O GIGANTE DOS ANDES / Frans Magellano

Quando Atairu Altavila completa dezoito anos o fazendeiro Jurandir conta-lhe a saga do karay Kuntury, um xamã descendente de aymarás, quíchuas e incas dos Andes que conduz uma tribo nheengaíba através da densa floresta amazônica em direção a Marinatambal, atual Ilha de Marajó, que de acordo com lendas e tradições andinas abriga Aztlan’itá (Atlântida), a cidade de granito resplandecente, por isso também conhecida por Eldorado, que teria sido criada pelo enviado de Tupã a quem os tupis-guaranis chamam de Guaraci ; os Incas de Viracocha, Apu Kun Tqsi Wiraqutra ou ainda Inti Raimi, Inti Nhamandu, o deus Sol; os Maias de Gogomataz-Tepeu e os habitantes do antigo alto Egito, de Ra – dentre alguns dos nomes dados ao Deus Sol através das eras, apelidado por ele de Gigante dos Andes. Guiados pelo karay, após várias gerações fugindo de Tau, o deus do Mal, todos se esqueceram do passado glorioso de seus ancestrais e agora apenas podem se fiar nas palavras do iniciado que descende de homens íntegros preparados no começo das eras diretamente pelo Gigante dos Andes, o criador da Civilização do Sol, a qual existiu antes da Civilização de Caral e trouxe prosperidade e paz por milênios à Terra. Guaraci sempre volta à Terra para continuar a preparar os habitantes de bagual, o mundo subterrâneo ou material onde dominam a Eçaraia e a Potoca, para que se tornem Humanos após cultivarem atributos superiores destinados a eles por Tupã quando da Criação do Universo. No entanto Tau comanda exércitos formados por comodistas, ignorantes, hipócritas, néscios e egoístas que querem esses atributos sem merecer e perseguem quem se inicia nos profundos conhecimentos trazidos por Guaraci, levados por vaidade, ambição e ânsia de poder. Procuram impedir que os ensinamentos do Criador da Civilização Solar sejam conhecidos e cultivados, porque quem os incorpora em sua vida descobre o Mal e pode revelar suas farsas e artimanhas. Perseguidos, os iniciados se refugiam em regiões remotas. Após tantas gerações fugindo, quase todos desprezam o karay, já velho e cansado, o qual procura entre vainás, os adolescentes, um sucessor, antes que Batarra, o líder dos guerreiros, símbolo do materialismo, o mate para assumir o controle de seu povo. Apenas Apeiaramirim aparenta ter tais condições, mas ambos são mortos traiçoreiramente por Batarra, símbolo da Eçaraia e da Potoca que dominam o mundo material. Quando o fazendeiro Jurandir termina a narrativa se dá o encontro dos espíritos de pai e filho com a herança deixada pelos iniciados amiipaguanas (ancestrais), algo bem mais valioso que todos os tesouros que poderiam imaginar.

O xamã Kuntury, um iniciado descendente da antiga Civilização do Sol que existiu há muitas eras, a que pertenceram quíchuas, incas e aimarás dos Andes, conduz índios nheengaíbas através da floresta amazônica em direção a Marinatambal, atual ilha de Marajó, onde, afirma, encontrarão a cidade perdida de Aztlán’itá (Atlântida), cidade de granito dourado criada pelo Gigante dos Andes de onde hierofantes orientam a Humanidade e na qual poderão ascender a Ivi Marae, o Paraíso dos tupis-guaranis.

"Quando Atairu Altavilla completou dezoito anos seu pai o chamou e disse:
– Filho, a partir de amanhã termine mais cedo suas tarefas, pois todos os dias ao entardecer iremos para a clareira dos cerimoniais, onde lhe transmitirei uma missão deixada como tesouro sagrado pelo karai Kuntury, nosso ancestral nheengaíba assassinado nessas terras antes dos tempos conhecidos! Você será conduzido a uma era perdida na escuridão dos tempos!”

“– Mas ignora a verdadeira história dos nheengaíbas, que teve início nas elevações dos Andes há muitos milhares de anos e que nas profundezas da floresta amazônica está oculto imenso tesouro deixado por Kuntury, discípulo do criador da milenar Civilização do Sol, o Gigante dos Andes! Ao encontrá-lo reacenderá a chama imortal de grandes líderes aimarás e viverá a transubstanciação que nos permitirá continuar a missão de preparar a volta do Nhamandu, pois ao ser morto Kuntury conduzia nosso povo rumo a Ivi Marae, perseguido por adeptos da Potoca do reino de Bagual, inimigos da Civilização do Espírito!”

Serviço:

O Gigante dos Andes
Frans Magellano
Scortecci Editora
Ficção
ISBN 978-85-366-5456-0
Formato 14 x 21 cm
84 páginas
1ª edição - 2018
Preço: R$ 26,00