Carta aberta para sustentabilidade no mercado editorial e resiliência da indústria


IPA - International Publishers Association - InSPIRE (International Sustainable Publishing and Industry Resilience) - Com a pandemia COVID-19 se espalhando globalmente, a indústria do livro se uniu, a fim de apoiar suas comunidades. Os editores ajudaram milhões de crianças na mudança para o estudo em casa, publicaram pesquisas críticas para acelerar o desenvolvimento de vacinas e articularam com seus governos por medidas de ajuda ao setor, para continuar atendendo à demanda dos leitores durante o confinamento.
Com isso, ajudaram na manutenção do sustento de milhões de autores, ilustradores, impressores, distribuidores, editores, tradutores e livreiros. Apesar da resiliência inerente da indústria, a pandemia expôs vulnerabilidades que, se não enfrentadas, impactarão negativamente o mercado global por muito tempo. A aceleração da transformação digital, em particular, levou a uma recuperação desigual.
A adoção de novas tecnologias, a mudança para a aprendizagem online e o aumento da demanda por formatos digitais apresentam desafios específicos para a publicação em mercados emergentes, com economias digitais menos desenvolvidas ou forte dependência de vendas institucionais, bem como mercados mais desenvolvidos com acesso desigual à aprendizagem online.
A evolução da competitividade também revelou lacunas nas habilidades digitais em alguns mercados e colocou a sustentabilidade operacional e a resiliência no topo da agenda do setor.
A solidariedade uniu as indústrias do livro em seus países durante a pandemia. Para reforçar essas alianças após a pandemia por uma indústria editorial global mais sustentável e resiliente, afirmamos que:

A indústria do livro é uma indústria essencial e crucial para o desenvolvimento socioeconômico global e nacional e a compreensão intercultural;

O mercado editorial contribui significativamente para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas; ajuda a fornecer educação de alta qualidade para todos, cria empregos, estimula o empreendedorismo e promove a inclusão de comunidades sub-representadas;

Educação e alfabetização são bases para a aprendizagem ao longo da vida e são essenciais para empoderar as pessoas;

Direitos autorais permitem a expressão, desenvolvimento e difusão global de diversos conhecimentos e ideias; 

A liberdade de publicação é um pré-requisito para a diversidade, criatividade, prosperidade, tolerância e progresso;

Direitos autorais e liberdade de publicação reforçam mutuamente direitos fundamentais essenciais para a prática e preservação da cultura política, educação, bolsa de estudos e desenvolvimento socioeconômico reconhecendo a necessidade de solidariedade contínua para aumentar a sustentabilidade e resiliência do mercado editorial global, nós concordamos colaborar em:

1) Afirmar a importância do mercado editorial para os legisladores como um setor essencial. A publicação deve ser reconhecida por seu papel vital na educação e aprimoramento das gerações futuras, difundindo pesquisas científicas transformadoras, promovendo o pensamento crítico e abrindo novos mundos para todos;

2) Advogar por apoios governamentais específicos para o mercado editorial, a fim de construir uma indústria editorial global mais sustentável e resiliente que se adapte continuamente às mudanças nas dinâmicas competitivas e de consumo;

3) Estimular o diálogo entre os diferentes integrantes da cadeia produtiva do livro, a fim de gerar resiliência, expandir parcerias, mitigar riscos de interrupções de abastecimento na cadeia global;

4) Expôr os efeitos prejudiciais da pirataria e defender a proteção, o desenvolvimento e a aplicação de dispositivos de direitos autorais adequados, que garantam a concorrência justa e protejam os direitos dos editores e criadores de conteúdo;

5) Identificar objetivos em comum entre a indústria do livro, organizações de direitos humanos e governos para combater a censura e promover a liberdade de publicação;

6) Eliminar lacunas de habilidades da força de trabalho por meio de capacitação, orientação e parcerias;

7) Explorar parcerias e programas que enfatizem o papel do mercado na promoção do acesso ao conhecimento, continuidade da educação e aprendizagem ao longo da vida para todas as crianças e jovens, com igualdade de oportunidades para meninas e meninos;

8) Dar voz às minorias, a fim de assegurar a diversidade e inclusão no ecossistema editorial;

9) Apoiar a publicação em línguas nativas por meio de iniciativas e parcerias direcionadas;

10) Destacar o papel das pequenas e médias editoras, das editoras independentes e dos livreiros, que constituem a grande maioria da indústria editorial global, para garantir a bibliodiversidade e apoiar as medidas necessárias para preparar seus negócios para o futuro.

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Câmara Brasileira do Livro: há 75 anos promovendo o livro e a transformação do mercado editorial

Hoje, dia 20 de setembro de 2021, a Câmara Brasileira do Livro (CBL) comemora 75 anos. São mais de sete décadas de trabalho árduo, realizado com esmero e paixão em prol do livro. Durante todos esses anos, os resultados revelaram que este setor é responsável não só pela valorização da leitura e pelo compartilhamento de saberes, mas por um país mais justo e desenvolvido.
E essa é a principal missão da CBL: defender o livro, ferramenta com o poder de transformação social sem precedentes. Isto implica em buscar melhores condições e fomentar inovação para a cadeia criativa e produtiva, trabalhando para que direitos autorais, liberdade de expressão, imunidade fiscal e um mercado economicamente saudável sejam garantidos. Além de, principalmente, defender o direito à leitura, atuando para que políticas públicas e iniciativas que facilitem o acesso ao livro em todo país sejam efetivamente implementadas.
É notável o avanço desde a criação da Câmara Brasileira do Livro, quando um grupo de editores e livreiros começou a se reunir para discutir os problemas do setor e buscar formas de atuação conjunta e organizada. Desde então, muito aconteceu, como a criação da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 1970, que resultou no maior evento literário da América Latina. O Prêmio Jabuti é outra fonte de orgulho: neste ano, a premiação chega à sua 63ª edição. Ao todo, mais de duas mil obras foram contempladas pelo mais desejado reconhecimento literário do Brasil.
Não podemos deixar de mencionar o trabalho do Brazilian Publishers, o Programa de internacionalização realizado por meio de uma parceria entre a CBL e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Desde 2008, a iniciativa promove o setor editorial brasileiro no mercado global de maneira orientada e articulada, contribuindo para a profissionalização das editoras e para a venda de direitos autorais.
Com o passar dos anos, o mundo precisou se reinventar, e com a Câmara Brasileira do Livro não foi diferente. A comunicação com os associados foi aprimorada, agora imersa no virtual. Desde o início da pandemia, a CBL realiza transmissões semanais com debates relevantes. O objetivo foi manter as ideias circulando durante o período de distanciamento social, no qual os eventos físicos foram todos adiados e abriram espaço para uma abordagem 100% online.
Entre tantos fatos importantes, em 2020, a CBL se tornou a agência oficial do ISBN no Brasil, e criou um portal de serviços exclusivo. Por lá, associados e não associados conseguem emitir ISBN e código de barras, solicitar ficha catalográfica e registro de direitos autorais em blockchain: uma verdadeira revolução digital, responsável pela agilização de processos e pela disseminação de importantes informações do setor editorial e livreiro.
E mesmo entre tanto progresso, nos deparamos com contratempos, como o projeto que cria a Contribuição Social sobre Operações e Bens de Serviços (CBS), e está em tramitação no Congresso Nacional. Em 2004, o setor conseguiu a desoneração de PIS/Cofins, porém, agora, há a ameaça de taxar o livro em 12%. Este é livre de impostos desde 1946, graças à constituição democrática da época. Inspirada na luta de intelectuais, editores e escritores, a emenda que tornou imune o papel utilizado na impressão de livros, jornais e revistas foi apresentada pelo autor brasileiro de maior prestígio internacional à época, Jorge Amado.
O impacto no mercado será o aumento do preço do livro, a redução da bibliodiversidade, o crescimento do desemprego e a quebra de editoras e livrarias. Consequentemente, os índices de leitura e de educação serão afetados. Para combater a taxação, a CBL articulou uma ação com entidades representativas do setor. Com isso, foi lançado, em agosto de 2020, o manifesto "Em defesa do livro".
A comunicação amplamente divulgada na grande imprensa, teve inserções nos jornais Folha de S.Paulo e O Globo. A proteção dos interesses dos associados resultou na apresentação do abaixo-assinado "Defenda o Livro" em audiência virtual com o saudoso Senador Major Olímpio, que apresentou o tema no Senado. O abaixo-assinado contou com quase 1,5 milhão de adesões e foi uma iniciativa das estudantes Julia Bortolani, 17 anos, Dinah Adélia, 20 anos e Letícia Passinho, 21 anos. Este continua o tema prioritário na pauta de atuações da CBL. Ações junto ao Congresso Nacional e à sociedade civil fazem parte da nossa agenda diária e seremos incansáveis no combate à taxação do livro.
Outra iniciativa em destaque no ano de 2020 foi a "Retomada das Livrarias". O projeto reuniu forças para ajudar financeiramente micro, pequenas e médias livrarias durante a pandemia. Mais de 300 pessoas e empresas contribuíram para uma arrecadação, que totalizou R$ 530 mil, distribuídos para uma seleção de 53 contempladas.
O próximo desafio está traçado: o retorno aos eventos presenciais. Com a vacinação, feiras e festas literárias já programam edições físicas. A Bienal Internacional do Livro de São Paulo está com data marcada. A 26ª edição do evento acontecerá entre os dias 2 e 10 de julho de 2022. O país homenageado também foi escolhido: nossa nação irmã, Portugal.
Transcorridos 75 anos, continuamos trabalhando para quebrar novos paradigmas, desenvolver o setor e fortalecer o livro e a leitura. Agradecemos aos nossos associados e a todos que partilham dessa missão e estiveram conosco nessas décadas. 

Vitor Tavares
Presidente da CBL - Câmara Brasileira do Livro

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Bienal do Livro Rio: o futuro que a gente espera

Sindicato Nacional dos Editores de Livros - Abraçar o planejamento de um evento com o porte e a história da Bienal do Livro Rio – que este ano chega à sua 20ª edição – é necessariamente uma decisão tomada a partir de uma projeção de futuro, quaisquer que sejam as circunstâncias. Neste momento global em que as incertezas são imperativas, o anúncio de um festival presencial só pode partir da premissa de que as coisas vão melhorar até lá. E foi o que levamos em consideração na escolha da data de 03 a 12 de dezembro de 2021: não uma expectativa excessivamente otimista, mas o avanço da imunização que está em curso na cidade-sede.
As pistas relevantes que temos: uma campanha de vacinação que caminha acelerada no Rio de Janeiro, com estimativa de que ampla maioria das pessoas de até 12 anos tenha recebido pelo menos a primeira dose da vacina em meados de setembro e a segunda até a época da Bienal. O recorte local num primeiro momento nos parece satisfatório, uma vez que cariocas são o público frequentador majoritário do evento, sobretudo numa edição que será híbrida, com transmissão online das mesas e atrações em tempo real.
Da parte da organização, um cenário favorável com riscos minimizados é condição imprescindível para que a Bienal aconteça. Somado a isso, medidas prioritárias que estão no campo do nosso dever e compromisso – adotadas em grandes eventos no Brasil e no mundo –, como a exigência do comprovante de vacinação completa do visitante, o acompanhamento de consultoria especializada em saúde, diretrizes de distanciamento e controle de fluxo de circulação, além de uma equipe de fiscalização específica para os protocolos de segurança, como o uso obrigatório da máscara (o que é rotina em shoppings e no comércio em geral, que já normalizaram o seu funcionamento).
Estamos estipulando uma visitação de 300 mil pessoas, metade do público convencional da Bienal, e uma duração de dez dias de evento, que serão divididos entre manhã e tarde, para que o total de visitantes em qualquer turno não ultrapasse os 25 mil. O mesmo cuidado haverá com a presença dos autores nacionais e internacionais, que participarão da programação local e remotamente.

"Não é só pela Bienal. É pela causa. Pela cultura, pelo conhecimento, por tudo que a Bienal representa."

Marcos da Veiga Pereira

Há um ano e meio, não só o setor de eventos como o mercado editorial e livreiro prepara e aguarda uma retomada. Quando ela deve acontecer? Resolvemos acreditar que será possível dar o primeiro passo, desempenhando escuta ativa, e atentos a impressões e críticas. Uma tomada de decisão delicada, mas não irresponsável e audaciosa, que consultou editores, livreiros, secretarias de educação e órgãos competentes da prefeitura.
E por que não simplesmente adiar? Pela importância que o evento tem não só para a cidade, mas também para a literatura e a cultura no país, especialmente nestes tempos. A Bienal é a grande festa do livro. Passamos os últimos seis anos atravessando uma sequência de notícias negativas para o setor. Mas, nos últimos seis meses, e os números confirmam, temos presenciado a reconexão das pessoas com os livros – o que só reforça a missão e a razão de ser do evento: o incentivo à leitura no Brasil. Por isso, é muito marcante que esse seja um dos primeiros eventos culturais naquilo que esperamos ser uma fase de transição gradativa para dias melhores. Não é só pela Bienal. É pela causa. Pela cultura, pelo conhecimento, por tudo que a Bienal representa.
É importante notar que há uma grande dificuldade de encontrar um parâmetro ou modelo, na busca por referências sobre o que acontece em outros lugares do mundo, a fim de estudar novos formatos para o evento, entender a mistura ideal entre o físico e o digital, verificar a aplicabilidade e eficácia dos protocolos de segurança. Fato que só reforça a importância e a potência da Bienal no seu papel inspiracional, desbravador e gerador de tendências. A Bienal de 2021, com o marco das 20 edições, acontecerá sob estado de atenção ainda causado pela pandemia, mas abre perspectivas para a gestação de avanços significativos e de muitas novas histórias rumo ao futuro e a uma sempre renovada paixão pelo livro.
Desejamos que a Bienal continue representando a materialização dos bons encontros que as histórias proporcionam. Neste caso, um (re)encontro muito sonhado: com os livros, com autores, com outros leitores, com personalidades todos os que tornam esse universo uma das partes mais auspiciosas da realidade atual. Para as editoras, o evento sempre trouxe uma exposição extraordinária para as obras e uma troca direta com o público, que é um dos grandes diferenciais para quem trabalha com livros e por eles. A nossa expectativa é de que o retorno dessa visibilidade e do aquecimento das vendas que acontece de forma singular durante a Bienal possa marcar um novo capítulo para o mercado editorial e o reconhecimento dos nossos esforços pessoais e profissionais para atravessarmos esse período.

Marcos da Veiga Pereira
Presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL)
https://www.snel.org.br

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MAGDA SOARES - 89 anos / MARIA MORTATTI

A grande dama da educação brasileira, Magda Becker Soares, nasceu em 7 de setembro de 1932, na cidade de Belo Horizonte/MG. É professora titular emérita da Faculdade de Educação da UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais, graduada em Letras, doutora e livre-docente em Educação. É autora de diversos livros teóricos sobre alfabetização e letramento, que se tornaram clássicos, e também de livros didáticos de língua portuguesa. Em 1990, Ano Internacional da Alfabetização (Unesco), Magda Soares criou o Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale) da Faculdade de Educação da UFMG, do qual foi diretora até 1995 e onde continua atuando como colaboradora. 

Em 2012, foi eleita Presidente de Honra da ABAlf – Associação Brasileira de Alfabetização. Por suas importantes contribuições para a educação brasileira, recebeu muitos prêmios e títulos. Foi a primeira educadora a receber o Prêmio Almirante Álvaro Alberto para a Ciência e Tecnologia (CNPq/MCTI) – 2015, a mais importante honraria nacional em ciência e tecnologia. Em 2017, recebeu o Prêmio Jabuti – Educação e Pedagogia, pelo livro “Alfabetização – A questão dos Métodos”.

Magda Soares é referência e inspiração para mim e os de minha geração - e das seguintes – que se dedicam aos estudos sobre alfabetização e educação. Sou leitora assídua de seus textos, desde os anos 1980. Nossos encontros presenciais não foram muitos. Lembro muito bem de cada um. Inesquecíveis. Os mais significativos aconteceram na defesa de minha tese de livre-docência, em 1997, de cuja banca ela participou, e, mais recentemente, por meio virtual, no lançamento da 2ª. edição de meu livro “Os sentidos da alfabetização...”, resultante daquela tese e no qual ela fez a apresentação profética. Mas a amizade perdura, por meio de vínculo especial que se renova em nossas conversas e encontros virtuais. 

No dia em que completa 89 anos, renovo a reverência com que a homenageei na abertura de minha palestra no V CONBAlf - Congresso Brasileiro de Alfabetização, em agosto/2021, e cumprimento-a publicamente com admiração e gratidão pela grande mulher e educadora, e, sobretudo, querida amiga, “pra se guardar do lado esquerdo do peito”.

Obrigada, Magda Soares!

Maria Mortatti
07.09.2021


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LIVROS E O DRAGÃO QUE COSPE FOGO / JOÃO SCORTECCI

Livros são dragões do outro mundo. Imperativos! Aos desavisados: fujam deles, se puderem! Depois do encantamento viral e do vício maculado, não adianta blasfemar, resmungar, espernear, nem cuspir fogo pelo nariz. Você - agora - é também um dos nossos! Um dragão que lê!
No princípio - quando a poesia voava livremente - procuravam-se no céu as devidas preferências, o gosto singular da escolha, a razão ímpar das coisas e, mais do que tudo, buscavam-se as empatias pela vida. Laço dos laços laçados! Passam, apertam, soltam-se e avançam no tempo, mas eles - os pareados do coração - ficam nas linhas, impregnados no espírito. Tornam-se “nós de nós mesmos” e se incorporam fiéis à nossa existência. Ocupam as nossas fragilidades, as nossas ingenuidades e fazem de nós dragões templários. Cavaleiros de Gutenberg.
Os livros - bons ou ruins - são espaçosos, desconfiados, egocêntricos e maviosos. Quando desalinhados ou de ponta-cabeça, mostram-se incomodados e reclamam, até nos ameaçam, com olhos de reprovação espacial. O que - então - fazer para cativá-los? Faço igual cachorro tinhoso: agrado o lombo, folheio páginas, redobro suas orelhas, faço releituras e os troco de lugar na estante. Quase sempre, ou vez por outra, funciona! Livros são dragões de luz. Confesso: é delicioso mostrá-los aglomerados, enfileirados. Minha biblioteca! Perguntam, sempre: “Você já leu tudo isso?” Respondo: “Claro que não!” É a glória. Com o tempo - veloz e desleal - a verdade chega ao espelho do que nos tornamos: dragões! As pilhas de livros não lidos crescem no chão úmido de Babel. Entravam o caminho de pedras.
Lembro-me, de passagem, do poema de Drummond e logo o esqueço. Dou-me - mais apropriado – registrar aqui o paradoxo de Sócrates: “Sei uma coisa: que eu nada sei!” Não adianta blasfemar, resmungar, espernear, nem cuspir fogo pelo nariz. O dragão do Senhor de Ye - fábula do amor pelos dragões - perdeu-se nas histórias da infância. O Senhor de Ye e o seu dragão de fogo não eram mesmo de verdade. Ademais, tudo voa, voa e fica.

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Max Schrappe - O Empresário Gráfico das Américas

MAX SCHRAPPE
(MAX HEINZ GUNTHER SCHRAPPE, 11.12.1932 - 05.09.2021)
 
Para a grande maioria das pessoas, era apenas “Seu Max”; para falar com os agentes públicos e defender os interesses da Indústria Gráfica Brasileira, era “Sr. Max Schrappe”; para os filhos, era “Papai”; e seu espírito associativista, sua vontade de fazer diferente e sua visão empreendedora o tornaram o eterno Presidente da ABIGRAF. Era sempre reconhecido por seu legado à frente de todas as entidades da indústria. Não entrava no jogo para perder, não tinha medo de mudar e, com isso, conquistou um exército de admiradores por onde passou.
 
Era casado e pai de quatro filhos, descendente de uma família que há 4 gerações atua no setor gráfico. Ao longo de sua carreira como industrial, destacam-se a firmeza com que tratava de assuntos que dependem de governos, a habilidade no relacionamento com entidades representativas de trabalhadores e os excelentes resultados obtidos na luta pela privatização dos serviços gráficos desenvolvidos pelo Estado, o que lhe confere o profundo respeito de seus pares no setor e os diversos cargos e títulos recebidos.
 
Cursou seus estudos universitários na Faculdade Novo Ateneu, na cidade de Curitiba-PR. Nos anos de 1954 e 1955, estagiou na Alemanha, em fábricas de máquinas gráficas. Dominava fluentemente a língua alemã, além de comunicar-se nos idiomas inglês e espanhol.
 
Enumerar todos os cargos que Max Schrappe ocupou ao longo da sua trajetória não caberia neste boletim, mas, pela importância que tiveram, destacamos os principais. 
 
Schrappe atuou no Conselho Consultivo da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha.
 
Em reconhecimento ao seu interesse e luta pelo setor, foi eleito, primeiramente, presidente da Abigraf - Associação Brasileira da Indústria Gráfica - Regional-SP (1982/86) e, na sequência, presidente do Sindigraf - Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo e da Abigraf Nacional, por várias gestões consecutivas (1986/89, 1989/92, 1992/95, 1995/98 e 1998/2001). O líder industrial exerceu, também por três gestões (1986/89, 1989/92 e 1992/95), a presidência do Conselho Diretor da ABTG  - Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica, tendo sido Vice-Presidente nas gestões 1995/98 e 1998/2001.
 
Foi agraciado com o título "America's Man of the Year 89" pela PAF - Printing Association of Florida - USA, por ter sido o empresário gráfico das Américas que mais se destacou por serviços em prol da indústria gráfica do continente americano.
 
Em 1989, foi eleito Diretor Executivo do CIESP - Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, tendo sido um dos responsáveis pela área de marketing associativo do DES - Departamento de Expansão Social, órgão que responde pelos serviços de atendimento aos 9.500 associados da entidade. Em 1991, foi designado, pela presidência da FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, como Diretor Geral da II FEMPI - Feira de Micro, Pequena e Média Indústria.
 
Em novembro de 1990, representou o Brasil, como Delegado Empregador do País, na III Reunião Mundial Técnica Tripartite para as Indústrias Gráficas, realizada pela OIT - Organização Internacional do Trabalho, em Genebra, Suíça, tendo sido eleito Vice-Presidente Empregador da reunião e assumido a presidência geral na sessão plenária de aprovação das conclusões e encerramento dos trabalhos. O ano de 1990 registrou, ainda, sua posse como Coordenador do Conselho Consultivo para as Áreas Gráfica, de Máquinas e Equipamentos Gráficos e de Papel, Papelão e Celulose do Departamento Regional do SENAI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SP

No ano de 1991, passou a integrar, por convite direto do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, o Grupo 11 das CEC - Comissões Empresariais de Competitividade - no âmbito do Programa de Competitividade Industrial. Assumiu, também, como membro do Conselho Temático Permanente de Relações de Trabalho e Desenvolvimento Social da CNI - Confederação Nacional da Indústria.
 
Por sua intensa participação na comunidade gráfica como empresário, Schrappe foi eleito sucessivamente, nos anos de 1985 a 1995, "Líder Empresarial do Setor Gráfico", pelo voto direto de todos os empresários brasileiros, no fórum do jornal “Gazeta Mercantil”. Recebeu, também, em 1989 e 1995, o prêmio "Personalidade do Ano" da ANAVE - Associação Nacional dos Homens de Vendas em Papel, Celulose e Derivados, e, em 1995, foi eleito “Personalidade do Ano”, pela Revista “Embanews”.
 
Em 1993, foi eleito para a 1ª Vice-Presidência da FIESP/CIESP, tendo sido, em 1995, reeleito para a gestão 1995/1998 e exercido, quando necessário, a Presidência da Casa, na representação de seu titular, Dr. Carlos Eduardo Moreira Ferreira. Coordenava substitutivamente as reuniões dos Conselhos de Ação Política (CAP), Jurídico (CONJUR) e Superior de Economia e era normalmente responsável pela recepção às delegações governamentais e empresariais de países estrangeiros que procuram, por meio da FIESP/CIESP, interface com a indústria brasileira.
 
Em novembro de 1995, participou da cerimônia que homenageou os líderes empresariais eleitos na votação promovida pela revista “Balanço Anual 95/96”, quando recebeu diploma pela importância de sua liderança, em Curitiba-PR. Em dezembro de 1995, foi empossado como Membro do Conselho Deliberativo da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas, em São Paulo - SP.
 
Em fevereiro de 1996, foi eleito e empossado 2º Vice-Presidente da ABRE - Associação Brasileira de Embalagem, em São Paulo - SP, cargo que ocupou até março de 2000, quando assumiu, como Membro do Conselho Representativo, a área de Embalagens de Papel.
 
Em dezembro de 1997, por ocasião da inauguração do Centro Técnico da ABTG, foi homenageado com a designação de seu nome para o auditório da entidade, em São Paulo - SP.
 
Em 04 de  junho de 1998, assumiu a presidência da FIESP/CIESP, na gestão 1995/1998. Até seu falecimento, foi Vice-presidente e Membro Representante da FIESP – Federação das Indústrias no Estado de São Paulo, junto ao Conselho de Relações do Trabalho e Desenvolvimento Social da CNI – Confederação Nacional da Indústria.
 
Foi Presidente do Conselho Regional do SENAI-SP, eleito em outubro de 1998, tendo sido, ainda, membro da CATA – Comissão de Apoio Técnico Administrativo do SENAI Nacional.
 
Em setembro de 1999, lançou seu livro “O Gargalo do Liberalismo”, editado pela Makron Books do Brasil, em que analisa, por meio de 64 dos cerca de 900 artigos de sua autoria publicados pela grande imprensa brasileira no período 1989/99, os fatos políticos e econômicos que marcaram a conjuntura do país na década antecedente.
 
Em novembro de 1999, foi eleito e empossado como Vice-Presidente da CONLATINGRAF – Confederação Latino-Americana da Indústria Gráfica, tendo sido indicado para Presidente do CIFAG – Círculo Ibero-Americano de Formação em Artes Gráficas, órgão responsável na entidade pelo desenvolvimento da capacitação e aperfeiçoamento técnico de instrutores e profissionais gráficos do continente.
 
Em novembro de 2001, foi eleito e empossado como Presidente da CONLATINGRAF – Confederação Latino-Americana da Indústria Gráfica.
 
Só nos resta aqui, portanto, agradecer ao Max, por tudo que nos ensinou e nos deixou como legado, e ratificar nosso compromisso de dar continuidade aos seus ensinamentos, que, sem dúvida nenhuma, tornam o nosso setor muito mais unido e forte.
 
Presidentes ABIGRAF

Sidney Anversa Victor
Levi Ceregato
João Scortecci
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JACÓ 100 - HOMENAGEM PELO CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DO EDITOR JACÓ GUINSBURG / JOÃO SCORTECCI

O crítico de teatro, ensaísta, professor e editor, Jacob Guinsburg (1921-2018), nasceu na Bessarábia, atual Moldávia, país do Leste Europeu e antiga república soviética, que faz fronteira com a Ucrânia e com a Romênia. Guinsburg emigrou para o Brasil com seus pais em 1924, com três anos de idade. Envolveu-se, desde muito jovem, na vida cultural e intelectual do país, participando intensamente da renovação do teatro brasileiro.
Escreveu na imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro sobre literatura brasileira, judaica e internacional, com artigos no campo das artes, da literatura e da crítica teatral. Entre suas obras, encontram-se “Stanislavski e o Teatro de Arte de Moscou”, “Aventuras de uma Língua Errante - Ensaio de Literatura e Teatro Ídiche”, “Leone De Sommi: Um Judeu no Teatro da Renascença Italiana”, ”Guia Histórico da Literatura Hebraica”, “Dicionário do Teatro Brasileiro”, “Diálogos Sobre Teatro, Stanislavski, Meierhold & Cia. - Ensaios de Teatro Russo”, “Semiologia do Teatro”, “Da Cena em Cena” e inúmeros ensaios de estética e história do teatro, traduções e edição de várias obras sobre Diderot, Lessing, Buechner e Nietzsche.
É editor das obras completas do crítico e teórico de teatro teuto-brasileiro, o alemão Anatol Rosenfeld (1912-1973), que viveu no Brasil depois da Segunda Guerra Mundial. Como editor participou das editoras Rampa, Difel e Perspectiva. Hoje na “Folha de S. Paulo”, no Painel das Letras, Walter Porto (Ilustrada, C2), fiquei sabendo que a editora Perspectiva está preparando uma justa homenagem ao editor por ocasião do seu centenário de nascimento.
Na “robusta” programação: livros, mesas, filme e a publicação da obra inédita “Digitais de um Leitor”, compilação de textos sobre livros que funcionam como uma jornada por décadas da literatura. Aqui com os meus ossos: o que significa “livros que funcionam como uma jornada por décadas da literatura”? Vou procurar saber! Vou - primeiro – enviar um e-mail para o jornalista Walter Porto. Depois, caso não tenha êxito, vou consultar alguns amigos da editora e, por fim, amigos que vão participar da mesa, evento de pontapé inicial, no dia 21 próximo, denominado: “Memórias Livreiras de Guinsburg”. Provavelmente um “aloego” literário ou algo assim.

04.09.2021


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O CASO "HARRY POTTER" E O SERMÃO DE FOGO / JOÃO SCORTECCI

"Harry Potter é o diabo e está destruindo pessoas!". Num domingo, 30 de dezembro de 2001, em Alamogordo, ao sul do Novo México, nos Estados Unidos da América do Norte, uma comunidade religiosa liderada pelo Pastor Jack Brock (Jack Dempsey Brock, 1927-2020) queimou 30 exemplares da série literária juvenil “Harry Potter”, da escritora, roteirista e produtora cinematográfica britânica, J. K. Rowling.
Os livros de Rowling ganharam popularidade mundial, recebendo múltiplos prêmios e vendendo mais de 500 milhões de cópias. A Warner Bros adaptou os livros para o cinema, e os filmes entraram na lista de maior bilheteria da história. Harry Potter, o menino bruxo, foi capaz de enfeitiçar milhões de leitores, derrotar as forças do mal e transformar sua criadora numa mulher de sucesso e milionária, mas fracassou, quando teve que enfrentar a ira dos fiéis da "Congregação da Igreja da Comunidade de Cristo", liderados pelo Pastor Jack Brock.
A série “Harry Potter” foi demonizada por aqueles religiosos como "uma obra-prima do engano satânico". Enquanto cantavam “Amazing Grace” e queimavam livros, o Pastor insistia em afirmar: "Harry Potter é o diabo e está destruindo as pessoas". Jack Brock admitiu, em público, que nunca leu nenhum dos romances da série de Potter, mas disse que pesquisou o conteúdo deles. "Por trás desse rosto inocente está o poder das trevas satânicas", acrescentou, apontando para o simpático rosto de Harry James Potter - interpretado no filme pelo ator inglês, Daniel Jacob Radcliffe – estampado na capa de um dos livros. Em seguida, atirou-o no fogaréu da ignorância.

03.09.2021


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ABIGRAF Seccional Bauru e Projeto Amigos do Livro iniciam doação em ONGs no interior de São Paulo em estímulo à leitura e à educação, por um país mais forte

O Projeto Portal Amigos do Livro, que pertence ao Grupo Editorial Scortecci, foi lançado no dia 6 de outubro de 2001, a fim de incentivar o estudo, a pesquisa, a divulgação e a promoção do livro e do hábito da leitura e junto com a ABIGRAF Seccional Bauru doaram 200 livros infantis para uma entidade.

João Scortecci, Diretor-Presidente do Grupo Editorial Scortecci, idealizador do projeto, assumiu em Junho deste ano a presidência da ABIGRAF, Regional de São Paulo, o que fortaleceu ainda mais as ações da ABIGRAF em prol da divulgação e acesso à leitura.

A ABIGRAF Seccional Bauru por meio da sua diretoria realizou a entrega dos exemplares para a Wise Madness, entidade social sem fins lucrativos que realiza duas ações complementares dentro da comunidade. Uma é incentivar e promover a arte, a educação, a cultura, a música e a dança para adolescentes e jovens de Bauru e região, e a outra é o serviço de acolhimento provisório e excepcional de crianças e adolescentes de 0 a 17 anos e 11 meses, em situação de risco pessoal e social, afastados do convívio familiar por meio de medida protetiva, até que seja viabilizado o retorno ao convívio familiar ou, na sua impossibilidade, a adoção.

A Wise Madness possui seis unidades: Wise Aviação, Wise Rasi, Wise Brac e Wise New que promovem serviço de convivência e fortalecimento de vínculos, oficinas culturais e de esportes e duas unidades de Abrigo Institucional para crianças e adolescentes denominadas Wise Hope e Lar Emanuel.

Foram entregues 100 exemplares para cada unidade que atualmente abriga 34 crianças que necessitam do serviço de acolhimento, e os livros farão parte de atividades de incentivo à leitura, promovendo o saber e auxiliando no seu desenvolvimento educacional e social.

ABIGRAF, promovendo a leitura estimulando o saber.

Juntos podemos fazer um Brasil mais forte! 

Informações sobre Wise Madness Bauru e como ajudar entre em contato através do email abrigowise@gmail.com ou telefone (14) 3243-2715.

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AS FLORES DO JARDIM DO PUBLICITÁRIO CARLITO MAIA / JOÃO SCORTECCI

O publicitário Carlito Maia (Carlos Maia de Souza, 1924-2002) nasceu na cidade de Lavras, região do Campo das Vertentes, estado de Minas Gerais e “veio ao mundo a passeio, não em viagem de negócios”. Mudou-se para a cidade de São Paulo no início dos anos 1930 e se tornou um dos mais conhecidos publicitários do país. Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, em 1980, e autor dos slogans "Lula-lá", "OPTei" e “Sem medo de ser feliz”. Segundo seu depoimento, foi "moleque, lavador de xícaras de café, rebelde, office-boy, contestador, reservista de 2ª categoria do Exército, antifascista, sargento da FAB, boêmio, despachante policial, picareta, corretor de seguros, “clochard”, ajudante de despachante aduaneiro, “bon vivant”, tradutor público juramentado..."

Em 1954, ingressou na Escola de Propaganda do Museu de Arte Moderna. Trabalhou nas agências McCann-Erickson, Atlas, Norton, Alcântara Machado, Magaldi, Maia & Prosperi, P. A. Nascimento, Estúdio 13, Esquire e, finalmente, na Rede Globo, onde permaneceu por mais de 20 anos. Em 1978, foi eleito o "Publicitário do Ano". Entre suas máximas, figuram: “Uma vida não é nada. Com coragem, pode ser muito”, “Brasil? Fraude explica” e “Nós não precisamos de muitas coisas, só uns dos outros”. São dele também as expressões “Tremendão”, “Ternurinha”, “Jovem Guarda” e “É uma brasa, mora!”, esta usada pela primeira vez como título de um show do cantor e compositor, Roberto Carlos.

Carlito Maia notabilizou-se por enviar flores para uma infinidade de estreias de espetáculos teatrais, lançamentos de livros e vernissages. Recebi o meu primeiro “buquê” de flores, belíssimo e inesquecível, no ano de 1987, quando do lançamento do livro de poesias “A Morte e o Corpo”, e o segundo e último, em 1989, quando do lançamento do volume I da “Antologia Poética de Pinheiros”, que circulou durante dez anos e foi destaque na história da Scortecci Editora.

Na minha máxima de que a vida é um poema sem fim, até hoje figura uma de suas saborosas "deixas": “Evite acidentes, faça tudo de propósito.”

Assim seja!

29.08.2021

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SERÁ QUE FUI EU?, DE ALZIRA SILVÉRIA / Por MARIA MORTATTI

Alzira Silvéria foi minha vizinha de condomínio por muitos anos. Mudou-se recentemente, mas sempre me lembro de nossos encontros, em suas caminhadas ao sol, e do livro de memórias autobiográficas Será que fui eu?, com que ela me presenteou.

É um livro para reler sempre. As memórias de Alzira representam a força e a determinação dessa mulher negra, "semianalfabeta", nascida no início da década de 1930 na cidade de São Lourenço (MG) e que, por ser "filha de mãe solteira", foi adotada, com cinco anos de idade, por um rico fazendeiro; aos 10 anos de idade, caiu de uma goiabeira e sofreu fratura na perna, causando-lhe dificuldades de locomoção. Mas não desistiu. Sua vida de muita luta e trabalho está registrada nesse livro inspirador, que é também um pungente registro da história do país, vivida por muitas brasileiras e brasileiros, no século passado.

Nas palavras de seu neto, o professor Acauam Oliveira, na quarta-capa do livro: “Nessas páginas delicadas de um lirismo profundo, iremos encontrar, nas entrelinhas, a face obscura do nacional desenvolvimentismo, contada por quem viveu a parte silenciada da história. Pode-se ter uma ideia do imenso valor sociológico do relato, mas seu valor humano ultrapassa qualquer consideração acadêmica."

Livro atual e necessário. Recomendo!

Como retribuição em forma de homenagem a Alzira, escrevi um artigo com análise detalhada do livro. Está disponível em: Mortatti, M. (2013). O livro de Alzira. Educação (UFSM), 38(1), 55-73. doi:https://doi.org/10.5902/198464445864

Maria Mortatti
mariamortatti@gmail.com

SERVIÇO

SERÁ QUE FUI EU?
Alzira Silvéria
ISBN: 85-336-0252-X
Scortecci Editora
Memórias autobiográficas
Formato 14 x 21 cm - 1ª edição - 2005 - 75 páginas

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BEIJOS ROUBADOS DE CORA CORALINA E RACHEL DE QUEIROZ / JOÃO SCORTECCI

O dia em que tudo aconteceu. O beijo roubado de Anna Lins! Não foi lá nos Becos de Goiás e nem nas águas do Rio Vermelho. Foi no dia em que Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889-1985) perdeu o medo e virou “Cora Coralina”. Moça linda - cheia dos versos - que no dia 20 de agosto de 2021 completou 132 anos de idade. Era o ano de 1983, na sede da União Brasileira dos Escritores, quando da entrega do Prêmio Juca Pato - Intelectual do Ano. Eu, pequenino; e ela, gigante! Curvei-me quase meio metro para que ela pudesse me roubar um beijo. Poucas mulheres já ganharam o valioso troféu do Juca Pato, promovido pela UBE. Foi Cora Coralina quem puxou a fila. Depois, vieram Lygia, Rachel, Pallottini e Belinky. Foi a escritora luso-brasileira, Dalila Teles Veras, que - contra tudo e todos - lançou a candidatura de Cora Coralina e, a duras penas, conseguiu listar as 30 assinaturas necessárias para o pleito. Uma mulher ganhando o Juca Pato - e uma poeta? Era muito! Foi um momento de ruptura importante na entidade e que marcou época. Repeti o mesmo beijo roubado em 1992, dessa vez de Rachel de Queiroz (1910-2003), conterrânea e amiga da família. Meu avô paterno, João Batista de Paula (o Batista da Light), era da cidade de Quixadá, no Ceará, e na infância e adolescência haviam sido amigos pelo resto da vida. Rachel perguntou: “Você é neto do Batista da Light?” “Sou, sim”, respondi. “Saudade dele. O Batista era muito querido e estava sempre alegre e sorrindo", sentenciou. Rachel de Queiroz estava sentada confortavelmente em uma poltrona na sala da diretoria da UBE, da Rua 24 de maio, 250, aguardando o início da cerimônia. Curvei-me e a beijei também com todo o amor do mundo. Foi o nosso último encontro. Logo depois, Rachel adoeceu e morreu em 2003, na cidade do Rio de Janeiro. Beijos roubados são assim: perigosos, eternos e inesquecíveis.

PARTE 2

Tudo acontece em Goiás. Até o nada. O de ficar ali se olhando - demoradamente - feito vasto mundo. Drummond lhes disse: “Seu Vintém de Cobre é, para mim, moeda de ouro... Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia.” Hoje acordei pensando na Cora Coralina (Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, 1889-1985). Olhos miúdos, sorriso fácil de bom e coração de doceira competente. É hoje, né? Sim. Parabéns! Ela e os Becos de Goiás. Ela e o povo do Rio Vermelho. No nosso único e derradeiro encontro, isso no ano de 1983, na entrega do Troféu Juca Pato, da UBE, merecidamente justo e ganho por você. Veloz e inesquecível. Veio e ficou assim: “Amo a prantina silenciosa do teu fio de água, Descendo de quintais escusos sem pressa; e se sumindo depressa na brecha de um velho cano. Amo a avenca delicada que renasce; Na frincha de teus muros empenados; e a plantinha desvalida de caule mole, que se defende; viceja e floresce no agasalho de tua sombra úmida e calada.”

20 DE AGOSTO DE 2021

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O AMADO JORGE E SEUS LEGADOS: LIVROS, LIBERDADE DE CRENÇA RELIGIOSA E ISENÇÃO DE TRIBUTAÇÃO SOBRE LIVROS / JOÃO SCORTECCI

O escritor baiano Jorge Amado (Jorge Leal Amado de Faria, 1912-2001) é um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos. É o autor mais adaptado do cinema, do teatro e da televisão. Destaques: “Dona Flor e seus dois maridos”, “Tenda dos Milagres”, “Tieta do Agreste”, “Gabriela, Cravo e Canela” e “Tereza Batista Cansada de Guerra”.
Sua obra literária - 49 livros, ao todo - também já foi tema de escolas de samba por todo o País. Seus livros foram traduzidos em 80 países e em 49 idiomas. “Capitães da Areia” é sua obra mais influente. Um romance poético! Um clássico dos livros sobre a “infância abandonada”, onde se narra a história crua e comovente dos meninos pobres morando em um trapiche - armazém abandonado - na região do cais, na cidade de Salvador-Bahia.
O livro foi publicado em 1937, ano em que a polícia do Estado Novo, de Getúlio Vargas, apreendeu e queimou em praça pública exemplares desse livro, entre outras obras do autor. “Sob a lua, num velho trapiche abandonado, as crianças dormem. Antigamente aqui era o mar”.
Na adolescência, foi um dos fundadores da "Academia dos Rebeldes", grupo de jovens escritores que desempenhou um importante papel na renovação da literatura baiana. Na década de 1930, mudou-se para a capital federal (Rio de Janeiro), onde cursou a faculdade de Direito e ali travou seus primeiros contatos com o movimento comunista organizado. Viveu exilado na Argentina e no Uruguai (1941 a 1942), em Paris (1948 a 1950) e em Praga (1951 a 1952).
Em 1946, foi eleito deputado federal pelo PCB - Partido Comunista Brasileiro. Foi o autor das emendas constitucionais n. 3.064, que suprimiu a censura prévia e estabeleceu a isenção de tributação sobre livros e periódicos, e a n. 3218, que garantiu a liberdade religiosa. Desligou-se do PCB em 1956, depois das denúncias de Nikita Khruchev contra Stalin, no 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética. Em 1961, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 23, cujo patrono é José de Alencar. De sua experiência acadêmica bem como para retratar “os casos” dos imortais da ABL, publicou “Farda, fardão, camisola de dormir”, numa alusão clara ao formalismo da entidade.
Jorge Amado morreu em 6 de agosto de 2001. Seu corpo foi cremado e suas cinzas enterradas em sua casa no bairro do Rio Vermelho, em Salvador-Bahia.

10.08.2021


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ESPAÇO ARTE PRAÇA DO POETA LINDOLFO BELL / Clevane Pessoa

Você está lendo essa crônica, no dia da inauguração da Praça Lindolf Bell: poesia a céu aberto — 9 de dezembro (a inauguração será a partir das 20 horas). O convite me foi enviado pela Diretora do Museu de arte de Blumenau, MAB, Rafaela Hering Bell, filha do Poeta Lindolf Bell.
A poesia de Lindolf Bell a céu aberto, em Timbó, SC, é uma grande conquista. Bell terá esse ano, nas Telelistas, sua Casa, inaugurada em 2003, enquantio patrimônio, não apenas da cidade natal, mas da Literatura nacional, mantida pela Fundação Lindolf Bell.
O carinho com que a filha mantém a obra de seu pai, a eterniza. Com a esposa, Elke Hering, artista plástica, o pássaro (ou o poeta-pássaro), inovou ao apresentar Objetos-Poesia, obra de ambos.
Na sua vida de sessenta anos, prolífero, 1938/1998, não só escreveu com a força da palavra poética em si, mas também com a inovadora palavra objeto, em parceria com sua esposa, artista plástica. A filha de ambos, Rafaela, à frente do Museu de arte de Blumenau, é agente do eterno, curadora do chamado centro de memória Lindolf Bell, na cidade natal do bardo, Timbó.
Os Póstumos e as Profecias foi o livro de estréia de bell em 1962. O fato de cursar Dramaturgia, na Escola de Arte Dramática, em São Paulo/SP, de alguma forma marca seus versosk onde a pungência das palavras, atinge a psicodramaticidade necessária á alma dele próprio e à época por que passava o país.
Em 1963 participou na Expressão de Novos Poetas, com poemas-murais, na biblioteca paulistana Mário de Andrade, tomou parte do "Expressão de Novos Poetas", com poemas-murais. Nessa época, editou Os ciclos.
Em 1964, ano em que o Golpe Militar aconteceu no Brasil, foi significativo integrante do Movimento da Catequese Poética. No ano seguinte, Juan Seringo usou roteiro do poeta para seu filme experimental intitulado "A Deriva".
Os poetas da época eram idealistas e tinham na palararma, sua força de conmbate á pretensa ditadura. Nunca se criou tanto, e o poeta declamou poemas no Show Contra, no Teatro Ruth Escobar em São Paulo SP. Corria o ano de 1968. Depois, viajau para os Estados Unidos (ainda em 68) e fez parte do grupo brasileiro no International Writing Program (Universidade de Iowa). É em Iowa que são paridos em conjunto com Elke Hering Bill os "poema-objetos" com Elke Hering Bill Estes tomam forma e imagem tridimensional, numa série de objetos poéticos (com a contra-partida poemas-objetos). Plenificados de criatividade, os dois, bardo e artista, completam-se.
Quandoretorna ao Brasil, Bell mora em Blumenau/SC. Na bela cidade, leciona História da Arte na Fundação Universidade Regional.
A I Pré-Bienal de São Paul, recebe sua participação em 1970, com esses concretos poemas-objetos, que chamam a atenção como expressao artísco-literária.
Seu livro "Codigo das Águas", em 1984 recebe o Prêmio de Poesia, da Associação Paulista de Críticos de Arte. Outros livros: As Annamárias (1971), As Vivências Elementares (1984) e Iconographia (1993).
Mais jovem, o poeta demonstrou em sua lavra sério engajamento político-social, com a mesma representatividade de sua participação no cenário literário do Brasil de então. Diz-se dele que exerceu uma catequese poética, verdadeiro missionário de sua crença no fazer poético. No entanto, depois de 1968, sua verve torna-se mais pessoal, com rememórias e filosofia de vida claramente expostas nos versos.
Há pouco tempo, em agosto, buscando mais fotos do poeta sobre quem estou escrevendo, encontrei, na página de Rubens Jardim (*), interessante retrato de época, em preto branco, com poetas em torno da poesia, quais falenas em volta da luz e assim o autor, Rubens Jardim, se espressa:
"Saudades infinitas de um ser íntegro e pequeno, anônimo -- mas não anódino -- que se chamava Rubens...e se colocava diante, adiante e atrás de tudo. Re-ligare esse moleque. Tornar a ligar. O umbilical e o universal. O sagrado e o profano. Timbó e Blumenau. Timbó e São Paulo. Timbó e o Brasil. Timbó e o mundo".
Uma de suas poesias, escritas para Manuel Bandeira e que apliquei a ele próprio (quando soube de sua passagem para outra dimensão, pois fiquei recolhida, a prestar uma homenagem de quem sempre admirou sua verve, sem jamais tê-lo visto, desde a juventude) afirma:

                  (...) "Quando um poeta morre

                  os outros fazem silêncio

                  ainda que ninguém tome conhecimento" (...)


Finalizo essa minha homenagem de hoje com o poema de Bell, citado acima, dedicado a Bandeira:

Manuel Bandeira do Brasil

           Lindolf Bell

Todos fizeram seus versos para o poeta.

Também vou fazer os meus.


Quando um poeta morre

os outros fazem silêncio

ainda que ninguém tome conhecimento.


Onde estiver,

a estrela da tarde

estará no horizonte da palavra,

atrás do teatro Carlos Gomes

de meus pensamentos vãos,

e me lembrarei de ti, Manuel

Bandeira da saudade.


Onde estiver,

estarei na sacada do mundo

esperando a tua bênção

no vento noturno,

na tua galeria intemporal

de poeta que fez versos

como quem ama.


Onde estiver,

sei que pairas

entre o coração que sabe

e o ruído dos automóveis

da rua quinze de novembro e a chuva

de minha cidade temporal,

que visitas sem que ninguém saiba

e abençoas sem resposta esperada.


Todos fizeram seus versos para o poeta.

E o tempo custou a chegar

para meus versos,

afundados que jaziam no rio Itajaí,

antes da estrela da manhã

ainda que tardia,

onde os esqueci.


quando um poeta morre

os outros morrem também.


Mas nasce um canto

que fica

e fica um verso que nasce,

poeta Manuel, Leão leal.

Mas um canto de morte inteira,

Mas um verso da vida inteira.


E eu queria te dizer,

Manuel Bandeira do Brasil

e verde vale de azul anil,

que achei uma palavra fora do dicionário,

uma palavra estrelada de nome:

MANUELANCOLIA.


Clevane Pessoa

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Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado prorroga prazo de inscrições do Prêmio São Paulo de Literatura 2021

A Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado anunciou a prorrogação da 14ª edição do Prêmio São Paulo de Literatura, o maior do País em premiação individual para o gênero. Serão contemplados um autor pela categoria "Melhor Romance do Ano de 2020" e outro como "Melhor Romance de Estreia do Ano de 2020". Cada ganhador receberá um prêmio de R$ 200 mil.

Criado em 2008, o Prêmio São Paulo de Literatura tem como objetivo estimular a produção literária de qualidade, valorizar o setor e favorecer a formação de leitores e escritores, reconhecendo grandes nomes e também novos talentos.

Para concorrer, a obra deve ter sido escrita originalmente em português e ter sua primeira edição publicada ao longo de 2020. Somente obras no formato impresso, com ISBN, podem participar. Os interessados têm até às 23h59 do dia 20/09/2021.

Inscrições: https://www.premiosaopaulodeliteratura.sp.gov.br .

Edital: https://premiosaopaulodeliteratura.org.br.

Na categoria "Prêmio São Paulo de Literatura de Melhor Romance do Ano de 2020", poderão se inscrever autores que já publicaram romances anteriormente. Já na categoria "Prêmio São Paulo de Literatura de Melhor Romance de Estreia do Ano de 2020", os escritores podem ter obras publicadas em outros gêneros, desde que o livro inscrito seja o seu primeiro romance.

Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo
Assessoria de Imprensa (11) 3339-8116 / (11) 3339-8162
(11) 98849-5303 (plantão)
imprensaculturasp@sp.gov.br

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Apoio profissional a quem escreve e publica livros


 PARCEIROS DO LIVRO - Apoio profissional a quem escreve e publica livros - presta serviços de apoio, orientação e assessoria de escrita literária, acadêmica e técnica bem como serviços especializados a editoras. O objetivo é auxiliar todos os que desejam desenvolver, aperfeiçoar e divulgar a produção literária e intelectual por meio da palavra. 

Conta com equipe de profissionais de destacada atuação nos campos editorial, literário, acadêmico e científico e com comprovada experiência nas diversas etapas de escrita, edição, ilustração, publicação em livro em suporte físico ou digital e divulgação na mídia impressa e digital. 
 
Serviços: preparação do texto, pesquisa documental, orientação para elaboração de roteiro de entrevistas, leitura crítica, copidescagem, revisão textual e de normas acadêmicas, indicação de editoras, orientação para encaminhamento de originais, registro de direitos autorais e depósito legal, “ghostwriter”, autopublicação, tradução, versão e adaptação, transcrição de áudio e legendagem, gravação de audiolivro, orientação e acompanhamento para aprimorar comunicação oral e escrita, elaboração de material de divulgação e gestão de redes sociais, apoio para organização de eventos de divulgação.
 
Realiza também atividades voltadas a escritores, editores e demais profissionais do livro, além de professores e estudantes, como organização de cursos, oficinas, palestras, mesas de debates, entrevistas, recitais literários e eventos culturais. 
 
Mais informações
 
Contatos
E-mail: parceirosdolivro@gmail.com
Celular/WhatsApp: (11) 91105-4141

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Vale a pena migrar para o mercado de embalagens? / Ondas Impressas


São Paulo, 4 de agosto de 2021
– Hoje, as embalagens representam 49% de tudo o que é produzido pela indústria gráfica brasileira, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Gráfica, Abigraf. No mundo, o faturamento do segmento de embalagens já é responsável por mais de 50% da receita da indústria gráfica. Dados da consultoria americana Smithers preveem que o valor total do mercado de embalagens de papelcartão chegará aos US$ 146 bilhões em 2024.
Diante desse cenário, gráficas generalistas buscam cada vez mais alternativas em rótulos, etiquetas e embalagens de cartão, principalmente em tiragens pequenas e médias. Outras empresas, mais especializadas, que atuam no mercado editorial e promocional, começam a se aventurar na seara das embalagens, sobretudo naquelas que possam ser produzidas com algumas adaptações nos equipamentos já instalados.
Para discutir as oportunidades e, principalmente, os desafios dessa transição, os âncoras do podcast Ondas Impressas, a jornalista Tânia Galluzzi e o consultor Hamilton Costa, recebem Juliana Gonçalves, diretora de Operações da Gráfica Gonçalves, referência na produção de cartuchos, e Fábio Carvalho, diretor de Supply Chain da Printi, que durante a pandemia passou a oferecer embalagens para delivery de comida. 

O T2 #EP12 – Embalagens. Vai Encarar? já está disponível nas principais plataformas de podcast: Spotify, Amazon Music, Apple Podcasts, Google Podcasts, Deezer, Overcast, Castbox e Stitcher.

Ou então no site: https://ondasimpressas.buzzsprout.com/

Ondas Impressas

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Sobre o Ondas Impressas - O universo da impressão é o tema central do Ondas Impressas, primeiro podcast independente do setor. No canal, cujo primeiro episódio foi ao ar no dia 19 de fevereiro de 2020, a jornalista Tânia Galluzzi, que escreve sobre o setor há 30 anos na Revista Abigraf e na revista Tecnologia Gráfica, e o consultor Hamilton Costa, discutem, com a ajuda de convidados, as tendências e os desafios da indústria da impressão. Do livro à embalagem, do banner ao display de ponto de venda, do têxtil à impressão 3D, o objetivo é colaborar com o debate sobre os temas mais relevantes para o setor. 

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Francisco Weffort: acadêmico de escola e intelectual público

Faleceu Francisco Weffort, aos 84 anos, nesta fria segunda-feira, 02 de agosto. O ano de 2021 tem sido cruel para os grandes nomes das Humanidades em nosso país. Weffort foi um acadêmico de escola e intelectual público de relevância ímpar. Por isso, seu desaparecimento será sentido tanto na Ciência Política quanto na Política.
Todo o início de semestre, tenho em mãos o livro Os clássicos da política, Vol.1, organizado por ele e que serve de base para as aulas acerca de Maquiavel, Hobbes, Locke e Rousseau. Desta vez, terei que, tristemente, informar que Weffort não mais é, mas foi um professor e pesquisador de prestígio. Academicamente, seus estudos sobre o populismo, democracia, qualidade da democracia, sindicatos e política e da formação do pensamento político brasileiro são fundamentais. Foi professor na Universidade de São Paulo e, também, no exterior, lecionando em Essex (Inglaterra), Notre Dame (França), La Plata (Argentina) e no Woodrow Wilson Center (EUA). Publicou, recentemente, em parceria com José Álvaro Moisés, Crise da Democracia Representativa e Neopopulismo no Brasil, pela Fundação Konrad Adenauer. Aqui.
São de José Álvaro Moisés, as palavras na homenagem por ocasião da outorga do título de Professor Emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, da USP, em 2018: "Nesta breve saudação que me cabe fazer ao professor Francisco Corrêa Weffort, eu gostaria de enfatizar sobretudo a atualidade de alguns dos aspectos para os quais ele chamou a atenção no debate da questão da democracia nos seus livros Por que Democracia? e Qual Democracia?. Eu penso que Weffort antecipou em vários anos o debate contemporâneo da ciência política que trabalha com a abordagem da Qualidade da Democracia - hoje um tema central, por exemplo, nos congressos da Associação Internacional de Ciência Política". Depreende-se que se as reflexões de Weffort - teóricas e práticas - em relação à democracia eram atuais, em 2018, como destacou Moisés, são, hoje, atualíssimas e assaz preocupantes, dados os arreganhos autoritários que são presentes na realidade política brasileira. Weffort foi, também, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e ocupou o posto chave de Secretário Geral. Desvinculou-se do PT na década de 1990 e, após a eleição de Fernando Henrique Cardoso, foi Ministro da Cultura pelos dois mandatos de FHC e, por isso, o mais longevo ministro desta pasta no período da redemocratização.

Familiares, amigos e colegas de trabalho serão privados da convivência generosa de Weffort. A todos meus sinceros sentimentos. Nós, leitores, alunos ou orientandos, teremos sempre, nas estantes de nossas bibliotecas e na memória, suas obras e o exemplo de sua conduta como intelectual público, um democrata assentado em valores republicanos e aberto ao diálogo.

Rodrigo Augusto Prando
é professor e pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Graduado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp. 

Sobre a Universidade Presbiteriana Mackenzie 

A Universidade Presbiteriana Mackenzie está na 103º posição entre as melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa QS Quacquarelli Symonds University Rankings, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação. Possui três campi no estado de São Paulo, em Higienópolis, Alphaville e Campinas. Os cursos oferecidos pelo Mackenzie contemplam Graduação, Pós-Graduação Mestrado e Doutorado, Pós-Graduação Especialização, Extensão, EaD, Cursos In Company e Centro de Línguas Estrangeiras. Em 2021, serão comemorados os 150 anos da instituição no Brasil. Ao longo deste período, a instituição manteve-se fiel aos valores confessionais vinculados à sua origem na Igreja Presbiteriana do Brasil. 

Informações 

Assessoria de Imprensa Instituto Presbiteriano Mackenzie
imprensa@mackenzie.br
(11) 2766-7280
Celular de plantão: (11) 98169-9912

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Consumidores preferem embalagens de papel

Com as lojas físicas fechadas durante a pandemia, o boom das compras online resultou em um número recorde de embalagens chegando às portas dos consumidores. Junto com toda essa mercadoria, veio uma crescente consciência dos materiais usados para embalar e despachar os produtos e o impacto que esses materiais têm no meio ambiente. Uma nova pesquisa encomendada por Two Sides e conduzida pela empresa de pesquisa internacional Toluna descobriu que os consumidores no Brasil e no mundo acreditam que a embalagem à base de papel é melhor para o meio ambiente do que outros materiais de embalagem.

Papel: a escolha de embalagem preferida e sustentável

Os participantes da pesquisa foram solicitados a classificar seu material de embalagem preferido (papel/cartão, plástico, vidro e metal) com base em 15 atributos ambientais, estéticos e práticos. No Brasil, dos 15 atributos, o papel/cartão foi o favorito para 12 deles, o vidro foi o mais votado para 2, o metal para 1 e o plástico, 0. 54% dos respondentes acham que elas são melhores para o meio ambiente, 57% mais fácil de reciclar e 60% mais barata.

Os consumidores norte-americanos também preferiram embalagens de pape/papelão em outros atributos ambientais, incluindo ser compostável em casa (65%) e mais fácil de reciclar (44%). 55% dos consumidores britânicos preferem embalagens baseadas em papel como melhores para o meio ambiente,  51%  por serem mais fáceis de reciclar e  77%  por serem compostáveis em casa.

Os consumidores exigem que marcas e varejistas façam mais

Marcas e varejistas desempenham um papel crucial na em promover a inovação e o uso de embalagens recicláveis. Em resposta à crescente pressão do consumidor para operar de forma mais sustentável, marcas e varejistas em muitos setores, de vinhos, destilados e refrigerantes a doces, cosméticos e roupas, estão mudando de embalagens de plástico para papel.

No Brasil a pesquisa descobriu que 58% dos consumidores estariam dispostos a evitar um varejista que não esteja tentando reduzir o uso de embalagens de materiais não recicláveis. 67% comprariam mais de varejistas que removessem o plástico de suas embalagens. Na América do Norte a pesquisa descobriu que 49% dos consumidores comprariam mais de marcas e varejistas que removem plástico de suas embalagens e 39% considerariam evitar um varejista que não está ativamente tentando reduzir o uso de embalagens não recicláveis. Já no Reino Unido, os consumidores estão dispostos a agir se não acharem que um varejista está fazendo o suficiente para se tornar mais sustentável. 42% dos consumidores britânicos considerariam evitar um varejista que não estiver tentando reduzir o uso de embalagens não recicláveis. Parte desses consumidores é considerada millennial (51%). Outros 52% dos consumidores do Reino Unido comprariam mais de varejistas que estão removendo plástico de suas embalagens.

Quem deve ser responsável pela redução do desperdício de embalagens descartáveis?

À medida que consumidores, empresas e governos procuram maneiras de criar uma economia circular mais sustentável, os resíduos de embalagens descartáveis, especialmente em ambientes marinhos, ganharam um grande foco. Quando os consumidores foram questionados sobre quem tem a maior responsabilidade pela redução do uso de embalagens não recicláveis e descartáveis, mais de um terço dos norte-americanos (36%) disse que os indivíduos são os principais responsáveis, enquanto 23% acreditam que cabe às marcas e varejistas, 23% acreditam que cabe aos fabricantes de embalagens e 18% acreditam que é responsabilidade do governo. No Brasil 43% acreditam que o indivíduo tem mais responsabilidade, seguido por 16% que acreditam que a maior responsabilidade é das marcas, varejistas e supermercados.

Sobre Two Sides

Two Sides é uma organização global, sem fins lucrativos, criada na Europa em 2008 por membros das indústrias de base florestal, celulose, papel, cartão e comunicação impressa. Two Sides, a mais importante iniciativa do setor, estimula a produção e o uso conscientes do papel, da impressão e das embalagens de papel, bem como esclarece equívocos comuns sobre os impactos ambientais da utilização desses recursos. Papel, cartão e papelão são provenientes de florestas cultivadas e gerenciadas de forma sustentável. Além disso, são recicláveis e biodegradáveis.

Sobre a pesquisa

Em janeiro de 2021, um estudo global com 8.800 consumidores foi encomendado por Two Sides e conduzido pela empresa independente de pesquisa online Toluna. No Brasil, a pesquisa foi realizada com 1.000 consumidores entre 18 e 55 anos. 37% homens e 63% mulheres.

https://twosides.org.br/

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54 ANOS DA ABIGRAF - REGIONAL RIO GRANDE DO SUL

 Hoje - 28 de julho - data importante para a Associação Brasileira da Indústria Gráfica, Regional Rio Grande do Sul, que está completando 54 anos de trajetória! Fundada em 1967, a Abigraf-RS foi o primeiro braço estadual da entidade Nacional.
Desde então, cumpre o seu dever de representar e defender os interesses da Indústria Gráfica, promovendo oportunidades de desenvolvimento a seus associados, valorizando a comunicação impressa e incentivando a união entre as empresas e empresários. Parabéns empresários gráficos do Rio Grande do Sul. 

https://www.abigraf-rs.com.br/


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