Estadão - 14.10.2009 - Ubiratan Brasil
Em 2018, o livro digital deverá desbancar a tradicional versão em papel - a previsão é uma das principais conclusões de uma pesquisa feita pelos organizadores da 61ª Feira do Livro de Frankfurt, a maior no mundo do mercado literário, que abre suas portas oficialmente hoje. Foram consultadas 840 pessoas que mantêm alguma ligação com o evento, entre editores, livreiros, escritores e jornalistas, a maioria europeus. "É o momento, portanto, de se buscar novas estratégias, de esquadrinhar o mercado e de envolver o padrão internacional", comentou Jürgen Boos, diretor da Feira.
A pesquisa, de fato, demonstra uma radical mudança de atitude no mundo editorial. Se, no ano passado, 40% acreditavam que 2018 marcaria o início do domínio digital, a cifra cresceu agora para 50%. A crise econômica é citada como principal incentivadora para tal mudança de opinião - é preciso buscar alternativas. "A indústria continua atrás de estratégias econômicas envolvendo produtos digitais", comentou Thomas Wilking, um dos organizadores da pesquisa. "O foco está em encontrar uma opção que complemente ou mesmo substitua o custoso modelo de papel."
Os números mostram que há, de fato, uma tendência para a mudança de mercado. A Alemanha, por exemplo, registrou a venda de 65 mil e-books vendidos no primeiro semestre deste ano. Por outro lado, o novo livro do mega campeão de vendas Dan Brown, O Símbolo Perdido (que a Sextante lança no Brasil no dia 24 de novembro), rendeu mais na versão em papel: dos primeiros 2 milhões de exemplares vendidos, apenas 100 mil eram e-books.
O assunto, portanto, domina as discussões que antecipam a feira, como reconhece o editor da Objetiva, Roberto Feith. E os brasileiros ainda estão céticos em relação à mudança - ao menos em relação ao mercado do País. "Não sou chegado em previsões e palpites", observa Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras. "Quem pode garantir? E se for menos, ou mais? O que importa é que seja o melhor para a leitura, e nós profissionais que lutemos por isso, em um dia ou 18 anos."
Já Luciana Villas-Boas, diretora editorial da Record, prefere medir a temperatura a partir das transformações do mercado estrangeiro. "Sem dúvida, a passagem da leitura em papel para o formato digital ganhou imensa aceleração nos últimos 12 meses nos Estados Unidos", comenta. "Na Europa, a resistência é um pouco maior. À medida que os fundos de catálogo passem a ser oferecidos eletronicamente, é possível que em muitos territórios, até 2018, o digital ultrapasse o papel em termos de importância econômica para as editoras."
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