Perde-se um jurista, ganha-se um editor
José Olympio Pereira Filho nasceu em Batatais, interior de São Paulo, em 1902. Aos 16 anos, chegou à capital levado pelo sonho de ser promotor. Com a ajuda do padrinho, o governador Altino Arantes, conseguiu trabalho na Casa Garraux. Este emprego mudaria completamente a sua vida e o mercado editorial brasileiro.
Designado para a seção de livros, conheceu toda a intelectualidade da época - Mario de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia, entre outros - e acabou se apaixonando pela atividade. Em 1931, comprou o acervo do escritor e jurista Alfredo Pujol e fundou a Livraria José Olympio Editora, que viria a transformar-se em ponto de encontro de políticos e intelectuais.
José Olympio casou-se com Vera Pacheco Jordão, com quem teve dois filhos, Geraldo e Vera. Embora não tenha completado o ginásio, cedo revelou-se um editor nato. Publicou, entre outros, José Lins do Rego, João Guimarães Rosa, Rubem Braga e Gilberto Freyre. Participou da fundação do SNEL, do qual foi presidente de 1952 a 1954.
Geraldo Jordão diz que a maior contribuição do pai - e que muitos editores ignoram - foi ter conseguido isenção de impostos municipais e estaduais para o livro. Mas a lembrança mais forte é a de José Olympio desfrutando o prazer de receber uma obra nova: "Primeiro, ele aspirava o perfume do papel e da tinta. Depois, escolhia uma espátula de sua coleção e abria as folhas, uma a uma".
Sebastião Macieira, seu secretário por 40 anos, destaca a amizade que o unia a seus escritores. "A ajuda dele foi decisiva para tirar Jorge Amado e Graciliano Ramos da prisão. Como editor, ele era completamente imparcial. Ao mesmo tempo que editava Getúlio Vargas, publicava obras de opositores ao regime".
Fonte: SNEL