LITERATURA BRASILEIRA - DO ÁTOMO AO BIT / Roseli Gimenes

A obra coloca em destaque o percurso da literatura brasileira considerando escrituras, principalmente, a partir do século XIX, de caráter de invenção, como as Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, analisando diacrônica e sincronicamente obras e autores como Gregório de Matos, no Barroco, Tomás Antônio Gonzaga, no Arcadismo, e Oswald de Andrade, no Modernismo, observando qualidades de literatura de invenção; passando ao contemporâneo pela obra A festa, de Ivan Ângelo, apostando em sua interatividade ainda em livro impresso, à ciberliteratura de Clarah Averbuck, nas redes sociais, e à poesia concreta e digital de Augusto de Campos, aliada às novas tecnologias digitais.

A buscar indagações sobre estilos de literatura impressa e digital, chega-se a resultados que apontam criação poética de invenção e interatividade na literatura brasileira, da influência da poesia concreta aos fazeres da poesia ciberliterária, assim como de marcas do concretismo nos hipercontos digitais. Ao lado de questões acerca do ensino-aprendizagem, inclusive no ensino a distância de literatura brasileira, procuramos observar o perfil cognitivo dos alunos de cursos de letras de instituições privadas e suas relações com o mundo impresso e digital quando trabalham a literatura brasileira.

A criação poética feita por computadores a partir da inteligência artificial que já se prenuncia em instigantes trabalhos de robôs que contam histórias, participam de ações científicas e ganham partidas de xadrez, mas que também constroem o sentido de que poderão substituir as criações poéticas, entre outras ações e emoções humanas, partindo de teorias como as de John Searle, que com sua metafórica experiência O quarto chinês argumenta desfavoravelmente à inteligência artificial forte, e Roger Schank, que também com experiências na observação de crianças, contrário a Searle, aposta na aprendizagem pelas máquinas.

As leituras que propiciaram as indagações e os resultados sobre literatura e novas tecnologias partiram, notadamente, das obras de Lucia Santaella a respeito de “literatura expandida”, de literatura nas redes sociais, assim como no apoio de contemporâneos da teoria literária, como Haroldo de Campos e Augusto de Campos, sem deixar de percorrer os cânones dessa teoria literária para a análise de obras impressas e anteriores à ciberliteratura, como Alfredo Bosi, Antônio Candido e Marisa Lajolo – que navega entre o impresso e o digital –, entre outros. A descoberta de que a criação, a invenção e a interatividade são motes das obras poéticas literárias, esperamos, possa incentivar o trabalho de professores em suas análises também inventivas, criativas e interativas em suas aulas de literatura brasileira, incentivando seus alunos a perscrutarem os caminhos das redes sociais não apenas em busca de entretenimento, mas também de estudo em blogues, revistas e sites literários.

[...] No título deste trabalho, enunciam-se dois termos que denunciam a diacronia: átomo e bit. Considerando-se o século XIX em que computadores ainda não eram de uso de senso comum nem a palavra bit fazia qualquer sentido, supõe-se que átomos, sim, estão em contexto nesse século. O inverso, tratar bit como senso comum, implica pensar nos séculos XX e XXI. Implica pensar que o trato dado à literatura será diacrônico. Mas a ação em si de chamá-los a um único tempo é sincrônica. [...]

[...] Essa distinção entre átomo e bit é tomada de empréstimo a Negroponte (1995), livros impressos são aqueles de antes dos digitais e de seus aparatos de leitura, como e-readers em tablets, por exemplo. Leitores do século XIX liam seus autores preferidos em obras impressas, caso dos livros de Machado de Assis. Os leitores dos séculos XX e XXI leem também Machado de Assis impresso, mas podem efetuar a leitura de forma diferente, como em um iPhone, por exemplo. Essa não é a questão. O ponto é a diferença entre a criação de uma obra impressa e de outra digital, feita já com essa nova tecnologia do uso de bits. [...]

Roseli Gimenes, coordenadora do curso de Letras e professora de literatura brasileira da Universidade Paulista, publicou A menina de Lacan: um conto Rosa; Psicanálise e cinema, o cinema de Almodóvar sob um olhar lacanianamente perverso, e vários poemas e contos em antologias.

Serviço:

Literatura Brasileira
Do Átomo ao Bit
Roseli Gimenes
Scortecci Editora
Literatura
ISBN 978-85-366-5065-4
Formato 14 x 21 cm
332 páginas
1ª edição - 2017
R$ 55,00