Folha Online - 20/10/2009 - MARCOS STRECKER
A maior feira de livros do mundo, em Frankfurt, se rendeu ao digital. O grande tema do evento, que se encerrou anteontem, foi o livro eletrônico. E quem deu o tom foi Jeff Bezos, fundador da Amazon.com, que nem foi à feira.
Uma semana antes do começo do evento, a livraria virtual americana anunciou a venda para mais de cem países do Kindle, o seu leitor eletrônico. Isso obrigou o mercado editorial a se posicionar e precipitou a ação dos principais concorrentes. É o caso do Google, que divulgou em Frankfurt o projeto do Google Edition, a venda de livros digitais para diferentes plataformas, a partir de 2010.
Para os brasileiros, esse avanço do eletrônico também acelerou tudo. Com a chegada do Kindle no país, iniciada oficialmente ontem, pelo menos uma grande editora já vai aproveitar a plataforma eletrônica para um lançamento de peso. A Ediouro vai lançar "O Seminarista", novo romance de Rubem Fonseca, também para o aparelho da Amazon, já a partir de 5 de novembro. "Será no máximo uma semana depois", disse o editor Paulo Roberto Pires.
Grandes editoras brasileiras foram convidadas a conversar com a Amazon em Frankfurt, assim como a Câmara Brasileira do Livro. Foram feitas ofertas de comercialização sem exclusividade para a gigante americana. Muitas dúvidas sobre o formato comercial persistem, mas algumas editoras estão otimistas. Isso pode levar em breve a vários lançamentos nacionais para o leitor eletrônico.
Já editoras como a Objetiva, de Roberto Feith, acham que o Kindle terá competidores à altura em aparelhos como o iPod. "Também há muita dúvida sobre como ficarão os contratos anteriores", dos livros publicados antes do avanço do digital, aponta a principal agente literária brasileira, Lucia Riff.
Os debates sobre o assunto foram concorridos e provocaram o comentário irônico de que o evento tinha virado uma "feira de mídias".
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