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O CHICO BUARQUE DE BUDAPESTE - Por Urariano Mota

A notícia esteve em todos os jornais nesta última semana de agosto. Concorrendo com mais de 230 livros, o romance Budapeste, de Chico Buarque, recebeu o prêmio de melhor romance em língua portuguesa, ao fim da 11ª Jornada Nacional de Literatura.

Pelo valor em dinheiro, de 100 mil reais, e pelo nível da concorrência, que reunia nomes como José Saramago, Salim Miguel, José Nêumanne e Antonio Torres, o prêmio é de vulto.
Não foi o primeiro, nem certamente será o último.

Já em 2004, Budapeste havia conseguido o Prêmio Jabuti de Livro de Ficção do ano. No exterior, a sua corrida também não é menor. Boas críticas na França, na Itália, e na Inglaterra esteve entre os seis finalistas de melhor ficção estrangeira.

   
O Educador e a Literatura - Por Fernanda Baroni

O pior crime que um educador pode cometer é desprezar a inteligência de seus alunos. Deixar de propor atividades desafiadoras por achar que a turma não tem interesse é o mesmo que desistir do magistério.

Uma forma prazerosa  e estimulante de trabalhar o lado cognitivo e a criatividade é através da Literatura. Um texto criativo provoca reflexões, ajuda a criança a romper com os estereótipos do dia-a-dia.

Alguns educadores podem argumentar que, mesmo conscientes do papel importante da Literatura, mesmo tendo apresentado livros, exigido que fossem lidos, discutidos e trabalhados em sala de aula, depois de uma certa idade, são os próprios estudantes que demonstram desinteresse pela leitura.

   
O ensino da língua materna: conflitos e sugestões - por Marcos Henrique Meireles Lima

Desde a colonização, a imposição de uma língua e a forma da sua verbalização e posterior escrita, tem sido uma cruel realidade em nossa sociedade e conseqüentemente, no ensino em nossas escolas. Muito se tem estudado sobre este assunto e é louvável a busca por uma superação dessa realidade, principalmente, pelos os quais chamarei de “translingüistas”.

São estudiosos da linguagem que, insistentemente, estudam, pesquisam, discutem e escrevem sobre paradigmas, variações e preconceitos lingüísticos, e outras discussões que dizem respeito ao universo da fala e da escrita, buscando transgredir a formalização imposta, bem como, os ditames gramaticais normativos, superando para uma visão ampliada, em detrimento de uma visão focada sobre o estudo da linguagem. Posso citar: Marcos Bagno e Magda Soares, os quais pude ter um contato recente, através de alguns de seus escritos.

   
O LIVRO COMO MERCADORIA - Por Patrícia Ferreira Bianchini Borges

No mercado, o livro participa de uma cadeia bastante diversificada de produtos chamados culturais e, de um tempo para cá, parece ter desistido de competir com os meios eletrônicos e com as linguagens não-verbais, para com eles fazer todo tipo de aliança: temos o livro musical, o livro-jogo, o livro de imagens, o livro brinquedo... disposto, na livraria ou no supermercado, ao lado de fitas de vídeo, de chocolate, de sorvete, etc.

Não há como negar que no grande mercado que está do lado de fora da escola tem havido um conjunto de iniciativas voltadas à educação de um leitor já habituado ao cinema e à televisão. Nessa busca, a estratégia parece ser a da aliança.  

E aos poucos, parece que certo segmento da sociedade, com poder aquisitivo, escolarizado, que já é, por exemplo, leitor de jornais e revistas, está se colocando não só perante a discussão em torno do livro, mas também está participando de forma mais intensa desse mercado. Nos dias de hoje, indo à videolocadora pode-se ganhar este ou aquele livro na locação de "x" fitas.

   
O LIVRO NO BRASIL por Rafael R. dos Santos

Venho lendo as notícias sobre o livro e muitas são as matérias que chamam a atenção para a falta de leitura do brasileiro. Como leitor ávido que sou, devo expressar meus sentimentos em relação à política que é adotada em relação aos livros no Brasil.

Para começar, deve-se falar do livro em si. A verdade sobre o livro, e principalmente seu preço, deve ser dita rudemente: o preço do livro é alto demais! Como um país espera crescer se, em alguns casos, um livro chega a 33% do salário de um único cidadão, que não irá trocar a comida de casa por livros, muito sabiamente.

Vê-se as editoras do Brasil lançando livros que custam em média R$60,00: é uma total inedequação à realidade brasileira (falta de atenção por parte dos "intelectuais" por detrás das editoras ou "cegueira branca"? Difícil distingüir, porém há sempre o dito popular: "pior é o cego que não quer ver"..). Peguemos alguns exemplos: um livro de autores como Thomas Mann, um símbolo do século XX, chega a custar mais de R$80,00; um livro mais "popular", como o "Senhor dos Anéis" custa cerca de R$75,00 a edição completa; uma lista interminável de exemplos poderia seguir, porém seria incoveniente ao conteúdo do email.

   
O MARQUÊS SEM NOBREZA - Por Tarcísio José da Silva

Um dos mais atraentes personagens de Monteiro Lobato é, com toda a certeza, o Marquês de Rabicó do Sítio do Pica-pau Amarelo. Lobato foi um criador de tipos inesquecíveis: Emília, Jeca-tatu, Dona Benta, Narizinho, etc. Exímio caricaturista criticava ou satirizava através das personalidades de seus livros.

Usando como canal a boneca de pano mais irreverente do planeta, ele deu vazão às suas idéias e aos seus planos mais ousados. Há um personagem que pode ser colocado como destaque entre as suas criações: é o porco marquês.

Esse leitão, detentor de um dos mais altos títulos nobiliárquicos, foi uma das primeiras figuras criadas pelo autor para a sua obra infantil; teve um livro dedicado a si com o título: “O Marquês de Rabicó”, publicado no ano de 1922, o qual, posteriormente, incorporou-se à coletânea “Reinações de Narizinho”.

   
O Papel Ampliado do Professor na Sociedade Digital - por Marcos Henrique Meireles Lima

O professor como conhecemos está com os seus dias contados? Será o fim da profissão docente?

Por muito tempo o professor foi reconhecido como o datore de aula, aquele que transmitia o conhecimento aceito pela comunidade científica e validado pela sociedade de um modo em geral, porém, essa postura tradicional, unilateral, individualizada, tende a ser ultrapassada por um profissional reflexivo, interagente, coletivo.

As informações são disseminadas em uma velocidade nunca vista, o acesso aos conhecimentos formulados é facilitado pela efervescência da utilização de uma grande rede de computadores interligados por todo mundo, propiciando com que a história antes marcada pelas “metamorfoses” seculares, seja transformada em milésimos de segundos.

   
Os Fotogramas Poéticos do Luiz Edmundo Alves - Por Silas Corrêa Leite

O poeta bahiano contemporâneo, Luiz Edmundo Alves, psicólogo radicado em Belo Horizonte, Minas Gerais, em seu novo livro, Fotogramas de Agosto, literalmente revela (...) os fotogramas (objetos literários transparentes) poéticos de recente belíssima safralavra. Muita coisa que interessa/Se configura no inesgotável, poetiza mui belamente ele.

E desconfia, remonta, estilinga, reconta. Uma saudade-sombra aflora ranhuras de si mesmo (que desvela), abismando-se, suspenso às vezes numa espécie de close-captação de sua cítrica sensibilidade ferida, talvez decantação para uma lírica mordaz.

Para ele é fácil revelar silêncio. A poesia é sépia? Apresenta-se bandalheiro como o poeta que precisa do medo de morrer.

   
OS MANDARINS - Simone de Beauvoir / Por Antonio Carlos Lopes

Diante da estante de livros que pela desordem, seria insensatez chamá-la biblioteca, um livro já lido há alguns anos, me chamou novamente a atenção, naquele momento senti uma certa  nostalgia, o que é muito comum, quando estamos a sós com nossas abstrações.

A obra, Os Mandarins da filósofa e escritora  francesa Simone de Beauvoir, uma publicação de 1954, valeu-lhe o Prêmio Goncourt.

Essa obra tem como  temática a posição dos intelectuais de esquerda no pós-guerra,como alvo também o rompimento do filósofo e escritor Jean-Paul Sartre (O ser e o nada, 1943), com o filósofo e escritor e jornalista Albert Camus (O estrangeiro,1942)  o estremecimento na relação destes expoentes da literatura mundial,  que  a autora estabelecera como intenção em sua narrativa intrínseca.

   
Paixão Por São Paulo - Uma Antologia Que Pode Dizer o Nome? -Por Silas Corrêa Leite

Sou sempre a favor de antologias por atacado, quaisquer que sejam, porque você, gostando ou não, de uma forma ou de outra, saca que são espécies de varais de produções daqui e dali, sempre aparecem ilustres nomes novos, qualidades raras, só não gosto mesmo - e isso às vezes acontece, infelizmente - daquelas antologias de suspeitos amigos do alheio lítero-cultural (querendo aparecer sem ser), guetos, panelinhas, que acabam mesmo, perdoem o trocadilho, espécies assim de antro-logias. Vai por aí.

-Pois é com esse espírito que recebo cada antologia, como bem recebi o livro Paixão Por São Paulo, antologia editada pela novíssima e competente Editora Terceiro Nome, sob a égide organizacional de Luiz Roberto Guedes. Currículo ele tem. Só isso basta?. Vão sacando. A obra, diga-se de passagem, muito bem editada, é realmente um primor de qualidade técnico-editorial. Um mimo mesmo tê-la em mãos. Babei.

   
PARA QUE SERVE A LITERATURA por Urariano Mota

Em um dia distante, as letras já foram chamadas de belas letras. E apesar de assim se chamarem, de belas, e para melhor belo belo, terem como objeto a beleza, nem assim defenderam à altura os seus cultivadores. O poeta Geraldino Brasil, que bem conhecia o trato, assim viu como são recebidas as belas letras na boa sociedade:

CLASSE MÉDIA

Um médico. / Ótimo na família.
Um executivo./ Ótimo.
Um engenheiro / Um arquiteto / Um magistrado. / Ótimo.
Um poeta. / Melhor na família dos outros.”

   
Pequena Resenha Crítica: A "Cisterna Poética" do Escritor Donizete Galvão

A poesia no reino da web destila veículos vernaculares, valora letramentos de idéias, às vezes segue pífios cursos sazonais, certamente dita curtumes e feudos culturais também, mas, principalmente leva e traz o que é bom porque, naturalmente, o tempo é o melhor fermento e o melhor juiz.

Assim, quando entre tantas invasões protegidas e deletações imediatistas você conhece um bom poeta contemporâneo, você logo caça sabê-lo ainda mais completo e perene, prover-se bem do conteúdo lítero-cultural emergente, divulgá-lo por gosto de dividir guloseimas, haver-se dele no rol de uma típica amizade virtual, pelo menos de início, nessa global panacéia da internet muito além de movediças areias utópicas e pan-poéticas reais.

   
Pequena Resenha Crítica: Bellini e o Demônio de Tony Belloto - Por Silas Corrêa Leite

Tony Belloto deve ser mesmo uma excelente pessoa, também bom compositor e ótimo guitarrista, além de ter a posse feliz da musa televisiva de todos nós, a maravilhosa Malu Mader, sempre fina e impecável. E isso não é pouco.

Chico Buarque, aliás, um dos maiores artistas de MPB, aquele cara que, em tese todo homem brasileiro gostaria de ser, como escritor é apenas mais ou menos, para alguns críticos ferozes e acadêmicos de plantão simplesmente uma mera piada fora de contexto, apesar de muito midiático, claro, o que é facilmente explicável.

   
Por uma política cultural eficaz -por Samuel Pinheiro Guimarães

1. A sociedade brasileira se caracteriza por crônica vulnerabilidade externa com facetas econômica (a mais debatida), política, tecnológica, militar e ideológica. A mais importante, pois influencia todas as políticas e atitudes do Estado e da sociedade brasileira (empresas, associações, partidos, ongs, igrejas, indivíduos etc) que agravam aquelas outras facetas da vulnerabilidade é a de natureza ideológica. É ela que, através de diversos mecanismos, mantém e aprofunda a “consciência colonizada” das elites, dirigentes e até de segmentos das oposições políticas, intelectuais, econômicas, burocráticas.

A consciência colonizada se expressa em uma atitude mental timorata e subserviente, que alimenta sentimentos de impotência na população, ao atribuir as mazelas brasileiras à “escassez de poder” do Brasil, à “incompetência” brasileira, ao nosso “caipirismo”, ao “arcaísmo” social, à “xenofobia” etc. enfim, à nossa inferioridade como sociedade. A vulnerabilidade ideológica está estreitamente relacionada com a crescente hegemonia cultural americana na sociedade brasileira, que se exerce em especial através do produto audiovisual, veiculado pela televisão e pelo cinema, articulado com a imprensa, o disco e o rádio.

   
Romances de "Luiz Antonio de Assis Brasil" revelam os planos esquecidos da história - Por Maria Helena de Moura Arias

Ao tentar estabelecer diferenças entre a História e a Ficção, pode-se chegar a lugar nenhum ou a todos os lugares ao mesmo tempo. A todos os lugares possíveis e imagináveis e até aos mais remotos,  impossíveis e inimagináveis. Espaço movediço, é a condição geográfica desta literatura. 

Em vista disso, é interessante atentar ao que declara Geysa Silva: “Assim, tratando a História como Narrativa, o escritor contemporâneo realiza a desconstrução dos fatos e dramatiza as circunstâncias, para que se possa usufruir a instantânea experiência da vida” (SILVA, 2000, p. 181) . Servindo-se de parâmetros oficiais e, por uma questão de cientificidade reconhecida, a História ganha terreno no campo da credibilidade e aceitação, enquanto que o Romance deflagra  o espanto e a dúvida.

   
Seu Cão Merece! Você Merece! E Nós Também... - Por José Aloise Bahia

Existe algum cão em seu apartamento ou casa? No sítio? Conhece algum vira-lata perdido ou freqüentador assíduo do seu bairro? Se a resposta for não para as três perguntas, bom sinal, pois você é um candidato em potencial para ler o livro Como Mimar seu Cão (Editora Zouk, São Paulo, 2005), de autoria do jornalista paulistano Rodrigo Capella. A dica inicial: de preferência leve este simples e divertido compêndio - não confunda com auto-ajuda - para uma leitura ao ar livre.

Por exemplo, sentado num banquinho de uma praça ampla e arborizada da sua cidade, tendo como companhia alguns cachorrinhos que por lá passeiam com seus respectivos donos. Após as primeiras páginas e uma pitadinha de reflexão, uma coisa eu tenho certeza: a sua saúde e compreensão do mundo canino, por extensão o humano, aumentarão em graça, humor e cortesia. De repente, você pode até mudar de idéia. Num ato virtuoso e polido adotar um animal. Os médicos receitam. Dizem que faz bem para o coração. Por falar nisso, se tem uma virtude que andava meio sumida do mapa no mundo contemporâneo é a polidez.

   
Sobre Literatura, escola e aprendizados - Por Fernanda Baroni

Numa tarde de conversas sobre Literatura, ouvi Bartolomeu Campos Queirós se remeter a uma fala de Henriqueta Lisboa que diz que a Natureza é sábia, e se ela não fez um rio para crianças e outro para adultos, se não fez uma árvore para crianças e outra para adultos, então também a Literatura não precisa ser dividida em uma Literatura para crianças e outra para adultos.

Concordo com essa tese, se a leitura for feita com algumas ressalvas. A árvore que a criança e adulto sobem é a mesma, mas o que é bonito nisso tudo é perceber e valorizar que, a cada fase vivida, é possível subir um pouco mais alto. Um menino de três anos certamente precisará de ajuda para subir na árvore; com cinco, já conseguirá ir sozinho; aos sete, vai escalar galhos mais altos; até conseguir, por conta própria, chegar ao último galho e então procurar outra árvore que lhe ofereça novos desafios. Acredito que a Literatura se encaixa perfeitamente nessa metáfora. A criança de três anos precisa que um adulto leia histórias para ela, aos pouquinhos vai ela mesma criando histórias em seu imaginário ou reproduzindo aquelas que ouviu.

   
Universo Interior - por Henrique Montserrat Fernandez

Alguns físicos teorizam a existência de diversos universos paralelos semelhantes ao nosso. Não sei se isso é verdade ou apenas um devaneio. Entretanto, mesmo que existam, eles estão fora de nosso alcance. Porém, existem inúmeros universos coexistindo com o nosso neste exato instante,  todos bem perto de nós. Eles são bi-dimensionais e, em geral, lhes impera o branco e o negro.

Parecem ser aborrecidos e desinteressantes à primeira vista, bem diferentes deste nosso universo tridimensional, colorido, recheado de ação, de cheiros e sabores. Mas não nos enganemos! Estes universos bi-dimensionais que nos rodeiam, guardam surpresas incríveis e inimagináveis ! Quando mergulhamos neles, o branco e negro de sua trama parece adquirir vida e as mais diversas tonalidades lhe são percebidas.

   
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