A LUTA CONTRA O PESSIMISMO / Nagib Anderáos Neto

No jornalismo, o pessimismo é considerado bom, pois notícias ruins vendem mais, e a maioria dos leitores compartilha pensamentos negativos e sombrios com os profissionais da mídia; mas enaltecê-los não é bom. Uma coisa é ser realista, outra, pessimista. Devemos sempre contar com o imponderável nos projetos, algo não previsto, um evento fortuito. Desenhar tais posições não implica pessimismo. Um pessimista jamais realizará algo grande. É inimaginável uma força positiva num pensamento negativo como a indiferença, a falta de vontade e estímulos, o desalento por sucesso e realização. Estar preparado para o pior não implica pessimismo, senão inteligência, realismo, bom senso.

BORGES E O OFICIO DO VERSO / Nagib Anderáos Neto

Relendo “Este oficio do Verso” de Jorge Luis Borges – coletânea de conferências pronunciadas em Harvard na década de sessenta, cujas gravações foram recentemente descobertas nos arquivos daquela Universidade –, deparamo-nos com verdadeiras aulas de profundo conteúdo literário e filosófico, confirmando a genialidade do argentino, cuja obra tem sido inesgotável fonte de estudo e pesquisa em todo o mundo.

O MITO DE PANDORA / Nagib Anderáos Neto

Zeus – o deus supremo da mitologia grega - é fruto de uma complicada teogonia, assemelhada à genealogia humana. Bravo e vingativo, o deus dos gregos casou-se inúmeras vezes, gerando uma sucessão de outros menores: Apolo, Hebe, Hermes, as Musas, etc. Diz-se do estranho chefe do Olimpo que havia ódio em seu coração; e tinha prazer em castigar os homens.

RECICLAGEM MENTAL / Nagib Anderáos Neto

Pior que o lixo urbano é o mental, abarrotando as mentes, tornando as pessoas irascíveis, perturbadas, esquecidas e depressivas. Informações inúteis, notícias deprimentes, lazer exacerbado, ambições desmedidas ocupam as pessoas sobrando-lhes pouco espaço para pensar com liberdade, respirar o oxigênio vital dos conhecimentos, sentir a indizível alegria de viver.

OS COLECIONADORES / Nagib Anderáos Neto

Há pessoas colecionadoras de frases e pensamentos, como se fossem borboletas mortas, folhas murchas e sem vida com as quais se marcam as páginas esquecidas de livros que nunca terminam de ler. São os colecionadores de coisas inanimadas, e perigam transformar-se nelas, atravessando o tempo exalando tristeza e desolação.

LIDERANÇA NA ADMINISTRAÇÃO / Nagib Anderáos Neto

Liderança é um predicado indispensável para o administrador. E administrar implica o trato com pessoas para consumar objetivos pré-estabelecidos. O líder cuida para haver bom entendimento entre todos, de modo a se sentirem cômodos, fazendo a sua parte e ajudando-se mutuamente.

CEGUEIRA MENTAL / Nagib Anderáos Neto

A cegueira mental se manifesta de diversas formas. Uma delas, talvez a mais flagrante, a que impede a pessoa de reconhecer seus próprios defeitos. Desprovido do olhar interior, o indivíduo é incapaz de observar-se e refletir sobre suas limitações, para que possa elaborar um plano de superação. Já se disse que o maior cego não é o que não quer ver, senão o que não quer entender; e para entender, será necessário observar e refletir.

UM RETRATO DA IMPOSTURA / Nagib Anderáos Neto

A cultura contemporânea está baseada numa falsa liberdade política e na equivocada idéia de que o mercado tudo regula, como as relações humanas, econômicas e sociais. Um materialismo exacerbado afastou o homem de Deus e dos semelhantes. Ao entregar nas mãos de orientadores duvidosos a solução dos problemas que lhe incumbe, ele perdeu a oportunidade de pensar por própria conta, um princípio de liberdade.

SÊNECA E A BREVIDADE DA VIDA / Nagib Anderáos Neto

Seria a Natureza má por nos fazer nascer com a perspectiva de uma vida curta? Se a vida se transformasse em arte, contrariando Hipócrates, poderia ser mais longa do que é? Para Sêneca, “não temos exatamente uma vida curta, mas desperdiçamos grande parte dela”. O que a encurtaria seria o desperdício, a indiferença, a rotina. Ela se reduz como a riqueza nas mãos do mau administrador. É uma questão de sabê-la viver.

O Ser Humano Sustentável / Nagib Anderáos Neto

O ser humano sustentável deveria ser generoso, viver para si e os demais, os que estão aqui e os que virão. O sentimento de generosidade é de fundamental importância para a vida. Ele começa no aprendizado e deságua na docência, porque ninguém pode dar o que não tem, ensinar o que não sabe. Ser generoso é ser humano, desprendido, útil. É sentir o vínculo superior que a todos deveria unir; experimentar a realidade do que o cerca. Ser um e o mundo inteiro.

O egoísmo contrapõe-se à generosidade e é expressão de um materialismo que permeia toda a cultura e se esconde sob o manto de um pseudo – progresso, justificado por teorias econômicas retrógradas onde tudo é permitido na busca do lucro e riqueza em nome da satisfação ou prazer de consumidores insaciáveis.

Caiu a Pureza em Brasília / Nagib Anderáos Neto

A pureza caiu bem defronte do templo budista na asa sul. Havia duas placas nos arcos vermelhos que emolduravam a entrada: pureza e serenidade. A primeira soltou-se com o vento e ficou dependurada sobre a calçada.

Por curiosidade, eu adentrara ao templo onde um monge perorava para umas 40 pessoas, todas descalças, como se fosse uma mesquita. Tirei os sapatos, desliguei o celular e me sentei quietinho numa cadeira bastante incômoda.

O monge falava alguma coisa sobre a amizade, e depois intercalava uma resmungação que era ecoada e intercalada pelos presentes: hummmmmmmmm.... Todo mundo de olhos fechados, respirando fundo, braços abertos sobre os joelhos fazendo bolinhas com o indicador e o polegar. Depois de 10 minutos me deu um siricutico e sai!

O Jovem Poeta Rilke / Nagib Anderáos Neto

Uma coisa é escrever, outra publicar. Em cartas a Um Jovem Poeta, Rilke deixa isto muito bem explicado. Orienta o companheiro de correspondência a que se consulte sobre a necessidade de escrever. Você morreria se fosse impossibilitado? É uma necessidade vital?

Entre esse e outros conselhos, instrui o artista em formação a viver mais dentro de si e menos envolvido nas vacuidades do mundo exterior; que não pense no sucesso para os outros, mas na indizível felicidade de encontrar alegria no convívio consigo mesmo.

“Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre sua infância, esta esplêndida e régia riqueza, este tesouro de recordações?”, escreveu na primeira carta do livro em 17 de Fevereiro de 1903 enviada de Paris.

DEUS E OS DETALHES / Nagib Anderáos Neto

Uma velha citação diz que Deus está nos detalhes. Uma outra, que a poesia é feita de detalhes e pode ser vida. E ainda, que o poeta, como os cegos, é capaz de enxergar na escuridão.

Essa última, como as demais, leva-nos a Borges, com seus espelhos e labirintos. E sem nenhum esforço, vêm-nos à mente alguns poucos e misteriosos versos do poeta argentino:

Às vezes nas tardes uma cara
Nos mira desde o fundo de um espelho;
A arte deve ser como este espelho
Que nos revela a nossa própria cara.

A NOVA GUERRA / Nagib Anderáos Neto

O maior dos desastres é a guerra, a culminação de erros frutos do fanatismo, da ignorância e do materialismo. Os seres humanos vivem uma guerra sem-fim. De quando em quando se desenha outra muito grande como nestes tristes momentos, no longínquo e conturbado Oriente.

A cegueira do entendimento leva o ser humano a voltar-se contra a sua espécie, a cometer os crimes mais abjetos, a destruir a infância, a juventude e a Natureza nos campos de batalha em nome de suas inconfessáveis ânsias de poder e domínio.

As Criações do Espírito / Nagib Anderáos neto

De acordo com a legislação, as obras intelectuais protegidas são criações do espírito expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte como textos, conferências, obras dramáticas ou coreográficas, audiovisuais, fotográficas, pinturas, projetos, adaptações, traduções, programas de computador, coletâneas ou compilações. É interessante observar que são criações do espírito exteriorizadas, dadas a conhecer para outras pessoas, originais, únicas. E que “uma obra exteriorizada verbalmente também goza de proteção autoral”, como bem explica o doutor Eduardo Pimenta em seu Código de Direitos Autorais.

O Discurso de Descartes / Nagib Anderáos Neto

Descartes é considerado o pai da moderna filosofia. Nascido em 1596, teve suas obras condenadas pelos religiosos que a consideraram eivadas de ateísmo e imoralidade. Contrário às tradições, decidiu não procurar qualquer saber que não pudesse ser encontrado nele mesmo e no “livro do mundo”. Dedicou-se à investigação de si mesmo e morreu em Estocolmo de pneumonia, aos 54 anos. Matemático e criador da geometria analítica, ele ficou mais conhecido como filósofo por se dedicar às questões metafísicas, à existência de Deus e ao estudo da natureza humana. Mais do que estava escrito nos livros e na sujeição a preceptores, procurou o conhecimento pessoal na experiência da vida e nas reflexões.

TALES DE MILETO / Nagib Anderáos Neto

Tales de Mileto é conhecido como o pai da filosofia. De ascendência fenícia, nasceu na antiga colônia grega, hoje Turquia, 624a.C. e faleceu por volta de 556. Referia-se à existência de um principio único como sendo a água, talvez uma metáfora que se referisse ao rio Estige. Dois mil e quinhentos anos antes de Darwin, ele vislumbrou uma evolução vinda da água e, como Empédocles, que sobreviveria o que está mais bem capacitado; hoje diríamos que sobrevive o que mais se adapta.

Comerciante, político, filósofo, matemático e astrônomo, foi considerado um dos sete grandes sábios da Grécia e um homem extremamente prático. Atribui-se ao pensador muitas demonstrações geométricas, principalmente a de que quando duas retas se cortam, os ângulos opostos pelo vértice são iguais; de que uma circunferência é dividida em duas partes iguais por cada um de seus diâmetros; que um triângulo fica perfeitamente definido por sua base e os ângulos de sua extremidade; que os dois ângulos da base de um triângulo isósceles são iguais, etc.

O Pensamento, o Sentimento e a Intenção / Nagib Anderáos Neto

Antes de qualquer atitude há uma intenção, algo que move à ação. As pessoas são definidas por suas intenções, que podemos chamar de pensamentos umas vezes, sentimentos outras; algo dentro da mente ou do coração as move. Essas intenções podem ser produtos próprios ou de outras pessoas. É importante diferenciar o que é próprio do alheio. Quando vêm do coração, do sentimento, é sempre pessoal, íntimo. Ninguém sente com o amor do outro, senão com o que é pessoal.

Bangladesh, Nova York e São Paulo / Nagib Anderáos Neto

O táxi sairia da Lexington com a 48 às três horas. Muito frio para um 11 de Novembro de 2011. Estranha data (11/11/11). Em 20 minutos, chegaríamos ao JFK em New York depois de uma semana de comprinhas com tudo por menos da metade do preço do que se paga neste rico Brasil dos impostos, da impostura e da corrupção. Dias frios, bons para caminhar para quem não gosta de táxi, metrô e aglomeração.

Corrupção e Vitaliciedade / Nagib Anderáos Neto

Corrupção e vitaliciedade andam de braços dados, como a nobreza, o clero e a classe política. Essas pragas infestam todo o tecido social nas mais diversas instituições. Não apenas nos governos ou empresas, senão nos poderes diversos, na sociedade, na maioria dos seres humanos envenenados pelo egoísmo, ambição e materialismo. Não há revolução ou decreto que mude esse estado de coisas que será transformado pela evolução, indivíduo a indivíduo, até alcançar a sociedade.

Ética e Etiqueta / Nagib Anderáos Neto

Uma das primeiras lições que se estuda numa Escola de Adiantamento Mental é que não há evolução sem ética. E que essa ética não é etiqueta, parecer polido, educado, simpático, ao invés de sê-lo verdadeiramente. Ser ético é ser humano na verdadeira acepção da palavra; ser capaz de valorizar a vida de relação como uma lição para o aprendiz que pretende aperfeiçoar-se, completar-se. O ser humano é uma figura plena de possibilidades, mas incompleto.

Ética e Evolução / Nagib Anderáos Neto

Para o pensador González Pecotche, não há evolução sem ética, o que pressupõe boa convivência, bons sentimentos, inteligência. Mas não basta querer bem conviver, senão saber. Conhecer o que dificulta o bom relacionamento e procurar mudar a própria conduta, os pensamentos que dificultam aquela arte: impaciência, brusquidão, indiscrição, irritabilidade e intolerância devem ser transformadas nas virtudes necessárias como a paciência, a contenção, a discrição, a temperança e a tolerância.

Uma Reflexão Sobre a Corrupção / Nagib Anderáos Neto

A política, que deveria ser a arte de gerir o bem comum, passou a ser a arte de chegar ao poder e permanecer nele indefinidamente. E não é somente exercida nos governos em suas diversas esferas. Os políticos estão por aí, nas empresas, em associações diversas, sindicatos, nos conluios, nas panelinhas, sempre a atender inconfessáveis sonhos de poder e projeção e a conspirar contra os ingênuos e mentalmente indefesos.

O Ser Humano Sustentável / Nagib Anderáos Neto

O ser humano sustentável deveria ser generoso, viver para si e os demais, os que estão aqui e os que virão. O sentimento de generosidade é de fundamental importância para a vida. Ele começa no aprendizado e deságua na docência, porque ninguém pode dar o que não tem, ensinar o que não sabe. Ser generoso é ser humano, desprendido, útil. É sentir o vínculo superior que a todos deveria unir; experimentar a realidade do que o cerca. Ser um e o mundo inteiro.

GONZÁLEZ PECOTCHE E A LOGOSOFIA / Nagib Anderáos Neto

Carlos Bernardo González Pecotche (11/08/1901- 04/04/1963), pensador e humanista, deixou uma vasta obra bibliográfica e uma Escola de Adiantamento Mental com sedes na Argentina, Uruguai e Brasil. A Logosofia - ciência original de sua criação- continuou a ser estudada nas diversas sedes da Fundação Logosófica em Prol da Superação Humana, instituição que criou e presidiu por 33 anos, e que conta hoje com diversas filiais na América, Europa e Oriente Médio.

Reciclagem Mental / Nagib Anderáos Neto

Pior que o lixo urbano é o mental que abarrota as mentes tornando as pessoas irascíveis, perturbadas, esquecidas e depressivas. Informações inúteis, notícias deprimentes, lazer exacerbado, ambições desmedidas ocupam as pessoas sobrando-lhes pouco espaço para que pensem com liberdade, respirem o oxigênio vital dos conhecimentos, sintam em seus corações a indizível alegria de viver.

O Sentimento de Gratidão / Nagib Anderáos Neto

O ser humano esquece os momentos felizes que vai experimentando no decorrer da vida. Isso se deve a uma falta de conseqüência consciente. A simples recordação poderia trazer de volta os instantes nos quais se experimentou uma verdadeira felicidade. E ela seria como um escudo protetor diante dos tristes e amargos que se tenha de viver. Para que a revivescência seja efetiva, é necessário criar um sentimento que anda ausente do coração humano: a gratidão.

A LUTA CONTRA O PESSIMISMO / Nagib Anderáos Neto

No jornalismo, o pessimismo é considerado bom, pois notícias ruins vendem mais, e a maioria dos leitores compartilha pensamentos negativos e sombrios com os profissionais da mídia; mas enaltecê-los não é bom. Uma coisa é ser realista, outra, pessimista. Devemos sempre contar com o imponderável nos projetos, algo não previsto, um evento fortuito. Desenhar tais posições não implica pessimismo. Um pessimista jamais realizará algo grande.

As Lições da Natureza / Nagib Anderáos Neto

Salvar o meio ambiente significa salvar a humanidade da extinção. E a salvação humana prosseguirá sendo uma utopia enquanto não considerada como autossalvação. A preocupação com o ambiente é uma modernidade positiva e construtiva, pois desvia a atenção de ódios e rancores ancestrais, da desmedida ambição, buscando melhores condições de vida no planeta para as gerações futuras.

Lobato, Lentz e o Gosto pela Leitura / Nagib Anderaos Neto

Numa carta escrita ao amigo Rangel, em quatro de Janeiro de 1904, dizia Monteiro Lobato: “Quando tudo mudar, daqui a cem anos, quem vai interessar-se pelas idéias de Lentz?” E algum dias depois, no dia 20, “Lentz simboliza a Alemanha perigosa que eu tenho medo surja de Nietzsche...” Em 2006, 102 anos depois dessas cartas, encontrei-me com as idéias de Lentz na Patagônia, Livraria Café de La Barca, San Carlos de Bariloche.

Criatividade sem autoritarismo / Nagib Anderáos Neto

O homem que pensa cria, e luta por neutralizar seus baixos instintos. Paz e felicidade são asseguradas através do estímulo à criatividade que é tolhido nos jovens e nas crianças pelo autoritarismo, resquício medieval de inquisidores cruéis que se reproduzem como pragas na sociedade moderna e contra os quais se deve lutar, empenhando-se na busca da verdade como resposta à covardia e ao medo disseminado pelos impostores. Como muito bem dizia Russel, a moralidade nada tem a ver com regras ditadas por qualquer autoridade.

Preconceitos e Conceitos Mumificados / Nagib Anderáos Neto

Consta que Einstein teria escrito ser mais fácil destruir o átomo do que um preconceito. O que é um preconceito? Seria um conceito mumificado que não evoluiu no tempo? Acreditar que o futuro está escrito, que não poderemos criar nosso destino, é um exemplo eloqüente de um preconceito. Quem estuda e se esforça por melhorar suas condições intelectuais e materiais está criando um novo futuro, transformando o destino comum ao qual estarão sujeitos os que não se esforçam por melhorar as suas vidas. O destino está escrito para os que acreditam nessa predestinação, os inertes, encostados.

O Homem não é um Animal / Nagib Anderáos Neto

Pensar por própria conta custa certo esforço, como todo ato criativo, e exige preparo, treino, exercício diário. É diferente de sonhar, lembrar, imaginar. Ao criar, a imaginação, o sonho e a recordação poderão ajudar. Seja uma pintura, um filho, um pensamento, o criador se confunde com sua obra, vive nela. Pensar é respirar. Sem ar o corpo expira. Sem pensar, a alma dorme. Quem não pensa vive repetindo coisas pensadas por outros, submete-se, repete-se.

Divina Comédia / Nagib Anderáos Neto

O que significa ser bom? De onde provém o paradigma que nos permite discernir o que é bom do que não é? É bom quem agride o semelhante? O que rouba o vizinho? O que explora seu irmão? Aquele que podendo fazer o bem não o faz? Onde está o código moral que diferencie o bem do mal? E o bem, de onde provém?

Desarmamento Mental / Nagib Anderáos Neto

Imaginar que apenas a proibição da comercialização de armas entre a população civil possa impedir o crescimento da violência urbana é tão ingênuo quanto supor que se possa debelar a inflação por decreto, o analfabetismo por medida provisória, a ignorância com lamentações, a obesidade sem regime, a corrupção com CPI, e por aí afora. De onde vêm as armas dos criminosos? Não vêm das lojas que têm suas portas abertas ao público e pagam impostos, senão das fronteiras descuidadas, quando não da força policial.

Palíndromo, Tautologia e Oxímoros / Nagib Anderáos Neto

Palíndromo é uma palavra ou número que se lêem da mesma maneira nos dois sentidos. A palavra vem do grego e significa o que volta sobre seus passos ou o que ocorre no sentido inverso. Ovo, osso, esse, 11 e radar são alguns exemplos. Há também as frases, como “a base do teto desaba”, “após a sopa”, ”a droga da gorda”, e o caso mais famoso: ”socorram-me, subi no ônibus em Marrocos”. Se for lida a frase com atenção de trás para frente, se vai subir do mesmo jeito e no mesmo lugar. E o pior é que eu subi mesmo. Faz três anos. Do porto da famosa Casablanca até a curiosa Marrakesh, atravessando o deserto do Saara.

A Morte Não Existe / Nagib Anderáos Neto

É possível que o temor da morte provenha do fato de se pensar que tudo termine com a vida. A morte verdadeira é o não pensar, uma tirania que aprisiona a inteligência, uma escravidão mental. Como sentir a eternidade dentro de si? Não estamos morrendo todas as noites para despertar no dia seguinte?

OS ACIDENTES E AS RESPONSABILIDADES HUMANAS / Nagib Anderáos Neto

Ao se optar por viver em concentrações urbanas que se ampliam desordenadamente, potencializou-se os riscos de acidentes nos lares, no ambiente de trabalho, no transporte coletivo, no lazer, na atividade humana em geral. O acidente e o incidente não são acontecimentos fortuitos nem obra do destino, senão a conseqüência da imprevisibilidade humana, da falta de atenção, do desinteresse e da ignorância.

OS ACIDENTES E AS RESPONSABILIDADES HUMANAS / Nagib Anderáos Neto

Ao se optar por viver em concentrações urbanas que se ampliam desordenadamente, potencializou-se os riscos de acidentes nos lares, no ambiente de trabalho, no transporte coletivo, no lazer, na atividade humana em geral. O acidente e o incidente não são acontecimentos fortuitos nem obra do destino, senão a conseqüência da imprevisibilidade humana, da falta de atenção, do desinteresse e da ignorância.

EMAGRECER COMENDO: MENOS ALIMENTO E MAIS ATIVIDADE / Nagib Anderáos Neto

O amigo havia perdido sessenta quilos em doze meses sem remédio ou ginástica, comendo de tudo. Noutro dia fomos almoçar e ele me explicou como a coisa funciona: mastigar, mastigar, sentir o gosto da comida, sem pressa; concentrar a atenção no ato de comer e fazer a refeição em vinte minutos. Caso sobre comida no prato, não faz mal, não é pecado. O errado é comer demais.

POPULISMO E AQUECIMENTO GLOBAL PROVOCANDO GRANDES CATÁSTROFES / Nagib Anderáos Neto

A questão do aquecimento global alcançou contornos dramáticos com a publicação do relatório Stern no Reino Unido em 2006. Economistas de todo o mundo consideram que as empresas não podem mais desprezar os impactos ambientais no planejamento de seus empreendimentos. A prova cientifica de cataclismos iminentes neste século são irrefutáveis e há grande preocupação com o desenvolvimento de técnicas para utilização de energia limpa.

A GRANDE CAMINHADA / Nagib Anderáos Neto

Andar a pé faz bem. Costumo mudar o trajeto para manter viva a idéia de que a rotina não é boa, e que se pode caminhar com os pés e com a mente, pois a vida é uma grande caminhada. Andar, mentalmente, requer algum esforço, começando por saber o que existe dentro da mente, quais pensamentos estão a governá-la, se são úteis ou inúteis – grande mistério que, se decifrado, poderá constituir-se na reversão da condição humilhante em que a maioria vive escravizada por pensamentos que vêm dominando os seres humanos há séculos - .

UMA FÓRMULA DE FELICIDADE / Nagib Anderáos Neto

Quando pequenos, queremos crescer, e por acharmos que somos imortais, empurramo-nos como a areia que desce serena e decididamente na ampulheta em seus primeiros momentos. Os tempos da infância demoram a passar, assemelham-se à eternidade. Mais tarde, o tempo curva-se sobre nós e curvamo-nos à realidade, mas nossos sonhos e esperanças nos vão mantendo vivos, despertos, alegres, felizes e lutando. O espectro da morte passa ao largo, pois nosso entusiasmo é maior.

MONTEIRO LOBATO: UM CONSTRUTOR DO BRASIL / Nagib Anderáos Neto

Nasci dois meses após a morte de Monteiro Lobato. Desde muito pequeno via-o todo esparramado nas prateleiras das estantes lá de casa, nos numerosos volumes daquela encantadora coleção de livros que eu usufruía mesmo antes de aprender a ler, através dos olhos e das vozes de meus pais que me transportavam para aquele maravilhoso mundo das Reinações de Narizinho, da Matemática da esperta Emília, do poço do petróleo do Visconde de Sabugosa, do carinho de tia Nastácia, da sabedoria da Vovó Benta, das aventuras de Pedrinho. Ali comecei a aprender História, Gramática, Mitologia, Aritmética e Geografia. E a desenvolver um raciocínio crítico através daquela inesquecível boneca de pano, a Emília. E, sobretudo, o gosto pela leitura que tantas alegrias me deu no transcorrer da vida, e também pelo da escritura.

DEUS É A CONSCIÊNCIA / Nagib Andaráos Neto

Melhor que dar o peixe ou ensinar a pescar é ensinar a pensar. Mas antes de fazê-lo, será necessário aprendê-lo. Pensar é um ato de liberdade, um aprendizado espiritual que exige saber julgar-se, querer melhorar, sentir a necessidade de evoluir, realizar. E pensar no quê? Em Deus, em si mesmo e nos semelhantes, ensina González Pecotche, o pensador que dedicou sua vida ao culto da nobre função que as crenças e os preconceitos impedem realizar. Deus se confunde com o homem, com todos os homens, sem nenhum privilégio ou intermediário. Está presente no templo interior que existe no coração de todos e que se chama consciência, a que deveria reger todos os atos humanos, o Deus interior, a bela adormecida que ali jaz prostrada sob as sombras do ceticismo, da ignorância, das crenças e dos preconceitos. O homem nasceu para pensar e não apenas para trabalhar, se divertir e se conformar com a entristecida vida rotineira dos que imaginam que a felicidade se resume na posse de coisas que perdem o seu valor quando conquistadas.

AS CRIAÇÕES DO ESPÍRITO / Nagib Anderáos Neto

De acordo com a legislação, as obras intelectuais protegidas são criações do espírito expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte como textos, conferências, obras dramáticas ou coreográficas, audiovisuais, fotográficas, pinturas, projetos, adaptações, traduções, programas de computador, coletâneas ou compilações. É interessante observar que essas obras intelectuais são criações do espírito exteriorizadas, dadas a conhecer para outras pessoas; obras originais, únicas. E que “uma obra exteriorizada verbalmente também goza de proteção autoral”, como bem explica o doutor Eduardo Pimenta em seu Código de Direitos Autorais. É o caso das conferências, sermões, etc. Isto significa, por exemplo, que uma conferência pronunciada pelo escritor argentino Jorge Luiz Borges numa Universidade Americana na década de sessenta tem o mesmo tratamento que um livro por ele publicado à mesma época em Buenos Aires.

UM RETRATO DA IMPOSTURA / Nagib Anderáos Neto

A cultura contemporânea está baseada numa falsa liberdade política e na equivocada idéia de que o mercado tudo regula, como as relações humanas, econômicas e sociais. Um materialismo exacerbado afastou o homem de Deus e dos semelhantes. Ao entregar nas mãos de orientadores duvidosos a solução dos problemas que lhe incumbe, ele perdeu a oportunidade de pensar por própria conta que é um princípio de liberdade. Dirigentes políticos e religiosos são impostos por grupos, partidos, associações e sindicatos que são dirigidos por pessoas que vêm o próprio interesse acima do comum. Egoísmo e incompetência campeiam as instituições diversas.

EDUCAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO / Nagib Anderáos Neto

Uma nova pedagogia requer a reeducação dos adultos que terão a seu cargo a instrução da humanidade do futuro. O que tem sido prática corrente na educação infantil deverá ser revisto, reestudado. Os sistemas de instrução e os conceitos básicos empregues não têm funcionado convenientemente. Instrui-se para tudo, menos para o que mais interessa: a convivência pacífica do indivíduo consigo e com os outros seres humanos. A humanidade está dividida em raças, religiões, camadas sociais, culturais, partidos políticos, etc. Os sistemas pedagógicos são divisionistas, separatistas. Cada agrupamento arvora-se como dono absoluto da verdade, não compreende que ela surge da união das pessoas pela compreensão de sua realidade fragmentada da Grande Realidade Universal da qual todos formam parte.

UMA REFLEXÃO SOBRE DEUS / Nagib Anderáos Neto

Quando se fala em Deus, há três posições comumente observadas: as pessoas que acreditam em Sua existência; alguém lhes disse na infância que havia um Deus que associam a uma imagem, e com ela atravessam toda a vida. Noutra, que Deus não existe. E os agnósticos que não acreditam nem na existência nem na inexistência de Deus. Se concebermos que a face visível de Deus é o Universo do qual formamos parte, e a invisível a lógica e a ordem por detrás dela, poderíamos admitir a existência desse Criador que se confundiria com sua Obra, como um músico, um pintor, um escultor, e através do conhecimento da parte dela que fosse acessível, poder-se-ia aproximar-se dele gradativamente, através do conhecimento, na exata proporção dos esforços feitos naquele sentido. Experimentando a alternativa de ser um pequeno criador, poder-se-ia ter uma leve e real idéia do que seria um outro infinitamente maior.

LOGOSOFIA – 80 Anos A Serviço de Uma Nova Cultura / Nagib Anderáos Neto

Em 1930, Carlos Bernardo González Pecotche lançou as bases de uma nova cultura - a Logosofia - que haveria de se espalhar rapidamente por todo o continente americano. A nova ciência se mostrava como um caminho a ser percorrido pelos que pretendessem transformar as suas vidas num grande campo de aperfeiçoamento moral, psicológico e espiritual. Quem era aquele jovem que, aos vinte e nove anos, trazia os novos conhecimentos? De onde os teria extraído? Em que fonte teria bebido? Seriam necessárias décadas de esforços, estudos e realizações, a publicação de inúmeros livros, centenas de palestras, o surgimento de escolas de educação infantil e o resultado da aplicação daqueles conhecimentos na vida de milhares de estudantes, para que se pudesse avaliar a originalidade da ciência que estava no haver hereditário de seu criador que o ofereceu aos que quisessem construir um caminho para depois percorrê-lo com os seus pés, sem nenhuma muleta.

Liberdade e Livre Arbítrio / Nagib Anderáos Neto

Todo ser humano nasce com a prerrogativa de pensar com liberdade, sem preconceitos e travas de toda a espécie. No processo da vida, a utilização dessa prerrogativa fará com que realize um de seus principais objetivos: o aperfeiçoamento. Ao fazê-lo, poderá consumar o de ser útil aos semelhantes. Se pensarmos que esses podem ser os dois grandes objetivos da vida, tudo pode mudar na rotina absurda dos dias que se sucedem sem nenhuma variação. Aperfeiçoamento pessoal implica mudanças, e para mudar é necessário se conhecer e querer. Como certa vez me disse um filho, se é para mudar para melhor, então é melhor mudar. Ao fazê-lo, poderemos construir um novo destino, contrapondo-nos à fatalidade, e ao preconceito generalizado de que tudo estava escrito.

Liberdade Pela Educação / Nagib Anderáos Neto

A causa de toda a pobreza é a ignorância. E não há outra forma de combatê-la que não seja através da educação. Muitos países ditos em desenvolvimento vão de encontro à história pelo mau exemplo de seus governantes que privilegiam o assistencialismo inócuo, mergulhando o povo na inércia, ao invés de estimular o estudo e a iniciativa. Não há maior inimigo da liberdade que a ignorância. E não há maior ignorância que a ausência de si mesmo, a inconsciência dos que se encarceram por detrás dos barrotes de preconceitos e idéias medievais e retrógradas.

A Fé em Si / Nagib Anderáos Neto

Fechar os olhos para a realidade e acreditar na ficção que criamos ou que nos é imposta constitui a verdadeira e maior cegueira. Saber significa ver a realidade, penetrar em sua superfície e aproximar-se da verdade. Tem muito a ver com sabor, experimentação, comprovação; significa liberar-se da cegueira da ilusão; afastar-se de tudo quanto se oponha à realidade, à verdade. Não pode haver outra fé que não seja em si; ninguém haverá de resolver por nós o que nos incumbe. A fé no que se ignora implica submissão; por esse motivo, os tiranos são hábeis em inventar mentiras para submeter pessoas humildes e simples e tristemente adjetivadas de boa-fé.

O autoconhecimento deve implicar o afastamento das ilusões que se avolumam e nos levam às desilusões que muito têm a ver com a depressão e a tristeza. Aprender a viver próximo da realidade é uma forma de estar junto da felicidade. A vida se amplia quando nela colocamos muitas atividades com possibilidades de realização. E se algum fracasso sobrevier – coisa que invariavelmente acontece -, ele pode se transformar na base de um futuro acerto. O essencial é procurar estar sempre muito próximo da realidade.

A Arte de Amar / Nagib Anderáos Neto

The Art of Loving, o título original americano. No Brasil, publicado em 1960, fez grande sucesso entre jovens leitores, e Erich Fromm tornou-se autor consagrado. Quem não leu, ouviu falar. Os jovens se revoltaram contra o autoritarismo, as superstições e as guerras. Certas leituras eram obrigatórias: Simone, Hesse, Amado, Bertrand Russel. Os pais autoritários e o governo militar eram os alvos preferidos daquela rebeldia. O “Por que não sou Cristão” de Russel andava de mãos em mãos.

A ordem era ampliar a área da consciência, diziam os intelectuais de plantão, sem que tivessem uma idéia clara do que fosse a consciência. Soava bem. Da mesma forma que a inadmissibilidade do amor sem conhecimento. Sendo o amor uma arte, exigiria esforço e conhecimento. E o domínio dela nada teria a ver com sucesso, poder, dinheiro. Sem ele, a humanidade não existiria. Implicaria cuidado, responsabilidade, trabalho, respeito, dedicação e liberdade.

O Homem não é um Animal / Nagib Anderáos Neto

Pensar por própria conta custa certo esforço, como todo ato criativo, e exige preparo, treino, exercício diário. É diferente de sonhar, lembrar, imaginar. Ao criar, a imaginação, o sonho e a recordação poderão ajudar. Seja uma pintura, um filho, um pensamento, o criador se confunde com sua obra, vive nela. Pensar é respirar. Sem ar o corpo expira. Sem pensar, a alma dorme. Quem não pensa vive repetindo coisas pensadas por outros, submete-se, repete-se.

A rotina é inimiga da criação, como a preguiça, a indiferença e o conformismo. Os animais se repetem, o homem pode se diferenciar, se transformar, mudar no breve hiato entre o nascimento e o desenlace fatal. Se ele fosse um animal – com o perdão de Darwin – estaria sujeito à lenta lei evolutiva que rege todos os processos da Natureza.O fato de se cogitar que os seres vivos descendam de um ancestral comum não significa que o homem, resultado de uma evolução biológica, seja um animal.

ELEIÇÕES E PALANQUE / Nagib Anderáos Neto

O estímulo à iniciativa privada deveria ser base de toda política desenvolvimentista. O homem de iniciativa cria trabalho para si e outras pessoas. Às classes trabalhadoras se deve dar oportunidade de trabalho e iniciativa. Todo assistencialismo é pernicioso por acomodar o assistido, como a esmola que vicia, paralisa, entorpece. Uma política econômica inteligente deveria estimular a iniciativa privada. Juros e impostos em ascensão desestimulam a produção gerando desemprego, estagnação e inflação.

Um governo mal gerido e endividado toma dinheiro no mercado para pagar sua ineficiência gerando inflação. Ao invés de estimular a educação e a iniciativa, promove o assistencialismo, aumenta sua dívida e encobre seus rombos através da desinformação e da tergiversação.Para manter-se como governo indefinidamente, os partidos no poder negociam alianças que garantem votos através de gastos públicos indevidos, utilizando o dinheiro que lhes chega através de impostos crescentes e juros exorbitantes. Em outras palavras: o bolso do povo é subtraído legalmente através de conluios que aqueles partidos arquitetam.

EDUCAÇÃO SUSTENTÁVEL / Nagib Anderáos Neto

Preservar o meio ambiente é preparar um mundo melhor para a humanidade do futuro e protegê-la dos equívocos cometidos no passado, colocando o homem como a figura central no teatro da vida; é pensar com inteligência e colaborar com a Natureza para o ser humano realizar o objetivo para o qual foi criado: viver harmonicamente e aprender com seus irmãos no magnífico cenário que lhe foi presenteado. Diz-se que a empresa do futuro deverá estar apoiada num tripé para desenvolver-se: qualidade do que produz, responsabilidade social e cuidado com o meio ambiente, a saúde e a segurança do trabalhador. Acrescentaríamos um quarto elemento: o desenvolvimento da capacidade de colaboração entre os que estão envolvidos dentro das empresas. Colaborar significa trabalhar em conjunto e harmonicamente para alcançar, além dos objetivos da empresa, a convivência pacífica entre as pessoas e as instituições diversas. Uma razão superior deverá nortear a razão humana.

A empresa de futuro colocará a palavra “serviço” em relevo nas suas atividades. Há uma enorme mudança cultural em andamento na forma de pensar e agir das pessoas. O trabalho voluntário começa a ser valorizado porque proporciona um crescimento pessoal sem precedentes, por fugir à rotina e desmontar o egoísmo atávico que esteve impregnado nas sociedades que nos precederam; ao servir, o maior beneficiado é quem serve com inteligência. Já se compreende que o trabalho voluntário proporciona um crescimento pessoal de inestimável valor. Muitas pessoas direcionam o seu tempo livre para atividades que pouco têm a ver com a rotina do dia-a-dia. Questões ambientais, culturais, filosóficas, educacionais, de segurança têm a preferência das pessoas que através de associações, organizações não governamentais ou Fundações agrupam-se em torno de objetivos claros e planejam tarefas que beneficiarão outras pessoas. Experimentam a realidade da importância da colaboração, ingrediente indispensável para a construção de uma nova sociedade.

Para melhorar a memória / Nagib Anderáos Neto

Os cientistas dizem que as atividades intelectuais ajudam a preservar a memória; que pensar faz bem para ela. Estudos sugerem que as perdas da memória com a idade são menores em quem exercita bastante o cérebro; a massa de neurônios seria maior. O mal de Alzheimer é uma doença irreversível; há uma correlação entre ela e a inatividade mencionada. Mas o esquecimento não é privilégio dos que têm idade avançada. Há muitos jovens esquecidos. Muitas vezes, as causas não são fisiológicas, senão psicológicas, mentais. Regras mnemônicas ajudam a recordar o nome de uma pessoa, de uma rua. Não sobrecarregar a memória com informações inúteis, também. A mnemônica é uma arte ou técnica de fortalecer a memória através da associação daquilo que deve ser memorizado com dados já conhecidos. A palavra vem de Mnemosine, a deusa grega da memória, irmã de Cronos e Oceanos, a mãe das musas, a que saberia tudo o que foi, o que é, o que será. Possuído pelas musas, o poeta inspira-se diretamente no conhecimento de Mnemosine.

As instrutivas metáforas gregas nos ilustram sobre a importância e beleza da memória, quando devidamente cultivada e desenvolvida. Uma forma e combater o esquecimento ou falta de memória é interessar-se pelo que se faz, pois quando existe o interesse, as experiências fixam-se fortemente nos arquivos mentais, sendo dificilmente esquecidas. E há interesse quando há atenção. Ao agir rotineira, mecânica e desatentamente, os fatos não se fixam, evaporam-se, são esquecidos. A palavra interesse tem sua origem no latim e significa estar entre. Podemos dizer que é uma postura mental ativa diante de algo que nos chama a atenção. Leva-nos a aprofundar no objeto que estamos vendo ou analisando com os olhos mentais: a observação e o entendimento.Quando existe o interesse, os fatos, as sensações e as experiências fixam-se fortemente nos arquivos da vida, os da mente e da sensibilidade, sendo jamais esquecidos. Podemos nos interessar por uma pessoa, um animal, um objeto, uma paisagem, um conhecimento.

Sócrates e a Busca da Sabedoria / Nagib Anderáos Neto

Sócrates era visto como um corruptor perigoso da juventude. A todos exortava a não se preocupar tanto com as coisas materiais, senão com a alma; que se tornassem pessoas boas. Um sábio que dizia nada saber e que poderia ter sido um ponto de inflexão cultural e dos costumes, mas não o foi. Tomou da cicuta cumprindo o destino que lhe fora imposto pelos juízes e políticos para os quais um povo que pensasse não seria conveniente. Quando o filósofo disse ser imortal, quis, talvez, significar que seus pensamentos e idéias sobreviveriam à morte e seguiriam pelos séculos como fachos luminosos para as inteligências que se decidissem por pensar.

Para o filósofo grego, nada mais interessava que a Verdade e a Justiça; por tal postura foi condenado pelo Estado decadente.

Para seu discípulo Platão, as virtudes seriam arquétipos que o ser humano traz consigo ao nascer, mas que, misteriosamente, ficariam aprisionadas na consciência humana, esperando a liberação de seu mutismo. Haveria no Universo um impulso natural para a perfeição; os arquétipos estariam no mundo metafísico revestidos de profunda realidade e permanência. Os seres seriam transitórios, os arquétipos permanentes. O homem existira antes de sua existência temporal como arquétipo.

Mudanças e Evolução / Nagib Anderáos Neto

Mais importante que o resultado de uma mudança é a vontade de mudar que deve estar sempre presente em qualquer atividade. As grandes mudanças são as na maneira de pensar e sentir, e podem trazer uma grande felicidade que é inalcançável pela ilusória embriaguez da posse, toxina mental que entorpece e engana.

O obscuro pensador Heráclito dizia serem as mudanças a essência das coisas, como a corrente de um rio no qual não se pode entrar duas vezes. Como aquele rio, a vida é cambiante e deverá ser por nossa vontade, não pela alheia. A essência da evolução é o movimento. O homem, entidade ímpar nesta parte da Criação, poderá realizá-la conscientemente em sua natureza mental e psicológica.

Para que as mudanças ocorram, será necessária uma ampla análise das idéias e pensamentos que carregamos na mente para promover as que achemos necessárias. Ao assumir o controle delas, estaremos assumindo o da vida, deixando de ser o que somos para ser outra pessoa melhor, mais humana, inteligente e feliz. Trata-se de tomar as rédeas do destino, ao invés de esperar que outros venham dirigi-lo por nós ou resolver os nossos problemas, como quando, pequeninos, nossos pais assumiam a direção e o cuidado de nossas vidas. Ao abandonar esta infância espiritual, estaríamos recuperando a humana quando éramos felizes, eternos e confiantes no futuro.

Conhecimento versus Agnosticismo / Nagib Anderaos Neto

Tudo o que sei é que nada sei, teria dito Sócrates, a personagem de Platão. Eu menos, pois nem sei se nada sei, escreveu Fernando Pessoa no poema Agnosticismo Superior. O agnosticismo só admite conhecimentos adquiridos pela razão e evita qualquer conclusão não demonstrada. Ele trata as questões metafísicas como discussões inúteis, por serem, em sua visão, realidades incognoscíveis. Quem formulou o tema por primeira vez foi o biólogo inglês Huxley no século XIX. Em sua origem, a palavra significa aquilo que é oposto ao conhecimento. O sentido empregue pelo cientista parece ter sido de que Deus jamais poderia ser conhecido.

Os homens criaram um deus a sua imagem e semelhança, uma personagem na qual se poderia acreditar ou não. Nesse sentido, o agnóstico seria a pessoa que não aceita ou não acredita naquela invenção, pois o deus criado pelos homens expulsou-os do paraíso por terem eles provado o fruto proibido do conhecimento, quando uma inteligência esclarecida haveria de supor que somente através dele, o conhecimento, se poderia aproximar-se Dele. Paradoxalmente, os agnósticos não acreditam também na não existência de Deus, pois da mesma forma, para eles, que a existência de Deus não pode ser provada pela razão, sua inexistência também não o pode. São lucubrações realmente confusas. Se Deus se confunde com a própria criação, como um homem se confunde com sua vida, seus filhos, seus amigos, suas obras, Ele pode, sim, ser conhecido.

Marquês de Condorcet / Nagib Anderáos Neto

“Uma bela tarde em Paris, pelos fins do século XVIII, homens importantes da época reunidos na casa de distinta personagem”. Assim o escritor Bulwer Lytton, em seu romance Zanoni, ambienta um breve discurso de Condorcet, à época com grande reputação. E o nobre francês de nascimento, ali transformado em personagem, falou com toda a eloqüência:

“É absolutamente necessário que a superstição e o fanatismo cedam lugar à Filosofia. Os reis perseguem as pessoas, os sacerdotes perseguem as opiniões. Quando não houver reis, os homens estarão seguros; quando não houver sacerdotes, o pensamento será livre. Então começará a Idade da Razão! Igualdade de instrução, igualdade de instituições, igualdade de fortunas”.

“Sob a mais livre das constituições, um povo ignorante é sempre escravo”, escreveu certa vez o inspirado francês Marie-Jean-Antoine-Nicolas Caritas Condorcet.

Literato, filósofo, economista, matemático e político,  sucumbiu numa prisão parisiense no ano de 1794 nas mãos dos terríveis jacobinos liderados por Robespierre, depois de ter colaborado ativamente naquele movimento revolucionário que pretendia acabar com os desmandos de uma monarquia abusiva, mas acabou tornando-se o primeiro grande movimento terrorista de que se tem noticia.

O LEITOR GUEVARA / Nagib Anderáos Neto

Guevara é capa do livro O Último Leitor do escritor argentino Ricardo Piglia; é uma foto do leitor isolado em cima de uma árvore na Bolívia, em plena luta armada. O guerrilheiro da década de sessenta surge como o leitor incansável que sonhara ser escritor. ”Naquele tempo eu achava que ser um escritor era o título máximo a que se podia aspirar”, escrevera certa vez a um amigo. 

O jovem viajante de uma América esquecida imaginou escrever sobre as aventuras de um turista ímpar à procura de um enredo. Antítese do Quixote, que pretendera viver as aventuras lidas, o argentino escolheu viver, experimentar, para depois escrever. E sempre acompanhado dos livros, amigos inseparáveis desde a infância até o triste desenlace de sua execução na selva boliviana.

A CRISE E AS MUDANÇAS / Nagib Anderáos Neto

A crise como oportunidade de mudança é muito significativa no momento atual. Se devemos ser uma mudança que desejamos ver nos outros, como disse Ghandi certa vez, o que fazer para mudar? O que mudar em nós mesmos? Na medicina ela significa uma alteração, para melhor ou pior, que sobrevém no curso de uma doença, ou um acidente repentino; pode ser a ruptura de um equilíbrio emocional ou econômico, um momento perigoso, uma tensão. A palavra vem do grego (Krisis) e significa o estado de situações em mudança. Tudo deve mudar na vida. Se não podemos alterar os desígnios de uma vontade que determina um tempo para ela, a trajetória dos astros, o ritmo do Universo, há um amplo espaço de liberdade para se movimentar, desde os obscuros níveis da ignorância até as alturas do conhecimento.

Por que não mudar a maneira convencional de reagir diante da adversidade? Por que não deixar de ser o que se é para se tornar alguém melhor? A vida deve ter um significado e um objetivo. Suas grandes metas podem se transformar numa obra pessoal realizável. Há um equivocado ditado popular que diz que pau que nasce torto morre torto; que as pessoas não mudam.Mas não há crescimento sem mudanças. No mundo é assim: a criança, o adolescente e o adulto; a semente, a planta e a árvore. O ser humano, como entidade potencialmente inteligente, também deve mudar sempre, e para melhor. Talvez seja essa a fonte da eterna juventude. E o primeiro passo é o reconhecimento das limitações e o cultivo do propósito de se transformar.

22 DE MARÇO - DIA MUNDIAL DA ÁGUA /Nagib Anderáos Neto

A situação do abastecimento de água no mundo é preocupante. Mais de um bilhão de pessoas não têm acesso a ela; dois bilhões e 400 milhões  não dispõem de saneamento, com projeções alarmantes para 2025 quando bilhões de seres humanos sofrerão sérias conseqüências por sua escassez.

O Brasil, que possui 14 % da água doce existente no mundo, tem muito que fazer para cuidar deste bem valioso e finito, pois cuidar da água significa cuidar da vida do homem na Terra. Este é um assunto de muita importância.  A água é estratégica, ligada à soberania, à economia e à saúde, embora não dê votos, sendo esquecida pelos políticos. O cuidado com a água reflete educação e desenvolvimento. Não há consciência sobre a importância do uso racional e a necessidade de proteção dos rios e das águas subterrâneas através do adequado afastamento e tratamento do esgoto doméstico e industrial.

A Paciência e o Tempo / Nagib Anderáos Neto

Não importa se vamos devagar, o importante é não parar, teria dito o pensador chinês Confúcio (551ac – 479ac), para quem transportar um punhado de terra todos os dias permitiria fazer uma grande montanha. Para ele, não corrigir as nossas falhas seria o mesmo que cometer novos erros. Seus ensinamentos não conformavam uma religião, senão um guia comportamental para ser posto em prática. Consta que ensinara que cada um deveria corrigir a própria conduta antes de tentar corrigir a alheia.

A síndrome da urgência é uma doença da modernidade, apesar da sabedoria popular já nos ter prevenido sobre os seus prejuízos e os da impaciência. A pressa é inimiga da perfeição, costumávamos ouvir dos mais velhos. E para com quem tem urgência, devemos ter paciência. O bem mais precioso da vida é o tempo que em essência é ela própria; para ganhá-lo, seria necessário aprender a pensar, criar soluções para os problemas do dia-a-dia, idéias e pensamentos que fossem úteis a todos. Os apressados, os que estão sempre a cobrar urgência de si e dos outros, são os que mais violentam o tempo e a vida, que mais erram, pois fazem tudo superficialmente.

A NOVA GUERRA / Nagib Anderáos Neto

O maior dos desastres humanos é a guerra, a culminação de erros frutos do fanatismo, da ignorância, do materialismo. A cegueira do entendimento leva o ser humano a voltar-se contra a própria espécie, a cometer os crimes mais abjetos, a destruir a infância e a juventude nos campos de batalha em nome de suas inconfessáveis ânsias de poder e domínio.

Não se pode ficar indiferente ao sofrimento alheio e à barbárie; às crianças órfãs e aos lares dilacerados; às políticas desumanas que jogam povos contra povos para atender mesquinhos interesses materiais; ao ódio disseminado nas mentes infantis pelos senhores das guerras que as transformaram em veículos do terror gerado em outras pervertidas por séculos de rancor.

A longa história neste peregrinar sofrido de guerras e extermínios vem-nos demonstrar que precisamos cultivar a vontade por uma vida nova para que a existência deixe de ser um inferno, um vale de sofrimentos e lágrimas construído pelo homem. Ao olhar para trás sem uma perspectiva futura, alimentados por negros pensamentos e crenças absurdas, sentimo-nos devorados pela ignorância. A construção de um novo futuro torna-se inadiável para que se possa escapar desta temporada nas sombras.

Por Uma Economia de Baixo Carbono Contra o Aquecimento Global / Nagib Anderáos Neto

A questão do aquecimento global alcançou contornos dramáticos com a publicação do relatório Stern no Reino Unido em 2006. Economistas de todo o mundo consideram que as empresas não podem mais desprezar os impactos ambientais no planejamento de seus empreendimentos. A prova cientifica de cataclismos iminentes neste século são irrefutáveis e há grande preocupação com o desenvolvimento de técnicas para utilização de energia limpa.

O aquecimento global está afetando seriamente a economia do planeta. O derretimento de geleiras provocará graves inundações afetando o abastecimento de água e a agricultura na Índia, na China e parte da América do Sul. As áreas costeiras, onde uma em cada vinte pessoas vive no planeta, serão seriamente afetadas, a começar pelos países mais pobres cujas economias serão muito prejudicadas. Mesmo os mais ricos não sairão imunes, como no sul da Europa, pelas dificuldades com a água, nos Estados Unidos, com o aumento da velocidade dos furacões, e no Reino Unido, com as inundações.

A Evolução da Consciência / Nagib Anderáos Neto

O famoso oráculo de Delfos, magnífica construção assentada às encostas do monte Parnaso, ostentava em sua fachada a enigmática inscrição celebrizada por Sócrates cujo significado permanece obscuro até hoje: conhece a ti mesmo. Para lá se dirigia o viajante sedento de conhecimentos levando suas inquietações e questionamentos ao deus Apolo, o deus do sol e da luz, da música e da purificação, da tranqüilidade e da beleza, cujas colunas lá permanecem até hoje desafiando o tempo. Conta-se que ele falava ao viajante através da pitonisa, sacerdotisa que intermediava o contato. Essa crença grega de que os deuses falariam aos homens através dos sacerdotes influenciou as diversas religiões que sucederam aquele período histórico.

Deus pode falar a um ser humano através de qualquer outro. Para uma criança, os pais se confundem com Deus pela proteção, amor e conhecimento que lhe transmitem. Assim também o mestre, o instrutor, o professor que junto com o ensinamento transmite a amizade. Mas Deus não precisa de nenhum intermediário para que se o sinta nas profundezas do coração, embora esteja ali presente nas palavras e nas atitudes de quem faça um bem para o seu semelhante.

Política e Palanque / Nagib Anderáos Neto

Muitos políticos parecem atores de telenovela que representam papéis que na vida real jamais poderiam desempenhar. Um ator que nunca cursou uma faculdade desempenha o de um economista, um administrador, um professor, um gestor público. Isto porque a política, que deveria ser a arte de gerir o bem comum, passou a ser a arte de chegar ao poder e permanecer nele, discursar e predicar, candidatar-se e eleger-se vitaliciamente.

Ela não é somente exercida nos governos em suas diversas esferas. Os políticos estão por aí, nas empresas, associações, sindicatos, nos conluios e panelinhas, sempre a atender sonhos de poder e projeção. A ambição não olha apenas para a riqueza, olha também para os insanos sonhos de poder. Os políticos são, em geral, personalidades travestidas de simpatia e mansidão, críticos ácidos de todos os que não se subjuguem aos seus critérios, movidos por pensamentos farisaicos, medievais, cruéis. E estes pensamentos devem ser combatidos, pois todos nós temos um pouco destas manchas em nossas mentes que endurece os corações.

Os Livros e a Evolução Humana / Nagib Anderáos Neto

Cada livro lido é uma aventura ímpar. Para o leitor, uma releitura será uma escritura diferente; ele cria com o escritor em função do que tem na mente, do que está vivendo, da época em que se encontre. Um livro pode ser muitos livros. Qual a mágica da leitura? Que profundo mistério envolve a literatura para a qual tantos são atraídos? Seria apenas um prazer da solidão? Um exercício de reflexão? O que ocorre de fato ao se ler um bom livro?

Vem-me à recordação o Don Silencioso de Mikail Sholokov, odisséia de uma família russa com a qual tomei contato na adolescência; três volumes que encheram algumas semanas da vida de expectativa e emoção. O que aconteceu com aquele adolescente que se viu transportado para as estepes russas num salto para o passado, percorrendo com os cossacos as planícies geladas numa epopéia histórica de séculos? Qual mistério envolve a boa leitura? Seria uma fuga, um alheamento da vida e dos problemas?

História ou Estória? / Nagib Anderáos Neto

Num texto escrito há alguns anos, eu usara a palavra estória para referir-me à ficção anacrônica de muitas telenovelas. O amigo Walter Ono devolveu-me a matéria com uma correção onde dizia que estória sem agá é que era anocrônica, coisa dos anos sessenta que entrou e saiu rapidamente da história da nossa língua pelas mãos do grande Guimarães Rosa. Corrigi o texto e publiquei-o algumas vezes nos anos seguintes.

Recentemente, consultando um livro de gramática no capítulo que tratava das palavras parônimas – aquelas que possuem grafias e pronúncias parecidas -, encontrei, dentre os inúmeros exemplos, as duas: história – narrativa de fatos real- e estória – narrativa de ficção.

Quanto ao português, o assunto se esclarecera, mas o que estava por detrás da palavra, o sentido primeiro, o pensamento que a originou, não estava muito claro. Seria possível uma narrativa fiel dos fatos reais? A verdadeira história seria passível de ser narrada com total fidelidade?

Cem Anos Com Machado de Assis / Nagib Anderáos Neto

Na madrugada de 29 de Setembro de 1908, lúcido e recusando a presença de um padre, morreu Machado de Assis.

Nascido aos 21 dias de Junho de 1839, numa parte suja da cidade do Rio de Janeiro, meio escravo, tornou-se um dos maiores escritores da amada língua portuguesa. Afeito à reflexão, ironizou a bondade dos brancos à época da abolição e também o advento republicano.

Sua morte lembra a de Voltaire. Ambos anticlericais, exímios escritores, conhecedores profundos da psicologia humana, críticos ímpares da sociedade e dos costumes, defensores da cultura e da liberdade, da literatura e da filosofia, lutaram bravamente contra as ervas-daninhas que entorpecem o solo mental e impedem o florescimento das idéias.

DEUS E O CONHECIMENTO / Nagib Anderáos Neto

A relação do homem com a Natureza ou com Deus não pode ser sobrenatural, porque o deus sobrenatural não é natural, é uma ficção criada pelo homem.

Deus não pode ser tampouco exclusividade deste ou daquele agrupamento, por ter forte relação com o homem, com qualquer homem, e com a Natureza, e com a harmonia, e também com a arte, que no dizer de Borges é um pequeno milagre. Cada sentido é um dom divino, escreveu Bandeira. E a vida deveria ser feita de arte, que é divina, como o dom de reconhecê-la, por ser a beleza uma revelação.

O espectro de Sócrates não nos abandona ao nos murmurar continuamente que o ignorante é o que acredita saber, mas não sabe, o crente numa realidade fictícia, imaginária. Sócrates foi condenado porque buscava a verdade, o conhecimento, pois abominava a ignorância. Essa busca era um princípio de conhecimento, e ele se julgava predestinado a abrir os olhos da inteligência dos jovens para que começassem a pensar por própria conta, serem verdadeiramente livres, pois a única salvação está no conhecimento.

As Quimeras da Auto-Ajuda / Nagib Anderáos Neto

O ser humano costuma ser muito rigoroso quando julga os semelhantes e muito complacente quando deve julgar-se. Culpa os demais por seus infortúnios. Os outros são sempre os responsáveis por tudo: familiares, amigos, o governo, o sócio, o patrão, o empregado. Dificilmente reclama de si mesmo e se coloca como alvo das próprias críticas. Assim, é muito difícil encontrar a força necessária para ajudar-se. A força existe, a possibilidade está latente; para despertá-la, será necessário mudar a conduta no dia-a-dia. A tarefa exige sinceridade, humildade, desprendimento, certa dose de coragem e perseverança.

Há pessoas que não querem mudar sua maneira de ser, querem continuar seguindo como são, estão satisfeitas. Há as que querem mudar, transformar-se, melhorar. E se é para mudar para melhor, então é melhor mudar. Uns querem deixar de ser impacientes, irritadiços, intolerantes; outros, conviver melhor com parentes e amigos, encarar com sucesso os assuntos sociais e profissionais, deixar de experimentar a tristeza e a depressão, abandonar a timidez que impede a exposição clara do pensamento e ser úteis a si mesmos e aos semelhantes, encontrando um sentido maior para a vida.

A Muralha da China / Nagib Anderáos Neto

Em “Outras Inquisições” Borges menciona o imperador Shih Huang Ti que ordenou que se construísse a infinita muralha para defender-se da invasão de bárbaros, e que todos os livros existentes antes dele fossem queimados, possivelmente para defender-se dos pensamentos e idéias que pudessem despertar seus súditos do sono da escravidão.

Renunciar ao passado e isolar o império do mundo foram medidas que influenciaram o destino daquele povo. Ele, como tantos outros déspotas construtores de muralhas, não chegou a compreender que as soluções dos problemas humanos dependem do entendimento e da união entre os homens.

Não se pode apagar a Verdade que possa estar contida nos livros, pois está estampada na Natureza e inscrita nas consciências. E piores são as muralhas mentais que separam a alma humana de sua consciência, tornando os homens violentos, irascíveis, desumanos e desunidos.

Consciência e Meio Ambiente / Nagib Anderáos Neto

Questões ambientais e sociais deixaram de ser marginais ao negócio e passaram a ser essenciais, estratégicas. O conceito de sustentabilidade transcendeu a questão ambiental alcançando a social e a educacional. Responsabilidade na utilização dos recursos naturais, no consumo e no trato com a sociedade faz parte da administração moderna.

A preocupação com o meio ambiente e com o ser humano que vive em sociedade é conseqüência da estranha modernidade que se observa, com o afastamento entre as pessoas e os povos provocado pela ignorância e por preconceitos de toda a ordem. Essa preocupação poderá se transformar num fator de união de esforços para a melhoria das relações com a natureza e entre os seres humanos.

A Arte de Sonhar / Nagib Anderáos Neto

Qual mistério envolve a atividade artística quando o ser humano decide elevar-se sobre a mediocridade da vida rotineira para alçar-se em vôos cujas obras eternizam-se, transcendendo os curtos anos de vida na Terra?

Por que arte e cultura são tão celebradas?

As crianças trazem consigo uma vocação natural para a arte que se vai apagando ao tempo em que crescem e vão sendo influenciadas e sufocadas por este mundo cheio de idéias práticas permeadas pelas ânsias da produção, do trabalho, do lucro e da exploração.

Saúde Mental / Nagib Anderáos Neto
A educação convencional privilegia o desenvolvimento das funções mentais de recordar e imaginar em detrimento de outras tão importantes como as de julgar, entender, raciocinar, observar e pensar. Quando se diz que usamos uma parte muito pequena de nosso cérebro – o órgão físico através do qual a mente pode se manifestar - possivelmente se esteja intuindo que este órgão psicológico – a mente – é pouco utilizado por não ter sido convenientemente desenvolvido.

Lembra-me os tempos de ginásio e de como se era forçado a decorar nomes, datas, fatos e fórmulas matemáticas. O bom aluno era o enciclopédico, o que se destacava, e que hoje se compreende ser o que tinha uma mente deficiente e desequilibrada em suas funções. Era uma cultura de repetições inúteis.
O Dom da Decifração / Nagib Anderáos Neto

A desordem faz perder muito tempo. Um documento extraviado, o celular que desapareceu na bagunça do escritório, uma conta esquecida em algum lugar. Colocar ordem na vida implica ordenar a mente e adestrar a inteligência. E como se faz isso? Tudo principia com o reconhecimento da própria incapacidade. Tudo o que sei é que nada sei, disse Sócrates, a personagem de Platão, enfatizando a idéia de que o principio do processo da aquisição de um conhecimento é o reconhecimento da própria ignorância.

A Lei do Tempo / Nagib Anderáos Neto

O mistério do tempo é o mistério da vida. Da compreensão de ambos depende o segredo da conquista da felicidade. Mais do que um bem precioso, o tempo é história, eternidade, paciência, sabedoria. Deus é paciência, disse a personagem de Guimarães Rosa em Grande Sertão Veredas. Uma parte de Deus também é tempo, irmão da paciência, pois lá estava ele no inicio de todas as coisas.

Tempo, paciência, movimento e mudanças são lições diárias que a Natureza oferece através de suas múltiplas faces para a inteligência humana que pode decifrá-las. A fuga do tempo existe para quem não consegue retê-lo e multiplicá-lo. Neste caso, os ponteiros do relógio são uma tortura. Não há tempo suficiente para o cumprimento dos compromissos.O tempo passa muito rápido e escraviza a pessoa que julga que tempo seja dinheiro. Se tempo fosse dinheiro, Deus seria um banqueiro.

O Super-Homem / Nagib Anderáos Neto
A prematura morte de Dana Reeve aos 44 anos, pouco após o desaparecimento de Cristopher Reeve, trouxe-nos algumas reflexões sobre o amor e o sofrimento causados por separações irreparáveis que algumas vezes se mostram como mestres exemplares e insubstituíveis. Como escreveu Platão no Banquete, se verdadeiramente os deuses sabem apreciar a força que nasce do amor, mais apreciam e recompensam se é o que ama que se sacrifica pelo amado. E a razão é esta; o que ama é, de certa maneira, mais divino que o objeto amado, pois possui em si a divindade; é possuído por um deus.
                       
Vítima de um câncer fulminante, a esposa do ator que esteve ao seu lado e que presidiu a Fundação que leva o nome do marido foi incansável na luta para o desenvolvimento de pesquisas de células-tronco que pudessem ajudar na cura de problemas físicos hoje insolúveis.
A Esperança de Pandora / Nagib Anderáos Neto

Zeus, o deus supremo da mitologia grega, é fruto de uma complicada teogonia que se assemelha à genealogia humana. Bravo e vingativo, o deus dos gregos casou-se inúmeras vezes gerando uma sucessão de deuses menores: Apolo, Hebe, Hermes, as Musas, etc. Diz-se do estranho chefe do Olimpo que havia ódio em seu coração e que tinha prazer em castigar os homens.

E que certa vez, para vingar-se de Prometeu que roubara uma faísca do sol para com ela iluminar a inteligência humana, o mal humorado superintendente celeste resolve castigar os homens fazendo-os perder-se para sempre por meio de um ser extremamente belo detentor de todos os dons, Pandora, a primeira mulher!

Por uma Política Econômica Inteligente: Menos Impostos e Mais Educação / Nagib Anderáos Neto

O estímulo à iniciativa privada é a base de toda política desenvolvimentista. O homem de iniciativa cria trabalho para si e para outras pessoas. Às classes trabalhadoras se deve dar oportunidade de trabalho e iniciativa. Todo assistencialismo é pernicioso por acomodar o assistido, como a esmola que vicia, paralisa, entorpece.

Uma política econômica inteligente deveria estimular a iniciativa privada. Juros e impostos em ascensão desestimulam a produção gerando desemprego, estagnação e inflação.
Um governo mal gerido e endividado toma dinheiro no mercado para pagar sua ineficiência gerando inflação. Ao invés de estimular a educação e a iniciativa promove o assistencialismo, aumenta sua dívida e encobre seus rombos através da desinformação e da tergiversação.

A logosofia e o sistema mental / Nagib Anderáos Neto

Num artigo publicado em 11 de Agosto de 1938 em O Diário de Buenos Aires, o pensador e educador González Pecotche declarara que a Logosofia sustentava como base doutrinal a existência no homem de um sistema mental que rege a psique humana passível de ser conhecido e aperfeiçoado, constituindo-se no principal fator da vida.

Diferenciado do cérebro – órgão físico através do qual ela se manifesta –, a mente, que compõe o sistema mental, é a que pode pensar, recordar, julgar, imaginar, criar pensamentos, o que os animais não fazem, apesar de terem cérebro, pois não têm consciência de sua existência. O animal é rotineiro, instintivo; aprende pela repetição, mas não cria e nem pode aperfeiçoar-se.

A Noite Eterna / Nagib Anderáos Neto

No dizer de Schopenhauer, a crença na imortalidade ou a na morte como aniquilação absoluta são igualmente falsas. Seria necessário encontrar um justo meio entre elas, um ponto de vista superior. A morte é para o ser humano aterrorizante, porque ele não a compreende. A vida é muito curta e caminha para a morte rápida e inexoravelmente. Esta é a única e grande certeza: um dia se vai morrer.

Liberdade pela educação / Nagib Anderáos Neto

A causa de toda a pobreza é a ignorância. E não há outra forma de combatê-la que não seja através da educação. Muitos países ditos em desenvolvimento vão de encontro à história pelo mau exemplo de seus governantes que privilegiam o assistencialismo inócuo que mergulha o povo na inércia ao invés de estimular o estudo e a iniciativa.

Não há maior inimigo da liberdade que a ignorância. E não há maior ignorância que a ausência de si mesmo, a inconsciência dos que se encarceram por detrás dos barrotes dos preconceitos e de idéias medievais e retrógradas.

A CELEBRAÇÃO DA AMIZADE / Nagib Anderáos Neto

Há algum tempo recebíamos a notícia da morte de um amigo e refletíamos que o que se ausenta deveria ser recordado, para que não morresse pela segunda vez; a sua sobrevivência dependeria, em parte, dessa recordação que seria um tributo àquele espírito que continuaria vivendo entre nós.

Revendo um ensaio de um pensador americano sobre a amizade, não pude deixar de recordar daquele dia e fazer algumas reflexões sobre a amizade e a vida, pois serão os nossos amigos que estarão presentes nas celebrações da vida e da morte.

A amizade não pode ser uma ligação passageira e interesseira, senão a confortante experiência de estar acompanhado. E não se pode ser amigo de alguém se não se é de si mesmo.

O Escritor e o Leitor / Nagib Anderáos Neto

Cada livro lido é uma aventura ímpar. Um livro é mil livros. Para o leitor, uma releitura será uma escritura diferente; ele cria com o escritor em função do que tem na mente, do que está vivendo, da época em que se encontre. Um livro pode ser mil livros para mil leitores diferentes.

Qual a mágica da leitura?

Que profundo mistério envolve a literatura para a qual tantos são atraídos? Seria apenas um prazer da solidão? Um exercício da reflexão? O que ocorre de fato conosco ao ler um bom livro? Vem-me à recordação o Don Silencioso de Mikail Sholokov, odisséia de uma família russa com a qual tomei contato na adolescência; três volumes que encheram algumas semanas de minha vida de expectativa e emoção.

O que aconteceu com aquele adolescente que se viu transportado para as estepes russas num salto para o passado, percorrendo com os cossacos as planícies geladas numa epopéia histórica de séculos? Qual mistério envolve a boa leitura? Seria uma fuga, um alheamento da própria vida e dos problemas?

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