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| A Educação no Reino do Pau Brasil / João Scortecci
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A Educação, velhinha lúcida e simpática, anda perdendo o seu lugar na fila. Ela conhece seus direitos, exige respeito, reclama quando é enganada, sabe melhor do que ninguém do seu valor e importância no destino do Reino. Quando criança cuida de crianças, ainda adolescente, não desgruda um só segundo do seu rebanho - sabe que é nesta época que as coisas costumam se complicar e já adulta - Senhora e Mãe, dá conselhos, orienta, relembra, ensina o caminho do conhecimento. |
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| Por que o livro é caro no Brasil / João Scortecci
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Pergunta certa, previsível e inevitável quando o assunto é o livro no Brasil. Na verdade o raciocínio é simples: tiragens reduzidas – vende-se pouco – para custos de produção altos e complexos. O Papel, proporcional a tiragem, representa em média 7,5% do preço de capa. As tiragens – delta da questão – são em média pequenas e caras, sem força de escala para reduzir preços e baixar o valor unitário. |
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| A Importância da Leitura / João Scortecci |
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Ler é importante.
Até os que não praticam o “ler é importante” reconhecem o seu valor como modelo eficiente na busca do conhecimento individual e também coletivo, essencialmente universal. Hoje existem diversas outras maneiras também eficazes para a obtenção do conhecimento, mas a leitura é ainda o melhor dos caminhos. O hábito, do qual tanto se fala como necessidade para o gosto pela leitura, lembra o de um corpo que aos poucos vai ganhando, com exercícios, o que chamamos de condicionamento físico. Ler também é divertido. Ou não é? A leitura de um bom livro lembra paixão. Um bom livro não se larga, não se abandona, não se esquece. É assim que paixão vira amor. O início – como tudo na vida – não é fácil. É preciso vontade. Opções mais sedutoras acabam nos levando para o menos trabalhoso. O pecado da preguiça opera desculpas e faltas disso e daquilo, provocando em nós o aparecimento do que chamamos de silêncio cultural.
Silêncio cultural é a mesma coisa que falta de conteúdo. Corremos o risco de uma geração que só lê manchetes e links, que nem sempre, em sínteses, expressam o cerne da questão. Antes que eu esqueça, do que deve ser lembrado, é que o tal hábito da leitura passa pelo esforço das partes (mercado, profissionais do livro e governo) e de todos os agentes (professores, intelectuais e leitores). |
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| Autopublicação e Revolta de Gutenberg / João Scortecci |
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"Autopublicação" é a palavra da moda. Mais uma!
Nos anos 70 os escritores que hoje procuram a Autopublicação eram chamados Marginais, depois Independentes. Nos anos 1980 e 90 ganharam o rótulo de Alternativos. Não importa a bandeira ou o cajado, eles existem e se multiplicam no Brasil e no mundo, no que venho chamando de "A Revolta de Gutenberg". Nos anos 70, do século passado, formavam grupos e se dividiam em pequenos movimentos. Hoje o individualismo é o perfil e a sentença. O marketing pessoal de estilos se sobrepõe ao assunto e à obra. O fenômeno atinge não só os novos que buscam oportunidades e espaço, mas também aos profissionais liberais (advogados, médicos, professores e outros) que encontram na Autopublicação, excelente ferramenta para alavancar suas carreiras e ganhar dinheiro. |
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| Dicas para quem pretende escrever um livro / João Scortecci
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Uma pergunta inevitável que um dia acontece na vida de um escritor de sucesso, de um professor de literatura, de um crítico literário e na carreira de um editor de livros. Qual o segredo para escrever um bom livro? Antes de pontuar obrigo-me a registrar o que me parece essencial: criatividade, talento e persistência. Sem sinergia e fusão destes elementos não vejo qualquer possibilidade de sucesso e êxito.
Lygia Fagundes Telles quando nos fala sobre a arte de escrever inspira: “Rasgar, rasgar e rasgar. Eu rasguei muito.” Hoje, com o advento da ferramenta computador poderíamos dizer que o exercício de “Deletar, deletar e deletar...” explica com ciência e razão aquilo que a dama da literatura brasileira nos ensina como segredo.
Vamos às dicas:
Ser um leitor. Um ótimo leitor. Um leitor voraz e dedicado. Se o objetivo é um romance concentre-se no gênero. Literatura brasileira e estrangeira. Faça uma boa busca em sebos e bibliotecas e você encontrará escritores que o aguardam. No exercício da leitura observe com atenção o primeiro parágrafo de uma obra, como cada autor começa a sua aventura, o trejeito com que ele trabalha os diálogos, pontua um fato e registra com delicadeza o fio condutor de sua história.
A entrada em cena de cada personagem – principal ou coadjuvante – precisa receber do autor uma carga inicial de energia. Quando o autor não o faz corre o risco de perder o leitor. O encanto tem que ser de imediato. Empatia pura. Quando o personagem mostra a sua alma passa a ser um coautor e um aliado do próprio criador. Ele puxa e pede, de direito, o seu espaço na história. É comum em um romance um personagem secundário ganhar fôlego e seguir em frente no seu tempo além o planejado no roteiro inicial. |
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| EU SOU UM LIVRO / Para José Ephim Mindlin |
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Eu sou um livro.
Um exemplar do romance de nome Memórias Póstumas de Brás Cubas, do escritor Joaquim Maria Machado de Assis que nasceu no dia 21 de junho de 1839 e morreu em 29 de setembro de 1908, considerado o maior nome da literatura brasileira.
Fui impresso no ano de 1881, nas Oficinas da Tipografia Nacional, na Cidade do Rio de Janeiro.
Tenho pouco mais de 127 anos, muitas páginas e uma belíssima encadernação de luxo. Uma unanimidade em primeira edição com autógrafo e dedicatória em bico de pena. Estou catalogado no acervo da biblioteca de um importante bibliófilo apaixonado por leitura.
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