A própria história é, em “essência, interdisciplinar”. E compreender os fatos é, antes de mais nada, contextualizar o passado historiado no presente (BAIRON, 2002). A história da cultura mostrou ao longo do tempo, que o mundo cultural é uma colcha de retalhos tecida por diferentes linguagens e, conseqüentemente, diferentes áreas do conhecimento. No âmbito da educação não tem sido diferente. As discussões propostas pelos PCNs, ao inserir os Temas Transversais nos conteúdos ensinados pelos professores das diferentes disciplinas, a fim de promover uma educação para a cidadania, abriram caminhos para que a interdisciplinaridade também se configurasse como uma prática a ser realizada em sala de aula. Estas inovações tendem a questionar as aprendizagens monolíticas, positivistas e fragmentadas que configuram o quadro educacional construído ao longo do tempo.
Segundo Fazenda (2002), as pesquisas que apontam para a interdisciplinaridade surgem desde a década de 70, junto às reformas ocorridas na educação brasileira. Neste período, ainda como preocupação periférica, já se discutia sobre o tema “interdisciplinar”, uma vez que nas discussões sobre práticas pedagógicas, buscavam-se propostas que pudessem contribuir para a modificação da organização curricular e, conseqüentemente, do modo como se aprende na escola. A partir de então, nas décadas subseqüentes (entre 80 e 90), as questões acerca da interdisciplinaridade passam a tornar-se cruciais nos discursos governamentais e legais.
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