A HISTÓRIA DE ANIMAL / Indra Sinha

O mundo experimentou há um tempo o momento curry da Índia. Era Oscar para o lírico e agudo Quem quer ser um milionário? Era livros brockbusters sendo publicados pelo mundo, como os do espanhol Javier Mora (O sari vermelho) ou os de Gita Mehta (Raj), para citar alguns best sellers, era o aumento do interesse pela terra dos marajás, do Taj Mahal, por Bollywood. Por aqui, botando em nossa insossa TV aberta, um pouco desse fascínio, a tupiniquim Caminho das Índias, novela global, vencedora até de um Emmy.

O LAGO / Yasunari Kawabata

Nobel de Literatura de 1968, o japonês Yasunari Kawabata é um escritor que surpreende pela capacidade de fazer um amálgama da beleza estética com a profundidade reflexiva de seus personagens. Um dos seus títulos, recém-lançado em português, define essa sua concepção, de o belo e o triste, coexistindo com o estranho, com o desviado, com o doente... Em O lago (Mizuumi, tradução de Meiko Shimon), o autor conta a história do professor Ginpei, um homem obcecado em seguir belas jovens que encontra na rua.

O MUNDO SE DESPEDAÇA / Chinua Achebe

Em tempos de Copa do mundo, a literatura é uma boa pedida para quem deseja conhecer um pouco do mosaico étnico-cultural que coexistem no continente africano. Contudo, poucos trabalhos chegam daquelas terras e os que chegam ou não são divulgados, ou são publicadas com tiragens limitadas. Entretanto, recentemente algumas editoras renomadas estão trazendo para o Brasil obras importantes de grandes escritores africanos. Entre eles, o romance "O mundo se despedaça" de Chinua Achebe (titulo original: Things fall a part, com tradução de Vera Queiroz da Costa e Silva), lançado por aqui pela Companhia das Letras, um dos romances fundadores da contemporaneidade literária da África, chega na hora boa para reforçar nossa curiosidade sobre a sociedade africana.

O REI BRANCO / György Dracomán

“(...) senti meu corpo esfriar, como na aula de ginástica, depois de uma corrida contra o cronômetro (...) e então o do cabelo grisalho serviu para mim e desce que era bom eu saber que eles não eram colegas do meu pai, mas pertenciam ao serviço secreto, que meu pai estava preso porque tinha participado de atividades contra o governo, de modo que por algum tempo eu certamente não o veria, ou melhor, por muito tempo(...)” páginas 14-15

Para um garoto que idolatra o pai, a sensação naquele momento ao ouvir o que aquele homem lhe falava, e pela situação que sua família passava, era tão conflituosa e angustiante, que para qualquer um em sua idade, provocaria um choque devastador e um amadurecimento impactante. A história acima poderia ter sido verdade em algum recanto do Leste europeu, entretanto fora criada pelo jovem autor romeno naturalizado húngaro György Dracomán. Nas 256 páginas do livro O rei branco (tradução de Paulo Schiller), lançado recentemente pela Intrínseca, retrata de forma comovente, aos olhos de um garoto de 11 anos, a vida sob um regime comunista.

BOX TRILOGIA DA FUNDAÇÃO / Isaac Asimov

O gênero sci-fi, ou melhor, o de ficção-científica, deve muito a figura do russo naturalizado norte-americano Isaac Asimov (1920-1992), que chegou aos EUA aos oito anos e ficaria conhecido pela posteridade por escrever e editar mais de 500 livros, dos mais diferentes gêneros e disciplinas conhecidas pelo homem. Tramas de mistério, policiais, histórias com detetives, livro didáticos, enciclopédias, inúmeros trabalhos científicos, textos autobiográficos e principalmente as mundialmente famosas obras de FC, muitas delas levada ao cinema, como O homem bicentenário e Eu, robô. 

 O seu mais importante trabalho no gênero que apresentou ao mundo obras cinematográficas como Guerras nas Estrelas, Blade Runner, Matrix entre outras, ganhou recentemente nova publicação após anos de espera. Pelo selo da editora Aleph, a trilogia da Fundação, um dos maiores clássicos do século XX retorna ao público brasileiro, premiada em 1966 com um Hugo especial como melhor serei de ficção cientifica e fantasia de todos os tempos, superando obras como O Senhor dos anéis de J. R. R. Tolkien 3 john Carter de Marte, de L. R. Burroughs.

Sashenka / Simon Montefiore

"(...) Família e sentimentos não significam nada para mim (...) O que são essas coisas comparadas ao curso da história?" página 69.

Incômodo é o que podemos sentir em nosso âmago ao ler o trecho acima. São as palavras de um bolcheviche para a sobrinha adolescente, ao explicar o que aconteceria com os pais da garota após a revolução que o camarada Lênin tanto falava em seus discursos e escritos. Várias narrativas retratam a revolução russa pelo terror que foi cometido e dão a dimensão dessas palavras em um contexto mais amplo. Os bolcheviches foram capazes de triunfar perante o poder dos czares e seus opositores do caldeirão político russo - culminando no assassinato a sangue-frio de toda família do czar Nicolau II e de milhares de opositores.

Um livro recém-lançado pela Objetiva, Sashenka (Sashenka, A Novel, tradução de Paulo Afonso) nos passa uma visão diferente daqueles dias, traz uma narrativa de muitos desses acontecimentos sob a ótica de uma jovem nobre russa de origem judia que se converteu ao bolchevismo e acabou por trabalhar para os lideres do que se tornará o Partido Comunista da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). A escolha de uma protagonista feminina é para dar voz a muitas vítimas silenciadas pelo stalinismo.

FOME de Knut Hamsun / Por Cadorno Teles

“Aquilo não tinha gosto, o cheiro nauseante de sangue velho subia do osso, dando vontade de vomitar. Fiz nova tentativa. Ah, se pudesse guaradr um pedacinho de carne, certamente faria efeito; a questão era conseguir que ele ficasse lá dentro. Mas outra vez a náusea me invadia”.

Comentado como o primeiro romance moderno da literatura escandinava, o livro Fome de Knut Hamsun, décadas depois de esgotado, é publicado novamente em português, pela editora Geração editorial. Um clássico do Nobel da literatura de 1920, que com seu protagonista, um escritor que vagabundeia pela ruas da antiga Cristania, sobrevivendo com o que escreve (hoje Oslo, capital da Noruega), conquistou gerações e agora, retorna para garantir às novas gerações a leitura dessa extraordinária obra.

Com tradução de Carlos Drummond de Andrade, Fome traz o controvertido, excêntrico e polêmico autor norueguês. Publicado originalmente em partes em 1888, numa revista dinamarquesa, ganhou a forma de livro em 1890, onde faz um exercício textual da mente humana e sua complexidade perante as mazelas da sociedade.

NARRATIVAS GRAFICAS: PRINCIPIOS E PRATICAS DA LENDA DOS QUADRINHOS de WILL EISNER / Cadorno Teles

Recentemente uma polêmica girou ao redor de um dos maiores nomes da cultura pop de todos os tempos. Will Eisner (1917-2005), o homem que mudou os conceitos da chamada nona arte, que compreendem todas as formas de Arte sequencial (quadrinhos, tirinhas, graphic novel), teve um de seus melhores trabalhos criticados por educadores de alguns estados. A graphic Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço, distribuída pelo Ministério da Educação às escolas públicas, foi considerada imprópria para as bibliotecas que receberam as caixas do PNBE.

O motivo, a sua obra-prima mostra cenas de violência e sexo, e foi rotulado como problemático por alguns órgãos da mídia, e seguindo o rastro, professores solicitaram sua retirada das escolas. Atestar as críticas é um trabalho de míseros desconhecedores do nome Eisner, que com sua arte revolucionou os quadrinhos, ele próprio inventor do termo graphic novel, mesmo que tenham escolhido Um Contrato com Deus que mostra sexo adúltero entre outras coisas, não muito piores que vemos por aí, teriam de rever a classificação etária dos livros e não bani-la das estantes.  Isso é uma clara falta de informação e de um projeto para adequação do mesmo, ou ainda seria mais uma onda de modismo da imprensa.  Eisner lançou Contrato com Deus em 1978, e foi a responsável pelo temo romance gráfico no mercado e na imprensa norte-americana, dando aos quadrinhos um novo destaque e requinte, era o início das narrativas seqüenciais.

FASCISMOS – conceitos e experiências / Maurício Parada (Org.) / Cadorno Teles

31 de outubro de 1922, Benito Mussolini é designado primeiro-ministro italiano pelo rei da Itália, Vitor Emanuel III. Ao mesmo tempo, seus adeptos seguiam para a capital, a pé, a carro ou em trens fretados pelo governo, era a chamada ‘Marcha sobre Roma’. O dia marcava o clímax da ascensão do fascismo ao poder. O fascismo foi uma corrente política que podemos resumir numa frase do próprio Duce, "Tudo para o Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado.”.

A pretensão do fascismo em ser comparado ao socialismo e à democracia impressiona. A capacidade oratória e ideológica de seus líderes aliada ao momento socioeconômico vigente convenceu e mobilizou multidões em torno de si. Nos últimos sessenta anos, mesmo após a turbulência das guerras mundiais, sua presença é sentida no meio intelectual e se incorporou ao universo da produção cultural de massa. O livro Fascismo, conceitos e experiências, organizado pelo professor Mauricio Parada, doutor em História Social (UFRJ, 2003) e mestre em História Social da Cultura (PUC-RJ, 1994), reúne enfoques e estudos contemporâneos dos principais nomes da historiografia sobre o tema, atualizando o limite entre os eixos formadores de significados sobre o assunto. 

STONEHENGE - Bernard Cornwell / Por Cadorno Teles

O inglês Bernard Cornwell, 65 anos, é um dos mais importantes escritores da atualidade. Sua obra se destaca pela autenticidade histórica, pela narrativa realista onde retrata com detalhes cenas diversas que resgatam os períodos históricos do passado. Um apaixonado por História, que com sua linguagem simples, sem muitas delongas, empolga com suas descrições de uma época, sem esconder nem a brutalidade do período, como nas séries Sharpe – As aventuras de um soldado nas Gerras Napoleônicas, que retrata a jornada de um recruta do exército inglês, de sua entrada até se tornar tenente-coronel ou em As Crônicas de Artur, onde dá sua versão ao senhor da guerra.

São mais de 40 livros já escritos e publicados ao redor do mundo, grande parte alcançou rapidamente o topo das listas de mais vendidos em vários países. A possibilidade de sua vinda ao Brasil este ano, já era anunciada em alguns sites há meses, e como saiu nos jornais, é certo que o mestre da ficção histórica venha ao Brasil em setembro, para ficar três dias, como convidado oficial da Bienal do Rio. Enquanto ele não chega, a Record, editora que publica seus livros no Brasil, já promete uma sessão de autógrafos em sua estante.

Diário de Guantánamo /Mahvish Rukhsana Khan

O fim do Gulag americano era assim que alguns noticiários anunciaram a decisão de Barack Obama em desativar a prisão de Guantánamo, erguida num enclave dos EUA em Cuba. O local servia como um campo de detenção militar para acusados de terrorismo e deste o primeiro momento que passou a receber prisioneiros da “guerra ao terror” em 2002, o governo do ex-presidente George W. Bush, fora criticado por diversas organizações de direitos humanos. Acusavam o governo norte-americano de manter em Gitmo – nome informal para a prisão – de não respeitarem os presos, que não direito a defesa, por serem “combatentes inimigos” e costumeiramente submetidos à tortura.

Detidos começaram a serem libertos, e narravam os abusos e as torturas que experimentavam, mas nada era apresentado ao público, alguns especialistas dizem que a decisão de Obama era somente um esforço das relações públicas para renovar a imagem dos EUA no exterior, depois de anos de tortura, e uma tentativa de impedir processos criminais para muitos militares.

Entre a obscuridade da parte do governo, poucas pessoas que tiveram a chance de trabalhar e conhecer a prisão por dentro e relatar o que viram. Entre elas, a advogada e jornalista americana de origem afegã Mahvish Rukhsana Khan, que lançou um livro, Diário de Guantánamo – os detentos e as histórias que eles me contaram (My Guantánamo Diary The Detainees and the Stories They Told Me.), onde relata suas impressões quando trabalhava como intérprete e conselheira jurídica dos detentos afegãos.

O CANTO DO DODÔ - Biogeografia de ilhas numa era de extinções / David Quammen

“Somos um pontinho no céu acima da floresta das florestas. Abaixo, mas não tão abaixo, está um vasto dossel continuo que se estende a perder de vista em todas as direções: a floresta Amazônica. “  página 493

David Quammen (1948), escritor e jornalista norte-americano ao visitar a floresta brasileira, abordou as seguintes perguntas enquanto sobrevoava uma pequena reserva de 1 hectare: “Qual o limiar do decaimento de um ecossistema? Qual o limite inferior de coesão ecológica para uma fração da paisagem?

Se um fragmento de um hectare é pequeno demais para se auto-sustentar, se um de dez hectares também o é, quanto é necessário? Qual então seria o tamanho mínimo critico de um pedaço da enormidade que é e foi a floresta tropical amazônica? A viagem fazia parte de uma pesquisa que levaria a publicar o livro O canto do dodô (The song of dodo) que a Companhia das Letras trouxe recentemente ao Brasil.

Prezado Sr. Stalin / Organizado por Susan Butler

Em junho de 1941 começava a maior invasão bélica vista até então, pelo número de soldados mobilizados – mais de quatro milhões -, pelo número de tanques, aviões e outros veículos militares, pelas dimensões – os seis mil quilômetros que separam o mar Báltico e do Negro – e, sobretudo, pela descomunal ambição de seu propósito: a ocupação da URSS. Iniciava assim a Operação Barbarossa, tão surpreendente para o mundo, como para Stálin.

A audaz jogada de Hitler que, com a invasão em marcha, enquanto a defesa soviética desmoronava como o castelo de cartas, o ditador em Moscou resistia a acreditar na possibilidade de está ocorrendo aquilo. Para ele, não passava, no pior dos casos, de uma manobra provocadora de algum setor do exército germânico. Contudo, quando reconheceu que o Führer também o enganara, a situação do imenso país era crítica. Em pouco mais de uma semana, os alemães avançaram quinhentos quilômetros no território russo, dizimando milhares de soldados e aniquilando a força aérea russa ainda no chão. Imaginava-se a derrocada iminente para a União Soviética.

No dia 30 de julho de 1941, Joseph Stálin recebia das mãos do enviado especial dos EUA, Harry Hopkins, a primeira mensagem de muitas que o presidente norte-americano, Franklin Roosevelt escrevia para o ditador russo. A mensagem de cunho pessoal, como grande maioria, oferecia: "Toda a ajuda possível (...) na obtenção de munição, armamentos e outro suprimentos que sejam necessários para atender as (...) exigências mais urgentes" para dar "condições de prestar a seu país em sua magnífica resistência à traiçoeira agressão da Alemanha Hitlerista" (pág.57).

ENSINAMENTOS DO BUDA: UMA ANTOLOGIA DO CANONE PALI

O Budismo chegou aos nossos dias como uma das grandes religiões mundiais, mas qual o seu verdadeiro significado? Seria mesmo uma religião? Ou seria uma filosofia? Ou ainda um caminho de ensinamentos para uma vida harmoniosa e sem sofrimentos? Ou seria somente um código de ética que evoluiu a um patamar único de modelo à humanidade?

Respostas e interpretações diversas podem ser dadas sobre o assunto, com os trabalhos já publicados, mas consideremos a origem hindu, a partir de um príncipe, Sidarta Gautama, que veio a ser conhecido como Buda e passou à posteridade pelos ensinamentos que deixou no período que viveu no norte da Índia, no século V a. C.

O livro Ensinamentos do Buda procura trazer aos nossos dias o que verdadeiramente Buda deixou, indo defronte às diversas seitas e interpretações dadas ao longo dos séculos, e que chegou ao Ocidente com uma grande e valiosa bagagem. Uma antologia única para se entender o posicionamento e a interpretação dos discursos e diálogos originais de Buda, conhecidos como Cânone Pali, organizados de forma em que o valor espiritual e cultural chegue a todos. 

Machado de Assis - Exercício de Admiração / Ayrton Cesar Marcondes

Quando se pensa na obra de Joaquim Maria Machado de Assis, carioca nascido no Morro do Livramento em 1839, as primeiras cenas que vêm ao pensamento são as de seus grandes clássicos. Retratando um Brasil urbano, em seu cotidiano na vida anônima dos transeuntes, sempre preocupado com as grandes questões da alma humana, na sociedade fluminense na época do Segundo Reinado, passando pelo Romantismo e Realismo. 

Em tempo do centenário de sua morte, nesta segunda, 29 de setembro de 2008, o livro Machado de Assis – Exercício de admiração, escrito pelo médico e escritor Ayrton Marcondes traz uma nova forma de olhar o Bruxo do Cosme Velo, como ficou conhecido o homem que se tornou um dos maiores nomes da literatura mundial. Os exercícios se aventuram nas palavras que tantos já escreveram Sobre Machado, numa jornada pela vida, pelos cenários que viveu e conviveu, num périplo por seus livros para decifrar o mais espetacular de todos os personagens: ele mesmo. 

Arquivos Secretos do Vaticano e a Franco-Maçonaria / Jose A. Ferrer Benimeli

“Este trabalho não nasceu do espírito polemico nem de uma atitude preconcebida. Ele também não foi imaginado como uma apologia, mas como vindo da necessidade de exprimir e consagrar, em um plano cientifico, uma fase característica da história político-eclesiástica do século XVIII, e um aparte a mais para ajudar a compreender e a esclarecer um dos problemas cuja revisão envolve ao mesmo tempo a Igreja e a ciência histórica”.

O espanhol José Antonio Ferrer Benimeli em Arquivos Secretos do Vaticano e a Franco-Maçonaria (Les archives secretes du Vatican et de la franc-maçonnerie, tradução de Sílvia Floreal de Jesus Antunha, Madras) faz um estudo descritivo, baseado em documentos da época, sobre a Franco-maçonaria iluminista, o grupo fiel a monarquia e vinculado a Igreja Católica e Protestante européia, tão diferente do grupo encontrado no século XIX, próxima de Napoleão e partidária do liberalismo republicano, progredindo a lacaísmo e a posição anti-clerical que marcou a Maçonaria da época até os dias de hoje.

Dividir Para Dominar de H. L. Wesseling

O continente africano vive um drama crescente. A cada ano, vemos estourar guerras civis e revoltas tribais que assustam o mundo pelas atrocidades cometidas e pelas conseqüências mortais, como a morte por doenças e pela fome. Assistimos sentados sem nenhum posicionamento sobre o que ocorre na África. Mas já perguntamos o porquê dessa trágica história? O livro, Dividir para dominar – A Partilha da África ,1880-1914 (Divide and rule – The partition of África, 1880-1914) de Hank. L. Wesseling, dar luz a um período histórico que podemos dizer se responsabiliza pelo futuro negro que vemos atualmente.

Traduzir poesia é como desatar um nó / Cadorno Teles

Traduzir poesia é como desatar um nó bem dado, precisa de muito cuidado para o laço não se partir ou piorar ainda mais o nó, contudo sempre o laço se modifica. Da mesma forma é o trabalho do tradutor, onde se constrói compondo para não prejudicar os versos daquele autor estrangeiro. Péricles Eugênio da Silva Ramos (1919-1992) é um dos nomes mais importantes da tradução poética em português, concebeu diversas traduções de grandes autores clássicos e modernos para a língua de Vinícius de Morais, Drummond  de Andrade e Manuel Bandeira.

O paulista de Lorena, também poeta, crítico literário e filólogo construiu traduções tão aproximadas do vernáculo original que recebeu menções honrosas por seu trabalho, como no caso de sua tradução de Hamlet de Shakespearre. A editora Hedra está trazendo, em sua coleção de bolso, parte das obras traduzidas por ele, em edições bilíngües. Um profundo conhecedor do grego clássico e do latim, além do inglês, alemão e francês, Péricles traduziu obras de Villón, Góngora, Vírgilio, Ovídio, Herman Melville, Shakespeare, Byron, entre outros. 

Ascensão e queda do Terceiro Reich / Cadorno Teles

William Lawrence Shirer, famoso jornalista norte-americano marcou seu nome na historiografia mundial, após escrever o seu célebre Ascensão e queda do Terceiro Reich (The Rise and Fall of the Third Reich, tradução de Pedro Pomar e Leônidas Gontijo de Carvalho), um magnífico trabalho sobre um dos períodos mais negros da História: a escalada ao poder dos nazistas na Alemanha, e os conseqüentes horrores da guerra.

Uma obra estupenda que a editora Agir lançou recentemente em uma nova versão, a edição anterior dos anos 1960, foi pela editora Civilização Brasileira em quatro volumes, agora editada em dois tomos, delimitada em pontos históricos, cronologicamente: Volume I - Triunfo e Consolidação 1933-1939 e Volume II O Começo do fim 1939-1945, preservando o conteúdo integral escrito pelo chicaguense, os dois livros são complementares e que podem ser lidos autonomamente.

Um norte-americano encontra bin Laden? Ou seria o contrário

Após passar um mês se alimentando em uma rede de Fast Food mundialmente conhecida, o cineasta norte-americano Morgan Spurlock agora procura o inimigo número um de seu país, o famigerado líder da Al Qaeda, Osama Bin Laden.

Diretor premiado, Spurlock foi indicado ao Oscar e vencedor em 2004 do Sundance Film Festival e do Edinburgh Film Festival, pelo documentário Super Size Me: A Dieta do Palhaço, onde mostra o quanto a indústria da comida rápida faz mal ao organismo e ao bolso, lança um novo olhar em busca do homem mais procurado do planeta, em um livro e um novo documentário, que já saiu lá fora, em turnê européia.

Mundos Invisíveis - Da alquimia à física de partículas / Marcelo Gleiser e Frederico Neves

De uma pergunta saiu a base desse livro. De que é feito o mundo? Desde os primórdios da humanidade a busca pela resposta a essa pergunta atravessa os séculos. Os gregos e seus pensadores formularam a pergunta e disputaram entre si as primeiras teorias que explicavam a composição material das coisas. Os alquimistas de diferente épocas tentaram da mesma forma desvendar os mistérios da matéria. Os físicos e químicos de hoje, se encontram num patamar de conhecimento com tantas teorias, formulações e hipóteses levantadas, que nos faz pensar sobre a ciência e sua incrível jornada ao conhecimento que temos atualmente.

O Mapa Fantasma, de Steve Johnson

Uma cidade de dois milhões e tantos de habitantes, sem um departamento de saúde pública, remoção segura da água dos esgotos ou centros de reciclagem, qual seria a resposta para o lixo de uma população como essa? E como ela conseguiu sobreviver?

A Londres do século XIX era um monstro imenso e canceroso, fadada a implodir cedo ou tarde.”

Em primeiro lugar, respondendo essas dúvidas, a metrópole em questão existe, ou melhor existiu, há mais de cento e cinquenta anos, era a Londres vitoriana, que improvisou uma réplica não-planejada, mas muito importante: um mercado informal para os refugos urbanos, os milhares de catadores de lixo especializados que abasteciam o comércio e os campos com seus “produtos”, como uma espécie de pré-reciclagem.

O Legado de Arn / Jan Guillou

O escritor sueco Jan Guillou(Södermarland, 1944) conquistou uma grande leva de fãs com seu Carl Hamilton, personagem de Coq Rogers uma série de espionagem que o levou a carreira internacional. Antes de ser o escritor sueco de maior êxito na atualidade, era um jornalista contestador e polêmico, em 1973 desmascarou uma rede secreta de espionagem sueca, contudo o meio que conseguiu os documentos para as provas, o conduziu a um ano de cadeia.

Em 1998, Guillou decidiu compor uma história arcada no mundo medieval e começou a escrever sua ambiciosa trilogia sobre as cruzadas, uma obra magnífica ambientada no norte da Europa do século XII, que o tornou um fenômeno de vendas em todo o mundo.

O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford / Ron Hansen

Na literatura de língua portuguesa ou espanhola, é difícil destacar ou nomear um escritor ou um livro de católico, em outras regiões, como por exemplo, os países de língua inglesa, é normal identificar um autor e seu estilo como católico. Esse é o caso do premiado escritor norte-americano Ron Hansen, aclamado pela crítica dos Estados Unidos, que usa em seus livros ensaios da condição humana em enfrentar o bem e o mal.

Um bom exemplo de seu estilo é o livro escrito em 1983, que se tornaria seu romance mais popular, O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford (The assassination of Jesse James by the coward Robert Ford), lançado recentemente em português, pela editora Novo Conceito, e que ganhou uma versão para o cinema, com Brad Pitt e Cassey Affleck como os personagens principais do longa metragem.

Diabo Guardião / Xavier Velasco

 “Ave Maria Puríssima: eu me acuso de ser eu mesma, em tudo quanto é lugar. Isto é, de querer sempre ser outra. E ainda pior do que isso: de consegui-lo, ah, sim! Eu me acuso de bitcher, de witchear e de bancar a ordinária, de ser barata que nem vinho em caixinha, e ao mesmo tempo também caro, como qualquer piranha traiçoeira.” (página 11).

O trecho acima, faz parte da introdução do livro Diabo Guardião (Diablo Guardián, tradução de Paulo Andrade Lemos e Ana Zubasti van Eersel), escrito pelo mexicano Xavier Velasco, que o selo Alfaguara da editora Objetiva publicou recentemente. Com seu estilo próprio, Velasco conta, em uma linguagem ágil e vertiginosa, ao longo de mais de quatrocentos páginas, a história da mexicana Rosa del Alba Rosas Valdivia, uma garota de quinze anos que decide viver a vida nos Estados Unidos.

A história de Olga / Stephanie Williams

Dez anos de pesquisa, uma década reunindo cartas, diários, fotografias e documentos oficiais sobre o período, além de inúmeras entrevistas foi o árduo trabalho que a jornalista canadense Stephanie Williams passou para escrever a impressionante e curiosa historia da avó, Olga Edney no livro A história de Olga: três continentes. duas guerras mundiais e uma revolução – a saga de uma mulher pela história do século XX (Olga Story, Three Continents, Two World Wars and Revolution--One Woman's Epic Journey Through the Twentieth Century, tradução de Aulyde Soares Rodrigues, Rocco, 304 páginas, R$ 38,00).

Pelos subtítulos, dar para imaginar o quão foi vivido a estória da avó da autora. Nascida em 1900, de descendência germânica, numa aldeia no sul da Sibéria, a então Olga Yunter, filha de Semyon Yunter e Anna Vassilyevna, vive uma infância feliz. Devido a constante mudança nos focos de interesse do pai, um comerciante representante de uma família riquíssima da região, a família vive trocando de lugar, até que sua mãe vendo que seus filhos não teriam futuro naquelas andanças, fez com que o pai comprasse uma casa na cidade de Troitskosavsk.

Na medida do mundo de Daniel Kehlmann

Berlim,1828, dois dos maiores cientistas alemães se reúnem de uma maneira bem distinta para os  sábios. Era a primeira vez que se encontravam, Carl Friedrich Gauss e Alexander von Humboldt: um matemático de origem humilde e um naturalista, filho de um conde abastado. O primeiro mal-humorado e que odiava viajar, o segundo, um aventureiro no melhor estilo Indiana Jones. Ambos partilham de uma obsessão: medir o mundo. E ambos se conheceram neste encontro, e é a partir deste encontro que o escritor alemão Daniel Kehlmann escreve seu livro Na medida do mundo (Die Vermessung der welt, tradução de Sonali Bertuol, Cia das Letras, 272 páginas, R$ 45,00) .

Eu, Cláudio / Robert Graves

Eu, TIBÉRIO CLÁUDIO DRUSO NERO GERMÂNICO, isto-e-aquilo...(não quero infligir-vos desde já todos os meus títulos), que fui outrora, e até mesmo recentemente, conhecido por meus amigos,  parentes e associados como Cláudio, o Idiota, Aquele Cláudio, Cláudio, o Gago, Clau-clau-cláudio, ou no mínimo como Pobre tio Cláudio, proponho-me hoje escrever a estranha história de minha vida(...)” página 9.

Desde o primeiro momento, o livro Eu, Cláudio (I, Claudius, tradução de Cecília Prada, 424 páginas, R$ 61,00), o clássico romance histórico de Robert Graves, publicado em 1935, lançado recentemente pela editora A Girafa, o tom confidencial, pesaroso, irônico e amargurado do imperador romano cativa qualquer leitor, como vemos no trecho acima citado.

As Benevolentes de Jonathan Littell

“(...), permitam-me contar como tudo aconteceu. (...) É bem verdade que se trata de uma história sombria, mas também edificante, um conto moral, garanto a vocês. Corre o risco de ser um pouco longa, afinal aconteceram muitas coisas, mas, se calhar de não estarem com muita pressa, com um pouco de sorte arranjarão tempo. (...) Não pensem que estou procurando convence-los do que quer que seja; afinal de contas, cada um tem sua opinião. Se resolvi escrever, depois de todos esses anos, foi para expor as coisas para mim mesmo, não para vocês (...)” página 11.

São essas as palavras introdutórias de um ex-oficial nazista em suas memórias. Lembranças daqueles que forma um dos mais tristes e sombrios momentos da recente história mundial, se não o pior: a Segunda Guerra Mundial e o terror de suas batalhas, carnificinas e massacres, do Holocausto judeu – a Solução Final e os campos de concentração e por fim, da derrota alemã pela frente russa.

"A realidade nunca valeu muito por aqui" em Curta Distância

A epigrafe revela um pouco o que Annie Proulx retrata em seu Curta distância (Intrínseca, tradução de Adalgisa Campos da Silva, 337pp, R$39,90), em inglês Close Range: Wyoming Stories, lançamento e áspera de Wyoming um estado norte-americano, uma terra de ranchos e caubóis, um lugar com um clima impiedoso, castigado por vento, poeira, chuva, e neve durante todo o ano.

Entrelaçando em sua ficção, fatos comuns e pitorescos, com fatos bizarros e sobrenaturais, em uma narrativa nua e crua, que chega a ser tão belamente lirica como cruelmente brutal.

Um realismo que hesita em mágico, que nos mostra um “Velho Oeste” bem diferente, do retratado nos filmes de mocinhos e bandidos, de pessoas comuns lutando para sobreviver, isoladas, onde o sonho americano nem parece ser possível.

A Flor da Inglaterra de George Orwell

O ano é 1936, o cenário é a cidade de Londres, e Gordon Comstock, sobrevive mal e parcamente com o pouco dinheiro que recebe como vendedor de uma modesta livraria. Com vinte e nove dias – “e já bastante deteriorado” – declara guerra ao que o dinheiro representa e estava perdendo a batalha.

Um poeta cujo único livro publicado, Ratos, um pequeno livro de poesia que não vendera pouco mais de cem exemplares – “o malfadado livro que ele próprio escrevera(...); um volume desprezível de dimensões ínfimas”. Gordon, filho da classe média baixa inglesa, a quem a família depositou todas as fichas e esperanças de ascensão social, contudo, o rapaz resolve ir contra as esperanças de suas própria família, empreendendo sua cruzada contra o dinheiro que o arrasta cada vez mais a sarjeta da via, à miséria.

A travesia do Albatroz – amor e fuga no Irã dos aiatolás

Final da década de 1970, no então Irã do Xá Reza Pahlev, a economia do país crescia consideravelmente, principalmente com o aumento do preço do petroléo e a exportação do aço, contudo a Revolução Branca imposta pelo intensificou a oposição islâmica ao regime.

O imperador queria o retorno sócio-cultural às tradições das civilizações pré-islâmicas do país, especialmente a civilização persa. Logo, diminuia o papel da religião de Maomé no reino, e com a mudança do calendário islâmico lunar para o ocidental solar, a abolição do regime feudal, o direito ao voto às mulheres, a abertura ao jogo e a bebida explodiu com o choque entre uma crescente população jovem e um regime que não oferecia nem os avanços de um estado moderno, nem a estabilidade de uma sociedade tradicional, criaram as condições para uma revolução – a Revolução dos aiatolás.

A Ultima Semana: um relato detalhado dos dias finais de Jesus

"Eu sou, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu". Marcos 14:61

Os acadêmicos Marcus J. Borg e John Dominic Crossan já há mais de vinte anos, exploram e se dedicam ao estudo acadêmico sobre a história do Cristianismo católico e o seu personagem maior, Jesus Cristo.  John é um ex-padre e Marcus é professor de religião e cultura, numa universidade protestante. Os dois estudiosos tiveram a idéia deste livro, após ver as reações populares ao filme de Mel Gibson , A paixão de Cristo, principalmente por que muitos cristãos não tinham conhecimento dos detalhes dos acontecimentos que levaram a morte, o fundador de um dos alicerces da cultura ocidental.

Duas histórias de vida bem diferentes que se uniram e escreveram o livro A Ultima Semana: um relato detalhado dos dias finais de Jesus (Nova Fronteira, 256 pp, R$29,90), utilizando como base de estudos, o Evangelho segundo Marcos, por ser o mais representativo e por ser o primeiro a escrever sobre a crucificação. Separados, os autores de correntes cristãs diferentes, escreveram sua tese interpretativa daquela que foi a semana derradeira do Filho de Deus, e reuniram os escritos e formando assim o texto do livro.

As Incríveis Aventuras e Estranhos Infortúnios de Anthony Knivet

"Aconteceu comigo de ir em terra buscar algum alimento, pois as provisões de nosso navio eram poucas, e, ao voltar a bordo, meus pés estavam molhados e eu não tinha uma muda de roupa. Quando acordei na manhã seguinte, meus pés estavam tão dormentes que não conseguia mexer as pernas. Ao tirar minhas meias, alguns dedos saíram junto, e vi que meus pés estavam negros feito fuligem e não conseguia mais senti-los de todo. Não mais conseguia caminhar." 

Em todas as épocas da história da humanidade sempre houve relatos de viajantes. Nossa literatura se inicia com esses relatos, era a literatura dos conquistadores, de aventureiros europeus fascinados despertados pelo Novo Mundo. Durante o século XVI, muitos viajantes chegaram ao Brasil, movidos pela cobiça, pelo desejo de aventuras, pela curiosidade ou pelo ideário religioso, deixaram diversos relatos sobre um Brasil colonial, selvagem, bruto e estranho. Registros de suas andanças pelos trópicos brasileiros, obtendo em sua chegada na Europa certo êxito junto as leitores, ávidos pelos descobrimentos.

Até o último homem – o emocionante romance sobre a Primeira Guerra Mundial

"(...) Com seu avião precipitando-se em direção ao solo em parafuso e movimentos desgovernados, chegou a sentir o vento soprar-lhe forte contra o rosto. Calaram se lhe a voz da própria consciência e os sons rasantes e sibilantes da batalha. Sentiu que mergulhava na úmida escuridão de uma voragem mortal enquanto entrevia bruxuleante em sua mente a imagem difusa do avião que o acertou (...)" página 534.

Muito já foi escrito sobre a Segunda Guerra Mundial ou a Guerra Civil americana, mas poucas obras tratam da Primeira Guerra Mundial com igual zelo. Para falar a verdade, há poucos títulos sobre a Grande Guerra de 1914-1918, contudo uma das melhores obras já lançadas, com mais de 900 páginas chegou recentemente às livrarias brasileiras. Pelo selo da Bertrand Brasil, a obra Até o último homem (To the last man, tradução de Milton Chaves de Almeida, 924 páginas, R$), escrita por Jeff Shaara, é um retrato, quase que surrealista da Guerra para acabar com todas as guerras, como o presidente norte-americano Woodrow Wilson a chamou.

Devorando o vizinho

Hannibal Lecter, personagem ficcional de uma série de livros escrita por Thomas Harris (1940), todos best-sellers, e que levados ao cinema alavancou a carreira de Harris como ícone da literatura de suspense e a fama do personagem.

Com O Silêncio dos inocentes (1991), e com outros três filmes – Hannibal (2001), Dragão Vermelho (2002) e Hannibal: A origem do Mal (2007), todos com incrível sucesso de público e crítica. Mas o que esse personagem tem de incomum? O que chamou a atenção de tantas pessoas?

Lecter é um psicanalista e um serial killer que pratica o canibalismo, um gênio erudito e desequilibrado que mata suas vítimas para fazer experiências gastronômicas bizarras, como tomar um cálice de um bom Chianti enquanto devora um fígado humano. Qual a razão do sucesso de uma história que usa uma prática tão degenerada, como o canibalismo?

Jesus e a conspiração que levou a sua morte

Eis o homem” As palavras de Pôncio Pilatos ainda repercutem nos dias de hoje, e o livro recém-lançado O julgamento de Jesus – Um relato jornalístico sobre a vida e a inevitável crucificação de Jesus Cristo (Jesus Conspiracy:an investigative report's look at an extraodinary life and dearth, tradução de Miguel Thomas (Nelson Brasil, 400 páginas, R$ 49,90) do best seller e jornalista Gordon Thomas, estuda de forma bem jornalística sobre a vida de Jesus, figura central do pensamento humano.

Thomas apresenta o Nazareno e Seu tempo de um modo muito diferente de qualquer outro livro já publicado, com uma árdua pesquisa de mais de vinte anos para compor uma realidade bem mais próxima historicamente dos ministérios de Jesus. Podemos até sentir o odor das ruas de Jerusalém, ouvir a agitação das pessoas para escutar as palavras do jovem Rabino, e testemunhar dos acontecimentos levando para a Sua crucificação e subsequente Ressurreição.

Muito longe de casa, de Ishmael Beah

“Estou empurrando um carrinho de mão enferrujado numa cidade em que o ar cheira a sangue e carne queimada. A brisa traz o pranto débil de corpos mutilados que dão o ultimo suspiro (...) As moscas estão tão excitadas e intoxicadas que caem nas poças de sangue e morrem. (...) Consigo sentir o calor do meu rifle AK-47 nas minhas costas; não lembro quando atirei com ele da última vez (...)”. Página 21.

“ (...) Lembranças das quais às vezes eu gostaria de me livrar, apesar de saber que são uma parte importante do que é minha vida, de quem sou agora (...) Hoje vivo em três mundos: meus sonhos, e as experiências de minha nova vida, que desencadeiam memórias do passado”. Página 22.

Da mesma forma que o Nobel Wole Soyinka, Ishmael Beah, jovem escritor natural de Serra Leoa, dá voz ao sofrimento e dor que viveu durante a guerra civil em seu país.

O agente do Vaticano, de José El-Jaik

Europa, ano de 1572, a Igreja recebia o seu novo papa, o cardeal Ugo Bonccompagni, e manchava sua história, com a noite de São Bartolomeu – onde no dia 24 de agosto daquele ano, a rainha Catarina de Médicis ordenou a morte de todos os huguenotes franceses.

O cardeal Ugo, já como papa Gregório XIII, celebrou o macabro acontecimento, e na Basílica de São Pedro, ordenou que todos os cristãos presentes cantassem o Te Deum, o tradicional hino de ação de graças ao Altíssimo quando este lhe der sinais de vitória à cristandade. O pontífice ainda mandou cunhar medalhas comemorativas e para o funesto episódio.

Enquanto isso os cofres do erário vaticano esvaziavam e a grande ameaça dos turcos otomanos fazia tremer as fronteiras cristãs.Só há pouco de seis anos, o Império Otomano atingia toda a margem do Mediterrâneo, a península balcânica e a margem do mar Negro.

O ESPELHO, CHAIA ZISMAN / UM ESPELHO QUE UNE UMA FAMÍLIA

A busca da liberdade levou o povo judeu por todo o mundo, da época de Abraão até a época atual, os judeus procuram a tão almejada paz. Ao longo dos séculos foram dispersos várias vezes, mesmo no Brasil eles fizeram história e até foram perseguidos.

Desde o descobrimento – e   antes, mesmo, no domínio das artes náuticas – até depois do domínio holandês, passando pela independência e chegando aos nossos dias, através de seus descendentes, assimilados no meio do povo e da cultura brasileira ou consciente de suas origens judaicas.

O sonho de Inocêncio - Escritor mexicano retrata em um romance biográfico o Papa mais poderoso da história

No século XXI, a Igreja católica ainda está fundamentada em preceitos originários da Idade Média. Através dos processos de institucionalização instaurados por Inocêncio III há mais de 700 anos que se fortificou o seu poder, em um período que reis e imperadores digladiavam com o poder eclesiástico.

A atual hierarquia eclesiástica, e muito dos dogmas essenciais, entre outras práticas atuais foi resultado ao sistema de autonomia e reforma administrativa formulada pelo pontífice.

O livro O sonho de Inocêncio (El sueño del Inocêncio, tradução de Sandra Martha Dalinecy, Planeta, 345 pp, R$ 39,90) do mexicano Gerardo Laveaga (1963) faz um esplendido retrato desse homem que tanto fez para fortalecer a Igreja perante o poder secular.

Santo Agostinho

"o homem é uma alma racional que se serve de um corpo mortal e terrestre" foi o que expressou Aurelius Agustinhus (354-430), ou Agostinho de Hipona, o pensador cristão que ficaria conhecido como Santo Agostinho, junto com outros quatro personagens– Jerônimo de Estridón, Gregório Magno, Tomás de Aquino e Ambrósio de Milão - é considerado um dos mais importantes teólogos cristãos.

Destacou-se por sua extensa produção de textos, além de ter contribuído muito com a filosofia, unindo a filosofia clássica com a cristã. Na história do pensamento ocidental, Agostinho foi importantíssimo para a tradição intelectual européia que influenciou grande parte do mundo, viveu num tempo em que a velha civilização clássica parecia sucumbir diante dos bárbaros. E se inspira em Platão para compor um embasamento para os ensinamentos cristãos, desta forma, ele é considerado o primeiro filósofo cristão.

Somos feitos de Poeira

Escrever um livro sobre os mistérios do Universo não é um trabalho fácil. E mais ainda se for em um tom de conversa, contando histórias. O físico Marcelo Gleiser consegue fazer isso, em seu mais novo livro Poeira das Estrelas, trazendo ao público leitor a imensidão do cosmo e muitas das respostas que a Ciência Moderna encontrou aos mistérios da natureza. Lançamento da editora Globo, o livro descreve a dança da criação e destruição que rege o turbilhão de galáxias e nebulosas que formam o Cosmo. 

Escrito por um apaixonado, um professor de física e astronomia dedicado em revelar a beleza do nosso Universo, a sutileza da ciência em desvendar seus segredos, com seus homens e mulheres desbravando o desconhecido com a força do intelecto humano. Poeira das estrelas é o primeiro de três volumes baseados na serie exibida no programa dominical Fantástico pela Rede Globo, com o mesmo nome.

Um eunuco como detetive em A árvore dos janízaros, de Jason Goodwin

Constantinopla, 1453 O Sultão otomano Mohamed II aproveitando o declínio bizantino e a decadência do poder da cidade, após várias investidas de seus predecessores de tomar a cidade, reúne um exército de 100 mil soldados, entre eles, 12 mil janízaros, a tropa de elite dos turcos otomanos, constituída de crianças cristãs capturadas em batalhas, levadas como escravas e convertidas ao Islã. Foram eles que escalaram as muralhas da cidade, em meio ao fogo, flechas e dardos, sem nada conseguir detê-los.

Um esquadrão deles conseguiu saltar a muralha, e, suplantando a tenaz resistência dos bizantinos, correu para abrir um dos portões. Rompido o dique, fez-se a enchente. Milhares de soldados turcos esparramaram-se aos gritos pelas ruas e vielas de Constantinopla gritando vivas a Alá. A maçã de prata caía perante a Porta.

Vida, anarquia e morte em Memórias do Assassino de Sissi, de Luigi Lucheni - Por Cadorno Teles

A maioria de nós sabe, ou pensa que sabe, o que os primeiros anarquistas idealizaram quando começaram a propagarem seus ideais ao mundo. O russo Mikhail Bakunin que propagou a ideologia por toda a Europa, queria levar a total revolução para todos os países, deixando o continente sem o total governo estatal. Não surpreende assim que, até hoje em dia, os anarquistas sejam representados como bárbaros sem lei e sem ordem ou uma combinação entre esses dois parâmetros sociais.

Entocados em porões ou em sórdidos sótãos, em vielas ou em ruas suspeitas das principais capitais, dali só saíam para praticar atentados espetaculares. Corajosos, meio doidos, fizeram sua marca, expondo e cantando por sua liberdade.

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