autorizadas, aprovada em 2014 pelo Supremo Tribunal Federal que, com o inesquecível voto "cala a boca já morreu", da ministra Cármen Lúcia, reafirmou o direito à liberdade de expressão.

PROFISSIONALIZAÇÃO DA INDÚSTRIA E NEGOCIAÇÕES EM PROL DO SETOR

Neto do ex-presidente do SNEL José Olympio, Marcos da Veiga Pereira estreou no comando da entidade em 2014, tendo sido reeleito em 2017 e expandido seu mandato até o final de 2021. Um dos seus primeiros projetos foi a organização de um Seminário Internacional no Rio de Janeiro onde a pauta do Preço Fixo do Livro passou a ganhar relevo e teve na figura de Pereira um grande defensor de sua implantação no país. Neste sentido, o SNEL liderou a revisão de um projeto de Lei do Preço Fixo do Livro - PLS 49/2015, e um grupo de trabalho com o Ministério da Cultura em 2018 para a atualização da Lei 10.753 (Lei do Livro), que teve sua tramitação interrompida em razão da mudança de governo no ano seguinte.
Uma conquista notável da gestão de Pereira foi a negociação da entidade junto ao Ministério Público Federal, estabelecendo regras e diferenciais aos editores para o cumprimento da Lei Brasileira de Inclusão (LBI), o que culminou no lançamento do Portal do Livro Acessível (livroacessivel.org.br), plataforma que visa auxiliar pessoas com deficiência visual na compra de livros em formatos acessíveis, em 2018.
Ainda em 2018, foi criada em sancionada a Política Nacional de Leitura e Escrita, que contou com ativa participação do SNEL em Brasília. Esse foi também o ano em que tiveram início as extensas negociações da entidade perante a crise financeira que afetou as redes de livrarias Saraiva e Cultura, ficando à frente das tratativas com as empresas e liderando assembleias de credores para pleitear propostas, acordos e melhores condições para os editores, bem como um plano de recuperação judicial, em curso até o presente momento.

FUTURO

Dante Cid reforça que a missão do SNEL é fomentar o hábito da leitura no país e essa bandeira deve nortear as ações a serem lideradas pela entidade nos próximos anos. "Nesses 80 anos, o SNEL sempre teve um papel de protagonista na promoção do hábito de leitura e na defesa do livro, tanto no sentido regulatório quanto no comercial. No entanto, ainda há muito o que fazer nesse sentido e, por isso, o trabalho deverá ser norteado pela parceria com as demais entidades do setor e em torno das políticas públicas, tendo sempre em mente que o livro é a ferramenta principal da educação, maior instrumento de transformação social do nosso país", ressalta Dante Cid.
Na visão de Marcos da Veiga Pereira, a pandemia da COVID-19, que transformou profundamente o mundo e o Brasil, propiciou, por conta do isolamento social, o reencontro das pessoas com o livro e a leitura, como atestam as pesquisas de mercado divulgadas pelo SNEL. “Em todos os países vimos um crescimento robusto dos índices de vendas, que continuam após a reabertura gradual da circulação. É uma grande oportunidade para a indústria reafirmar a importância do livro para a sociedade brasileira, e ter esperança que conseguiremos deixar de ser o ‘país do futuro’, para ser o país do presente”, afirma o presidente.

Atenciosamente,

Marcos da Veiga Pereira
Presidente do SNEL

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A PARTIR DE CLIMA / Antonio Candido

O livro "Homenagem a Decio de Almeida Prado", lançado agora pela Scortecci Editora, reúne sete discursos, incluindo um do homenageado, que apresentam várias facetas do crítico. A homenagem, à qual compareceram personalidades do mundo cultural, aconteceu no dia 18 de novembro de 1995, na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. Os destaques do livro são a fala do próprio Decio de Almeida Prado, "Oração aos Velhos" (já publicada pelo Mais!), a do crítico e professor de teatro Sábato Magaldi, "Saudação", e a do crítico literário Antonio Candido, "A Partir de Clima". Nela, Candido relembra a trajetória do amigo e termina -quebrando uma "norma tácita do 'Grupo de Clima' - por elogiá-lo: "Estou certo de que Decio não me repreenderá. Esta é uma circunstância excepcional, numa quadra excepcional das nossas vidas, pois é a que está perto do fim. Por isso é lícito um amigo falar bem do outro em público, sobretudo neste caso, quando se trata, não de elogiar, mas de dizer a verdade sobre um dos maiores intelectuais que é também um dos maiores homens de bem que o Brasil conhece em nosso tempo, como é, fora de qualquer dúvida, Decio de Almeida Prado".

GRUPO DE CLIMA

Estou nesta mesa como velho amigo de Décio de Almeida Prado, mas amigo de um tipo especial, como membro do nosso grupo de mocidade, conhecido naquele tempo por “grupo de Clima”, ou “turma do Clima”. O que era Clima?, perguntarão os de hoje. Era uma revista fundada em 1941 que durou até 1944, tendo sido tirados dezesseis números. A idéia foi de um amigo mais velho, Alfredo Mesquita, que falou a respeito com Lourival Gomes Machado no fim de 1940. Lourival foi sempre o nosso diretor, tendo imaginado a estrutura inicial (modificada mais tarde), desenhado a capa e encontrado o título. Alfredo e ele determinaram quais seriam as seções fixas, em número de sete, e escolheram os seus encarregados, além de apontar alguns amigos como colaboradores íntimos.

Essa atribuição foi importante em nossas vidas, porque definiu o que seria a atividade de cada um para sempre. Foi assim que nos tornamos praticantes de várias modalidades de crítica, cabendo a Décio a de teatro. 

A partir do terceiro número a revista foi feita praticamente por ele e sua mulher, Ruth, ajudados por alguns de nós, tendo a casa deles, na Rua Itambé, como redação. A eles deveram-se, portanto, a continuidade e a regularidade de Clima, e se menciono este fato, é para destacar um traço da personalidade de Décio: a constância nas dedicações, pois ele não é um homem de compromissos passageiros, mas um homem de fidelidades. 

Creio que Clima foi a primeira manifestação “externa”, “fora de muros”, da nova mentalidade originada pela Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo no setor de humanidades, porque efetuou a sua projeção na vida cultural da cidade. Para o nosso grupo ela teve um papel decisivo, pois nos permitiu organizar de modo sistemático o que não passava de troca despreocupada de idéias e manifestação de tendências vagas, formando uma “atmosfera” comum que marcou a todos nós. Eu diria que Clima, como revista e como grupo da revista, foi para nós uma oportunidade de formação recíproca, cada um recebendo e comunicando cultura sem perceber que o estava fazendo. 

Mais tarde, Décio prolongou, de certo modo e de maneira muito pessoal, a mentalidade e os hábitos intelectuais gerados na Faculdade de Filosofia e filtrados através do grupo de Clima. Quero me referir à sua notável atuação como diretor do “Suplemento Literário” de O Estado de S. Paulo, cujo papel relevante na cultura brasileira não é preciso sublinhar. 

Pode-se dizer que ninguém era mais indicado do que ele para essa tarefa difícil e trabalhosa. Isto, em virtude do seu tipo de personalidade, equilibrada com uma harmonia rara. Nela se fundem a maestria da inteligência e o alto teor humano, de maneira a definir uma atitude permanente de compreensão e justiça. Por isso, pôde fazer do “Suplemento”, durante tantos anos, um lugar de encontro de tendências diversificadas e válidas da literatura brasileira daquele momento, combinando modernidade e tradição, como é típico do meio cultural de São Paulo que ele encarna tão bem. Esse equilíbrio era patente desde o nosso grupo de mocidade, no qual, enquanto nós tacteávamos  e variávamos, ele já tinha encontrado o seu “estilo”. Estou usando esta palavra no sentido amplo que engloba escrita e comportamento, para concluir que o seu modo de escrever e de viver se caracterizam pela sobriedade vigorosa e pela lúcida integridade.

Considerando o terreno estritamente literário, ele foi o primeiro de nós a manifestar, na escrita, uma conci­são e uma maturidade que foram se refinando com o cor­rer dos anos, sempre aliadas à liberdade de imaginação. Eu diria que a sua escrita elegante e correta é homóloga da retidão que caracteriza o seu modo de ser e de avaliar. Por isso, se tomou um grande crítico e exerceu um ma­gistério decisivo na renovação do teatro brasileiro. 

Neste momento, estou violando uma norma tácita do “grupo de Clima”: não alegar serviço, não reivindicar primazias, não cultivar a vanglória, não praticar o elogio mútuo. Sempre fomos rigorosos nisto e, talvez, até um pouco sóbrios demais uns em relação aos outros, apesar do bom conceito que possamos ter tido uns dos outros. Para ser exato, eu diria que assim fomos até a velhice depois de velhos, temos quebrado um pouco a norma .. : Mas estou certo de que Décio não me repreenderá. Esta é uma circunstância excepcional, numa quadra excepcional das nossas vidas, pois é a que está perto do fim. Por isso, é lícito a um amigo falar bem do outro em público, sobretudo neste caso, quando se trata, não de elogiar, mas de dizer a verdade sobre um dos maiores intelectuais que é também um dos maiores homens de bem que o Brasil conhece em nosso tempo, como é, fora de qualquer dúvida, Décio de Almeida Prado.

Antonio Candido


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OS PRIMEIROS CEM ANOS DE PAULO FREIRE / POR MARIA MORTATTI

“De anônimas gentes, sofridas gentes, exploradas gentes aprendi sobretudo que a Paz é fundamental, indispensável, mas que a Paz implica lutar por ela. A Paz se cria, se constrói na e pela superação de realidades sociais perversas. A Paz se cria, se constrói na construção incessante da justiça social.” (Paulo Freire, Unesco, Paris, 1986). 


Como se sabe, o educador e filósofo Paulo Reglus Neves Freire (Recife/PE, 19.9.1921 – São Paulo/SP, 2.5.1997), o “Patrono da Educação Brasileira” (Lei n. 12.162/12), é um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial. É o brasileiro mais homenageado com dezenas de títulos de Doutor Honoris Causa em universidades estrangeiras; com muitos prêmios e homenagens, como “Educação para a Paz”, da Unesco, em 1986; Ordem do Mérito Cultural, do governo brasileiro, em 2011; Patrono da Associação Brasileira de Alfabetização, em 2012. Integra o International Adult and Continuing Education Hall of Fame (Universidade de Oklahoma – EUA) e o Reading Hall of Fame. Sua vida e obra são fonte de inspiração e objeto de estudo em universidades brasileiras e estrangeiras e em centros de estudo batizados com seu nome no Brasil, na África do Sul, na Áustria, na Alemanha, na Holanda, em Portugal, na Inglaterra, nos Estados Unidos e no Canadá. Conforme pesquisa realizada em 2016, pelo professor Elliot Green, da London School of Economics, a versão em inglês de Pedagogia do oprimido é a terceira obra mais citada no mundo naquele ano. Escrito em 1968, durante o exílio no Chile e proibido no Brasil, onde foi publicado somente em 1974 — é o único livro brasileiro na lista dos 100 títulos mais pedidos pelas universidades de língua inglesa.

Também como se sabe, para Paulo Freire, a educação é um ato político, ou seja, não é neutra em suas finalidades, conteúdos e métodos de ensino. Sua filosofia e concepção crítica se fundamentam na opção política por uma educação humanizadora, emancipadora e transformadora, em defesa dos "esfarrapados do mundo [...] e os que com eles lutam” para a construção de um projeto de nação mais justa e igualitária.


Uma de suas contribuições mais comentadas — e talvez menos conhecidas, de fato — é o método de alfabetização que criou e foi utilizado pela primeira vez em 1963, na cidade de Angicos/RN, tendo alfabetizado em 40 horas, sem cartilha, 300 trabalhadores rurais, em um projeto-piloto do que seria o Programa Nacional de Alfabetização do governo do presidente João Goulart, deposto com o golpe militar em março de 1964. Esse método se baseia na experiência de vida das pessoas em seu contexto social e se desenvolve por meio de prática dialética e dialógica, com a finalidade de promover a conscientização política dos alfabetizandos, contrapondo-se à “educação bancária”. Não deve ser confundido, portanto, com mais um método, no sentido de mero conjunto de passos e procedimentos técnico-didáticos característicos das plurisseculares disputas políticas entre métodos sintéticos e analíticos para o ensino inicial da leitura e escrita, que se repetem desde ao menos o século XIX e, com outro matiz ideológico, renovam-se neste momento, no Brasil, obrigando-nos a recordar a advertência de Paulo Freire, em Educação como prática de liberdade (1967, p. 18):

“[...] o analfabetismo nem é uma “chaga”, nem uma “erva daninha” a ser erradicada, nem tampouco uma enfermidade, mas uma das expressões concretas de uma realidade social injusta. Não é um problema estritamente linguístico nem exclusivamente pedagógico, metodológico, mas político, como a alfabetização por meio da qual se pretende superá-lo. Proclamar a sua neutralidade, ingênua ou astutamente, não afeta em nada a sua politicidade intrínseca.”


Isso e muito mais ainda se sabe e se pode e se deve dizer sobre esse educador/filósofo e a importância de seu legado para muitas gerações — passadas, presentes e futuras — de educadores.

Como muitos professores e pesquisadores de minha geração, tive o privilégio de conhecer Paulo Freire e sua obra quando cursava o mestrado em Educação na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), nos anos 1980. Foi uma feliz coincidência estar naquela época, naquela universidade e poder ouvi-lo em suas aulas e em eventos acadêmicos. Eram momentos sempre impactantes, que ainda ecoam na memória e na releitura dos primeiros livros dele que conheci: Pedagogia do oprimido, A importância do ato de ler, Educação como prática de liberdade. Do primeiro, ficou-me a advertência: “A superação da contradição opressores-oprimidos não está na pura troca de lugar, na passagem de um polo a outro”. Do segundo, o aforismo pedagógico: “A leitura do mundo precede [mas não substitui] a leitura da palavra”. Do terceiro, o “princípio” de seu pensamento e atuação: a “politicidade intrínseca” do analfabetismo, da alfabetização e da educação.


Devo o encontro com Paulo Freire aos que se empenharam para que, com seu retorno ao país, após 15 anos de exílio, ele se tornasse professor no Departamento de Ciências Sociais da Faculdade de Educação da Unicamp. Uma peça antológica do “processo kafkiano” para confirmação de sua contratação é o indignado “não parecer”, de 25/05/1985, elaborado pelo então chefe daquele departamento, o professor Rubem Alves:


“[...] meu parecer é uma recusa em dar um parecer. E nesta recusa vai, de forma implícita e explícita, o espanto de que eu devesse acrescentar o meu nome ao de Paulo Freire. Como se, sem o meu, ele não se sustentasse. Mas ele se sustenta sozinho. Paulo Freire atingiu o ponto máximo que um educador pode atingir. A questão não é se desejamos tê-lo conosco. A questão é se ele deseja trabalhar ao nosso lado.”


Especialmente neste ano de comemoração de seu primeiro centenário, em que Paulo Freire é rememorado e celebrado — e não apenas no Brasil —, a questão já não é mais se desejamos tê-lo conosco ou se ele deseja trabalhar ao nosso lado. Seu legado está intrinsicamente incorporado ao patrimônio educacional e cultural brasileiro e mundial, a despeito de acusações negacionistas, infundadas e equivocadas por parte de alguns grupos políticos de extrema-direita ultraconservadora, que certamente nunca leram seus livros. Eles passarão. Paulo Freire ficou e ficará por muitos outros cem anos, lido, estudado, aclamado e homenageado. Sempre necessário para a construção da educação para a paz, como “construção incessante da justiça social”. E, sobretudo neste momento, necessário para nos recordar do “imperativo existencial e histórico” que reafirma em Pedagogia da esperança (1992, s.p.):


“É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo…”


MARIA MORTATTI - 14.11.2021

Poeta, escritora e professora titular na Universidade Estadual Paulista.
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