No século XIX, na Europa, já existiam edições baratas, como as da editora alemã Tauchnitz e a inglesa Routledge’s Railway Library, com publicações voltadas para viajantes, mas o "boom" veio depois, em 1931, com a editora alemã Albatross Books, em 1935, com a editora britânica Penguin Books, e, em 1939, com a americana Pocket Books. Durante a Segunda Guerra Mundial, estima-se que a Alemanha tenha queimado mais de cem milhões de livros. As forças aliadas, por sua vez, apostaram no poder de entretenimento dos livros, para que seus soldados suportassem melhor a guerra, e decidiram, então, enviar-lhes companheiros literários. Foi assim que o livro de bolso, na época batizado de “Edições para as Forças Armadas” ganhou escala, com tamanho e peso reduzidos, para que os soldados pudessem guardá-los nos bolsos dos uniformes ou em suas mochilas. Os livros de bolso – até hoje – sofrem preconceito por parte de muitos: autores, editores, livreiros e leitores. As razões? Muitas. Listá-las, algo impossível. Já escutei de tudo. Na minha opinião nada conclusivo, que justifique a aversão.
O tipógrafo Aldo Manuzio imprimiu cerca de 150 títulos. Inovou suas edições com o uso da letra cursiva, estilo de escrita manual. Desenvolveu o conceito de coleções temáticas, de identidade e coesão visual para livros. Contribuiu para a padronização do uso da pontuação, incluindo a vírgula e o ponto e vírgula e, criou, ainda, um Conselho Editorial, responsável pelas diretrizes básicas de suas publicações. Em 1494, em Veneza, junto com o tipógrafo e editor italiano Andrea Torresano (1451 – 1528), fundou a Aldina Press (Prensa Aldina), onde foram publicadas as célebres edições aldinas dos clássicos. A Prensa Aldina é famosa na história da tipografia, entre outras coisas, pela introdução do itálico. Aldo Manucio dedicou a parte final de sua vida à publicação e disseminação de textos raros e à preservação de manuscritos gregos. Acreditava que obras de autores como o filósofo Aristóteles e o dramaturgo Aristófanes, em sua forma original em grego, eram mais puras e fiéis, sem as interferências de traduções. Tudo isso lhe rendeu respeitabilidade como editor e tipógrafo e um lugar de destaque na história do livro.
João Scortecci
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