Conceição Evaristo comemora aniversário com Paulina Chiziane em encontro on-line organizado pelo Itaú Cultural

As duas escritoras – a primeira, brasileira; moçambicana, a segunda – têm produção literária convergente sobre a negritude em geral e a mulher negra, em especial, dentro de seus países. No dia em que Conceição cumpre 75 anos, elas se reúnem para falar e trocar impressões sobre a sua obra, vida, ativismo e “escrevivências”, termo usado pela aniversariante para definir sua escrita que nasce das vivências, vivendo para narrar, narrando o que vive.
Às 15h do dia 29 de novembro de 2021, segunda-feira, quando a brasileira Conceição Evaristo completa 75 anos, ela se encontra virtualmente com a moçambicana Paulina Chiziane para trocar suas “escrevivências” e experiências, em conversa organizada pelo Itaú Cultural e transmitida em seu canal de YouTube www.youtube.com/itaucultural e site www.itaucultural.org.br. Com lirismo e contundência, a obra de ambas trata das vivências das mulheres negras em seus países. Tamanha convergência levou a aniversariante a ler um trecho do livro O Alegre Canto da Perdiz, de Paulina, no podcast do IC Escritores-leitores, em 2019.
Conceição já foi homenageada em mostra da série Ocupação, realizada pelo Itaú Cultural, em 2017, acompanhada de publicação organizada especialmente para esta mostra e na Olimpíada de Língua Portuguesa do Itaú Social, realizada em parceria com o Ministério da Educação (MEC) desde os anos 2000. Em 2019, ainda, ela foi eleita personalidade literária do Prêmio Jabuti, do qual recebeu premiação em 2015 pelo livro Olhos D’água.
Por sua vez, Paulina conquistou o Prêmio José Craveirinha, em 2003, com o livro Niketche: uma história de poligamia. Acaba de ser agraciada com o Prêmio Camões de Literatura, atribuído desde 1988 a autores que contribuíram para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa. É a primeira mulher africana a receber esta premiação. "Não contava com isso. Recebi a notícia e disse: 'meu Deus! Eu já não contava com essas coisas bonitas!' É muito bom. Esse prêmio é resultado de muita luta. Não foi fácil começar a publicar sendo mulher e negra. Depois de tantas lutas, quando achei que já estava tudo acabado, vem esse prêmio. O que eu posso dizer? É uma grande alegria”, declarou ela na ocasião. 

Mais sobre Paulina

A escritora cresceu nos subúrbios da capital de Moçambique, Maputo, anteriormente chamada Lourenço Marques. Nasceu em uma família protestante onde se falavam as línguas Chope e Ronga. Aprendeu o português na escola de uma missão católica. Atualmente, vive e trabalha na Zambézia, província situada na região central de Moçambique, a 1,6 mil quilômetros da capital do país.
Na juventude, participou ativamente na cena política de Moçambique como membro da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), onde, segundo declarou, em entrevista, aprendeu a arte da militância. Deixou de se envolver na política para se dedicar à escrita e publicar suas obras. Entre as razões da sua escolha estava a desilusão com a política do partido Frelimo pós-independência, com suas ambivalências ideológicas internas e diretrizes sobre a mono e a poligamia e pelo que via como hipocrisia em relação à liberdade econômica da mulher.
Primeira mulher a publicar um romance   em Moçambique, iniciou a atividade literária em 1984, com contos publicados na imprensa de seu país. A sua trajetória literária é polêmica sobre assuntos sociais, como a prática de poligamia por lá. Com o seu primeiro livro, Balada de Amor ao Vento (1990), ela discute essa prática no sul de Moçambique durante o período colonial. Devido à sua participação ativa nas políticas da Frelimo, a sua narrativa reflete o mal-estar social de um país devastado pela guerra de libertação e os conflitos civis que aconteceram após a independência.

Em 2016, anunciou o abandono da escrita, cansada das lutas travadas ao longo da sua carreira.  

Mais sobre Conceição

Ficcionista e ensaísta. Mestre em Literatura Brasileira pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/Rio), doutora em literatura comparada pela Universidade Federal Fluminense (UFF. Sua primeira publicação (1990) foi na série Cadernos Negros do grupo Quilombhoje. Tem sete livros publicados, entre eles o vencedor do Jabuti, Olhos D’água (2015), cinco deles traduzidos para o inglês, francês, espanhol e árabe. Prêmio do Governo de Minas Gerais pelo conjunto de sua obra. Outros prêmios: Nicolás Guillén de Literatura pela Caribbean Philosophical Association e de Mestra das Periferias pelo Instituto Maria e João Aleixo (2018).  Em 2019, teve três de seus livros aprovados no PNLD Nacional. Ainda no mesmo ano lançou Poemas da Recordação e Outros Movimentos, em edição bilíngue (português/francês) no Salão do Livro de Paris. 

Veja onde encontrar todas as referências a Conceição no Itaú Cultural:

Ocupação Conceição Evaristo: 

https://www.itaucultural.org.br/ocupacao/conceicao-evaristo/

Publicação: https://issuu.com/itaucultural/docs/final_conceicao_issuu_e426e10af8e432

Podcast Escritores e Leitores:

(com a leitura de trecho de O alegre canto da perdiz, de Paulina Chiziane)

https://www.itaucultural.org.br/conceicao-evaristo-escritores-leitores

Outras participações dela em atividades do IC:

https://www.itaucultural.org.br/busca?tags=concei%C3%A7%C3%A3o%20evaristo

Enciclopédia Itaú Cultural:

https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa6851/conceicao-evaristo

Olimpíada de Língua Portuguesa:

https://www.escrevendoofuturo.org.br/concurso

Entrevista realizada na ocasião da homenagem na Olimpíada:

https://www.itausocial.org.br/noticias/conceicao-evaristo-a-escrevivencia-serve-tambem-para-as-pessoas-pensarem/

SERVIÇO:

Encontro com Conceição Evaristo e Paulina Chiziane 

29 de novembro de 2021, às 15h (segunda-feira). Livre.

Em www.youtube.com/itaucultural e www.itaucultural.org.br

Itaú Cultural

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Delegação brasileira marca presença na Feira do Livro de Guadalajara com editoras e autores

A edição deste ano da Feira Internacional do Livro de Guadalajara (FIL) acontece entre os dias 27 de novembro a 5 de dezembro de 2021, na cidade mexicana. Neste ano, o Brazilian Publishers, projeto de internacionalização de conteúdo editorial brasileiro realizado por meio de uma parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), retorna presencialmente ao evento em parceria com a Embaixada do Brasil no México.
"A Feira do Livro de Guadalajara é considerada um ponto-de-encontro importante das nações hispano-americanas, reunindo representantes de mais de 40 países. O Brasil sempre tem uma presença expressiva e, neste ano, não será diferente", garante o presidente da CBL, Victor Tavares. Além das editoras Girassol Brasil, Callis, Global e Bibliex, também haverá a presença dos autores Claudia Lage, Itamar Vieira Junior, Marcelo Labes, Oscar Nakasato e Tiago Ferro e da professora Tania Rösing, considerada "amiga do livro" pelo Prêmio Jabuti de 2014.
Eles foram convidados pelo projeto Destinação Brasil, que procura apresentar a diversidade do país durante os debates na programação da feira. O programa é realizado desde 2012 por meio de uma parceria entre os organizadores, o Brazilian Publishers, o Prêmio São Paulo de Literatura e a Embaixada do Brasil no México, com apoio de Textofilia Ediciones e da Secretaria de Cultura e Economía Creativa do Estado de São Paulo.
"Aos poucos e com toda a segurança, vamos retomando a nossa presença física nos principais eventos internacionais, mostrando todo o potencial da nossa produção. A FIL é um ponto-de-encontro essencial para os países que falam português e espanhol, por isso, é tão importante esse movimento", explica Fernanda Dantas, Gerente de Relações Internacionais da CBL e Gerente do Brazilian Publishers. 
O estande brasileiro é realizado em parceria com a Embaixada do Brasil no México e receberá a visita do embaixador Fernando Coimbra. Também haverá a venda de livros brasileiros, tanto em português como em espanhol, em colaboração com a Librería Carlos Fuentes e a distribuidora 2Books. 

Confira abaixo os principais momentos a participação do Brasil no evento:

 27 de novembro

14h - Inauguração da FIL e abertura do estande do Brasil

 28 de novembro

10h55 às 11h45 - Congresso de Traducción e Interpretación San Jerónimo - "Traducción y ortotipografía: un estudio comparado de normas editoriales entre Brasil y México"

Participação: Sandra Erika Carmona Esquivel

Local: Bloque E 

29 de novembro

10h30 às 11h20 - "Literatura infantil y juvenil. Sólo para chicos"

Conferencia Magistral: "Lectores creativos para siempre: del libro al juego electrónico"

Participação: Tania Rösing

Local: Salón Enrique González Martínez, Área Internacional,

18h às 18h50 - "Clarice Lispector. Rostros, voces y gestos literários. Archivos de la Fundación Casa de Rui Barbosa"

Participação: Emiliano Mastache, Martha Patricia Reveles, Diogo Almeida

Local: Salón C, Área Internacional, Expo Guadalajara

1 de dezembro

18h às 18h50 -  "Destinação Brasil"

Participação: Tiago Ferro, Claudia Lage, Itamar Vieira Junior

Local: Salón F, Área Internacional

2 de dezembro

18h às 18h50 - "Destinação Brasil"

Participação: Marcelo Labes e Oscar Nakasato

Local: Salón F, Área Internacional, Expo Guadalajara

20h às 20h50 - Prêmios em colaboração |  Prêmio São Paulo de Literatura 2021

Participação: Tiago Ferro, Claudia Lage e Marcelo Labes

Local: Salón F, Área Internacional, Expo Guadalajara

3 de dezembro

11h - Coletiva de imprensa - Assinatura do segundo convênio de apoio da Embaixada do Brasil à publicação de autores brasileiros no Fondo de Cultura Econômica

Local: estande da FCE

18h às 18h50 - "Torcido arado / Nihonjin"

Autores: Itamar Vieira Junior e Oscar Nakasato

Mediação: Ricardo Sánchez e Diogo Mendes de Almeida

Local: Salón F, Área Internacional, Expo Guadalajara

Sobre o Brazilian Publishers - Criado em 2008, o Brazilian Publishers é um projeto setorial de fomento às exportações de conteúdo editorial brasileiro, resultado da parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). A iniciativa tem como propósito promover o setor editorial brasileiro no mercado global de maneira orientada e articulada, contribuindo para a profissionalização das editoras.

https://www.cbl.org.br


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Sindicato Nacional dos Editores de Livros completa 80 anos mirando no futuro da leitura no Brasil e no mundo

Fundada em 1941, entidade se destacou na luta contra a censura e a pirataria e esteve à frente de conquistas históricas, como a isenção tributária do livro; agora, SNEL pretende avançar na internacionalização do setor editorial. Em 22 de novembro de 1941, em um prédio da Avenida Rio Branco, no Centro do Rio de Janeiro, nascia o Sindicato Nacional dos Editores de Livros, como entidade patronal reconhecida pelo Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. Engendrada por 23 editoras, a fundação do SNEL à época girou em torno de um objetivo principal: estudar e coordenar as atividades editoriais no Brasil. Ao longo dos anos, no entanto, essa missão se ampliou para uma aguerrida luta em prol do livro e da leitura em uma nação que, oito décadas depois, ainda enfrenta grandes desafios nessa seara.
O SNEL é uma entidade de classe – a única com abrangência em todo o território nacional – que atua na representação legal da categoria de editores de livros e publicações culturais, bem como na proteção dos interesses do setor em seus mais diversos pleitos.
Desde 1983, o SNEL é responsável pela realização da Bienal Internacional do Livro Rio, em parceria com a GL Events. O evento, que começou como uma feira de livros no Copacabana Palace, sob a batuta da então presidente do Sindicato, Regina Bilac Pinto, hoje se expandiu para um megafestival multicultural, capaz de reunir mais de 600 mil visitantes em menos de duas semanas de duração. A 20ª Bienal do Livro Rio acontece entre os dias 3 e 12 de dezembro de 2021, no Riocentro, em formato híbrido e com programação focada na diversidade de temas e nas novas narrativas de um mundo em pleno estado de transformação.
As pesquisas de mercado também são assunto de máxima importância para a entidade e sua consolidação foi um dos pontos altos da gestão de Marcos da Veiga Pereira, atual presidente que se despede em dezembro do mandato de 7 anos à frente do Sindicato. O SNEL coordena e divulga mês a mês o Painel do Varejo de Livros no Brasil, principal levantamento sobre o mercado livreiro no país, realizado pela Nielsen BookScan. "Na área de pesquisa, fizemos uma grande revolução. Desde 2015, divulgamos mensalmente os números do varejo de livros, que são muito aguardados pelo setor como o termômetro mais recente do mercado”, salienta o presidente.
Em parceria com a Câmara Brasileira do Livro e a Nielsen Book, o SNEL também apresenta anualmente a Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, mais completo retrato da indústria editorial nacional, e a Pesquisa Conteúdo Digital do Setor Editorial Brasileiro, que mapeia o mercado de e-books, audiolivros e outras plataformas digitais de distribuição. “No caso da Produção e Vendas, que é o maior e mais completo retrato da nossa indústria no Brasil, conseguimos antecipar a divulgação para no máximo o mês de abril de cada ano. Assim, os empresários do segmento podem pautar suas decisões com base nos dados mais atuais e fidedignos possíveis", comenta Marcos da Veiga Pereira. "Criamos ainda uma série histórica, atualizada anualmente pelos índices de inflação. Devo dizer que as informações do mercado de livros brasileiro hoje são uma das mais consistentes do mundo”, pontua.
O Sindicato mantém articulações permanentes com diversas instituições, tanto governamentais quanto privadas, com o objetivo de fomentar a política do livro e da leitura no país e no mundo. Em âmbito internacional, o SNEL é afiliado à International Publishers Association (IPA) e ao Centro Regional para el Fomento del Libro em America Latina y e Caribe (Cerlalc). Para Dante Cid, recém-eleito presidente da entidade, a tomar posse em janeiro de 2022, “é fundamental estreitar o relacionamento com as demais entidades do ecossistema do livro, no Brasil e no exterior, para que, assim, possamos defender e promover a leitura, proporcionando uma sociedade mais justa e próspera através do conhecimento”. Em 2019, a entidade tornou-se membro do Accessible Books Consortium, grupo composto pela World Intellectual Property Organization e demais instituições internacionais que promovem a leitura acessível ao redor do mundo.
O combate à pirataria do livro e a proteção da propriedade intelectual são algumas das bandeiras fundamentais para o SNEL, que mantém uma atuação longeva em conjunto com a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR) na criação de um Departamento de Combate à Pirataria Digital, que, só em 2021 já retirou do ar 165.148 links irregulares.
O Sindicato também lidera campanhas institucionais em prol das causas do segmento editorial, como a campanha de incentivo à leitura Leia.Seja, realizada em 2017, e a ação Em Defesa do Livro, criada em 2020 contra a proposta de taxação do livro, junto de entidades parceiras. Em 2021, o SNEL segue apoiando o abaixo-assinado #defendaolivro, ao lado da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e da Associação Brasileira de Editores e Produtores de Conteúdo e Tecnologia Educacional (Abrelivros), que já conta com mais de 1,4 milhões de assinaturas. “A tributação do livro vai na contramão do que está garantido pela Constituição desde 1946: a imunidade fiscal do papel destinado à impressão de livros, jornais e revistas. A lógica desta determinação, mantida na Carta de 1988, era de que a imunidade tributária ajudaria a baratear o produto livro, possibilitando seu acesso às camadas mais amplas da população, e esta continua sendo uma bandeira fundamental para o setor editorial”, afirma Marcos da Veiga Pereira.
Além de sua atuação institucional, o Sindicato oferece uma série de serviços exclusivos a seus associados (como produção de Fichas Catalográficas, emissão de Atestado de Exclusividade e Consultoria Jurídica especializada), e ainda promove eventos e encontros periódicos voltados para a profissionalização e a integração dos editores. A pesquisa Cargos e Salários também é um benefício ao qual o associado tem direto gratuitamente. Demais vantagens da associação ao SNEL podem ser conferidas em: https://snel.org.br/associados/servicos.

Oito décadas de história

Passaram pela presidência do SNEL personalidades como o editor José Olympio, líder pioneiro que dá nome a uma das premiações entregues pela entidade; o aristocrata carioca Cândido Guinle de Paula Machado; Ferdinando de Bastos Souza, célebre editor que revelou Ziraldo para o país; e Mario Fittipaldi, responsável por batizar o dia 29 de outubro como Dia Nacional do Livro.
Nos tempos da Segunda Guerra Mundial, frente à alta do preço do papel no país, o SNEL obteve sua primeira grande vitória para o setor editorial junto ao governo: a Constituição de 1946 passou a conceder isenção tributária ao papel utilizado para a impressão de livros e a permitir que a importação de equipamentos gráficos fosse livre de impostos. A articulação foi liderada pelo primeiro presidente da agremiação, Themistocles Marcondes Ferreira, contribuindo para que o SNEL se firmasse como órgão de sobrevivência da classe.
Já na década de 1950, em sua maior parte sob o comando de Ênio Silveira, o SNEL conquista a criação de tarifa especial para remessa postal de livros e a fiscalização das importações de livros, vista como necessária face às várias tarifas cambiais praticadas no país.

COMBATE À CENSURA E APRIMORAMENTO DA INDÚSTRIA NACIONAL

Nos anos 1960, em plena ditadura militar, a situação política do país faz com que o SNEL se tornasse o representante da relação entre empregados e empregadores do setor. O sindicato passou a ser também o porta-voz da classe junto ao governo na área fiscal. Foi também nesse período, em 1966, que o SNEL adquiriu sua sede própria, na Avenida Rio Branco, no Centro do Rio, graças aos esforços do presidente Décio Guimarães de Abreu e ao apoio financeiro de seus associados.
Em 1970, a questão que ocupava o então presidente do SNEL, Edgard Blücher, era o grande afluxo de editoras estrangeiras – cerca de 30 desembarcaram no país. Tal movimentação serviu de combustível para o aprimoramento do setor editorial nacional, que entendeu ser urgente investir em uma maior profissionalização. Assim, em 1976, o SNEL, sob o comando de Ferdinando Bastos de Souza, cria uma seção de pesquisa e análise e os dados estatísticos se tornariam os novos aliados para o desenvolvimento da indústria editorial.
No final da década de 1970, a repressão política amordaçou grande parte do universo editorial brasileiro. Coincidência ou não, o que aflorou nessa época foi a arte gráfica: as capas dos livros saem do segundo plano. São também desse período os primeiros esforços para a criação da Lei do Livro, que o SNEL batalhou para obter junto ao Ministério da Educação – a Lei viria a ser sancionada em 2003, durante a gestão do presidente Paulo Rocco.
A luta contra a censura, a apreensão de livros e prisão de editores marcaram a gestão de Mário Fittipaldi. O presidente do SNEL foi um dos grandes incentivadores da criação da Feira Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que viria a ser realizada pela próxima por sua sucessora, Regina Bilac Pinto, primeira presidente mulher da história da entidade. Em uma área de 1.400 metros quadrados, no Copacabana Palace, a Feira contou com a presença do governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, na cerimônia de abertura, em 1983.

FORTALECIMENTO DA REPRESENTAÇÃO DO SETOR EDITORIAL JUNTO AO GOVERNO

Já em 1984, o presidente do SNEL Sergio Lacerda dedicou especial empenho à Lei de Direitos Autorais. Lacerda também batalharia em prol da isenção de tarifas postais para o livro e acompanhou de perto as ações do governo para a desestatização do setor.
Quando assumiu a entidade em 1987, Alfredo Machado encontrou um mercado editorial desaquecido, ainda combalido pela alta do preço do papel. Sua principal luta à frente do SNEL foi para impedir que caísse a isenção fiscal de impostos para livro, jornal e revista, uma ameaça que se esboçava na Constituinte de então. Foi na sua gestão que, pela primeira vez, a Feira Internacional do Livro do Rio de Janeiro passou a se chamar Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Hoje, um dos prêmios entregues pelo SNEL – concedido ao mais belo estande do evento – leva o nome do editor.
Filho de Alfredo, Sérgio Machado seria o novo presidente do SNEL a partir de 1993, um momento de grave inflação no país. Em 1998, ele chefiou uma delegação brasileira ao Salão do Livro de Paris, que naquela edição teve o Brasil como tema. “O salão abriu nossos olhos de como deve ser organizado um evento da área editorial voltado também para o público e não somente para o setor. Era preciso ter atividades culturais, ter foco nos autores, fazer com que a programação cultural tivesse força suficiente para fazer parte do calendário turístico da cidade. Não foi por acaso que, a partir de 1999, a Bienal passou a ter uma curadoria. A primeira pessoa a desempenhar a função foi a Rosa Maria Araújo”, contou Sérgio ao SNEL, em entrevista na época.

LUTA PELO DIREITO DO AUTOR E PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Em 1999, o SNEL passou a ser presidido por Paulo Rocco. Único editor a exercer três mandatos seguidos à frente da entidade (de 1999-2008), Rocco avalia que a principal conquista do Sindicato durante a sua gestão foi a suspensão da cobrança do PIS-Cofins para o setor: em 2004, foi sancionada a Lei Federal que estabeleceu a desoneração fiscal do livro, no Brasil. No mesmo ano, o SNEL passou a ocupar uma nova sede, na Rua da Ajuda, no Centro do Rio – onde permanece até hoje.
Eleita em 2008 e reconduzida ao cargo em 2011, Sônia Machado Jardim representou a segunda gestão feminina do SNEL. Filha e irmã de dois ex-presidentes da entidade nesse período, Sônia manteve acompanhamento constante dos trabalhos realizados no Congresso Nacional. A presidente marcou destacada presença em reuniões, audiências públicas e seminários para defender os interesses do setor, principalmente a Lei do Direito Autoral e a isenção tributária para o livro digital. Além disso, atuou em favor da publicação de biografias não-autorizadas, aprovada em 2014 pelo Supremo Tribunal Federal que, com o inesquecível voto "cala a boca já morreu", da ministra Cármen Lúcia, reafirmou o direito à liberdade de expressão.

PROFISSIONALIZAÇÃO DA INDÚSTRIA E NEGOCIAÇÕES EM PROL DO SETOR

Neto do ex-presidente do SNEL José Olympio, Marcos da Veiga Pereira estreou no comando da entidade em 2014, tendo sido reeleito em 2017 e expandido seu mandato até o final de 2021. Um dos seus primeiros projetos foi a organização de um Seminário Internacional no Rio de Janeiro onde a pauta do Preço Fixo do Livro passou a ganhar relevo e teve na figura de Pereira um grande defensor de sua implantação no país. Neste sentido, o SNEL liderou a revisão de um projeto de Lei do Preço Fixo do Livro - PLS 49/2015, e um grupo de trabalho com o Ministério da Cultura em 2018 para a atualização da Lei 10.753 (Lei do Livro), que teve sua tramitação interrompida em razão da mudança de governo no ano seguinte.
Uma conquista notável da gestão de Pereira foi a negociação da entidade junto ao Ministério Público Federal, estabelecendo regras e diferenciais aos editores para o cumprimento da Lei Brasileira de Inclusão (LBI), o que culminou no lançamento do Portal do Livro Acessível (livroacessivel.org.br), plataforma que visa auxiliar pessoas com deficiência visual na compra de livros em formatos acessíveis, em 2018.
Ainda em 2018, foi criada em sancionada a Política Nacional de Leitura e Escrita, que contou com ativa participação do SNEL em Brasília. Esse foi também o ano em que tiveram início as extensas negociações da entidade perante a crise financeira que afetou as redes de livrarias Saraiva e Cultura, ficando à frente das tratativas com as empresas e liderando assembleias de credores para pleitear propostas, acordos e melhores condições para os editores, bem como um plano de recuperação judicial, em curso até o presente momento.

FUTURO

Dante Cid reforça que a missão do SNEL é fomentar o hábito da leitura no país e essa bandeira deve nortear as ações a serem lideradas pela entidade nos próximos anos. "Nesses 80 anos, o SNEL sempre teve um papel de protagonista na promoção do hábito de leitura e na defesa do livro, tanto no sentido regulatório quanto no comercial. No entanto, ainda há muito o que fazer nesse sentido e, por isso, o trabalho deverá ser norteado pela parceria com as demais entidades do setor e em torno das políticas públicas, tendo sempre em mente que o livro é a ferramenta principal da educação, maior instrumento de transformação social do nosso país", ressalta Dante Cid.
Na visão de Marcos da Veiga Pereira, a pandemia da COVID-19, que transformou profundamente o mundo e o Brasil, propiciou, por conta do isolamento social, o reencontro das pessoas com o livro e a leitura, como atestam as pesquisas de mercado divulgadas pelo SNEL. “Em todos os países vimos um crescimento robusto dos índices de vendas, que continuam após a reabertura gradual da circulação. É uma grande oportunidade para a indústria reafirmar a importância do livro para a sociedade brasileira, e ter esperança que conseguiremos deixar de ser o ‘país do futuro’, para ser o país do presente”, afirma o presidente.

Atenciosamente,

Marcos da Veiga Pereira
Presidente do SNEL

https://www.snel.org.br


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A PARTIR DE CLIMA / Antonio Candido

O livro "Homenagem a Decio de Almeida Prado", lançado agora pela Scortecci Editora, reúne sete discursos, incluindo um do homenageado, que apresentam várias facetas do crítico. A homenagem, à qual compareceram personalidades do mundo cultural, aconteceu no dia 18 de novembro de 1995, na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. Os destaques do livro são a fala do próprio Decio de Almeida Prado, "Oração aos Velhos" (já publicada pelo Mais!), a do crítico e professor de teatro Sábato Magaldi, "Saudação", e a do crítico literário Antonio Candido, "A Partir de Clima". Nela, Candido relembra a trajetória do amigo e termina -quebrando uma "norma tácita do 'Grupo de Clima' - por elogiá-lo: "Estou certo de que Decio não me repreenderá. Esta é uma circunstância excepcional, numa quadra excepcional das nossas vidas, pois é a que está perto do fim. Por isso é lícito um amigo falar bem do outro em público, sobretudo neste caso, quando se trata, não de elogiar, mas de dizer a verdade sobre um dos maiores intelectuais que é também um dos maiores homens de bem que o Brasil conhece em nosso tempo, como é, fora de qualquer dúvida, Decio de Almeida Prado".

GRUPO DE CLIMA

Estou nesta mesa como velho amigo de Décio de Almeida Prado, mas amigo de um tipo especial, como membro do nosso grupo de mocidade, conhecido naquele tempo por “grupo de Clima”, ou “turma do Clima”. O que era Clima?, perguntarão os de hoje. Era uma revista fundada em 1941 que durou até 1944, tendo sido tirados dezesseis números. A idéia foi de um amigo mais velho, Alfredo Mesquita, que falou a respeito com Lourival Gomes Machado no fim de 1940. Lourival foi sempre o nosso diretor, tendo imaginado a estrutura inicial (modificada mais tarde), desenhado a capa e encontrado o título. Alfredo e ele determinaram quais seriam as seções fixas, em número de sete, e escolheram os seus encarregados, além de apontar alguns amigos como colaboradores íntimos.

Essa atribuição foi importante em nossas vidas, porque definiu o que seria a atividade de cada um para sempre. Foi assim que nos tornamos praticantes de várias modalidades de crítica, cabendo a Décio a de teatro. 

A partir do terceiro número a revista foi feita praticamente por ele e sua mulher, Ruth, ajudados por alguns de nós, tendo a casa deles, na Rua Itambé, como redação. A eles deveram-se, portanto, a continuidade e a regularidade de Clima, e se menciono este fato, é para destacar um traço da personalidade de Décio: a constância nas dedicações, pois ele não é um homem de compromissos passageiros, mas um homem de fidelidades. 

Creio que Clima foi a primeira manifestação “externa”, “fora de muros”, da nova mentalidade originada pela Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo no setor de humanidades, porque efetuou a sua projeção na vida cultural da cidade. Para o nosso grupo ela teve um papel decisivo, pois nos permitiu organizar de modo sistemático o que não passava de troca despreocupada de idéias e manifestação de tendências vagas, formando uma “atmosfera” comum que marcou a todos nós. Eu diria que Clima, como revista e como grupo da revista, foi para nós uma oportunidade de formação recíproca, cada um recebendo e comunicando cultura sem perceber que o estava fazendo. 

Mais tarde, Décio prolongou, de certo modo e de maneira muito pessoal, a mentalidade e os hábitos intelectuais gerados na Faculdade de Filosofia e filtrados através do grupo de Clima. Quero me referir à sua notável atuação como diretor do “Suplemento Literário” de O Estado de S. Paulo, cujo papel relevante na cultura brasileira não é preciso sublinhar. 

Pode-se dizer que ninguém era mais indicado do que ele para essa tarefa difícil e trabalhosa. Isto, em virtude do seu tipo de personalidade, equilibrada com uma harmonia rara. Nela se fundem a maestria da inteligência e o alto teor humano, de maneira a definir uma atitude permanente de compreensão e justiça. Por isso, pôde fazer do “Suplemento”, durante tantos anos, um lugar de encontro de tendências diversificadas e válidas da literatura brasileira daquele momento, combinando modernidade e tradição, como é típico do meio cultural de São Paulo que ele encarna tão bem. Esse equilíbrio era patente desde o nosso grupo de mocidade, no qual, enquanto nós tacteávamos  e variávamos, ele já tinha encontrado o seu “estilo”. Estou usando esta palavra no sentido amplo que engloba escrita e comportamento, para concluir que o seu modo de escrever e de viver se caracterizam pela sobriedade vigorosa e pela lúcida integridade.

Considerando o terreno estritamente literário, ele foi o primeiro de nós a manifestar, na escrita, uma conci­são e uma maturidade que foram se refinando com o cor­rer dos anos, sempre aliadas à liberdade de imaginação. Eu diria que a sua escrita elegante e correta é homóloga da retidão que caracteriza o seu modo de ser e de avaliar. Por isso, se tomou um grande crítico e exerceu um ma­gistério decisivo na renovação do teatro brasileiro. 

Neste momento, estou violando uma norma tácita do “grupo de Clima”: não alegar serviço, não reivindicar primazias, não cultivar a vanglória, não praticar o elogio mútuo. Sempre fomos rigorosos nisto e, talvez, até um pouco sóbrios demais uns em relação aos outros, apesar do bom conceito que possamos ter tido uns dos outros. Para ser exato, eu diria que assim fomos até a velhice depois de velhos, temos quebrado um pouco a norma .. : Mas estou certo de que Décio não me repreenderá. Esta é uma circunstância excepcional, numa quadra excepcional das nossas vidas, pois é a que está perto do fim. Por isso, é lícito a um amigo falar bem do outro em público, sobretudo neste caso, quando se trata, não de elogiar, mas de dizer a verdade sobre um dos maiores intelectuais que é também um dos maiores homens de bem que o Brasil conhece em nosso tempo, como é, fora de qualquer dúvida, Décio de Almeida Prado.

Antonio Candido


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OS PRIMEIROS CEM ANOS DE PAULO FREIRE / POR MARIA MORTATTI

“De anônimas gentes, sofridas gentes, exploradas gentes aprendi sobretudo que a Paz é fundamental, indispensável, mas que a Paz implica lutar por ela. A Paz se cria, se constrói na e pela superação de realidades sociais perversas. A Paz se cria, se constrói na construção incessante da justiça social.” (Paulo Freire, Unesco, Paris, 1986). 


Como se sabe, o educador e filósofo Paulo Reglus Neves Freire (Recife/PE, 19.9.1921 – São Paulo/SP, 2.5.1997), o “Patrono da Educação Brasileira” (Lei n. 12.162/12), é um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial. É o brasileiro mais homenageado com dezenas de títulos de Doutor Honoris Causa em universidades estrangeiras; com muitos prêmios e homenagens, como “Educação para a Paz”, da Unesco, em 1986; Ordem do Mérito Cultural, do governo brasileiro, em 2011; Patrono da Associação Brasileira de Alfabetização, em 2012. Integra o International Adult and Continuing Education Hall of Fame (Universidade de Oklahoma – EUA) e o Reading Hall of Fame. Sua vida e obra são fonte de inspiração e objeto de estudo em universidades brasileiras e estrangeiras e em centros de estudo batizados com seu nome no Brasil, na África do Sul, na Áustria, na Alemanha, na Holanda, em Portugal, na Inglaterra, nos Estados Unidos e no Canadá. Conforme pesquisa realizada em 2016, pelo professor Elliot Green, da London School of Economics, a versão em inglês de Pedagogia do oprimido é a terceira obra mais citada no mundo naquele ano. Escrito em 1968, durante o exílio no Chile e proibido no Brasil, onde foi publicado somente em 1974 — é o único livro brasileiro na lista dos 100 títulos mais pedidos pelas universidades de língua inglesa.

Também como se sabe, para Paulo Freire, a educação é um ato político, ou seja, não é neutra em suas finalidades, conteúdos e métodos de ensino. Sua filosofia e concepção crítica se fundamentam na opção política por uma educação humanizadora, emancipadora e transformadora, em defesa dos "esfarrapados do mundo [...] e os que com eles lutam” para a construção de um projeto de nação mais justa e igualitária.


Uma de suas contribuições mais comentadas — e talvez menos conhecidas, de fato — é o método de alfabetização que criou e foi utilizado pela primeira vez em 1963, na cidade de Angicos/RN, tendo alfabetizado em 40 horas, sem cartilha, 300 trabalhadores rurais, em um projeto-piloto do que seria o Programa Nacional de Alfabetização do governo do presidente João Goulart, deposto com o golpe militar em março de 1964. Esse método se baseia na experiência de vida das pessoas em seu contexto social e se desenvolve por meio de prática dialética e dialógica, com a finalidade de promover a conscientização política dos alfabetizandos, contrapondo-se à “educação bancária”. Não deve ser confundido, portanto, com mais um método, no sentido de mero conjunto de passos e procedimentos técnico-didáticos característicos das plurisseculares disputas políticas entre métodos sintéticos e analíticos para o ensino inicial da leitura e escrita, que se repetem desde ao menos o século XIX e, com outro matiz ideológico, renovam-se neste momento, no Brasil, obrigando-nos a recordar a advertência de Paulo Freire, em Educação como prática de liberdade (1967, p. 18):

“[...] o analfabetismo nem é uma “chaga”, nem uma “erva daninha” a ser erradicada, nem tampouco uma enfermidade, mas uma das expressões concretas de uma realidade social injusta. Não é um problema estritamente linguístico nem exclusivamente pedagógico, metodológico, mas político, como a alfabetização por meio da qual se pretende superá-lo. Proclamar a sua neutralidade, ingênua ou astutamente, não afeta em nada a sua politicidade intrínseca.”


Isso e muito mais ainda se sabe e se pode e se deve dizer sobre esse educador/filósofo e a importância de seu legado para muitas gerações — passadas, presentes e futuras — de educadores.

Como muitos professores e pesquisadores de minha geração, tive o privilégio de conhecer Paulo Freire e sua obra quando cursava o mestrado em Educação na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), nos anos 1980. Foi uma feliz coincidência estar naquela época, naquela universidade e poder ouvi-lo em suas aulas e em eventos acadêmicos. Eram momentos sempre impactantes, que ainda ecoam na memória e na releitura dos primeiros livros dele que conheci: Pedagogia do oprimido, A importância do ato de ler, Educação como prática de liberdade. Do primeiro, ficou-me a advertência: “A superação da contradição opressores-oprimidos não está na pura troca de lugar, na passagem de um polo a outro”. Do segundo, o aforismo pedagógico: “A leitura do mundo precede [mas não substitui] a leitura da palavra”. Do terceiro, o “princípio” de seu pensamento e atuação: a “politicidade intrínseca” do analfabetismo, da alfabetização e da educação.


Devo o encontro com Paulo Freire aos que se empenharam para que, com seu retorno ao país, após 15 anos de exílio, ele se tornasse professor no Departamento de Ciências Sociais da Faculdade de Educação da Unicamp. Uma peça antológica do “processo kafkiano” para confirmação de sua contratação é o indignado “não parecer”, de 25/05/1985, elaborado pelo então chefe daquele departamento, o professor Rubem Alves:


“[...] meu parecer é uma recusa em dar um parecer. E nesta recusa vai, de forma implícita e explícita, o espanto de que eu devesse acrescentar o meu nome ao de Paulo Freire. Como se, sem o meu, ele não se sustentasse. Mas ele se sustenta sozinho. Paulo Freire atingiu o ponto máximo que um educador pode atingir. A questão não é se desejamos tê-lo conosco. A questão é se ele deseja trabalhar ao nosso lado.”


Especialmente neste ano de comemoração de seu primeiro centenário, em que Paulo Freire é rememorado e celebrado — e não apenas no Brasil —, a questão já não é mais se desejamos tê-lo conosco ou se ele deseja trabalhar ao nosso lado. Seu legado está intrinsicamente incorporado ao patrimônio educacional e cultural brasileiro e mundial, a despeito de acusações negacionistas, infundadas e equivocadas por parte de alguns grupos políticos de extrema-direita ultraconservadora, que certamente nunca leram seus livros. Eles passarão. Paulo Freire ficou e ficará por muitos outros cem anos, lido, estudado, aclamado e homenageado. Sempre necessário para a construção da educação para a paz, como “construção incessante da justiça social”. E, sobretudo neste momento, necessário para nos recordar do “imperativo existencial e histórico” que reafirma em Pedagogia da esperança (1992, s.p.):


“É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo…”


MARIA MORTATTI - 14.11.2021

Poeta, escritora e professora titular na Universidade Estadual Paulista.
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Nova diretoria do SNEL eleita para o triênio 2022/2024


Criado em 1941, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros tem como finalidade o estudo e a coordenação das atividades editoriais, bem como a proteção e a representação legal da categoria de editores de livros e publicações culturais em todo o Brasil.

Como representante da categoria editorial, o SNEL é filiado à International Publishers Association (IPA) e ao Centro Regional para el Fomento del Libro en America Latina y el Caribe (Cerlalc).


Nova diretoria do SNEL eleita para o triênio 2022/2024

Presidente: Dante José Alexandre Cid (Elsevier Editora Ltda.);

Vice-Presidente para Assuntos Administrativos: Marcos da Veiga Pereira (GMT Editores Ltda.);

Vice-Presidente para Assuntos Técnicos: Mauro Koogan Lorch (Editora Guanabara Koogan Ltda.);

Diretor Secretário: Eduardo Salomão (Imago Editora Importação e Exportação Ltda.);

Suplente Diretor Secretário: Francisco Bilac Moreira Pinto Filho ( Editora Forense Ltda.);

Diretor Tesoureiro: Renato Soares Fleischner (Associação Religiosa Mundo Cristão);

Suplente Diretor Tesoureiro: Júlia Moritz Schwarcz (Editora Schwarcz S/A);

Diretor de Comunicações: Roberta Magalhães da Cruz Machado (Editora Record Ltda.);

Suplente Diretor de Comunicações: Amarylis Manole (Editora Manole Ltda.);


Conselho Fiscal Efetivo:
Presidente: Mauro Ribeiro Palermo (Editora Globo S/A);
Leonora Monnerat Vianna (Editora HR Ltda.);
João Paulo de Almeida Rocco (Editora Rocco Ltda.)

Suplente Conselho Fiscal:
Ricardo Gomes (Editora Morro Branco Ltda.).

Conselho Técnico Editorial:
João Scortecci (Scortecci Editora)
Adriane Kiperman (Grupo A Educação)

Conselho Técnico de Atividades Correlatas:
André Rodrigues Lopes
(Grupo Planeta Brasil)

Conselho Técnico Institucional:
Flávia Bravin (Somos Educação)
José Ângelo Xavier (Editora Moderna Ltda.)

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Palavras de Fábio Lucas na sessão de homenagem a Décio de Almeida Prado

Palavras de Fábio Lucas na sessão de homenagem a Décio de Almeida Prado, realizada na Biblioteca Mário de Andrade a 18 de novembro de 1994.

Em nome da União Brasileira de Escritores, desejo enumerar alguns dos motivos que nos levaram a propor esta homenagem a Décio de Almeida Prado.

Vale recordar que, em março deste ano, foi eleita nova Diretoria da entidade. Mal iniciamos as primeiras reuniões, a fim de estabelecer as diferentes metas políticas e culturais a serem alcançadas durante a gestão que se iniciava, fomos surpreendidos, a 6 de maio, com um despejo que acabou por abalar o patrimônio cultural representado por cinqüenta anos de organização e atividade dos escritores, já que a UBE incorporou a história da Associação Brasileira de Escritores e da Associação Paulista de Escritores.

Na situação em que ora nos encontramos, de quase generalizado desapreço pela função social do escritor, quer do ponto de vista do poder público, quer em relação à maioria das instituições privadas, sentimos cintilar entre nós uma chama de auto-estima, pois, afinal, somos a maior representação de autores do Brasil, com cerca de três mil filiados em todo o país. Portanto, três mil escritores que confiam na entidade. Daí nasceu a primeira razão de homenagear Décio de Almeida Prado, pois ele havia publicado recentemente duas obras de capital importância para a história e para a crítica teatral: Teatro de Anchieta a Alencar (São Paulo, Perspectiva, 1992) e Peças, Pessoas, Personagens: o Teatro de Brasileiro de Procópio Ferreira a Cacilda Becker (São Paulo, Companhia das Letras, 1993).

É que Décio de Almeida Prado pertenceu ao Conselho Fiscal da primeira Diretoria da UBE, presidida por Sérgio Milliet, em 1958. Tornou-se, portanto, um dos fundadores de nossa entidade. Nada mais oportuno, então, que restabelecer nosso vínculo com as origens da UBE, a fim de realçar o espírito de continuidade da luta dos associados em prol da solidariedade humana, dos direitos do escritor e da liberdade de expressão.

Outro mérito distingue Décio de Almeida Prado: o de ter dirigido, desde a criação, o “Suplemento Literário” de O Estado de S. Paulo, por um período que foi de 1956 a 1966. Na verdade, um decênio de marcante atividade na divulgação de obras e de autores, ou seja, na circulação do saber literário. O “Suplemento Literário”, idealizado por Antonio Candido, teve em Décio de Almeida Prado o seu perfeito realizador. A tal ponto que o órgão literário se tornou um dos mais expressivos da vida cultural brasileira, pela abertura a todas as correntes de opinião, pelo sentido de universalidade, pelo prestígio e respeito conferidos ao escritor, sem distinções regionais, clubísticas ou ideológicas.

Hoje, quando a indústria cultural tende a tornar a informação sobre a literatura um ramo do jornalismo, é de nosso dever, como escritores, prestigiar quem soube fazer do jornalismo um veículo da cultura literária. Na verdade, o suplemento dirigido por Décio de Almeida Prado se tornou o principal instrumento para a discussão e o debate das tendências artísticas vigentes no Brasil.

Antonio Candido, em depoimento anexo à tese de Marilene Weinhardt, O Suplemento Literário d' O Estado de São Paulo 1956-1967 (Brasília, INL, 1987, vol. II, p. 451) pronuncia-se deste modo: “Eu acho que o Suplemento Literário d' O Estado de S. Paulo foi uma empresa cultural muito importante, não porque foi planejada por mim, nem porque foi fundada pelo Estado de S. Paulo, mas porque foi dirigida pelo Décio de Almeida Prado”.

Por último, a personalidade de Décio de Almeida Prado merece destaque pela contribuição ao estudo do teatro brasileiro. Quer como crítico, que como historiador, orientou gerações na avaliação de nosso universo teatral. Fundamentalmente foi um mestre. De certo modo é responsável pela introdução da disciplina Literatura Dramática no estudo da literatura brasileira na Universidade de São Paulo. Com tudo isso, conforme bem acentua Antônio Arnoni Prado, em artigo publicado em Novos Estudos (nº 38), o nosso homenageado realizou a conexão que faltava entre o estudo da literatura e a análise do teatro, principalmente a relação entre a renovação do teatro e o modernismo.

Assim sendo, a Diretoria da União Brasileira de Escritores, tendo em vista os motivos acima, resolveu imprimir numa placa o conteúdo desta homenagem, fundindo num suporte menos vulnerável à ação do tempo o carinho e a admiração que a entidade tributa ao grande intelectual brasileiro Décio de Almeida Prado.


Em 18 de novembro de 1994, a União Brasileira de Escritores, com o apoio da Associação Paulista de Autores Teatrais (APART) e do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de São Paulo (SATED/SP) realizou uma sessão de homenagem a Décio de Almeida Prado, na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, em que foram proferidos sete discursos, incluindo as lúcidas palavras do homenageado. Diversas personalidades do meio cultural e artístico compareceram ao evento. 

A fim de deixar registrado tão importante momento e levá-lo ao conhecimento de um público maior, a Scortecci Editora decidiu reunir em livro todos os depoimentos, complementando, assim, a merecida homenagem a Décio de Almeida Prado.

João Scortecci
   
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Bienal Internacional do Livro Rio anuncia programação e abre a venda de ingressos - 03 a 12 de dezembro

Maior festival de cultura do país receberá o público no Riocentro, na Barra da Tijuca, entre 3 e 12 de dezembro. No ano em que completa 20 edições, a Bienal do Livro Rio trará como novidade uma programação especialmente desenhada por um coletivo curador. A partir de diferentes perspectivas e narrativas plurais, o time de especialistas convidará o público ao debate em torno do mote: "que histórias queremos contar a partir de agora?".
As vendas de ingressos para o maior festival literário do país já estão abertas e desta vez ocorrerão, exclusivamente, de forma online, no site do evento.
A XX Bienal do Livro Rio acontece de 03 a 12 de dezembro, no Riocentro, Barra da Tijuca. Em formato híbrido, com capacidade de público reduzida para evitar aglomeração, o encontro traz importantes temas do cenário cultural contemporâneo, como papos sobre juventude e fé, poesia, desenvolvimento sustentável, política e democracia, feminismo, jornalismo investigativo, adaptações audiovisuais, cultura geek e pop, LGBTQIAP+, saúde mental, ancestralidade e tendências do mercado literário, além da conexão de música, streaming e cinema com a literatura. Entre os autores internacionais estão o português Valter Hugo Mãe, os norte-americanos Matt Ruff, Julia Quinn, Beverly Jenkins e Josh Malerman, a argentina Mariana Enriquez e o japonês Junji Ito, um dos mais conceituados em mangá.
"Depois de um período tão desafiador para todo mundo, a nossa comemoração de 20 edições precisaria ser inesquecível, ratificando nosso propósito de transformar o país através da leitura e com toda a responsabilidade que o momento exige. Estamos entregando um festival ainda mais plural, aproveitando o reencontro para enriquecer nossos olhares, trocas e reflexões com muita cultura e estímulo à imaginação", afirma Tatiana Zaccaro, diretora da GL events, responsável pela Bienal.
A Bienal é realizada pela multinacional francesa GL events, uma das líderes mundiais no mercado de eventos, e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), que há 80 anos representa a classe editorial no país. Este ano, cerca de 80 editoras já estão confirmadas, além de livrarias, distribuidores e loja de e-commerce, como Submarino.
Marcos da Veiga Pereira, presidente do SNEL, ressalta a importância social e cultural da Bienal, no contexto da retomada de eventos presenciais no país. "Nos últimos meses, os estudos de mercado têm confirmado a reconexão das pessoas com os livros, o que só reforça a missão e a razão de ser do evento: o incentivo à leitura no Brasil. A Bienal é a grande festa do livro e é muito marcante que esse seja um dos primeiros eventos culturais de grande porte neste momento de transição para dias melhores", afirma. "Estamos muito felizes em poder continuar ampliando a representatividade do evento junto ao público, à comunidade e à indústria editorial, levando adiante a leitura como instrumento fundamental para o fomento da educação, da cidadania e da pluralidade de vozes no país", pontua.

Estação Plural e recorde para Visitação Escolar

Para discutir o que as pessoas têm vivido e participar da construção dessas novas narrativas, a Bienal lança nesta edição a Estação Plural, espaço que reúne autores, artistas e formadores de opinião que transitam no ecossistema literário - literatura, poesia, narrativa, atualidades, cultura pop, diversidade, ficção e não-ficção.
A ideia é conversar com o público as diferentes perspectivas sobre "quem éramos, quem somos, e o que vamos ser daqui para frente". Nomes nacionais que têm em comum a paixão pelo universo literário vão ajudar nessa missão especial: Thalita Rebouças, Conceição Evaristo, Itamar Vieira, Aílton Krenak, Caco Barcellos, Nei Lopes, Otávio Junio, Raphael Montes, Tati Bernardi, Gabriela Prioli, Pastor Henrique Vieira, Teresa Cristina, Lua de Oliveira, Luiz Antonio Simas, Lulu Santos e Antônio Fagundes, Aza Njeri e Eliane Brum, entre muitos outros. Todos os painéis serão transmitidos ao vivo pela plataforma Bienal 360°, o hub de conteúdo diário do festival.
Com a missão de despertar no pequeno visitante o interesse pelas histórias, a Bienal também tem uma área de atividade infantil. Esse ano será o Espaço Metamorfoses, patrocinado pela Petrobras Cultural, em que as crianças viverão experiências sensoriais em ambientes desenhados especialmente para elas, seguindo os protocolos de segurança. Para inspirar o público a sonhar e desenhar novos futuros, acompanhando as mudanças do mundo e da leitura, a área infantil traz uma exposição imersiva com cenários interativos e lúdicos, que proporcionarão a cada visitante a possibilidade de viver uma viagem literária em diversas linguagens. Com curadoria do LERCONECTA, o Espaço Metamorfoses do festival convida as crianças e suas famílias a descobrirem nas histórias a potência necessária para reescrever a trajetória do mundo pós-pandemia.
Outra novidade é o recorde de visitação de alunos da rede municipal carioca ao evento. No total, serão 40 mil estudantes convidados a partir da parceria com a Secretaria Municipal de Educação do Rio (SME), que vai disponibilizar mais de R﹩ 12 milhões para a compra de livros com o Cartão Bienal. Cerca de 47 mil professores de escolas públicas municipais também serão beneficiados com um voucher para comprar seus livros preferidos.

Parceria inédita com a prefeitura

Segundo o secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha, a Bienal é um dos principais eventos da cidade e o mais importante para a pasta. "A Bienal tem a cara do Rio de Janeiro. A parceria com a prefeitura através da Secretaria Municipal de Educação é de grande importância para a nossa rede de ensino. A Bienal representa cultura, leitura e diversidade. Elementos que fazem do Rio de Janeiro esse lugar tão único. Estaremos celebrando a Bienal como sempre deveria ter sido."

As inscrições para a Visitação Escolar já estão abertas. A iniciativa é destinada aos estudantes das redes pública e particular e seus acompanhantes das unidades de ensino. Os grupos terão seis dias especialmente reservados e com benefícios diferenciados para uma visita mais confortável. Os ingressos dos alunos também devem ser adquiridos antecipadamente pelo site, no valor de R﹩ 20 (meia entrada). Para cadastrar a escola, é preciso informar o endereço completo da unidade com CEP e o CNPJ ou Designação.
Para o acesso à Bienal, será necessária a apresentação do comprovante de vacinação para os maiores de 12 anos e o uso de máscaras também será obrigatório.

Relacionamento com a imprensa |
Danthi comunicações
Paula Sarapu: paula@danthi.com.br
Julia Casotti: bienal@danthi.com.br
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O MANGAKÁ TEZUKA E A PHOENIX / JOÃO SCORTECCI

Osamu Tezuka (1928-1989) foi um “mangaká” - desenhista de mangás - influente no Japão e no resto do mundo. É lembrado no Japão como o "pai do mangá moderno” ou “Deus do Mangá''. Com sua obra “Shin Takarajima” publicada, em 1947, Tezuka começou o que ficou conhecido como a revolução do mangá no Japão. Sua produção lendária gerou algumas das séries de “mangás” mais bem-sucedidas e premiadas daquele país, entre elas: “Astro Boy”, “Kimba”, “O Leão Branco”, “Dororo”, “Black Jack” e “Hi no Tori”.
Osamu Tezuka não é o inventor dos mangás. É o “mangaká” que os popularizou. O desenho de Tezuka é facilmente identificável: o traço é claro, as imagens são simples, o enquadramento cinematográfico e o humor têm sempre seu lugar. O autor nunca hesita em se colocar em cena com sua silhueta reconhecível principalmente por sua boina e seus óculos grossos. Sua obra completa chega a mais de 700 mangás, com mais de 150.000 páginas. A grande maioria nunca foi traduzida do original japonês e continua inacessível aos leitores do Ocidente.
Em 1954, publicou “Phoenix 1” (Pássaro de fogo), obra de 12 volumes, inacabada, considerada a obra da sua vida, segundo o próprio mangaká. “Phoenix” trata de reencarnação. Cada história envolve uma busca pela imortalidade, personificada pelo sangue do pássaro de fogo, que, conforme desenhado por Tezuka, assemelha-se ao Fenghuang (ave mítica que renasce das cinzas). Acredita-se que o sangue concede vida eterna, mas a imortalidade na Fênix é inalcançável ou uma terrível maldição, enquanto a reencarnação no estilo budista é apresentada como o caminho natural da vida. Tezuka divulgou os quadrinhos japoneses ao redor do mundo. Foi assim que conheceu o artista francês de história em quadrinhos, Moebius (Jean Giraud, 1938-2012), e o cartunista brasileiro, Maurício de Sousa. Em 2012, a Mauricio de Sousa Produções publicou duas edições da revista “Turma da Mônica Jovem”, com alguns dos personagens principais de Tezuka, incluindo Astro Boy, Black Jack, Safire e Kimba, junto à “Turma da Mônica" em uma aventura na floresta amazônica contra uma organização de contrabando de árvores.
Tezuka morreu de câncer de estômago, em Tokyo, aos 60 anos de idade, no dia 9 de fevereiro de 1989. Sua morte teve um impacto imediato no público japonês e no universo dos mangakás. O Museu Osamu Tezuka - dedicado a sua memória e suas obras - foi construído na cidade de Takarazuka, província de Hyogo, no Japão, cidade onde Tezuka viveu grande parte da vida. Hoje, 3 de novembro de 2021, é o dia do seu aniversário e, se vivo estivesse, estaria completando 93 anos de idade.

03.11.2021


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JOSÉ OLYMPIO, CASA GARRAUX E BATATAIS - SEMANA DE ARTE MODESTA DE 1987 / JOÃO SCORTECCI

A José Olympio Editora está completando 90 anos. Foi fundada pelo editor e livreiro batataense, José Olympio (José Olympio Pereira Filho, 1902-1990), em 1931, na cidade de São Paulo. Em 1918, com 16 anos de idade, José Olympio deixou Batatais - Região Metropolitana de Ribeirão Preto - e se mudou para a capital paulista, com o objetivo de estudar Direito. Conseguiu um emprego na Papelaria, Livraria e Typographia “Casa Garraux” (A. L. Garraux &. C.), então de propriedade de Charles Hildebrand. Trabalhava na seção de livros, e o serviço consistia em abrir caixas de livros e limpar a poeira das estantes. Depois passou a ajudante de balconista, época em que tomou gosto pelos livros. A Casa Garraux era frequentada por políticos e escritores, como Menotti Del Picchia, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Plínio Salgado e Cassiano Ricardo.
Em 1926, com a morte de Charles Hildebrand, José Olympio assumiu o cargo de gerente da seção de livros. No final da década de 1920, José Olympio começou a se interessar por livros raros e tornou-se um respeitado entendido no assunto. Com a morte do advogado e jornalista, Alfredo Pujol (Alfredo Gustavo Pujol, 1865-1930), colecionador de livros raros, Olympio fez uma oferta para a família e comprou todo o acervo desse colecionador. Foi o início do seu legado. Adquiriu - depois - vários outros acervos, para, em 1931, aos 28 anos de idade, fundar a Casa José Olympio Livraria e Editora, na Rua da Quitanda, 19 A, na capital paulista. Em 1934, a livraria mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro, então centro intelectual do Brasil.
Em 1935, Olympio se casou com a professora e escritora Vera Pacheco Jordão, com quem teve dois filhos, Vera Maria Teixeira e Geraldo Jordão Pereira. Nas décadas de 1940 e 1950, a José Olympio se tornou a maior editora brasileira. Publicou perto de 2 mil títulos, com 5 mil edições, sendo 900 autores nacionais e aproximadamente 500 autores estrangeiros.
Em 1987, visitei Batatais - cidade natal desse editor e livreiro -, durante a “Semana de Arte Modesta”, encontro comemorativo dos 65 anos da “Semana de Arte Moderna”, de 1922. O evento em Batatais foi “grandioso” e registrou a presença de centenas de escritores de todo os cantos do Brasil. Fomos e voltamos de ônibus alugado pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Do meu lado - eu na janela e ele no corredor do meio -, o escritor e editor Pereira (Antonio Olavo Pereira, 1913- 1993), irmão caçula de José Olympio. A viagem de 350 km, de São Paulo até Batatais, durou quase 6 horas. Dos atrasos e das demoras, uma única certeza: torcendo para não chegar nunca! Conhecê-lo foi um “presente dos deuses”. Na época, a Scortecci Editora tinha pouco mais de 5 anos de idade. Em 2001, a José Olympio - que em 2021 está completando 90 anos - foi comprada pelo Grupo Editorial Record.

30.10.2021

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Festa do Livro da USP começa no dia 8 de novembro de 2021

Festa do Livro da USP, que começa no dia 8 de novembro de 2021, será virtual e terá descontos de 50%. Público já pode acessar site do evento e conhecer catálogos de boa parte das 225 editoras antes da abertura das vendas. A 23ª edição da tradicional Festa do Livro da USP (Universidade de São Paulo) será entre os dias 8 e 15 de novembro, mas o público já pode fazer um tipo de "passeio virtual" pelos estandes das livrarias, para conhecer as promoções de no mínimo 50% e escolher as publicações que desejam. Com a pandemia de Covid-19, esta será a segunda vez em que o acesso será totalmente online e boa parte das 225 editoras disponibilizaram com antecedência o catálogo de títulos, com valores, por meio do site da Festa do Livro. 
Organizada anualmente pela Edusp desde 1999, a Festa do Livro da USP busca aproximar leitores de editoras, ao oferecer livros de qualidade a um preço especial. A única exigência é de um desconto mínimo de 50% no preço de capa.
O evento permite ao leitor o contato com editoras que têm pouco espaço no mercado editorial normalmente, ao apresentar muitas editoras de pequeno porte. Assim, o número de expositores aumentou de 181 na também virtual edição de 2020 para 225 neste ano. O próprio nome do evento busca essa pluralidade. Segundo a Edusp, em uma festa os leitores e editoras são convidados a participar, diferentemente de uma feira. Já a lista de obras em catálogo pode ser mostrada na íntegra, o que não acontece nas livrarias de rua ou shopping por falta de espaço diante de tantos lançamentos. Isso significa mais vendas e a possibilidade de girar o estoque e ganhar capital de giro, em um momento econômico complicado para todo o setor e todo o país.
"O passeio virtual não substituirá o contato com os amigos e a chance de sentir o cheiro dos livros, mas cria oportunidades diferentes para as editoras e evita que os visitantes carreguem aquelas sacolas pesadas. As vendas são feitas diretamente pelas lojas virtuais de cada livraria, com endereços eletrônicos já disponibilizados no site da festa. No entanto, somente a partir das 9 horas do dia 8 é que as promoções estarão disponíveis", afirma Márcio Pelozio, da Edusp. 

LANÇAMENTOS 

A Festa do Livro também é uma oportunidade de os leitores conhecerem os lançamentos das editoras no ano. A Edusp tem cerca de mil títulos em catálogo e traz novidades como "Erosão: Dos Solos às Civilizações", de David R. Montgomery. O livro de divulgação científica aborda as dinâmicas naturais dos solos e da natureza, entre as quais o fenômeno do "dust", que são as nuvens de poeira gigantes e destruidoras que ficaram mais comuns e assustaram moradores de cidades nas últimas semanas, no Centro-Oeste e no Sudeste do País.
Outro título de 2021 é "Um Americano na Metrópole Latino-americana: Richard Morse e a Formação de São Paulo", de Ana Claudia Veiga de Castro. O livro traz a obra de Morse e mostra como a estada dele no Brasil e o contato com a rede de intelectuais brasileiros modificou o trabalho dele e contribuiu para que retratasse a evolução da capital paulista.
Uma terceira novidade é "Uma História da Hungria", de László Kontler, professor da Central European University. O livro oferece um panorama da história do país, desde os primeiros assentamentos humanos, passando pelas disputas em um estado multiétnico, até as relações com o socialismo e a transição para o pós-1989. 

HISTÓRICO 

A primeira edição da Festa do Livro da USP foi em 1999, no pátio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). Foram 31 editoras participantes, com publicações voltadas aos interesses dos acadêmicos.
Ao longo dos anos, o público se diversificou e houve grande aumento no número de editoras, principalmente com as editoras universitárias e também aquelas com títulos infanto-juvenis, hoje um dos destaques do evento. A festa cresceu, mudou algumas vezes de lugar e foi realizada até 2019 na Travessa C da Av. Prof. Mello Moraes, próximo ao CEPEUSP e ao Crusp.
Em 2020 foi necessária uma nova mudança de local, desta vez para um endereço virtual, como forma de prevenção à Covid-19. A vantagem principal foi estender o acesso às publicações a pessoas que não tinham a chance de visitar o evento ao vivo. 

Mais informações 

Ex-Libris Comunicação Integrada
Caio Prates - caio@libris.com.br - (11) 99911-2151
Murilo do Carmo - murilo@clipclap.com.br - (11) 97123-4167

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Virando a página / Por Vitor Tavares

Perto do apagar das luzes de 2021, estamos prestes a terminar o que parece ser um dos últimos capítulos de um intrincado enredo de não ficção vivido por nós, autores-personagens, com fortes doses de terror e suspense. A trama, centrada nos efeitos da transmissão de um novo coronavírus, que já matou cerca de 600 mil brasileiros, nos fez chorar como nunca. Mas também trouxe alegrias jamais vividas, como a da chegada da vacina contra a doença.
Sim, a pandemia já é história. E como tal está no livro da vida. Nestas páginas, que muitas vezes nos pareceram sem fim, o objeto livro ganhou protagonismo, a despeito de números desfavoráveis registrados no mercado editorial. Sim, estamos falando de um ano (2020) em que as vendas recuaram de 434 milhões de unidades, em 2019, para 354 milhões, queda de 18,43%. Isso levou à redução de 8,78% no faturamento total do setor. Também houve diminuição de 20,5% na tiragem e de 7,8% na quantidade de títulos, em relação ao ano anterior.
Dos 46 mil títulos editados, 76% eram reimpressões, o que significou um tombo de 17,4% no total de novos títulos. O setor produziu 314 milhões de exemplares no total, sendo apenas 18% de lançamentos. Os números estão na pesquisa "Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro", realizada pela Nielsen Book, com coordenação da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), e divulgada em maio deste ano.
O prejuízo dos leitores é um capítulo à parte. Com o fechamento de livrarias físicas, em razão da crise e da  pandemia, quem gosta de ler perdeu oportunidades de romance. Todos foram privados do encontro com os livros, do encantamento pelas novas capas, do prazer de manuseá-los e de sair com um exemplar para melhor desfrutá-lo em casa. Só numa livraria "de carne e osso" é possível fazer descobertas assim e ainda ter a oportunidade (quem sabe?) de troca com autores e livreiros.
Por outro lado, o levantamento da Nielsen nos mostra que o leitor deu um jeito de não ficar longe do seu objeto do desejo. Com 53 milhões de exemplares comercializados pela internet, as vendas em livrarias exclusivamente virtuais, que, em 2019, representavam 12,7% do total, em 2020, passaram a ser 24,8%. O crescimento da participação destas livrarias no faturamento das editoras foi de 84% no período.
Cresceu também a bibliodiversidade - a necessária diversidade das publicações a serem disponibilizadas aos leitores. A produção literária aumentou e surgiram muitos novos autores, de trajetórias diferentes, que jogaram luzes sobre temas relacionados a questões de gênero, de classe, étnicas... Afinal, pessoas diferentes, em geral, têm repertórios diferentes, o que gera livros diferentes. Com isso, ganhou espaço o empoderamento feminino, racial e social.
Nestes tempos difíceis, o livro vem reafirmando ainda sua importância para a manutenção da liberdade de expressão e contra qualquer tipo de censura. Afinal, o livro não é um espaço para o que é fake: o que se oferece ao leitor é uma obra de ficção ou não ficção. E nem é preciso ler nas entrelinhas que o que a palavra escrita transmite é tão somente a realidade. Ou alguém duvida que mesmo um texto ficcional diz verdades?
Não por acaso, portanto, precisamos seguir cobrando políticas públicas mais assertivas para a valorização do livro. Só assim, podemos mudar a realidade captada pela pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", divulgada em 2020. Nela, constata-se que apenas 52% dos brasileiros têm o hábito da leitura. E um número por demais preocupante: três em cada brasileiros jamais comprou um livro. Outro dado que entristece é que dois em cada três brasileiros (67%) nunca contaram com alguém que lhe incentivasse a leitura.
Mesmo diante dessa realidade, no ano passado, o Executivo enviou ao Congresso um projeto de lei que cria a Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços. Se aprovada, a CBS estabelecerá uma alíquota única de 12% que incidirá também sobre os livros, quebrando uma imunidade tributária de oito décadas. Como consequência, isso levará a um aumento, estimado em 20%, do preço de capa, o que prejudicará ainda mais o acesso à leitura, justamente para a parcela mais vulnerável da população.
Apesar de tudo, há, sim, motivos para de comemorar, neste 29 de outubro, o Dia Nacional do Livro. Já estamos começando a escrever novas histórias, e o tom no geral é de superação. Está aí a reabertura econômica gradual, que aos poucos permite a retomada de eventos presenciais como as bienais e feiras do livro. No ano passado, a 1ª Bienal Virtual do Livro de São Paulo provou que é possível garantir o acesso e a participação de muito mais brasileiros, inclusive de fora do país, num evento online.
Este ano, já tivemos a volta da Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, em outubro, e teremos a Bienal do Livro do Rio, agora em dezembro, ambas com edições híbridas. A 26ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo também já tem data marcada: 2 a 10 de julho de 2022.

Viremos a página! 

 Vitor Tavares é presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

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"Biografia de uma pessoa comum" de Viviane Ribeiro Gago

"Biografia de uma pessoa comum" tem lançamento marcado para 6 de novembro de 2021. O livro conta a emocionante trajetória de vida pessoal e profissional da advogada e facilitadora Viviane Ribeiro Gago. Muitas vezes as melhores histórias são as que refletem a vida real como ela é.

Desafios, superações, transições e transformações: um misto de surpresas, emoções e peças que o destino prega têm um gosto diferente quando são verdadeiras. E uma pessoa 'normal', aquela que pode estar sentada ao lado no consultório médico ou atrás na fila do supermercado, pode ser capaz de contar a sua trajetória e emocionar demais!

Esse é o caso da obra "Biografia de uma pessoa comum", título escrito por Viviane Ribeiro Gago e que será lançado no site Amazon no dia 6 de novembro de 2021. Disponível apenas na versão digital, sua leitura é possível tanto pela plataforma Kindle como em outros dispositivos eletrônicos. Com 234 páginas, o livro reforça a importância das pessoas, o apoio, o amor e o acolhimento delas. Mas também a relevância de saber quem de fato o ser humano é, como ser despertado para a verdadeira individualidade. O que realmente nutre cada pessoa? O que se quer ou não quer em cada ciclo de vida? Em um relato emocionante, Viviane conta sua história desde a infância e como, de advogada bem-sucedida com uma carreira estável em uma grande empresa, decidiu transformar a sua história profissional ao se tornar facilitadora de Desenvolvimento Humano. Além da trajetória profissional, a narrativa também se concentra no relacionamento com a família, amigos, no grande amor que existe entre ela e o marido e nos momentos difíceis passados junto ao mesmo ao perder diversas gestações por causa de abortos espontâneos.

"Transições e transformações fazem parte da vida e, se acreditarmos e tivermos apoio e amor, tudo será muito melhor e mais gratificante. Cabe a nós enxergar isso e aplicar nas escolhas do dia a dia, construindo um caminho que faça sentido e valha a pena. Com este livro, gostaria de inspirar outras pessoas a serem a melhor versão delas mesmas, aproveitando o tempo de vida ao máximo, pois trata-se do maior capital que temos", explica a autora. 

Serviço 


Lançamento do livro
"Biografia de uma pessoa comum
de Viviane Ribeiro Gago
Scortecci Editora

Data: 6 de novembro de 2021

Onde: Amazon

Preço de capa: R$34,99 

Link: AQUI





Mais informações:
Eliane Tanaka
eliane@conectecomunicacao.com.br
(11) 3459-1224 ou (11) 98233-3469

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HOMENAGEM A CECÍLIA MEIRELES - 10 de Novembro

Realizado pelo Grupo Editorial Scortecci, evento marca os 120 anos de nascimento da “inúmera” Cecília. O evento, que será realizado no dia 10 de novembro de 2021, por meio virtual, com acesso público e gratuito, tem como objetivo homenagear a poeta, cronista, dramaturga, pintora, educadora e tradutora, Cecília Meireles (Rio de Janeiro, 7.11.1901 – 9.11.1964).

Autora de vasta e intensa obra, em vários gêneros - poesia, crônica, teatro, literatura infantil -, integrante de movimentos de renovação educacional, fundadora da primeira biblioteca pública infantil do País, com livros e poemas traduzidos para vários idiomas e importantes prêmios recebidos no Brasil e no exterior, a “inúmera” Cecília é a primeira voz feminina de destacada expressão e uma das mais importantes poetas brasileiras. Seu imortal legado, reconhecido e admirado por gerações de leitores crianças e adultos, escritores e educadores, integra o patrimônio literário e cultural do País. 

A vida e a obra de Cecília Meireles serão rememoradas e celebradas em evento com participação de Fernanda Meireles, estudiosos e escritores convidados, que lerão/declamarão textos da poeta. Ao final do evento, será sorteada caneca comemorativa dos 40 anos da Scortecci Editora. 

PROGRAMAÇÃO

Abertura: Maria Mortatti

Apresentação e depoimento sobre vida e obra de Cecília Meireles: Ana M. Domingues de Oliveira e Fernanda Meireles

Leitura de textos:

Ana M. Domingues de Oliveira;
Adriana Silva Santiago;
Ana M. Lisboa de Mello;
Beatriz H. Ramos Amaral;
Jacicarla Souza da Silva;
João Scortecci;
Jussara Pimenta;
Luís Camargo;
Maria Mortatti.

Encerramento: Sorteio da caneca da Scortecci Editora 40 anos.

Sobre a SCORTECCI - A Scortecci é uma editora laureada, com mais de 39 anos no mercado editorial brasileiro. Edita, imprime e comercializa livros em pequenas tiragens desde 1982. Possui gráfica própria com tecnologia digital, acabamento de qualidade, sofisticado controle de vendas e central de logística. São mais de 10 mil títulos publicados em primeira edição. Já recebeu os prêmios: Jabuti, APCA, FBN, ABL e PEN Clube. Em sua história, conserva os mesmos objetivos e propósitos desde a sua fundação: publicar livros, organizar e apoiar concursos e prêmios literários, realizar recitais e eventos culturais, editar e coordenar antologias de novos talentos, desenvolver o mercado literário através de cursos, palestras e oficinas, trabalhar pela formação de bibliotecas e fomentar o hábito da leitura. 

SERVIÇO

Assunto: Homenagem a Cecília Meireles

Data: 10 de novembro de 2021, quarta-feira

Horário: 19h30 às 21h

Local: Plataforma ZOOM – ID de acesso: 725 467 53 53

Evento aberto e gratuito 

Organizador do evento: Grupo Editorial Scortecci

Mais informações:
João Scortecci
E-mail: gruposcortecci@scortecci.com.br
Telefones: (11) 3032-1179 ou (11) 3032-8848
WhatsApp: (11) 97548-1515

 

 


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OS PRIMÓRDIOS DA BIENAL DO LIVRO DE SÃO PAULO /JOÃO SCORTECCI

A primeira feira do livro em São Paulo, realizada pela CBL - Câmara Brasileira do Livro, data de 1951. O objetivo da entidade - além de promover o livro e fomentar o mercado editorial e gráfico brasileiro - era introduzir, no país, a tradição europeia das feiras de livros, realizadas na França, na Alemanha e na Itália. Com o nome de “Feira Popular do Livro”, foi realizada em agosto de 1951, na Praça da República, região central da cidade de São Paulo. A experiência repetiu-se no ano de 1956, dessa vez no Viaduto do Chá, ponto ainda mais central da capital paulista e com maior fluxo de pedestres.

Em 1961, em parceria com o Museu de Arte de São Paulo – que até 1968 funcionou na Rua Sete de Abril, centro da cidade - foi promovida a primeira “Bienal Internacional do Livro e das Artes Gráficas”, evento que se repetiu em 1963 e 1965, com apoio de editoras, livrarias e gráficas.

Em 1970 – de 15 a 30 de agosto - a CBL promoveu e realizou, de forma oficial e independente, no Pavilhão da Bienal no Parque do Ibirapuera, a 1ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, marco na história da entidade e do mercado editorial brasileiro.

Pesquisando sobre a participação da indústria gráfica nas bienais do livro entre 1963 e 1965, o que descobri – se necessário, corrijam-me, por favor - remete à informação que parte das grandes editoras brasileiras dos anos 1970 eram também empresas gráficas. Em 2022, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo completará 52 anos. Uma data a ser comemorada! Em 2020, data do seu cinquentenário, por causa da pandemia de Covid-19, não pôde ser realizada, infelizmente.

João Scortecci

24.10.2021

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A “RODA DE LIVROS” DO CAPITÃO RAMELLI / JOÃO SCORTECCI

O engenheiro e capitão italiano, Agostino Ramelli (1531-1610), nasceu na comuna de Ponte Tresa, hoje um Cantão da Suíça. Foi o inventor da “roda de livros”, uma estante rotativa que possibilita ler, consultar e pesquisar vários livros num mesmo local. Os livros giram numa roda como se fossem movimentos de um moinho movido a água.
Ramelli ficou conhecido por escrever e ilustrar o livro de projetos de engenharia “As várias e engenhosas máquinas do capitão Agostino Ramelli”, que, além de seu projeto da “roda de livros”, contém 195 designs, mais de 100 dos quais são máquinas de levantamento de água, como bombas d'água, pontes, moinhos e um possível precursor do motor Wankel.
Durante o "Cerco de La Rochelle”, entre 1572 e 1573, ordenado por Luís XIII, rei da França, e comandado pelo Cardeal de Richelieu, que acabou com a capitulação da cidade, em 28 de outubro de 1628, Ramelli construiu com sucesso uma mina sob um bastião - posto avançado para a defesa de um território - e conseguiu violar a fortificação, até então inviolável.
Capitão Ramelli - como era chamado o inventor da “roda de livros” - morreu em Paris, aos 79 anos de idade. Ficou na história do conhecimento como o mais criativo inventor de “engenhocas” movidas pelas forças da água e da natureza de deus.

23.10.2021


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Associação Viva e Deixe Viver recebe certificação Brasil que Lê

 Associação Viva e Deixe Viver recebe certificação Brasil que Lê - OSC é uma das instituições que contribui para o mapeamento das iniciativas de promoção de leitura no Brasil.

A Associação Viva e Deixe Viver (Viva), organização da sociedade civil (OSC) que congrega 1,3 mil voluntários responsáveis por contar histórias em 85 hospitais do País, acaba de receber certificado outorgado pelos organizadores da pesquisa O Brasil que Lê, realizada desde 2002 e voltada a mapear iniciativas de promoção de leitura e formação de leitores no Brasil. Desta forma, os organizadores reconhecem a participação da Associação no levantamento, valorizando o trabalho realizado. A Viva tem como um de seus objetivos a formação de contadores de histórias e a disseminação da leitura entre as crianças e seus familiares e, por conta desse foco, foi uma das entidades convidadas a participar do estudo. 

A pesquisa O Brasil que Lê é um projeto em conjunto do Instituto Itaú Cultural, Instituto Interdisciplinar de Leitura da PUC-Rio, da Cátedra UNESCO de Leitura PUC-Rio e JCastilho Consultoria. A iniciativa mapeia e analisa projetos de formação de leitores e mediadores em todos os estados brasileiros. O objetivo é dar visibilidade a ações que estão (re)construindo o tecido social brasileiro por meio da leitura e da cultura, resgatando histórias e vidas, compartilhando conhecimento e apoiando decisivamente o estabelecimento de novos patamares para a formação continuada de leitores no País. 

"Nos últimos três anos, a Associação Viva e Deixe Viver (Viva) conseguiu atingir um total de quase 100 mil livros lidos em todo o Brasil. Isso é ainda mais importante se levarmos em conta a pandemia, que impossibilitou a atuação presencial dos nossos voluntários nos hospitais. Nesse sentido, foi fundamental se adaptar rapidamente para a continuidade das atividades no ambiente digital. Esse movimento ampliou nosso alcance e também nos aproximou ainda mais da vertente educacional", diz Valdir Cimino, fundador da Viva. 

"A Viva e Deixe Viver é uma proposta memorável na promoção da leitura, porque une saber (literatura), sabor (ter e dar prazer) e humanismo (a crença no valor do bem)", acrescenta Eliana Yunes, supervisora-geral do projeto O Brasil que Lê. 

Sobre a Associação Viva e Deixe Viver 

Fundada em 1997 pelo paulistano Valdir Cimino, a Associação Viva e Deixe Viver é uma Organização da Sociedade Civil (OSC) pioneira em diversas frentes e políticas públicas. Por meio da arte de contar histórias, forma cidadãos conscientes da importância do acolhimento e de elevar o bem-estar coletivo, a partir de valores humanos como empatia, ética e afeto. A entidade também é referência em educação e cultura, por meio da promoção de atividades de ensino continuado. Nesse sentido, conta com o canal Viva Eduque, espaço criado para a difusão cultural, educacional e gestão do bem-estar para toda a sociedade. Hoje, além dos 1.357 fazedores e contadores de histórias voluntários, que visitam regularmente 85 hospitais em todo o Brasil, a Associação conta com o apoio das empresas Pfizer, Volvo, Cremer, UOL, Safran, Santa Massa e Instituto Helena Florisbal. 

Endereço: https://www.vivaedeixeviver.org.br

Mais informações à imprensa:
LF & Cia Comunicação Integrada
Marco Barone - atendimento2@lfciacomunicacao.com.br
Telefone: (11) 98655-5258
https://www.lfciacomunicacao.com.br

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O EROTISMO NA CRIAÇÃO POÉTICA DE MARIA MORTATTI / Por Edmílson Caminha

O erotismo na literatura é um perigo: poetas e prosadores menores que a ele se disponham estarão sempre a um passo do chulo, do grosseiro, do vulgar. Se grandes escritores, farão poemas e contarão histórias para o deleite de quem aprecia o gênero, pela força com que despertam a imaginação e alimentam a fantasia. A esse grupo seleto pertence Maria Mortatti, autora do Breviário amoroso de Sóror Beatriz (São Paulo : Patuá, 2019) e Mulher umedecida (São Paulo : Scortecci, 2020). Poesia de primeira, em que se percebe a essência da criação erótica: insinuar mais do que dizer, sugerir mais do que mostrar, seja na literatura, nas artes plásticas ou no cinema.

Em “O importuno” (1898), óleo sobre tela de Almeida Júnior, um pintor afasta a cortina do ateliê quando, presume-se, alguém bate à porta. A bela modelo, surpreendida, esconde-se, o vestido arrepanhado na altura das coxas, como se em inconsciente defesa do sexo. Não há peças íntimas à mostra, não há nudez, mas sente-se erotismo no ar: podemos supô-los amantes, flagrados talvez por um ciumento marido...

O pecado mora ao lado (1955), título em português do filme The seven year itch, do diretor Billy Wilder, é célebre por uma cena de explosiva octanagem erótica, capaz de mandar pelos ares o prédio de apartamentos em que se passa a história: convidada pelo vizinho de baixo para descer e tomar um drinque, ninguém menos do que Marilyn Monroe lhe pede, na varanda, que espere um pouco: é que costuma, em dias quentes como aquele, deixar a calcinha na geladeira... Nada mais do que isso, o bastante, porém, para sonhá-la pondo a lingerie, chega-se a imaginar o prazer do frescor na intimidade feminina...

Essa, a natureza da expressão poética de Maria Mortatti: delicada, sugestiva, permeada por referências literárias como a que evoca Daniel Defoe em “Marquise”, no Breviário amoroso:

 

Pouco a pouco, línguas exercitando-se em túmida solidariedade,

cada um de nós, crusoés torturados pela solidão,

apodera-se do outro, sextas-feiras prenhes de submissa gratidão.

 

Ou à luz de ressonâncias bíblicas que dão solenidade ao profano em “Mistérios gozosos”:

 

Nem mal, nem bem,

apenas dito

(que é do verbo que se faz a carne),

fruto que sou

de anúncio de anjo

despencado do céu

com a fúria de lança

que se vinga no ventre da terra

depois da briga com deus.

 

Mulher umedecida mantém a voltagem poética, a exemplo de “Com a seiva nas veias”:

 

Os olhos negros dele

esparramam sobre mim

seus anseios subterrâneos,

vasculhando os meus na escuridão.

 

No “Poema da espera”, a invenção do verbo brisar refresca a boca feito bala de hortelã:

 

Admirarei seu corpo,

suspirarei de paixão.

Quando se aproximar,

pele roçando pele,

lábios brisando lábios,

hesitarei e fingirei fugir,

só para ouvir ameaças de abandono.

 

“Orgia almiscarada” encanta pela primorosa cadência dos versos, a expressar em ritmo o desejo com que homem e mulher um ao outro se dão para fazer-se um: 

 

Adentrando o portal

da alameda rubra

a alma cai em tentação

derretendo-se com calma

na ponta da língua

nas bordas do corpo

e vibra, atrevida,

na orgia almiscarada

de cores e notas

da despalavreada canção.

 

Essa, a criação poética de Maria Mortatti, plena de força e de vida, pelo saber e pela competência com que transforma o erotismo em literatura da melhor qualidade.

Edmílson Caminha



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ANTOLOGIA SCORTECCI 40 ANOS - PARTICIPE!

ANTOLOGIA SCORTECCI 40 ANOS - Poesias, Contos e Crônicas - Edição especial de aniversário de 40 anos da Scortecci Editora, Edição de participação na 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2022, Edição comemorativa dos 100 anos da Semana de Arte Moderna 2022.

Estão abertas as inscrições de participação na  ANTOLOGIA SCORTECCI 40 ANOS.

O tema é livre. Dela poderão participar escritores brasileiros, residentes no Brasil ou não, maiores de 16 anos. Serão aproximadamente 150 autores, volumes I e II, organizados por nome de autor, em ordem alfabética. Inscrições até 10 de maio de 2022 ou até o preenchimento das 150 vagas, o que acontecer primeiro. Cada Autor poderá participar com um ou mais trabalhos de sua autoria, nos gêneros poesias, contos ou crônicas, em duas, três, quatro, cinco ou seis páginas (número máximo de páginas). No cabeçalho de identificação de cada participante constará a biografia do autor, com até 500 caracteres.

A antologia não é concurso e todos os inscritos terão seus trabalhos publicados, desde que em conformidade com as regras de participação. Não há obrigatoriedade de o material enviado para publicação ser inédito. Os trabalhos deverão ser em língua portuguesa, o que não impede o uso de termos estrangeiros no texto. Não serão aceitos trabalhos coletivos. Cada inscrição deverá ter obrigatoriamente apenas um autor.

Regulamento completo, Ficha de Inscrição e Valores de Participação: AQUI

Grupo Editorial Scortecci
www.scortecci.com.br
WhatsApp (11) 97548-1515

Edição, impressão e comercialização de livros desde 1982.


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