“Preço médio” dos livros: uma ficção aritmética

Felipe Lindoso - 08.12.2011 - Além das divergências das duas “versões” de dados de 2009, os últimos relatórios da pesquisa “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, encomendada pela CBL e pelo SNEL e executada pela FIPE, apresentam uma novidade: tabelas de “preços médios” dos livros no Brasil. A aparência é sofisticada: as tabelas estão divididas entre vários tipos de “preço médio”: por subsetor editorial (no “preço médio” de mercado) e pelos diferentes programas governamentais, nas vendas para o governo.

Os números torturados da Produção Editorial de 2010

02.12.2011 - O Xis do Problema - Felipe Lindoso - Alguns dias atrás um amigo, sócio da CBL, enviou um e-mail pedindo que eu lhe mandasse o relatório da Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro de 2010. Respondi-lhe que não tinha. Não sou sócio da CBL e são os sócios que recebem regularmente o material, assim como os do SNEL. Eu, como pesquisador do setor, consigo cópias precisamente através de amigos editores. Mas eu havia solicitado uma cópia para a administração da CBL, há coisa de dois meses. Na ocasião, a administração me respondeu que “ainda não havia recebido o relatório integral da pesquisa enviado pela FIPE”, e que logo que recebesse me enviaria. O tempo passou e me apareceu esse pedido do meu amigo. Entro no site da CBL e lá só aparece o relatório da pesquisa de 2009.

A Bienal do Livro pelo retrovisor

O X da questão - 21.08.2012 - Felipe Lindoso - A 22ª Bienal Internacional do Livro de S. Paulo terminou domingo, com a CBL divulgando, mais uma vez, números significativos: mais de 750.000 visitantes, dos quais 120 mil estudantes vindos da capital e do interior, que receberam vales para compra de livros em um total de R$ 750.000,00, incluído nessa soma os vales para professores. A profusão de lançamentos anunciados e atividades manteve o padrão superlativo desse tipo de eventos. Eu mesmo acabei participando de cinco mesas no espaço Livros & Cia., organizado com a curadoria do editor e jornalista Quartim de Moraes.

Livro Eletronico / Felipe Lindoso

De repente, livro eletrônico virou moda. O que antes se falava como possibilidade – muitas vezes vinculada à eterna discussão sobre se o livro impresso acabaria ou não – passou para as páginas de atualidade e cultura depois do lançamento do leitor Kindle, pela Amazon, e teve um aumento exponencial de discussão com o lançamento do IPad, da Apple. Muita tinta se gastou sobre o assunto – e muitos bytes também – e muitas vezes de forma confusa. Para benefício de todos, tentemos fazer uma revisão geral do assunto e examinar as perspectivas, a partir da história da indústria editorial brasileira e de seus condicionantes.

A lei que não pega e a lei inútil / Felipe Lindoso

Há muito conhecemos na Pindorama a história de que existem leis que “pegam” e leis que “não pegam”. Proponho um acréscimo a essas categorias: a das leis inúteis.Leis inúteis porque realmente não servem para nada. E que, infelizmente, refletem a realidade de um Congresso que não tem o que fazer nos intervalos entre as aprovações de medidas provisórias e projetos do Executivo – além das pirotécnicas CPIs, é claro.

Observar esse processo exige o apelo ao velho método etnológico de buscar as conexões e ligar os pontos para entender a estrutura subjacente. De quebra mostra também como o eventual descaso do distinto público ajuda na aprovação dessas leis inúteis. No caso que veremos, o distinto público quase totalmente omisso foram várias entidades e associações do mercado editorial.

Brasileiro está lendo mais poesia? / Felipe Lindoso

A recente divulgação da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” , em sua segunda edição (a primeira pesquisa do gênero foi feita em 2000) provocou uma surpresa – agradável, para todos os que comentaram o assunto: foi anunciado que a poesia estava como o quinto gênero de livros mais lidos no Brasil, com 28% dos leitores declarando sua preferência . Entre os autores brasileiros mais admirados pelos leitores apareciam Vinícius de Moraes (5º. lugar), Cecília Meireles (6º. lugar), Carlos Drummond de Andrade (7º. lugar), Mário Quintana (11º. lugar), Manuel Bandeira (14º. lugar) e Castro Alves (21º. Lugar). Todos poetas do cânone.

Diagnóstico Errado pode Matar o Doente / Felipe Lindoso

A democratização dos incentivos fiscais para a área cultural só será alcançada quando o pequeno contribuinte, seja pessoa física ou jurídica, tiver formas de incentivar o projeto do seu bairro, de sua comunidade. Se isso não for possível, de forma simples e desburocratizada, os incentivos fiscais serão sempre meio de ação privilegiado para grandes empresas e investidores.

A divulgação do anteprojeto da nova Lei de Fomento e Incentivo à Cultura por parte do MinC enseja uma bela discussão sobre o assunto.

A justificativa do Ministério da Cultura para a mudança da legislação se alicerça em duas vertentes.

A primeira é que a atual legislação – a chamada Lei Rouanet, Lei 8.313/91 – provoca distorções graves: concentra os investimentos no mecenato e, no uso desse instrumento, não consegue financiar projetos de interesse mais amplo; a distribuição regional dos recursos também é injusta, favorecendo amplamente as regiões sudeste e sul, em detrimento de áreas mais carentes – Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Segundo o Ministro, apenas 3% dos proponentes captam 50% dos recursos disponibilizados. Juca Ferreira alega também que as empresas só financiam projetos culturais quando este dá retorno de marketing.

A segunda vertente do projeto de lei é o reforço pretendido pelo ministro nos recursos próprios para o Ministério da Cultura. Para isso, quer reforçar o Fundo Nacional de Cultura, criando também cinco fundos setoriais, a loteria da cultura (em futura lei) além da expectativa de aprovar uma emenda constitucional que obriga a vinculação de 2% do Orçamento da União para a Cultura.

Diga-se, desde logo, que o aumento dos recursos orçamentários do MinC é uma reivindicação fundamental, assim como a melhoria das condições operacionais do ministério, que não tem representações ou delegacias em todos os Estados, nem meios de atuar nacionalmente. Mas isso veremos mais adiante.

Fundo de Leitura - duro recado aos editores / Felipe Lindoso

30.07.2009 - No lançamento do projeto do Vale Cultura, na última quinta-feira, dia 23, enquanto o cinema, os espetáculos e o teatro foram as estrelas da noite, para o livro sobrou apenas um duro recado do Presidente Lula endereçado aos editores. Mencionando a desoneração do PIS/PASEP – COFINS para as editoras, o Presidente chamou atenção para o fato de que essa medida não resultou em diminuição do preço do livro e que os editores continuavam a litania de reclamações contra o governo.

Sinto-me muito confortável para comentar – e aplaudir – as observações do Presidente Lula, pois estava numa posição privilegiada quando da negociação que resultou na desoneração. Contratado pelo Cerlalc – Centro Regional para o Livro na América Latina e no Caribe, órgão da Unesco - prestava assessoria ao que então era conhecido como programa “Fome de Livro”.

Quem sai aos seus não degenera

"Quem sai aos seus não degenera", diz o dito popular. Nossa burocracia não cansa de confirmar que sua remota ascendência está no Dr. João das Regras, o jurisconsulto lusitano que no século XIV arranjou uma legislação tão enrolada - a "Lei Mental", reparem só no nome - que só servia mesmo para aumentar o patrimônio real. E dá-se que por cá, volta e meia, o espectro do jurisconsulto baixa com força, seja a nível federal, estadual ou municipal. Vejam só. Uma das mais antigas medidas de proteção da produção cultural é a imunidade fiscal do livro, do jornal e do papel usado em sua fabricação (o chamado "papel imune"), que foi resultado da intervenção de Jorge Amado na Constituição de 1946.

QUESTÃO DE CIDADANIA - Felipe Lindoso

Políticas públicas interferem, e muito, com o trabalho dos escritores. A sua existência ou não condiciona muitos aspectos da criação e também a fruição dos leitores. Como o tema se presta a muitos mal-entendidos é importante ter clareza sobre o que constitui uma "política pública". Uma política pública de Estado - não apenas sujeita às conjunturas e projetos de cada governo em particular - tem necessariamente uma série de características: 

• Deve ser impessoal e obedecer a critérios de moralidade. Ou seja, não pode induzir ou favorecer benefícios de maneira personalizada, deve ter como objetivo a atenção às necessidades da cidadania.

• Deve ter continuidade. Uma política pública é diferente de um projeto específico. Um exemplo na área do livro é o do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), que existe desde a década de 80, com recursos provenientes do salário-educação e acréscimos orçamentários. Um projeto, por sua vez, tem começo, meio e fim definidos, embora no contexto de uma política pública específica.

Retratos da Leitura no Brasil II / Felipe Lindoso

A divulgação dos resultados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil II é uma oportunidade para que se discutam questões de política pública relativas ao acesso ao livro e os modos dos brasileiros lerem.

A pesquisa é divulgada quase oito anos depois da sua primeira versão, que teve os dados recolhidos no final de 2000 e apresentados no primeiro trimestre de 2001. Ambas são pesquisas de opinião, feitas por institutos especializados. A primeira pela A. Franceschini Análise de Mercado e a segunda pelo Ibope.

Não é coisa simples comparar duas pesquisas, ainda que sobre o mesmo tema. As duas agiram sobre universos distintos e aplicaram técnicas de amostragem diferentes.

Quando nossas fontes de dados são pesquisas de opinião, o cuidado nas comparações deve redobrar. Ninguém deixa de responder às perguntas feitas e há sempre uma margem de imprecisão nas respostas – que não deve ser confundida com a margem de erro da pesquisa, que considera tão somente a repetição em condições iguais das mesmas perguntas.

Sobre a obra LIVROS DEMAIS! / Felipe Lindoso

Várias coisas me fascinam no livro de Gabriel Zaid, a começar pela prosa provocadora e bem humorada com que trata de assuntos que são preocupações comuns a tantos que procuram pensar as questões da produção, distribuição e venda dos livros: editores e livreiros.

E aos autores, querendo saber do mistério da venda ou do encalhe de suas obras. E, certamente, também aos leitores interessados em saber como é possível encontrar, no mar de títulos, aquele livro que lhe interessa ler naquela ocasião específica.

Somos – editores e livreiros – personagens essenciais para que as idéias dos autores deixem de ser simples manuscritos (ou datiloscritos, ou arquivos digitais) e se transformem nos livros que caem na vida.

Pois os livros, como os filhos, caem na vida sem controle dos pais e seguem sua trajetória sem que os autores, como os pais, possam controlá-los. Sem a certeza de que chegarão ou não às mãos dos leitores para os quais foram escritos.
Zaid demonstra um paradoxo: existem livros demais no mundo.

Tantos que é impossível para um leitor – mesmo o mais voraz e impenitente – conhecer até mesmo a lista de títulos publicados; entretanto, isso não apenas é bom como, assinala Zaid, o fenômeno vai aumentar, graças aos progressos tecnológicos que a cada dia facilitam o trabalho de edição.

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