NA JUSTIÇA SOCIAL, EXISTE O FIEL DA BALANÇA? / Prof. José Breves Filho

Na Constituição brasileira, a Educação, a Saúde e a Segurança pública aparecem como DEVER do Estado e DIREITO do cidadão, por isso é relevante saber como vão essas bandeiras políticas tão desfraldadas, em época de eleição. Em vista disso, pretendo apresentar, como contribuição a um processo de conscientização do leitor, alguns textos que têm uma visão política-apartidária.

Sabemos que o mundo é comandado por aquelas pessoas que conhecem e usam a linguagem das letras. Assim sendo, o domínio da leitura e da escrita tem um valor positivo, por isso o indivíduo, que não tem essas habilidades, é excluído. Isso precisa ser dito e repetido com todas as letras, porque a linguagem escrita é uma ferramenta de poder, para os doutos em uma cultura letrada. É também o maior e melhor recurso para ser utilizado na libertação dos oprimidos e dos excluídos.

O que seria de mim, sem você? / Prof. José Breves Filho

O que seria de minha vida, sem o seu sorriso?
O que seria dos meus dias, se eu não tivesse, na lembrança, a doçura desse seu olhar?

O que seria de mim, sem os desencontros, as desilusões e o desamor? Eu não saberia valorizar a paz deste momento.
O que seria do céu, sem uma estrela de sua grandeza?

RESSONÂNCIA INTERIOR / Prof. José Breves Filho

Hoje, ganhei um presente de minha parceira de amor, ideário e luta: um adesivo para colocar no vidro traseiro do carro. Nele, aparecem o contorno do Brasil e a seguinte frase: AINDA MUDO ESTE PAÍS - SOU PROFESSOR. O que traz o adesivo e a atitude dela (lembrou-se de mim, assim que o viu pela primeira vez) emocionaram-me não só pela singeleza do ato, mas também pela importância dessas palavras.

Para mim, a criação desse adesivo manifesta um momento ímpar de felicidade, já que ele traduz a sedimentação de uma consciência transformadora. Há uma energia positiva nessas palavras que transcende qualquer análise superficial (até mesmo, a dos incrédulos e dos descomprometidos que dizem: “Mas que pretensão!”...), pois revela um compromisso dos que vêem a Educação como a única possibilidade de transformação de uma sociedade. Sendo assim, o adesivo representa um grito contido em minha garganta e a certeza velada em meu peito, em decorrência do descaso das autoridades de nosso país.

EDUCADO(A) PARA SOBREVIVER OU AMAR? / Prof. José Breves Filho

Comecei, cedo, a ouvir várias pessoas, escutar suas histórias para, dessa forma, poder entender melhor o ser humano. Convém ressaltar que tomei conhecimento de lindas histórias de superação, mas também muitas escabrosas em que os participantes eram capazes de atitudes inomináveis. Meu olhar analítico me fez compreender que, apoiados nessas sagas, podemos classificar os seres humanos em dois grandes grupos: aqueles que são educados para a sobrevivência e os educados para o amor.

Os primeiros, conhecemos bem, já que podemos tipificá-los da seguinte forma: pensam só neles mesmos; são oportunistas e vaidosos; e gostam de levar vantagem em tudo o que fazem; têm, como lema de vida, os fins justificam os meios. Lamentavelmente, estão presentes em todos os lugares, quer dizer, em nosso local de trabalho, nos condomínios em que moramos, nas repartições públicas que freqüentamos, enfim... eles infestam nosso dia-a-dia. Conseguimos percebê-los sem muito esforço, pois são autoritários e invejosos.

A LEITURA E A ESCRITA: O CALCANHAR-DE-AQUILES DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA? / Prof. José Breves Filho

Na escola brasileira, a leitura tem sido objeto de muita crítica dos estudiosos que vêem, nas concepções de texto e leitura, subjacentes às práticas de sala de aula, uma das causas da desmotivação e do desinteresse do aluno. Nós, professores, nos queixamos da falta de leitura por parte dos alunos e também da dificuldade de formar leitores.

Por isso, defender a educação pela leitura e estimular o interesse pela literatura, ainda se apresentam como grandes desafios no contexto educacional atual. No entanto, quando se fala de literatura, a referência é não (ou não deveria ser) apenas à literatura dos clássicos, mas também a inúmeros gêneros de texto, que representam diferentes formas de expressão, tais como: contos, editoriais, crônicas, resenhas, poesias, letras de músicas etc.

CADÊ ALICE?... AQUELA QUE FALAVA DE UMA CIDADE BELA?! / Prof. José Breves Filho

Recentemente, uma pesquisa de um programa de TV apontou esta cidade como a segunda capital do Brasil mais suja. Não vi e nem soube de nenhuma iniciativa por parte do governo do município, para modificar esse quadro dantesco, visto que o turismo é uma fonte de renda da região.

Embora entenda que a inércia e o marasmo engendram as relações nas três esferas de poder (município, estado e união), não me conformo com a falta de responsabilidade social de alguém que se diz progressista com preocupações socialistas e pouco faz para transformar um cenário caótico, no qual não ter nada significa bem mais do que não possuir uma moradia, um emprego.

PERGUNTAR NÃO OFENDE, NÃO É?... QUE PAÍS É ESSE? / Prof. José Breves Filho

Um amigo me disse que, em nenhum outro espaço profissional, se fala tanto de transformação, como se fala na Educação. Todavia, se levarmos em consideração o estágio no qual se encontra a Educação no Brasil, constataremos que, nessa área, mudanças não são bem-vindas.

Para pincelar esse quadro surrealista com cores fortes, temos um teste (o ENEM) que deveria avaliar o desempenho dos alunos do Ensino Médio. No entanto, avaliar o quê? Bom, pela elaboração da última prova, consegui mensurar a incompetência de uma banca que fez uma prova de Língua Portuguesa, sem mostrar saber a diferença entre assunto e tema: um pré-requisito importante para a produção de bons textos dissertativos. A mesma banca que, também, não demonstra saber quais são os limites da compreensão e da interpretação, quando propõe a leitura de um texto. Sem esses limites, a interação, que se estabelece no processo de leitura, está, completamente, comprometida.

UM COMPROMISSO COM A ETERNIDADE / Prof. José Breves Filho

É natal!... sentados à mesa de um restaurante, eu e ela degustamos a saborosa comida chinesa. E você, no seu carrinho em nossa frente... Observo, atentamente, seus olhos correndo de um lado a outro, na tentativa de acompanhar os movimentos (repetidos) dos peixes, no aquário à esquerda.

Lá fora, há uma euforia estéril. Fico sem compreender o que se passa, pois penso que, em cada um, deveria haver um propósito de reflexão, isto é, de avaliar o tempo vivido. Todavia, é natal!...

Aqui, hesito entre as delícias que me transportam para o mundo dos glutões e as lembranças incríveis que me levam para bem longe, perto de parentes e amigos em minha terra natal. Natal, mais uma vez lembrou-me nascimento, fortalecimento de laços e, também, congraçamento.

A alquimia da palavra: uma angústia num processo sofrido / Prof. José Breves Filho

Dizem que o intento dos poetas é tocar os corações humanos, todavia eu gostaria de ser Mallarmé, Verlaine ou Rimbaud, para despir a palavra de seu referencial, isto é, do seu sentido e, assim como música, poder chegar à alma humana.

Dessa forma, eu construiria uma poesia de entranhas que revelasse todo o segredo do ser, já que as palavras cotidianas, tão áridas e surradas pelo uso, não conseguem fazê-lo.

Que Cristãos Somos Nós? / Prof. José Breves Filho

Vamos repensar o que dizemos normalmente, mais que isso... vamos rever nossos julgamentos e avaliações. É importante lembrar que temos uma tendência a pedir punição para aquela pessoa que, por uma razão ou outra, foge ao padrão de comportamento, no grupo social ao qual pertencemos. Mas será uma punição o que essa pessoa merece ou precisa? Não estaria ela pedindo, do seu jeito (isto é, a seu modo), uma ajuda para solucionar alguns problemas, que não consegue verbalizar?

Bom, se pensarmos assim, nossa atitude será bem diferente, quer dizer, será a de acolher o outro, ainda que, num primeiro instante, esse acolhimento represente um desafio à nossa tolerância, à nossa paciência e, até mesmo, à nossa capacidade de recomeçar com o outro, ou melhor, de dar-lhe uma nova oportunidade.

Carta à Imperatriz / Prof. José Breves Filho

Querida Mãe

Cheguei, ontem, a São Luiz, para participar da Semana de Letras, na UFMA. Pretendo, é claro, ir vê-la, já que faz um bom tempo que não tenho essa oportunidade.

Mãe, uma vez quando falei a um colega de trabalho sobre você, ele foi me dizendo que você não era a minha verdadeira mãe, visto que não nasci aí. Para ser mais preciso, nasci e fui criado na Cidade do Rio de Janeiro, cantada em verso e prosa pelos poetas. Confesso que não gostei da atitude desse meu ex-candidato a amigo, querendo desmerecer a sua importância e o seu papel na minha vida. Na verdade, você me adotou em junho de 1984 e me acolheu com o calor que só as mães amorosas têm.

Uma Relação Lúdica / Prof. José Breves Filho

Começo este artigo com o cuidado de quem não deseja ver sua atitude e palavras mal interpretadas e, também, de quem não quer ser piegas ou cair em lugar-comum. Por isso, vale ressaltar que não é elogio o que farei, mas reconhecer o valor de alguém que tem muito.

Nascido e criado na terra de Gonçalves Dias (Caxias do Maranhão), foi para Imperatriz-MA, na metade dos anos 70. Ele tem, em suas raízes, uma vocação para as Letras. Menino pobre, com a humildade dos grandes homens, foi estudando, pesquisando, desenvolvendo seu labor literário. Pegou no pesado, ralou-se nas palavras, desbravou uma terra árida e pouco afeita às Artes. Conquistou, com seu trabalho intelectual, o respeito e a admiração daqueles que apreciam o belo. Sofreu com as indagações do fazer literário e perdeu “partes de si” numa caminhada árdua, porém evolutiva.

Duas Grandes Mulheres / Prof. José Breves Filho

Nesta semana, morreram duas mulheres que marcaram não apenas a minha vida, como também a de muita gente da minha geração, neste país: Sylvinha Araújo e Dona Rute Cardoso. A primeira me traz, na voz e nas músicas, boas lembranças de minha adolescência, enquanto a segunda recorda um período de bastante maturidade, em minha vida.

Sylvinha embalou meus sonhos rebeldes no apogeu de minha efervescência como ser, por coincidência, com a mesma idade: hoje, 56 anos. Sua voz metálica relembra-me as experiências e os protestos de um período difícil da história do Brasil. Fui massa de manobra do movimento estudantil no Rio de Janeiro, pois só os filhos de burgueses ocupavam a liderança (Não estou generalizando, não).

Caro(a) Companheiro(a) / Prof. José Breves Filho

Puxa, fiquei triste ao ver um espaço tão digno - como é a sala dos professores -, sendo utilizado por pichador(a) de muros. Um(a) pichador(a), sim! Porque não há diferença de sua atitude para aquela dos rebeldes sem-causa. Gente destemperada, mal amada e, muitas vezes, mal resolvida.

Creio ser você não mais um(a) jovem inconseqüente, por isso estou estarrecido com o seu comportamento. Você é professor(a)? Se for, deve ser do tipo que só se preocupa com o conteúdo programático. Você deve conhecer... aqueles professores descomprometidos com um processo de transformação social e que só têm discurso, uma vez que, na prática, não fazem o que pregam.

Que Saudade do meu Guru / Prof. José Breves Filho

Segundo o Aurélio, GURU é mestre da vida interior, guia ou líder espiritual. Por falar em guru, lembrei um que tive - na cidade onde nasci e fui criado - porque ele dizia que, se desejamos conhecer uma pessoa (isto é, a essência do ser: a dignidade e o caráter), basta conceder-lhe o poder. Dizia ainda que o poder é um valor ilusório, por conseguinte quem o outorga, pode também tirá-lo.

No dia-a-dia, constato a sabedoria de suas palavras, uma vez que muitos governantes confirmam essa máxima filosófica. E, nos baixos escalões, alguns nos mostram o despreparo do ser humano para lidar com o poder. Mas o que é o poder?... talvez, uma espécie de corrosão que provoca a degeneração do ser no seu âmago, ou seja, nos valores morais.

Poesia em V / Prof. José Breves Filho

Pausa para a poesia... Um novo personagem entrou em minha estó...(perdão!), digo, história. Entrou tão diferente que fiz, para ele, meu primeiro poema com uma proposta visual e fônica. Ele (o poema) é fruto da dor do parto e do rompimento deste preconceito que, em mim, dizia ser a poesia concreta uma espécie de antipoesia. Escrevi para o Vinícius e também para a Tereza que me proporcionou viver essa emoção. E, para não empanar a beleza mágica desse momento, dei-lhe uma página inteira de minha vida.

Um país de caipiras / Prof. José Breves Filho

Lembro-me de uma vez em que o ex-presidente FHC disse, em visita a Portugal, que nosso Brasil é um país de caipiras. Lembro também que a imprensa caiu matando suas palavras e houve um movimento de reação, por parte de alguns sociólogos, filósofos e pensadores brasileiros.

Na verdade, ele foi mal interpretado e tiraram dele a única oportunidade de proferir algo que, realmente, faz sentido, já que nosso EX se notabilizou por escrever suas teses e agir de forma, exatamente, contrária a seus escritos.

Um dia das mães, sem ela / Prof. José Breves Filho

A palavra MÃE possui apenas três letras, mas pode sustentar uma vida, muito antes de conhecermos o rosto de um novo ser. Três letras?... talvez seja porque congrega as três pessoas da Santíssima Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Apesar de ter só uma sílaba, MÃE é capaz de acolher muitos filhos: filhos amorosos; filhos desatentos; filhos desastrosos; filhos dóceis; filhos revoltados; filhos... simplesmente filhos.

COMO ESCREVEM ALGUNS ESTUDIOSOS DA LINGUAGEM ESCRITA NO BRASIL? / Prof. José Breves Filho

Ao iniciar este artigo, pretendo esclarecer alguns pontos importantes que, nele, serão tratados, uma vez que os mesmos, certamente, irão gerar discussão e polêmica. Entretanto, acredito que, de um mal-estar inicial, deverá surgir um caminho que concilie os seguintes aspectos: conhecimento científico e humildade; visão acadêmica e respeito a uma diversidade de postura e/ou pensamento.

É importante enfatizar que não pretendo fazer, desta consideração atenta, um artigo de cunho científico, mas que tenho a intenção de que este texto sirva de base não só para proporcionar uma revisão do papel da universidade nos estudos lingüísticos, mas também para defender que os pesquisadores da linguagem nas universidades públicas devem dar uma contribuição significativa à sociedade que os mantém. Enfim, vou tentar suscitar uma reflexão sem melindres e sei que, quando se trata do espaço acadêmico que é afeito às vaidades humanas, isso será uma tarefa bastante árdua.

O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA: O QUE SE ENSINA? POR QUE SE ENSINA? / Prof. José Breves Filho

Como tratar do ensino de Língua Portuguesa, sem questionar a função e a postura que deve (ou deveria) ter o professor dessa disciplina? E devo começar pelo início da vida escolar, ou seja, pela alfabetização. Vale lembrar que a criança, quando chega à escola, já fala a língua portuguesa. Em vista disso, o professor deveria ensinar-lhe duas modalidades que ela ainda não conhece: ler e escrever.

Paralelamente, oportunizar a aquisição de estruturas mais elaboradas e complexas com o desenvolvimento da oralidade. Todavia, não perder de vista o saber lingüístico prévio, isto é, o conhecimento da língua que a criança traz para a escola, porque esse depende da condição socioeconômica.

SACERDOTES OU PROFISSIONAIS? / Prof. José Breves Filho

A você que labuta nesta difícil, todavia honrosa profissão. É claro que falo para aqueles que vêem, no professor, uma espécie de fanático. Fanático por crer fervorosamente que podemos transformar a sociedade em que vivemos, tornando-a justa, igual, enfim mais humana.

Bom, hoje penso assim. Amanhã, não sei se acordarei ainda embriagado pelo idealismo ou atordoado por uma realidade, na qual não reconhecem o valor de uma profissão, que é o marco inicial de todas. Quantos médicos, engenheiros e advogados, passaram pelas nossas mãos? Todos. Você sabe bem que, quando somos imbuídos de nossa responsabilidade, temos ciência de que muito mais do que transmitir informações e conhecimentos, formamos indivíduos. Incentivamos a criação de hábitos e servimos, muitas vezes, de ídolos. Temos uma palavra mais poderosa que a força dos SUPER-HERÓIS, capaz de pôr em xeque a autoridade até mesmo dos pais – qual mãe (ou pai) ainda não ouviu isto? “Mas a professora falou, mamãe!...”

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