O POVO - 26.12.2007 - Amanda Queirós
Práticos e baratos, os livros de bolso vão conquistando fatia expressiva do mercado. A Record lança coleção de pocket books, abrindo concorrência com as empresas já consolidadas no setor. Os livros de bolso se apresentam como uma ótima forma de conhecer novos autores, mergulhar em clássicos da literatura e presentear amigos.
Isso, claro, a um preço bastante inferior, quando comparado aos formatos regulares. Nos últimos dez anos, os livros de bolso ganharam prestígio no mercado editorial brasileiro. Hoje, ocupam as mãos de leitores nos pontos de ônibus, nas filas de bancos e nas salas de aula. O setor tem se revelado tão promissor, que cada vez mais editoras apostam nele. O último a mirar no filão foi o Grupo Editorial Record, que lançou este ano 24 títulos de seu mais novo selo, a BestBolso, focado exclusivamente na distribuição de livros do tipo.
"A empresa tem um catálogo de bons títulos que viraram clássicos e agradam até hoje várias gerações. Optamos por investir nessas obras para ampliar nosso produto entre os jovens a um baixo preço. As edições tiveram o texto revisado e a letra não está espremida, o que é um desafio no formato bolso", afirma a coordenadora editorial do novo selo, Silvia Leitão. Cinco gêneros foram contemplados: literatura moderna, clássicos, não-ficção, cinema e suspense. Entre os títulos da primeira leva, estão O Poderoso Chefão, de Mário Puzo, e Baudolino, de Umberto Eco, vendidos por preços que variam de R$ 14,90 e R$ 19,90. A idéia é relançar no formato pelo menos cinco títulos a cada mês.
A estratégia adotada pela Record é semelhante à implementada pela Companhia das Letras, há pouco mais de dois anos, com a criação do selo Companhia de Bolso. Para conquistar mercado, nada de publicar literatura universal de domínio público. Esse nicho já estava consolidado com editoras como a L&PM e a Martin Claret, as primeiras a se darem bem investindo pesado no formato pocket. A lógica da vez é explorar títulos muito procurados e exclusivos, sem perder o refinamento na tradução e na qualidade do material. Publicando em um formato menor, com papel mais simples e a preço mais baixo, conquista-se um público que quer ler, mas não tem dinheiro para gastar com títulos muito caros.
Para a Companhia das Letras, o investimento foi um bom negócio. Já foram vendidos 500 mil exemplares dos 56 títulos de bolso disponibilizados. Eles representam 2,5% do catálogo e são responsáveis por 10% das vendas da editora. Com isso, 5% do faturamento parte exclusivamente dos livrinhos. A Record também aposta alto. Para viabilizar a BestBolso, ela investiu R$ 1 milhão e espera obter retorno após 18 meses de circulação da nova linha.
Crescimento
O esmero nas edições é um dos principais motivos para o crescimento do mercado. As livrarias locais têm acompanhado esse movimento. "Está havendo uma mudança. Algumas editoras já tinham tentado fazer livro de bolso com papel reciclado no Brasil, só que o público não aceitou bem, achou que era livro com cara de usado. Agora as edições pocket estão saindo com boa qualidade. O preço baixa por conta do tamanho, mas o papel ainda é branquinho e a capa é chamativa. Agora está atraindo o leitor", afirma Aderwal Batista, gerente da Ao Livro Técnico há mais de 20 anos.
A experiência com vendas faz com que o livreiro perceba diferenças entre o público consumidor de livros de bolso e das edições originais. Os leitores mais jovens, dispostos somente a consumir a obra, preferem o formato pocket, enquanto que os mais velhos, preocupados com formação de uma biblioteca particular, optam pelo luxo das edições mais caras.
Na livraria Siciliano, o gerente Lino Soares percebe ainda outra peculiaridade. "Quando o cliente compra para leitura própria, ele leva o de bolso, mas quando a idéia é dar um presente, ele leva uma versão mais sofisticada", explica. Segundo ele, que trabalha na loja há oito anos, os jovens também têm procurado os livros de bolso como uma alternativa barata à cópia dos textos clássicos indicados pelas escolas e faculdades. Tem cliente que também monta a biblioteca só de livros de bolso. "Tem coleções com muitas obras consagradas, que atraem muito leitor. A Martin Claret tem uma que é 'A obra-prima de cada autor'. Tenho um cliente que compra todos! Toda semana ele vem aqui saber se chegou algum título novo", lembra Soares.
A Câmara Brasileira do Livro (CBL) não tem dados sobre a venda de livros de bolso no País. No entanto, a presidente da instituição, Rosely Boschini, credita o aumento das vendas a uma profissionalização do segmento e uma distribuição diferenciada. "Os editores estão tendo que ousar mais para atrair o público e achar novos leitores. Temos poucas livrarias, então a venda em outros canais (como farmácias, supermercados e lojas de conveniência) vem crescendo".
SERVIÇO
BestBolso
Série de livros de bolso da Editora Record.
23 títulos já lançados.
Preços: de R$ 14,90 a R$ 19,90.
Leia também a entrevista com editor Ivan Pinheiro Machado, da LP&M. Aqui
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