NEI DUCLÓS, UM POETA QUE SEGUE FIRME NA POESIA / Rubens Jardim

Jornalista, poeta e escritor, Nei Duclós começou a revelar sua poesia a partir de 1969, quando foi para praça pública expor poemas junto com outros autores. Desses trabalhos resultaram 2 coletâneas mimeografadas—desaparecidas e esgotadas. Só depois, em 1975, fez sua estréia em livro com Outubro, que despertou a atenção de críticos e o interesse de leitores. Alguns anos mais tarde, em 1980, surgiu No Meio da Rua, livro que recebeu as bênçãos e o prefácio de um dos poetas mais conhecidos e queridos do Brasil: Mário Quintana.

E após um silêncio poético de 20 anos,-- e uma intensa atividade jornalística desenvolvida na Folha, Isto é, Estadão, Veja e Jornal do Brasil, -- publicou No mar, veremos, livro que foi saudado assim, pelo poeta e crítico Mário Chamie: “Bastaria essa esplêndida concepção artística para situar Nei Duclós entre os mais consistentes poetas brasileiros, dos anos 70 aos nossos dias. Uma concepção que, despontada no seu livro de estréia, Outubro (1976), firma-se em No meio da rua (1980), nutre-se por vinte anos de silêncio e maturação, e consagra-se com força autônoma neste livro de agora. Podemos dizer que o vigor dos novos poemas não assegura apenas ao seu autor o lugar que lhe é de direito, no panorama de nossa atual poesia, mas sobretudo dita a singularidade de seu compromisso com as exigências maiores e incorruptíveis do discurso poético.”

A POESIA VAI AO ENCONTRO DO POVO / Rubens Jardim

Se a poesia nasce de um desencontro jamais resolvido e essa é a maneira de ela se projetar para adiante, como disse a poeta Maria Lúcia dal Farra, só podemos aplaudir a criação e a realização da coleção Poesia Viva, publicada pelo Centro Cultural São Paulo. A idéia, do poeta e curador Claudio Daniel, não poderia deixar de vir senão nessa direção: projetar para adiante e colaborar para que esse desencontro vire um encontro.
E pelo interesse demonstrado, isso já vem acontecendo de forma sistemática. Eu mesmo testemunhei isso, entre surpreso e feliz, é claro. Afinal, jamais poderia imaginar, após mais de 40 anos de atividades nessa área, que a plaquete Fora da Estante, de minha autoria, iria desaparecer e esgotar mil exemplares em menos de 15 dias. Aí fiquei pensando com meus botões --e os do Mino Carta: “será que virei um best-seller da poesia?”.

A terra nos é estreita / Por Rubens Jardim

"A terra nos é estreita" é a primeira antologia do poeta palestino Mahmoud Darwish publicada no Brasil (São Paulo: Edições Bibliaspa, 2012), com tradução e estudo crítico de Paulo Farah, professor de língua e literaturas árabes na Universidade de São Paulo. Considerado um dos mais representativos poetas de língua árabe do século XX e até há pouco tempo quase desconhecido em nosso país, exceto pela publicação de alguns poemas na antologia Poesia Palestina de Combate e na revista Zunái.

Publiquei também, em 2009, em meu blog, matéria sobre esse poeta considerado por José Saramago como o maior poeta vivo do mundo. Darwish morreu em agosto de 2008. Tinha 67 anos e uma vida de lutas em favor da Palestina. Foi laureado com o prêmio Lenin da extinta-URSS, era cavaleiro das Artes e das Letras pela França, e recebeu em Haia o famoso prêmio Príncipe Claus pelo "conjunto de sua obra".

UM MENINO JESUS SEM MOLDURAS E SEM ALTARES / Rubens Jardim

O nosso poeta maior, Carlos Drummond de Andrade, dizia “teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança.” E como dezembro é o mês em que comemoramos o nascimento da criança mais célebre da humanidade, o menino Jesus, resolvi abrir este espaço para o Natal.

E para iniciar as celebrações natalinas, escolhi um poema de Alberto Caeiro --um dos heterônimos de Fernando Pessoa--gênio literário que só foi plenamente reconhecido após a morte, ocorrida há 77 anos, no dia 30 de novembro. Em vida, Pessoa publicou apenas um livro, Mensagem (1934), que ganhou o prêmio de "segunda categoria" do Concurso Antero de Quental. O vencedor de "primeira categoria" foi Vasco Reis, com o livro Romaria. O que deixa claro que as avaliações críticas quase sempre não conseguem dar conta do recado. Aliás, será que existe alguém, hoje, que sabe quem é Vasco Reis?

A Poesia, para mim, é como uma visita inesperada / Rubens Jardim

HELENA KOLODY (1912-2004) poeta paranaense, professora e presença atuante no meio cultural, foi a primeira mulher brasileira a publicar haicais. No seu primeiro livro, Paisagem Interior(1941),  entre os 45 poemas estavam 3 haicais. O mais conhecido era este: Arco-íris/ Arco-íris no céu./Está sorrindo o menino/Que há pouco chorou/. Já nesse livro de estreia, com poemas voltados aquilo que está mais oculto em cada ser, Helena conquista o prêmio de poesia no Concurso Nacional dos Homens de Letras do Brasil. Admirada por Drummond e Leminski, deixou vasta e expressiva obra poética, que merece ser conhecida e divulgada.

São mais de dezoito livros que foram reconhecidos e aplaudidos por poetas e críticos como Tasso da Silveira, Walmir Ayala, Andrade Muricy e muitos outros. Pra se ter uma idéia da importância e da dimensão da linguagem dessa poeta, ai vai o depoimento de Paulo Leminski, em artigo que aborda o lançamento de Sempre Palavra (1985): “Santa Helena Kolody –padroeira da poesia em Curitiba—acaba de fazer mais um milagre. Chama-se Sempre Palavra; tem apenas cinquenta páginas e uns quarenta pequenos poemas. Mas tem luz para iluminar esta cidade por todo um ano...Helena passou esses anos todos meio intocada pelas novidades que fervilham no eixo Rio-São Paulo, alquimista mergulhando sozinha até a essência do seu livro, até o momento em que, como diz, o carbono acorda diamante”.

A POESIA PRECISA E PRECIOSA DE JORGE DE LIMA / Rubens Jardim

Há 39 anos , quando publicamos Jorge, 80 anos e organizamos o Ano Jorge de Lima, (que teve a colaboração de Luiz Carlos Mattos e Malu de Alencar) nosso objetivo era um só: trazer à tona a obra daquele que foi considerado por Mário de Andrade como um dos casos mais apaixonantes da poesia brasileira. Sem apoios oficiais ou oficiosos, tivemos a sorte de sensibilizar grande parte da mídia e contar com a boa vontade --e até mesmo a colaboração de poetas, críticos e escritores como Drummond, Cassiano Ricardo, Menotti del Picchia, Raduan Nassar, Álvaro Alves de Faria, Stella Leonardos, entre outros.

O INL também aliou-se ao movimento e algumas editoras sentiram-se motivadas em reeditar seus livros. Para se ter uma idéia das dimensões do Ano Jorge de Lima, das suas repercussões e dos seus resultados, basta registrar que Jorge de Lima foi o tema do samba-enredo da Mangueira no desfile de carnaval de 1975. Anos depois, outra escola de samba carioca, a Mocidade Independente, também resolveu homenagear o poeta Jorge de Lima e levou para o sambódromo O Grande Circo Místico.

O AMOR E A POESIA SÃO AS ÚLTIMAS TRINCHEIRAS CONTRA A ANESTESIA GERAL DAS CONSCIÊNCIAS E A DOMESTICAÇÃO / Rubens Jardim

Ainda que pouca gente saiba, o amor e a poesia são as últimas trincheiras contra a mercantilização de tudo –inclusive das pessoas. Mas não é fácil visualizar com clareza essa questão. Afinal, existe toda uma orquestração que procura disfarçar o aspecto revolucionário do amor e da poesia. E não adianta dizer que o amor é pros trouxas e pros otários e o sexo é pros espertos.

É preciso não esquecer que o amor proporciona um contato revitalizador entre as pessoas, potencialmente transformador, já que os apaixonados são desobedientes e menos susceptíveis às barganhas e às propostas de renúncia da liberdade em troca de segurança. Os apaixonados estão na chuva pra se molhar , pois o amor potencializa os amantes para a rebeldia e para a criação. Aliás, amor e poesia sempre andaram de mãos dadas.

Sobre Rubens Jardim

Rubens Jardim, 66 anos, jornalista e poeta. Publicou poemas em diversas antologias no Brasil, na Itália, no Uruguai e na Espanha.

É autor de três livros de poemas: Ultimatum (1966), Espelho riscado (1978) e Cantares da paixão (2008). Promoveu e organizou o Ano Jorge de Lima (1973) e publicou Jorge, 8O anos.

Integrou o movimento Catequese poética (1964), cujo lema era “O lugar do poeta é onde possa inquietar. O lugar do poema são todos os lugares”.

Participou da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília (2008) com poemas visuais, no Museu Nacional e na Biblioteca Nacional. Faz leitura pública de poemas, está presente em vários sites e possui o seu próprio espaço virtual.

Rubens Jardim
re.jardim@uol.com.br

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