Apesar dos benefícios, a leitura compartilhada ainda não faz parte da rotina de muitas famílias brasileiras. Uma pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, divulgada neste ano, apontou que 53% das famílias entrevistadas nos estados do Ceará, Pará e São Paulo nunca ou raramente leem livros para os pequenos. Por outro lado, a 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro em 2024, revelou que 55% das crianças entre 5 e 13 anos gostariam que um adulto lesse mais para elas.
Para Carolina de Castro Nyerges gerente de conteúdo pedagógico da Ways Bilingual School, rede de franquia bilíngue da Arco Educação, a participação da família é importante para que a leitura seja percebida como uma experiência prazerosa e não apenas como uma atividade obrigatória da escola.
“Quando um adulto lê com uma criança, cria oportunidades para conversar, fazer perguntas, explorar sentimentos e construir significados. Na formação bilíngue, essa interação também ajuda a desenvolver familiaridade com os sons e as estruturas de outro idioma. Mais do que compreender cada palavra, o importante é que a criança se sinta envolvida pela história e desenvolva uma relação positiva com a leitura”, explica.
Não é preciso saber inglês para ler com os filhos
Uma dúvida comum entre famílias de crianças que estudam em escolas bilíngues é como acompanhar a leitura de livros em inglês quando os próprios responsáveis não dominam o idioma. De acordo com Carolina, a fluência dos pais não é uma condição necessária para que participem desse processo.
A especialista explica que as ilustrações, o contexto e a entonação ajudam as crianças a compreender as narrativas, mesmo quando ainda não conhecem todas as palavras. Por isso, os responsáveis podem explorar as imagens, conversar sobre os personagens em português e incentivar os filhos a contar o que entenderam da história.
“Os pais não precisam traduzir cada frase ou corrigir a pronúncia durante a leitura. Podem observar as ilustrações com os filhos, perguntar o que acham que vai acontecer ou ouvir um audiolivro juntos. O mais importante é oferecer um ambiente acolhedor, em que a criança tenha liberdade para explorar a língua e se expressar sem medo de errar”, orienta.
Outro aspecto importante é respeitar o ritmo de aprendizagem. Durante o contato inicial com uma segunda língua, é comum que a criança compreenda mais do que consegue expressar verbalmente. Nesse período, respostas por gestos, palavras isoladas ou mesmo em português fazem parte do processo.
Como incentivar a leitura em cada fase da infância?
O envolvimento da família com os livros pode assumir diferentes formatos conforme a idade. Com bebês e crianças pequenas, histórias curtas, ilustrações expressivas, repetições e livros sensoriais costumam despertar o interesse. À medida que crescem, as crianças podem participar mais ativamente, antecipando acontecimentos, comentando personagens e relacionando as histórias às próprias experiências.
Na adolescência, a mediação não precisa ocorrer por meio da leitura em voz alta. Conversas espontâneas sobre o enredo, os personagens ou o desfecho de um livro também ajudam a manter o vínculo com a literatura, respeitando a autonomia dos jovens.
“Formar leitores não significa cobrar mais páginas ou transformar cada livro em uma tarefa. É importante respeitar os interesses e o ritmo de cada criança. Quando a leitura está associada ao prazer, à curiosidade e à convivência, aumentam as possibilidades de que ela se torne um hábito duradouro”, destaca Carolina.
Na Ways Bilingual School, os estudantes recebem anualmente oito livros literários, sendo quatro em português e quatro em inglês. As obras são trabalhadas em sala de aula e também podem ser exploradas em casa, ampliando as oportunidades de contato com a literatura nos dois idiomas.
Livros em inglês para ler em família
Para ajudar pais e cuidadores a escolherem livros em livrarias e feiras literárias, a gerente de conteúdo pedagógico da Ways selecionou indicações divididas por faixa etária:
De 0 a 3 anos
• Brown Bear, Brown Bear, What Do You See?, de Bill Martin Jr. e Eric Carle — Com repetições e ilustrações marcantes, permite explorar cores, animais e sons.
• Goodnight Moon, de Margaret Wise Brown — Um clássico para a hora de dormir, com linguagem repetitiva que favorece a criação de rituais de leitura.
De 3 a 6 anos
• The Gruffalo, de Julia Donaldson — Uma história divertida, marcada por rimas, ritmo e imaginação.
• The Colour Monster, de Anna Llenas — Aborda sentimentos e emoções, abrindo espaço para conversas sobre as experiências das crianças.
De 6 a 9 anos
• The Day the Crayons Quit, de Drew Daywalt — Apresenta diferentes pontos de vista de maneira bem-humorada, estimulando a criatividade e a interpretação.
• The Proudest Blue, de Ibtihaj Muhammad e S. K. Ali — Trata de identidade, pertencimento e respeito às diferenças.
De 9 a 12 anos
• Wonder, de R. J. Palacio — Aborda empatia, amizade e convivência a partir de diferentes perspectivas.
• The Wild Robot, de Peter Brown — Combina aventura, natureza e tecnologia, sendo uma opção para leitores que começam a explorar narrativas mais longas.
A partir de 12 anos
• The Poet X, de Elizabeth Acevedo — Romance em versos sobre identidade, família e a descoberta da própria voz.
• A Good Girl’s Guide to Murder, de Holly Jackson — Narrativa de mistério e investigação que pode atrair adolescentes interessados em histórias de suspense.
Ways Bilingual School
A Ways Bilingual School é uma rede de franquia do grupo Arco Educação, que atende mais de 4,5 milhões de alunos em mais de 15 mil escolas com soluções pedagógicas e de gestão para um ensino de alta performance. Três pilares fundamentais formam a Ways: bilinguismo, formação integral e resultados de alta performance, preparando os alunos tanto para universidades no Brasil quanto no exterior. A Ways inclui sistemas pedagógicos e administrativos já consolidados, além de materiais bilíngues próprios integrados aos demais, garantindo autenticidade, eficiência e alto desempenho para os alunos. Além da unidade da Braz Leme, em São Paulo, atualmente, a Ways possui um colégio em Fortaleza e, para 2027, também abrirá duas unidades, sendo uma em São Luís (MA) e outra em Belém (PA).











