O professor, o pesquisador e o professor-pesquisador - por Marcos Henrique Meireles Lima

O professor pode ser definido como o profissional que ministra (datore de aula), relaciona ou instrumentaliza os alunos para as aulas ou cursos em todos os níveis educacionais, segundo várias concepções, que no decorrer dos tempos envolveram esse profissional da educação.

O pesquisador, como aquele que exerce a atividade de buscar reunir informações sobre um determinado problema ou assunto e analisá-las, utilizando o método científico com a intenção de aumentar o conhecimento de determinado assunto ou até mesmo descobrir algo novo. Mas como definir o professor-pesquisador? Seria ele, um profissional que conseguiria assimilar todas as características anteriormente expostas?

A possibilidade da associação das atribuições dessas atividades e a literatura que trata sobre a formação do professor-pesquisador vêm crescendo em volume de discussões, mesmo tratando-se de atividades de certa forma distintas: o professor com um foco direto no que diz respeito às suas necessidades e o pesquisador com sua característica mais analítica.

Com base em André (2004), o movimento em prol da utilização da pesquisa na formação do professor, ganha força no final dos anos 80 e tem um grande crescimento na década de 90. O que se busca com isso? A formação de um profissional que consiga abarcar todas as responsabilidades concernentes à função de professor e todas as atribuições de um pesquisador?

Existe um grupo que defende a idéia de que a atividade de ensinar é distinta da atividade de pesquisar e devem ser desenvolvidas em formações diferentes, como os que afirmam que:

[...] o professor e o pesquisador têm trajetórias profissionais distintas e, portanto, a formação desses profissionais deve estar voltada para o desenvolvimento de competências compatíveis com o exercício de cada uma dessas funções (SANTOS, 2004, p.14).

Por outro lado, há aqueles que são:

[...] defensores da pesquisa como elemento essencial no trabalho docente e, conseqüentemente, nesta visão, os cursos de formação docente devem voltar seus currículos para a preparação dos professores para o exercício dessa atividade (SANTOS, 2004, p.15).

Pode-se levar em conta que a preocupação com a formação do professor-pesquisador e sua futura atuação, estaria fundamentada na intenção de tirar a educação apenas da transmissão do conhecimento já formulado. E que a pesquisa iria possibilitar aos professores, exercerem um trabalho com os alunos, que vise à formulação de novos conhecimentos ou o questionamento dos já existentes, então, será que o fato de apenas capacitá-los pra tal, resolveria o problema?

O ato da pesquisa na educação, não pode tentar retirar a importância do ensino e tão pouco criar falsas expectativas, onde possa se achar que ela seja a solucionadora de todos os problemas da escola. E nem tão pouco a supremacia dada à ação do professor, pode criar um entrave para a inserção das práticas da pesquisa na sala de aula.

O papel do pesquisador ou do professor-pesquisador desde sua formação deve estar relacionado ao contexto e às práticas pedagógicas e de ensino, então a ação reflexiva sobre a prática docente e a importância da utilização da pesquisa para tal, terá um sentido.

Outra questão persiste na necessidade de saber como fazer a associação do trabalho do professor com o de pesquisador, frente às grandes dificuldades encontradas na realidade das práticas da educação escolar e as suas particularidades, situação que robustece as críticas e tem sido motivo de várias discussões sobre essa temática.  Essas circunstâncias não podem ser descartadas e devem ser analisadas exaustivamente, antes de se atribuir e exigir novas funções ou uma mudança de postura dos professores.

A reflexão sobre a prática é de fundamental importância, independente se formado ou estimulado a tal atitude, pois é daí que o professor poderá avaliar-se e terá a condição de modificar suas ações, podendo assim fazer jus a grande responsabilidade que lhe foi atribuída. O que não pode ser retirado pelos defensores da dissociação entre o professor e o pesquisador é o espírito de investigação.

Portanto, a definição dos papéis do professor, do pesquisador ou do professor-pesquisador, é algo que ainda irá gerar muitas discussões, muito pela dinâmica e particularidades existentes em cada uma das áreas e também pelos interesses que podem existir por parte dos que defendem uma separação dessas atividades e de outros a favor da união das mesmas. 

Marcos Henrique Meireles Lima
superunebiano@yahoo.com.br 

Referências Bibliográficas:

ANDRÉ, Marli. Pesquisa, formação e prática docente. In: _________(Org.). O papel da pesquisa na formação e na prática dos professores. Campinas, SP: Papirus, 2004, p. 55-67.
SANTOS, L. C. P. Dilemas e perspectivas na relação entre ensino e pesquisa. In: ANDRÉ, M. (Org.). O papel da pesquisa na formação e na prática dos professores. Campinas: Papirus, 2004, p.
11-25.

 
 
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