Masculin/Féminin. La pensée de la différence, de Françoise Héritier (1996) / Fernanda Massebeuf

Chapitre VIII – D’Aristote aux Inuit. La construction raisonnée du genre (p. 191-204).

Aristóteles elaborou um modelo filosófico argumentado e refletido sobre a geração e a determinação do sexo a partir do livro IV da obra De la génération des animaux. Trabalhos de alguns pensadores que o precederam serviram como ponto de partida para suas reflexões.  Anaxágora acreditava que a determinação do sexo era proveniente do pai, sendo que o testículo direito determinava o sexo masculino e o esquerdo o feminino. Empédocle dizia que o nível de calor da matriz era determinante para o nascimento de uma menina ou de um menino, resultado da maior intensidade de calor.

A sociedade ocidental atual continua funcionando a partir de dicotomias entre mulher/ homem, feminino/masculino, onde o feminino evoca o frio, o baixo, o negativo e o masculino evoca o quente, o alto, o positivo. Binarismos estes que foram herdados da antiguidade greco-latina, da qual Aristóteles faz parte. Esse sistema provoca a hierarquia do masculino em relação ao feminino, gerando desequilíbrio.  Então, essa hierarquia deve ser banida para que o equilíbrio entre os dois sexos seja estabelecido e as diferenças entre eles sejam respeitadas.

A incorporeidade do desejo na Costa dos Murmúrios / Fernanda Massebeuf

Lídia Jorge pode ser considerada transgressora quando dá a palavra aos marginais da História Portuguesa, protagonizada por homens, e quando põe em causa a visão histórica tradicional da guerra colonial portuguesa na obra A Costa dos Murmúrios. O leitor vai tomar conhecimento dea guerra a partir do olhar periférico e subalterno de uma mulher que não a viveu diretamente, mas que tem dela idéias bem específicas, p.80: pobres daqueles que, tendo vocação para imitarem alguém, nunca encontraram o modelo na vida. Hibridez, duplicidade, ambiguidade são inerentes ao relato que tenta desmisticar os fatos ocorridos em Moçambique.

Literatura: obscuro objeto de desejo? - Há 20 anos a arte escrita tomava novos rumos / Fernanda Massebeuf

Nas décadas de oitenta e noventa, a história política brasileira afetou particularmente os mecanismos de difusão cultural ao apresentar-se ao escritor na condição de temas e técnicas artísticas e ao singularizar o relacionamento da literatura com o público. A literatura reflete o comportamento humano na sua expressão mais espontânea. Devido ao boom urbano dessa época, a cultura passou a ser um segmento da vida econômica, sendo apreendida como objeto de consumo e de desejo.

Desejar o objeto de desejo a partir da sensação de carência é a essência do homem, limitado e imperfeito. Desejar é o que o impulsiona a fazer coisas e é também um círculo infinito, onde a satisfação nunca será atingida.

A decodificação do olhar antuniano / Fernanda Massebeuf

Lobo Antunes, para quem  viver é escrever sem poder corrigir, é um dos grandes nomes da literatura portuguesa contemporânea, sobretudo por seu estilo lascivo e ferino com o qual desmistifica e dessacraliza a gloriosa História de Portugal à medida em que a revisita nas  Naus (1988).

A identidade portuguesa é o ponto fulcral de uma  escrita tida como única fonte de sentido para a vida do autor, escrita através da qual ele transgride o proibido. O proibido, segundo o  Dicionário Larousse Illustré, é um imperativo instituído a alguém por um grupo ou sociedade afim de impedi-lo de um ato, um comportamento.

Fernão Mendes Pinto e a Peregrinação / Fernanda Massebeuf

O mais interessante livro de viagens do século XVI português, e um dos mais interessantes da literatura mundial, é a Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto. Nela o autor conta sua vida prodigiosa de aventuras : nascido em Montemor-o-Velho, trazido para Lisboa, logo na infância, é protagonista de uma fFga e vítima de um assalto de corsários franceses. Serviu na casa do duque D. Jorge, filho de D. João II. Embarcou para o Oriente em busca de fortuna. Correu os mares e as Costas desde a Arábia até o Japão, sendo mesmo cativo e vendido como escravo, o que lhe salvou a vida algumas vezes.

O OPUS MAGNUM de José Saramago / Fernanda Massebeuf

Opus Magnum ou Grande Obra é o nome dado ao conjunto dos processos para se obter a Pedra Filosofal, é a arte de controlar os segredos capazes de transmutar fatores negativos de nossa vida em positivos afim de se alcançar um equilíbrio interno que se reflete exteriormente como um espelho, tornando visível a Luz que encontramos nos recôndidos do nosso próprio ser. A Grande Obra também pode ser definida como a transmutação dos metais vis em ouro, princípio básico da Alquimia. Segundo o  Dicionário Le Petit Robert a alquimia é uma ciência oculta, nascida da fusão de técnicas químicas guardadas secretamente e de especulações místicas, tendendo à realização da grande obra.

A sinonímia entre o bem e o mal / Fernanda Massebeuf

Aprisionador da alma humana, incontornável, o mal está presente em toda parte. desde os primórdios da humanidade pensadores tentaram explicar as razões da prática da maldade.

Na antiguidade greco-latina acreditavam ser designada pelos deuses, cabendo aos homens somente a resignação. Foi essa desde sempre a saída mais humana para evitar a loucura da dor insuperável provocada pelo mal no mundo.

Até que o filósofo Xenófanes se insurja contra essa premissa e conclua que o mal perpassa todo o universo e de sua força nem mesmo os deuses escapam. A obsessão em provocar dor no próximo atravessa o túnel do tempo. Os romanos de Júlio César, os mongóis de Gêngis Khan, os soldados de Napoleão eram flagelos de impiedade.

O preço do poder / Fernanda Massebeuf
Maquiavel exterminou de vez a hipocrisia dos bons sentimentos. A luta pelo poder incita somente ambições egoístas. Mas para ir além delas afim de obter o aval do povo, o detentor do poder deve exibir ambição aparentemente inspirada de causas nobres. O cinismo prevalece. Durante os períodos mais remotos da História, tiranias diversas mantinham-se fomentando-se o medo. Para isso massacres, violações de leis, corrupção faziam parte das regras do jogo. Ditadores modernos fazem jus aos métodos antigos. Eles simplesmente também se servem do advento da propaganda com o intuito de garantir a docilidade do povo, dando-lhe a ilusão de uma adesão expontânea.
Onde é que tudo isso vai parar? / Fernanda Massebeuf

Maquiavel exterminou de vez a hipocrisia dos bons sentimentos. A luta pelo poder incita ambições egoístas. Mas para ir além delas e obter o aval do povo, o detentor do poder deve exibir ambição aparentemente inspirada em causas nobres. A política é a vontade de mudar o mundo. Os processos sociais vivenciados atualmente denotam o resultado dessas manobras maquiavélicas. Crise é o que está estampado no quotidiano do país.

Ficamos chocados num primeiro momento, mas com o  decorrer do tempo a violência é cada vez mais banalizada, mesmo se ampliada, e nos acostumamos com ela. Criaram o poder paralelo nas favelas, reforçando-se deste modo a Lei de Darwin. Como qualquer ser humano em guerra vira bandido, o resultado é o salve-se quem puder. Se os traficante ganharam o poder financiado pelos bacanas do asfalto, compreendemos que isso só se produziu porque a conivência do poder público existe. Enquanto isso, a população desfavorecida encontra-se desamparada e sem visibilidade.

Manifesto Pau-Brasil e Manifesto Antropófago / Fernanda Massebeuf

A Semana de Arte Moderna de 1922, que aconteceu em São Paulo, Brasil, constitui uma alavanca para a vanguarda brasileira, sem desempenhar função de destruição, mas de construção de novas propostas.

Vão nascer daí revistas literárias, manifestos e contramanifestos em torno do significado do modernismo e de sua relação com a arte brasileira. O Modernismo explode, primeiramente, numa ala de esquerda, com os Manifestos Pau-Brasil e Antropófago, entre 1924-28, tendo como subseqüentes as manifestações da ala da direita. Houve ainda entre elas movimentos regionalistas nordestinos a partir de Gilberto Freyre.

Porque há desejo em mim, é tudo cintilância / Fernanda Massebeuf

A problemática do sujeito com a presença do corpo no texto será estudada em Hilda Hilst, especificamente na obra Do desejo (1992), formada por duas partes: Do desejo e Da noite. A palavra desejo é definida, segundo o Dicionário Aurélio, como ato ou efeito de desejar; vontade de possuir ou de gozar; anseio, aspiração; cobiça, ambição; vontade de comer ou beber; apetite sexual.

Em filosofia, o desejo é uma tensão em direção a um fim considerado pela pessoa que deseja como uma fonte de satisfação. É uma tendência que pode ser consciente, inconsciente ou reprimida. O desejo presupõe carência, indigência.

Processos de Aculturação e Alteridade em Miltom Hatoum / Fernanda Massebeuf
Relato de um Certo Oriente, de Miltom Hatoum (1989), é o relato da volta de uma mulher a Manaus, após longos anos de ausência, e seu diálogo com o irmão distante.  É a história de um regresso à vida em família e ao mais íntimo, nos quais o destino do indivíduo se enlaça ao do grupo familiar, na busca de si mesmo e do outro.

Por vir ao encontro da ótica dos processos de aculturação e alteridade, destacaremos o segundo capítulo da obra, iniciado com a evocação do acidente de Samara Délia, através de um processo analéptico.
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