Escritores, a hora da união / A. P. Quartim de Moraes

Os cerca de 400 escritores de todo o País que participaram do Congresso Brasileiro de Escritores promovido em Ribeirão Preto, de 12 a 15 de novembro, pela União Brasileira de Escritores (UBE), certamente regressaram para casa felizes com o clima de camaradagem que reinou nos quatro dias do evento e animados com os debates que dominaram as dezenas de palestras, oficinas e mesas-redondas realizadas ao longo da variada programação. Foi um primeiro passo de inegável importância no projeto da UBE de resgatar as melhores tradições de combatividade dos escritores brasileiros na defesa de seus interesses e na luta cada vez mais árdua por espaço para a literatura brasileira no mercado editorial.

É o fim do livro? Rir para não chorar

Estadão - 16.07.2010 - A. P. Quartim de Moraes - O desenvolvimento da tecnologia digital e da internet são uma ameaça ao livro? Essa questão seria fascinante se não fosse falsa. O que é, afinal, que estaria com os dias contados? O objeto livro, o livro impresso em papel, na forma que o conhecemos há mais de meio milênio? Em Não Contem com o Fim do Livro (Record, 2010, tradução de André Telles), dois famosos bibliófilos e colecionadores de obras raras, o semiólogo e escritor italiano Umberto Eco e o roteirista de cinema e escritor francês Jean-Claude Charrière, colocam inteligência, erudição e bom humor a serviço do esclarecimento dessa momentosa questão, mediados pelo jornalista e ensaísta francês Jean-Philippe de Tonnac.

Distorcendo a distorção / A. P. Quartim de Moraes

Estadão - 02.09.2009 - Honrou-me Sua Excelência o ministro da Cultura, Juca Ferreira, com simpática carta pessoal a respeito do artigo publicado nesta página sob o título Onde reside o perigo (4/8). Considerando o interesse público do conteúdo, respondo publicamente. Valendo-me do "gancho" do evento de lançamento do Vale-Cultura, tratei naquele texto da nova lei de incentivo à cultura em tramitação no Congresso, chamando a atenção para o perigo representado pela indefinição de critérios para a aprovação tanto de projetos incentivados pela renúncia fiscal quanto dos investimentos diretos por meio do Fundo Nacional de Cultura, que deverão predominar da nova lei, minimizando, em tese, as distorções da Lei Rouanet.

O mercado de livros e a literatura em risco / A. P. Quartim de Moraes

Os fundamentalistas do mercado estão acabando com a literatura no Brasil, principalmente com os autores nacionais. Premissa maior: produto que não vende não vai para o mercado. Premissa menor:  literatura de ficção não vende; brasileira, menos ainda; autor estreante, então, nem pensar. Síntese, ou conclusão: livro de ficção, tô fora! As premissas são  discutíveis, mas a conclusão reflete uma realidade palpável, uma tendência marcante no mercado de livros no Brasil e no mundo. Não vai acontecer amanhã, nem certamente na próxima década. Mas, mais cedo do que tarde, e mais cedo ainda num país culturalmente frágil, como o Brasil, por causa do desinteresse comercial de editoras e livrarias  a literatura estará inapelavelmente confinada aos sebos, aos saites internéticos e aos domínios de bibliófilos.

Fala, Thiago! / A. P. Quartim de Moraes

Estadão - Opinião - 08.07.2009 - A. P. Quartim de Moraes

Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no
homem como a palmeira
confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar
confia no campo azul do céu.

Artigo IV de Os Estatutos do Homem, de Thiago de Mello

O grande poeta Thiago de Mello protagonizou com o habitual brilho, no último dia 28, o encerramento da 9ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, evento definitivamente consagrado na agenda cultural brasileira - é, depois da de Porto Alegre, a maior feira de livros do País em espaço aberto. O Amazonas, terra natal do poeta, era o Estado homenageado deste ano.

Após o ato que lotou o Teatro Pedro II, o jornalista e escritor ribeirão-pretano Galeno Amorim, batalhador da causa do livro, idealizador daquele evento e patrono de sua nona edição, chamava a atenção para o fato de que Thiago de Mello havia pontilhado sua palestra com reiteradas referências à ética como valor essencial no comportamento humano.

Certamente não era a intenção imediata do bardo amazonense, mas o recado cai como uma luva, neste exato momento, para as instituições representativas do mundo do livro no Brasil. Aos fatos.

Em dezembro de 2004 o governo federal isentou do recolhimento de PIS e Cofins toda a cadeia de produção do livro. As entidades mais representativas do setor assinaram o compromisso de contribuir, em contrapartida, com 1% de seu faturamento para um fundo a ser criado com o objetivo de investir no incentivo à leitura no País. E prometeram discutir e apresentar uma proposta para a formação desse fundo, então batizado de Fundo Pró-Leitura.

Nestes quatro anos e meio, a desoneração fiscal rendeu a economia de algumas centenas de milhões de reais para editoras, distribuidoras e livrarias. E até agora nenhuma providência concreta foi adotada pelas entidades competentes para discutir - que dirá criar! - o tal fundo prometido.

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